Domingo, 13 de Maio de 2007

OSHO e os relacionamentos

Flor


Perguntaram a Osho porque eram tão difíceis os relacionamentos.

Resposta: ”Porque vocês ainda não são. Há um vazio interior e o medo de que, se se relacionar com alguém, mais cedo ou mais tarde, esse vazio seja exposto. E assim, parece mais seguro manter uma certa distância em relação às pessoas; ao menos pode fingir que é.
O relacionamento só é possível entre duas pessoas realizadas. O relacionamento é uma das melhores coisas da vida: significa amor, significa partilhar. Mas antes de poder partilhar é preciso ter. E antes de você poder amar, precisa de estar cheio de amor, a transbordar de amor.
Duas sementes não podem relacionar-se, elas estão fechadas. Duas flores podem relacionar-se: estão abertas, podem transmitir as suas fragrâncias para a outra, podem dançar sob o mesmo sol e com o mesmo vento, podem ter um diálogo, podem sussurrar. Mas isso não é possível com duas sementes. As sementes estão completamente fechadas, sem nenhuma janela – como é que poderiam relacionar-se?
E é esta a situação. As pessoas nascem com a forma de semente; podem tornar-se flores ou não. Tudo depende de si, do que faz consigo; tudo depende de você crescer ou não. A escolha é sua – e a cada momento é preciso enfrentar essa escolha; a cada momento você está numa encruzilhada.
Milhões de pessoas decidem não crescer. Continuam a ser sementes; continuam a ser possibilidades, nunca se tornam realidades. Elas não sabem o que é realizarem-se pelos seus próprios meios, não conhecem todo o seu potencial, não sabem nada acerca do ser. Vivem completamente vazias, morrem completamente vazias. Como podem relacionar-se?
Isso seria exporem-se – a sua nudez, a sua fealdade, o seu vazio. Parece mais seguro manterem-se afastadas. Até mesmo os amantes mantêm a distância; só vão até certo ponto e mantêm-se alerta para saberem quando devem voltar atrás. Têm fronteiras; nunca atravessam as fronteiras, permanecem confinados nas suas fronteiras. Sim, há uma espécie de relação, mas que envolve a posse em vez dum relacionamento.
O marido possui a mulher, a mulher possui o marido, os pais possuem os filhos e por aí fora. Mas possuir não é relacionar-se. De facto, possuir é destruir todas as hipóteses de relacionamento.
Se você se relacionar, você respeita; não pode possuir. Se você se relacionar, há uma grande reverência; vocês tornam-se muito próximos – muito, muito próximos, alcançam uma profunda intimidade, quase se sobrepõem. Você não interfere com a liberdade do outro, o outro continua a ser um indivíduo independente. A relação é do tipo “eu/tu” e não do tipo “eu/isto” – sobrepõem-se, interpenetram-se, mas mantém-se de certa forma independentes.
Dois amantes suportam algo invisível e algo imensamente valioso: uma certa poesia do ser, uma certa música ouvida nos recantos mais profundos da sua existência. Suportam a mesma harmonia, mas continuam independentes. Podem expor-se ao outro, porque não há medo. Eles sabem que “são”. Eles conhecem a sua beleza interior, conhecem o seu perfume interior; não há medo.
Mas normalmente o medo existe, porque você não tem qualquer perfume. Se se expuser, irá simplesmente cheirar mal. Emanará um cheiro de inveja, ódio, raiva, luxúria. Não terá o perfume do amor, da oração, da compaixão.
Milhões de pessoas decidiram continuar a ser sementes. Porquê? Quando podem tornar-se flores e dançar ao vento e ao sol e ao luar, por que é que decidiram continuar a ser sementes? Há uma razão para a sua decisão: a semente é mais segura do que a flor. A flor é frágil. A semente não é frágil, a semente parece forte. A flor pode ser destruída facilmente pelo vento forte. A semente não pode ser tão facilmente destruída pelo vento, a semente está muito protegida, muito segura. A flor está exposta – é uma coisa delicada e está exposta a perigos constantes. Mas a semente é segura: é por isso que milhões de pessoas decidiram continuar sementes. Mas continuar a ser uma semente é continuar morto, continuar a ser uma semente é não viver. É seguro, certamente que é, mas não tem vida. A morte é segurança, a vida é insegurança. Uma pessoa que queira realmente viver tem de correr perigo, constantemente. Uma pessoa que queira alcançar o cume tem de correr o risco de se perder. Uma pessoa que queira subir aos picos mais altos tem de correr o risco de cair de algum lugar, de escorregar.
Quanto maior for o desejo de crescer, mais o perigo tem de ser aceite. O homem real aceita o perigo como sendo o seu estilo de vida e o seu próprio clima de crescimento. Primeiro sejam. Depois, tudo o resto é possível.
Ser é um requisito básico. Se você for, a coragem surge como consequência disso. Se você for, surgirá um grande desejo de aventura, um grande desejo de explorar – e quando você estiver pronto para explorar, conseguirá relacionar-se. Relacionar-se é explorar – explorar a consciência do outro, explorar o território do outro. Mas quando você explora o território do outro, tem de deixar e aceitar que o outro o explora a si; não pode ser um caminho unidireccional. E você só poderá permitir que o outro o explore quando tiver alguma coisa, algum tesouro, dentro de si. Então não haverá medo. De facto, você convida a pessoa, você recebe a pessoa, convida-a a entrar, você quer que ela entre. Você quer que ela descubra o que você descobriu dentro de si mesmo, você quer partilhar isso.
Primeiro seja, depois poderá relacionar-se – e lembre-se: o relacionamento é bonito. Mas primeiro seja. