Quarta-feira, 4 de Novembro de 2009
Mãos-chama

Poema da Hora Escoada
 
 
Minhas mãos
- duas chamas ardendo
na mesma insónia
ou na mesma prece.
Minhas mãos
derretidas em cera
que vai escorrendo
ao longo do corpo hirto
da vela moribunda.
Que vai escorrendo,
lenta,
da luz funérea do meu quarto.
 
E o livro de Anatomia
inútil e tremendo
aberto em frente.
E todo o mundo
que me espera
e desespera
nas páginas inúteis e tremendas
do livro de Anatomia.
 
E as horas morrendo,
rio secando
ou vela que se vai derretendo
no quarto de um morto.
 
Minhas mãos, ai minhas mãos
- duas chamas ardendo
na mesma insónia
ou na mesma prece.
 
- Que horas são?
 
As horas são rios secando
ou vela derretendo
pelas mãos frias
de um corpo morto.
 
Fernando Namora,
in As Frias Madrugadas


publicado por luardejaneiro às 21:23
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Domingo, 1 de Novembro de 2009
Três Cantos

Coliseu do Porto com casa cheia e ao rubro

 

 

José Mário Branco, Sérgio Godinho, Fausto: juntos no Porto, no Coliseu.
Três cantos diferentes, unidos por um mesmo caminho de comprometimento e fidelidade a um ideal. Hoje como ontem. 
O Porto rendeu-se, ontem à noite, a estes três homens, à sua música, àquilo que significam.
Quanto a mim, há anos que não me sentia assim: uma enorme emoção obrigou-me a recuar no tempo e devolveu-me alguma esperança. Esta é, de facto, a minha gente. A gente que rejeita o conformismo e os homens de sucesso, egoístas e indiferentes. A gente que defende os que dormem na valeta, os que não têm acesso à cultura e a uma vida com dignidade. A gente solidária e generosa com quem sonhei, um dia, transformar o meu país.
Sei que a situação é, hoje, muito diferente. Sei que as pessoas mudaram. Sei que eu própria amadureci e já não acredito em milagres. Mas também sei que enquanto houver alguém que se emociona, canta, vibra e chora em comunhão, nem tudo está perdido. E esta noite foi UM MILAGRE! Recuei trinta anos. Voltei à pureza inicial, ao rio quente da fraternidade, à vontade de não desistir, à certeza de que vale a pena continuar a lutar por aquilo que quero para mim e para os outros. Senti-me viva, verdadeiramente viva, como naqueles dourados tempos de Abril.
Obrigada, Fausto!
Obrigada, Sérgio!
Obrigada, Zé Mário!
Continuaremos juntos a avisar e a animar a malta!

 


música:

publicado por luardejaneiro às 17:04
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Quarta-feira, 28 de Outubro de 2009
Ainda Saramago...

  

Saramago
 
O debate tinha chegado ao fim. Dois sábios tinham arguido os seus pontos de vista tão opostos como o fogo e a água. "a Pilar como se dissesse água". Tinham brandido naipes de conceitos que buscam há décadas em abismos de milénios profundos. E jogaram-nos em palavras de infinita precisão. Mais de 70 anos de um lado. Mais de 80 do outro: - Não tenho 87. Tenho 86. Diz um grito de rispidez de quem sabe que doze meses de vida são 365 milhões de eternidades. Ou 366. "a Pilar, que não deixou que eu morresse". "Também eu estive muito doente, de resto só esta semana é que voltei a dar aulas" disse o outro. Falaram de Deus e de deus com a eloquência dos conhecedores que já tinham pressentido os fins de tudo e tinham regressado mais um bocadinho. " a Pilar, os dias todos". Falaram da Palavra que ficou repetida em mil livros e mil línguas. "a Pilar, que ainda não havia nascido, e tanto tardou a chegar". Falaram da palavra que ficou e da que foi perdida. Da palavra do senhor que não se ouviu e da do Senhor que foi inventada. Falaram do princípio dos tempos que os dois procuram como nómadas por desertos ouvindo os murmúrios divinos que ambos julgam escutar.
Um, os silêncios. O outro, os cânticos. Discutiram tudo isto com um reluzente brilhantismo apaixonado. Falaram sempre com uma afagante cordialidade que contagiou. Que enterneceu. Que foi solene. Que foi importante. Um apelo no fim. "Que a Declaração Universal dos Direitos do Homem inclua o direito à dissidência. E o direito à Heresia. "Oh homem, você não pode ser herege, não precisa disso se não acredita. Eu sim. Se escrevesse isso seria herege". Disse, defendendo as imagens e interpretações que vão adaptando o bem e o mal divino à vontade humana. "Mas quem é que vos deu o direito para alterar… para interpretar a Bíblia". E acabou. Infelizmente. Carreira das Neves o Catedrático franciscano foi o primeiro a levantar-se e a chegar-se a Saramago (ainda sentado) e num longo afago mascarado de aperto de mão prometeu uma ida a Lanzerote. "Qualquer dia". "Isso enchia-me de felicidade" Disse Saramago abrindo mais um sorriso delimitando infinitos pactos de entendimento numa arca de alianças eternas dos homens de boa vontade. Eu fiquei aos 62 anos subitamente cheio de vontade de chorar e de gratidão. Porque vivo no país de Saramago que tem como pátria a minha língua. Porque viajo com ele em jangadas de pedra que cruzam atlânticos e em passarolas que passam por cima da profunda maldade dos banais. Porque saltito pelas cortes de reis passados e impérios futuros montado no elefante mágico que ele nos deu para impressionarmos o universo. Porque sou também da pátria dele e sei que ele há-de viver por muitos anos nas ruas da minha cidade e ocasionalmente eu posso cruzar-me com ele, como a Joana Latino, minha colega, disse que gostava de fazer quando o entrevistou em Lanzerote. Porque ele vai continuar a ajudar-me a entender mais mundos que ainda não foram descobertos e que ele já conhece, porque viveu sempre na terra de amanhã onde eu nunca entrei. E que mos vai dando um a um. E eu fico mais rico. Porque ele vai continuar a começar os seus livros com dedicatórias encantadas com os hinos à vida de infinita beleza que só ele sabe compor. "a Pilar, a minha casa". Porque "sábio é o que se contenta com o espectáculo do mundo" como disse Ricardo Reis no ano da sua morte. Porque só há um país no mundo inteiro que tem um José Saramago e é o meu país. E o dele. Graças a Deus.
 
Mário Crespo, Jornal de Notícias
[26 de Outubro de 2009]


publicado por luardejaneiro às 22:25
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Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009
Somos só sobreviventes...

 

 

D. Quixote foi-se embora
 
Acende mais um cigarro, irmão
inventa alguma paz interior
esconde essas sombras no teu olhar
tenta mexer-te com mais vigor
abre o teu saco de recordações
e guarda só o essencial
o mundo nunca deixou de mudar
mas lá no fundo é sempre igual.
 
E agora, que a lua escureceu
e a guitarra se partiu
D. Quixote foi-se embora
com o amigo que a tudo assistiu
as cores do teu arco-íris
estão todas a desbotar
e o que te parecia uma bela sinfonia
é só mais uma banda a passar.
 
A chuva encharcou-te os sapatos
e não sabes p'ra onde vais
tu desprezavas uma simples fatia
e o bolo inteiro era grande demais
agarras-te a mais uma cerveja
vazia como um fim de verão
perdeste a direcção de casa
com a tua sede de perfeição.
 
Tens um peso enorme nos ombros
os braços que pareciam voar
tu continuas a falar de amor
mas qualquer coisa deixou de vibrar
os teus sonhos de infância já foram
velas brancas ao longo do rio
hoje não passam de farrapos
feitos de medo, solidão e frio.
 
                                                                        Jorge Palma, Norte
 


publicado por luardejaneiro às 17:24
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Sábado, 26 de Setembro de 2009
Porque votar é preciso...
 


 

EM DIA DE REFLEXÃO

 
Para quem agora me está a ler, hoje é sábado, dia 26 de Setembro, e o país está em período reflexivo porque amanhã vai a votos. Mas eu estou a escrever nove dias antes do domingo das eleições. Eleições que espero (como espero sempre…) que sejam muito participadas, com grandes filas nas assembleias de voto, com as pessoas motivadas a deitar nas urnas a expressão da sua vontade, seja ela qual for, incluindo a de fazer um grande risco no boletim, a liberdade também é isso. Só não percebo muito bem a "liberdade de não votar".
 
Talvez porque vivi muitos anos sem poder livremente votar em quem muito bem entendesse, não percebo como se pode desperdiçar um bem pelo qual tanta gente lutou tanto. Tenho dificuldade em aceitar os que viram a cara e dizem "não tenho nada a ver com isso, estou de costas". Sobretudo - e isso cada vez é mais frequente- quando se trata de gente nova. Os tempos são outros, dizem. Talvez.
 
Mas eu acho que é sobretudo uma grande falta de comunicação. A gente mais nova está cada vez mais habituada a que lhes falem diversas línguas: o gramatiquês, o futebolês, o politiquês, tudo meio cabalístico e sem comunicação com o exterior. Basta ver o enunciado de um teste, um relato de futebol, um encontro de um político com o eleitorado jovem - para se reconhecer estas linguagens. Falta que alguém se lembre, um dia, de lhes falar Português . Alguém que se chegue junto deles e não rodeie o discurso de metáforas, ou de Inglês-técnico, ou do vazio mascarado com palavras que até o Moraes (ou o Houaiss, para ser mais moderno) se veria aflito para descodificar.
 
Alguém que tenha a coragem de lhes dizer "a culpa também é vossa", tal qual fez o presidente Obama, numa escola dos Estados Unidos, num discurso que circula pela net. Ele não está com paninhos quentes e diz-lhes mais ou menos isto: eu já falei da responsabilidade dos vossos pais, da responsabilidade dos vossos professores, da responsabilidade dos vossos governantes. Agora é tempo de falar da vossa. Porque se vocês faltarem às aulas, se não ouvirem nada do que se diz na sala, se estiverem sempre desinteressados, se passarem o tempo todo agarrado à consola, se não se esforçarem por descobrir aquilo para que têm jeito - e toda a gente tem jeito para qualquer coisa - tudo o mais não serve de nada, e o país não anda.
 
É um discurso não muito longo, que era bom que circulasse nas nossas escolas, e fosse lido e discutido com os alunos para que eles sentissem o mal que todo o facilitismo tem feito ao longo destes tempos.
 
E sobretudo para que sentissem o peso de uma palavra que raramente utilizam com eles, mas da qual tudo depende: a palavra responsabilidade.



Alice Vieira

Jornal de Notícias

26 de Setembro de 2009

 



publicado por luardejaneiro às 21:53
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VOTO ÚTIL? Útil a quem?

 

Mais do mesmo?

  

NÃO, OBRIGADA!

 

 

 

Porque é preciso prender a rédea curta a estes senhores de incompetência demonstrada e que se julgam donos do país, das nossas vidas, e do futuro dos nossos filhos, no próximo domingo vou votar à esquerda.

 

 



publicado por luardejaneiro às 01:00
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Quarta-feira, 23 de Setembro de 2009
Na hora da verdade...

 

 

PROFESSOR!
 
Não esqueças as insónias
Raivas, ódios e feridas,
Chicotes de humilhação
E depressões incontidas.
Não sejas Judas, traidor,
Nem dês as mãos a Pilatos
Que os lobos estão escondidos,
Lá para as bandas dos Ratos.
Anda o sol a escaldar,
Neste acenar já de Outono,
Mas só com orgulho e brio,
Pode ser calmo o teu frio
E repousado o teu sono.
 
                                          Isabel Fidalgo
 

 



publicado por luardejaneiro às 19:45
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Domingo, 13 de Setembro de 2009
Deixar em mãos alheias...

 

Recusar Velhos do Restelo

1.Em 1949, quando a voz tinha de ser só uma, certo grande poeta, José Régio, professor em Portalegre, arriscando-se às consequências, ergueu a sua, a denunciar a ditadura e o medo. Havia eleições para a presidência da República e Norton de Matos era o candidato da oposição. Régio apoiou-o. Num caderno da Seara Nova, acerca do medo, escreveu: “inimigo da alma: porque é o medo que tolhe até os impulsos mais generosos, faz desistir até das aspirações mais justas, afoga até o grito mais espontâneo, corrompe e assombra até a mais clara visão da vida.” O medo de quê? De nos arriscarmos e reclamarmos a justiça social? 60 anos passados, o virar de costas à realidade, que é, sobretudo, virarmos as costas a nós próprios e desrespeitar-nos, continua na raiz da resignação portuguesa. Evitamos o risco: o incómodo de nos manifestarmos, e tendemos a ir atrás dos outros indiferentes.

2.Indiferentes a quê? Ao futuro. Encolhemos os ombros (encolhemos a alma) e pensamos: que venha ele, futuro, como vier! E das duas uma: ou nos chegamos aos que parecem garantir a paz podre ou abstemo-nos de nos manifestar. Em eleições, isso descamba no seguinte: ou preferimos aqueles que se mostram dispostos a não melhorar nada (e, afinal, continuam a tirar partido do que está mal ou péssimo) e elegemos os ultraconservadores em vez dos que prometem caminhos renovados, mais justos – ou, razoando para esconder o medo, pura e simplesmente, nos abstemos de votar. Lá está o medo, “inimigo da alma”. Lá está o homem a rebaixar-se. Lá está o homem a não querer saber que é responsável pela sociedade em que vive – e a deixar a própria vida por mãos alheias.
 
Manuel Poppe, O Outro Lado
Jornal de Notícias [13.Setembroo.2009]


publicado por luardejaneiro às 19:13
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Sexta-feira, 11 de Setembro de 2009
O bem mais precioso

Ribeira Grande (S. Miguel.Açores)

  

Águas pouco transparentes

 
Na "Ode ao ar" do início das "Odes elementales" que dedica às coisas simples, Neruda dirige-se assim ao "incansável" ar: "Monarca ou camarada,/ fio, coroa ou ave,/ não sei quem és, mas/ uma coisa te peço, não te vendas./A água vendeu-se/ e dos canos,/ no deserto,/ vi/ extinguirem-se as gotas/ e o mundo pobre, o povo/ caminhar sequioso/ cambaleando na areia".

A privatização, isto é, a entrega ao critério do lucro, de bens essenciais não é coisa que possa ser tratada como mais uma trica eleitoral e, feita a denúncia, não pode ser ignorada pelos partidos que se propõem ser governo.

É, pois, fundamental que tanto o PS como o PSD respondam à acusação do BE de que estará em curso um projecto de entrega da água que bebemos à cobiça privada. Sendo de procura quase inelástica, a água é um negócio altamente apetecível e, porque ninguém pode viver sem água, uma responsabilidade social elementar de que o Estado não pode demitir-se.
Se há assunto em que qualquer partido deve ser absolutamente transparente é o das suas intenções nesta matéria. E nem o PS nem o PSD o são, o que legitima todas as suspeitas.

 

Manuel António Pina, Por Outras Palavras
Jornal de Notícias [11.Set.2009]

 



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Quarta-feira, 15 de Julho de 2009
Carta de Antero de Quental a Jaime Magalhães Lima

 

Vila do Conde, 20 de Janeiro de 1887
 
Meu caro Amigo:
 
Acabo de ler o seu livro[i] e, desde a primeira à última página, sempre com interesse e gosto. Há em todas elas pensamento e esse pensamento é conexo: há, além disso, uma maneira pessoal de ver as coisas e de se exprimir: vê-se finalmente que o autor não quis brilhar, mas simplesmente dizer alguma coisa que merecia ser dita. Por tudo isto não deve estar descontente com o seu livro e pode estar certo de que está muito longe de ser uma publicação inútil – compreendo entretanto essa espécie de dúvida e desgosto, que a sua carta acusa, mas não o aprovo. Convém mirar sempre à perfeição, mas nunca afligirmo-nos porque não a alcançámos, desde que trabalhámos com ânimo limpo de vaidade e que fizemos como melhor soubemos e pudemos. Nesta impaciência e desconsolação, que eu desaprovo, quando não entra inconscientemente um certo orgulho, entra uma certa inquietação parente dos “escrúpulos”, que são uma verdadeira doença moral. Não podemos exigir de nós mesmos mais do que é justo exigir-se da natureza humana: isto é, não devemos em coisa alguma exigir a perfeição, mas contentarmo-nos com a bondade e rectidão das intenções.
Banir a vaidade das nossas obras, isso é que está inteiramente na nossa mão; torná-las perfeita, não. Mas a obra concebida e executada sem vaidade tem já por isso mesmo uma espécie de perfeição. E a quem trabalha assim, muitos outros dons lhe serão dados sem que os procure.
Depois, deixe-me dizer-lhe uma coisa: e é que não está tudo em sermos caridosos com os outros: é necessário sê-lo também com nós mesmos. Deitar aos lombos do pobre jumento carga maior do que aquela com que ele pode, implica mais dum pecado: ou soberba, ou desarrazoada impaciência ou, pelo menos, o desconhecimento da harmonia e ponderação natural das coisas. A justiça perfeita para com os outros chama-se caridade; a justiça perfeita para com nós mesmos chama-se humildade. Aquele homem incomparável e maravilhoso que foi S. Francisco de Assis, quando, novo ainda, se achou quebrado, extenuado e quase cego, em virtude das muitas penitências e jejuns, reconheceu que tinha errado e disse esta frase notável: Reconheço que pequei muito contra meu pobre irmão corpo.
 
Do seu do coração
 
Antero de Q.


[i] Estudo sobre a Literatura Contemporânea, Porto, 1886


publicado por luardejaneiro às 18:59
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Domingo, 12 de Julho de 2009
E assim se ENGANA PORTUGAL...

 

Quase 52 mil vagas
no Ensino Superior

 

 

 

Cursos sem emprego
são os que têm mais vagas
 

 Jornal de Notícias (hoje)

 

 



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Sexta-feira, 10 de Julho de 2009
Trocar as voltas aos deuses...

  

Passeio dos Prodígios

 
Vamos lá contar as armas
tu e eu, de braço dado,
nesta estrada meio deserta
não sabemos quanto tempo as tréguas vão durar…
 
Há vitórias e derrotas
apontadas em silêncio
no diário imaginário
onde empilhamos as razões para lutar!
 
Repreendo os meus fantasmas
ao virar de cada esquina
por espantarem a inocência
quantas vezes te odiei com medo de te amar…
 
Vejo o fundo da garrafa
acendo mais outro cigarro
tudo serve de cinzeiro
quando os deuses brincam é para magoar!
 
Vamos enganar o tempo
saltar para o primeiro comboio
que arrancar da mais próxima estação!
Para quê fazer projectos
quando sai tudo ao contrário?
Pode ser que, por milagre,
troquemos as voltas aos deuses.
 
Entre o caos e o conflito
a vontade e a desordem
não podemos ver ao longe
e corremos sempre o risco de ir longe demais.
 
Somos meros transeuntes
no passeio dos prodígios
somos só sobreviventes
com carimbos falsos nas credenciais.
 
Vamos enganar o tempo…
 

                                                                  Jorge Palma

 



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Quinta-feira, 2 de Julho de 2009
A Casa de José Régio em Vila do Conde
 

1. Casa onde nasceu

2. Casa da Madrinha Libânia, onde morreu e instalou o Museu

  

 
A triste experiência da vida do colégio não fizera senão revigorar o seu amor por aquela casa onde nascera, onde vivera uma infância um pouco estranha mas sedutora, e onde, afinal, se reconhecia feliz sempre que podia sê-lo. Assim se pusera a perscrutá-la, a saboreá-la, a querer-lhe em todos os seus recantos pitorescos, estudando-a como se estuda um livro nunca esgotado. Nem Lelito precisava sair fora para correr praças, avenidas, ruas, becos, retiros, escadarias. Tinha-os ali, dentro daquela sua casa, como os teria na cidade do Porto; - embora em ponto pequeno. No quintal, que era um prolongamento, achava jardins e bosques, hortas e frescos recessos, uma escapada para a imensidade do céu, miradoiros sobre os horizontes longínquos… Assim, mais do que nunca, se lhe tornara aquela casa um mundo: o seu verdadeiro mundo. Como quem vai, a certa hora, sentar-se num certo banco de certo jardim público, ia, pelo entardecer, sentar-se com um livro na sala de jantar, a uma das janelas quase rentes ao quintal. Às vezes, madrinha Libânia estava no canapé. Mas a sua presença contemplativa, a que se habituara durante a doença, não lhe era senão um aconchego a mais. Na cozinha, quase em frente, só separada da sala de jantar pelo corredor, Piedade atarefava-se. Lelito gostava de entrever o seu amplo vulto e a sua face carinhosa, como ela gostava de saber que o menino estava ali perto. Francisca descia a escada em caracol, vinha pôr a mesa. Francisca estivera seis anos em casa do senhor barão da Ponte d’Este. De lá trouxera o seu ar de criada de casa nobre (com que não podia a ti Pinheiro!) e aquela cerimoniosa discrição que a fazia pôr a mesa sem um tilintar de louça, ou um rumor de passos, para não perturbar o menino que lia. (Lia? mas na verdade lia?...) Quem não fazia cerimónias era o canário, no corredor. Lelito distraía-se acompanhando sem querer as modulações estridentes que ele ensaiava, gulosamente espiado pelo Trovador…; - o qual herdara tal nome dum Trovador antecedente, como o herdara este de todos os anteriores gatos da casa. Quando as estridências do canário o impacientavam, Lelito ia sacudir-lhe a gaiola; ou então, assustava-o com pancadas dum trapo no arame. E ninguém poderia saber como todas estas coisas minúsculas, estes pormenores que a outrem ou pareceriam ridículos ou simplesmente passariam despercebidos, - ajudavam Lelito a curar-se: a lutar contra as forças daquele mundo tenebroso e álgido que ainda, a espaços, o atraía… Com estes pequenos nadas tentava fazer – e realmente fazia – amarras bastantes fortes para o prenderem à esperança; para o amarrarem à vida e ao prazer da vida. E até, às vezes, se esforçava por voltar a formas de sentir, de sonhar, de esperar, que tinham sido características da sua infância. Ah, poder tornar a viver – ao menos por um momento – com a inocência e a frescura de outros tempos, antes de recomeçar a vida lá de fora! reconquistar o antigo e feliz desapego, que lhe permitia só se apegar naturalmente ao que lhe agradava! E assim, às vezes, vinha mais cedo, há hora em que Piedade ainda fazia renda rezando o terço com madrinha Libânia, e ao lado de ambas se punha a folhear, como outrora, as velhas revistas conservadas na gaveta da papeleira. Quando, por uma espécie de cansaço daquele envelhecimento a que já chegara, (sobretudo por experiência de si mesmo) independentemente dos seus esforços voluntários reatingia, de facto, um estado de frescura infantil nos sentimentos e impressões, - um estado de graça – tais horas eram para ele cheias de encanto. E sem mesmo o procurar exprimir sequer perante si próprio, através de tudo isto sentia Lelito fazer-se presente – melhor: fazer-se eterno – todo o passado da família, ou pulsar realmente vivo o coraçãodaqueles muros...

 

 

 

 

Porque não bastava que viesse sentar-se à janela da sala de jantar, como quem vai sentar-se num banco predilecto dum jardim público; não bastava que entre certos escaninhos da casa, que buscava nas horas de particular devaneio, e as partes mais agitadas pela lida quotidiana, visse a mesma diferença que há entre certos recantos duma cidade e os seus centros mais movimentados; não bastava que passeasse nos corredores, entrasse nos quartos, subisse ou descesse escadas trocando umas palavras com quem topasse, como quem sai a divagar pelos cafés e ruas, dando uns dedos de palestra aos amigos; não bastava que hesitasse, às vezes, entre o instalar-se numa ou noutra parte, (por exemplo: na sala de jantar ou a uma das janelinhas do sótão; no seu quarto ou na varanda da buganvília; na saleta contígua ao quarto de madrinha Libânia ou na sua pedra por trás das canas-da-índia) como quem hesita entre os sítios mais afastados, convidativos todos mas por atractivos diversos; não bastava, em suma, que fosse a casa para ele uma cidade inteira… mais que uma cidade, um mundo!: Era preciso que a sua imaginação a tivesse identificado com um ser vivo. Pois não lhe sentia ele bater o coração? não aprendera a penetrar nas encantadoras delicadezas do seu espírito? Se ninguém mais o sabia, - sabia ele que a sua casa tinha alma e nervos. Reconhecia-lhe os dias de melancolia, as horas de festa, os vaivéns do humor… Destas coisas, porém, não podia falar senão consigo próprio; ou, às vezes, nos seus papéis, - o que vinha a dar no mesmo. Eram coisas que faziam parte do seu segredo. E quem lhas compreenderia? Qualquer observador superficial não deixaria de atribuir à disposição dos móveis, ou a qualquer outro motivo meramente externo, o aspecto característico dum aposento: assim como à vida e costumes dos moradores toda a vida da moradia. Ora a verdade é que, nestas questões subtis, já todos apareciam a Lelito como suspeitos de superficialidade. A verdade nua e crua era, até, que a imensa maioria dos homens (incluindo os reputados de inteligentes) lhe apareciam réus da mais charra incompreensão perante o quer que se lhes ofereça de verdadeiramente subtil… Mas, visto ser ainda muito limitado o seu conhecimento experimental dos homens, fundava-se tal juízo mais na intuição do que na experiência. O que lhe mostrava a experiência é que ninguém, senão ele, sabia na casa como ela tinha personalidade própria; como dessa personalidade compartilhavam todos os aposentos, tendo, embora, cada um o seu papel funcional; e como não só a personalidade da casa era insubmissa às coisas e pessoas que a povoavam, mas antes acaba por pesar sobre os seus gestos, palavras, atitudes, sentimentos…
 
José Régio, A Velha Casa I

 

 



publicado por luardejaneiro às 18:49
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Segunda-feira, 29 de Junho de 2009
Que nada me dariam do infinito que pedi...

Vila do Conde.Estátua de José Régio

 

Poema do silêncio

Sim, foi por mim que gritei.
Declamei,
Atirei frases em volta.
Cego de angústia e de revolta.

Foi em meu nome que fiz,
A carvão, a sangue, a giz,
Sátiras e epigramas nas paredes
Que não vi serem necessárias e vós vedes.

Foi quando compreendi
Que nada me dariam do infinito que pedi,
-Que ergui mais alto o meu grito
E pedi mais infinito!

Eu, o meu eu rico de baixas e grandezas,
Eis a razão das épi-trági-cómicas empresas
Que, sem rumo,
Levantei com sarcasmo, sonho, fumo...

O que buscava
Era, como qualquer, ter o que desejava.
Febres de Mais. Ânsias de Altura e Abismo,
Tinham raízes banalíssimas de egoísmo.

Que só por me ser vedado
Sair deste meu ser formal e condenado,
Erigi contra os céus o meu imenso Engano
De tentar o ultra-humano, eu que sou tão humano!

Senhor meu Deus em que não creio!
Nu a teus pés, abro o meu seio
Procurei fugir de mim,
Mas sei que sou meu exclusivo fim.

Sofro, assim, pelo que sou,
Sofro por este chão que aos pés se me pegou,
Sofro por não poder fugir.
Sofro por ter prazer em me acusar e me exibir!

Senhor meu Deus em que não creio, porque és minha criação!
(Deus, para mim, sou eu chegado à perfeição...)
Senhor dá-me o poder de estar calado,
Quieto, maniatado, iluminado.

Se os gestos e as palavras que sonhei,
Nunca os usei nem usarei,
Se nada do que levo a efeito vale,
Que eu me não mova! que eu não fale!

Ah! também sei que, trabalhando só por mim,
Era por um de nós. E assim,
Neste meu vão assalto a nem sei que felicidade,
Lutava um homem pela humanidade.

Mas o meu sonho megalómano é maior
Do que a própria imensa dor
De compreender como é egoísta
A minha máxima conquista...

Senhor! que nunca mais meus versos ávidos e impuros
Me rasguem! e meus lábios cerrarão como dois muros,
E o meu Silêncio, como incenso, atingir-te-á,
E sobre mim de novo descerá...

Sim, descerá da tua mão compadecida,
Meu Deus em que não creio! e porá fim à minha vida.
E uma terra sem flor e uma pedra sem nome
Saciarão a minha fome.
 
                                                                    José Régio

 



publicado por luardejaneiro às 18:57
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Quinta-feira, 25 de Junho de 2009
No 152º aniversário de As Flores do Mal

Édouard Manet.A amante de Baudelaire, reclinada

  

A que está sempre alegre

Teu ar, teu gesto, tua fronte
São belos qual bela paisagem;
O riso brinca em tua imagem
Qual vento fresco no horizonte.

A mágoa que te roça os passos
Sucumbe à tua mocidade,
À tua chama, à claridade
Dos teus ombros e dos teus braços.

As fulgurantes, vivas cores
De tua vestes indiscretas
Lançam no espírito dos poetas
A imagem de um ballet de flores.

Tais vestes loucas são o emblema
De teu espírito travesso;
Ó louca por quem enlouqueço,
Te odeio e te amo, eis meu dilema!

Certa vez, num belo jardim,
Ao arrastar minha atonia,
Senti, como cruel ironia,
O sol erguer-se contra mim;

E humilhado pela beleza
Da primavera ébria de cor,
Ali castiguei numa flor
A insolência da Natureza.

Assim eu quisera uma noite,
Quando a hora da volúpia soa,
Às frondes de tua pessoa
Subir, tendo à mão um açoite,

Punir-te a carne embevecida,
Magoar o teu peito perdoado
E abrir em teu flanco assustado
Uma larga e funda ferida,

E, como êxtase supremo,
Por entre esses lábios frementes,
Mais deslumbrantes, mais ridentes,
Infundir-te, irmã, meu veneno!
 
                                                           Baudelaire, in As Flores do Mal

 



publicado por luardejaneiro às 11:58
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Domingo, 21 de Junho de 2009
Com a acuidade do milhafre

  

Coimbra, 17 de Julho de 1953 – Tento compreender o meu caso, explicar a razão dos escrúpulos que me atormentam. Talvez porque me defendo mal e sou incapaz de transformar em oiro o latão das falências, necessito de fazer as coisas bem, o melhor que posso, de levar cada acto à bigorna do absoluto. Vejo os meus defeitos e erros com uma acuidade de milhafre que a mil metros de altura descobre uma minhoca num lameiro. Não importa que os outros ignorem isso, ou que eu, aparentemente, me contradiga. Por dentro é assim. Corrói-me uma tal crueldade de auto-análise, uma severidade tão desumana de juiz honrado em causa própria, que me condeno antes dos crimes, logo ao dealbar da consciência deles, embora depois não resista à tentação de os cometer. Por isso, numa precaução instintiva, espremo as poucas virtudes que possuo até elas me secarem nas mãos. Que não seja por falta de esforço e de sinceridade que a obra falhe e o homem deixe de ter dignidade. Infelizmente, a silha acaba por se marcar no corpo e na alma. E há qualquer coisa de penitente perpétuo na minha fisionomia quotidiana. Caminho ao encontro da vida não como o namorado que se dirige ao encontro da noiva, mas como um funcionário que vai prestar contas ao patrão.
Devo acrescentar, porém, que esse sentido da responsabilidade não esmoreceu nem azedou a força instintiva da esperança que sempre senti latejar no ânimo e no coração. Creio até que, pelo contrário, foi inabalável a confiança no futuro que, pondo-me na obrigação moral de o ajudar a construir, carregou de pânico os meus passos e de sombras o meu rosto. Como os méritos são poucos e os tempos não auxiliam, a pobre areia do meu concurso parece-me irrisória. Deponho-a, contudo, conscienciosamente, aos pés do edifício a erguer, e a tristeza com que o faço, que pode parecer apenas desespero, é, sobretudo, amargura por não ser capaz de mais.
 
Miguel Torga, Diário VII
 

 



publicado por luardejaneiro às 17:56
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Segunda-feira, 8 de Junho de 2009
Quem semeia...

 

Quem semeia ventos

colhe tempestades! 

 

Acredito que os Professores foram parte  importante desta tempestade.

Mas não tenhamos ilusões! Os partidos ditos do poder vão continuar com esta política na Educação.

É preciso que nas próximas Eleições Legislativas não nos deixemos iludir com o voto útil.

Só uma oposição forte, um contrapoder eficaz, pode obrigar o Governo a seguir políticas educativas credíveis e a respeitar a função docente.

 

 

 



publicado por luardejaneiro às 11:36
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Domingo, 7 de Junho de 2009
Eu já votei.

 

 

Não votar, salvo motivos intransponíveis, significa renunciar a um direito fundamental que custou muitos sacrifícios (e até vidas!) oferecidos ao sonho da Democracia.
 
António Freitas Cruz
Jornal de Notícias [7.Junho.2009]
 
 
 
Eu já votei.
Porque se é verdade que a cidadania não se esgota no voto, não posso deixar de afirmar o que quero (ou não quero) para mim, para o meu País, para a Europa e para o Mundo. Porque é de nós todos que depende o presente e o futuro.
 
 

 



publicado por luardejaneiro às 18:05
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Quinta-feira, 4 de Junho de 2009
MIRANDÊS: a segunda língua oficial

 

 

Antiga Alfândega de Miranda do Douro
 
A Alfândega do séc. XV tinha o portal, em arco quebrado, recuado em relação à fachada actual. Um alpendre corria ao longo da frontaria medieval. No séc. XVI, o seu novo portal, em arco de volta perfeita, e incrustado de motivos manuelinos, avançou sobre a rua. Nos finais do séc. XIX, foram rasgadas as actuais janelas, entre outras reformas. Na segunda metade do séc. XX, o telhado medieval, de duas águas, fica apenas com uma pendente. Em 2004, o edifício foi restaurado, tendo sido conservadas as marcas fundamentais da sua longa história. Alfândega, primeiro, posto da Guarda, depois, é hoje a Casa da Cultura Mirandesa.

 



publicado por luardejaneiro às 12:40
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Domingo, 31 de Maio de 2009
Há palavras...

 

Há palavras que fazem bater mais depressa o coração

-todas as palavras- umas mais do que outras, qualquer mais do que todas.

Conforme os lugares e as posições das palavras.

Segundo o lado de onde se ouvem - do lado do Sol ou do lado onde não dá o Sol.

 

Almada Negreiros, A Invenção do Dia Claro

 



publicado por luardejaneiro às 10:59
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Os partidos receiam cada vez mais a sociedade. Apreciam quem depende de si. Mas temem os homens livres.
*Francisco José Viegas diz...
A doutrina do crescimento infinito, grata aos economistas e políticos, é que nos levou à crise.
*Carlos Abreu Amorim diz...
"A nossa crise é mais profunda do que esta a que querem assacar todos os males: é a nutrida "Tradição do Mau Governo." ****************************************** "Hoje, dizer a verdade parece um acto próprio de quem parece estar prestes a perder o juízo."
*António Freitas Cruz diz...
A mirabolante ideia de dispensar os professores da avaliação científico-pedagógica deu-me que pensar. Então, vão avaliar o quê - a maneira de vestir, a elegância do andar ou o estilo de cruzar e descruzar as pernas?
*Javier Urra diz...
[...] a sociedade confunde o bem com o mal. Hoje há esta ideia de que tudo é relativo. [...] [...] o aluno não respeita o professor, porque o pai lhe retirou autoridade. Vai lá e diz: "Não diz isso ao meu filho!". [...] Os menores têm o direito - e repare que não digo o dever - de ser castigados. [referindo-se a comportamentos violentos]
*José Saramago diz...
Como se pode ser optimista quando tudo isto é um estendal de sangue e lágrimas? Nem sequer vale a pena que nos ameacem com o inferno, porque inferno já temos. O inferno é isto. ********************************************* Numa situação como esta, seria natural uma oposição de Esquerda forte, clara, consistente, coerente. Mas o que há é um adormecimento a todos os níveis da sociedade. Este sistema adormeceu-nos. E agora ri-se simplesmente de nós.
* Manuel Poppe diz...
[...] Qual o lugar do Indivíduo na sociedade do lucro-pelo-lucro e da amoralidade, do neoliberalismo que reinventou e aplica a nova escravatura? Quem consegue respeitar a sua vocação? Impor a sua diferença? Realizar a sua singularidade? Aquilo a que assistimos é à tragédia do homem-objecto, que Charles Chaplin denunciou, há setenta anos, em "Tempos Modernos". E de que maneira o paga o nosso desgraçado país, roubado e humilhado, sem indústria, sem agricultura, sem pesca [...] - sem Cultura. Rasgado, de Norte a Sul, pelo betão dos patos bravos e o alcatrão dos ávidos novos-ricos (à custa de milhões de novos pobres). [...]
*Alexandre Quintanilha diz...
Tenho mais medo da clonagem cultural do que da genética.
* Psiquiatra Pedro Afonso diz...
A desautorização dos professores e a demissão dos pais do exercício da sua autoridade educativa, para além de conduzir a atitudes e comportamentos anti-sociais, proporciona a estruturação de personalidades imaturas e com falhas na adaptação social.
*Nuno Crato diz...
Para a ideologia educativa dominante a massificação não constitui uma oportunidade para chamar novas camadas sociais à cultura e ao conhecimento.
*Pela Educação, por Portugal
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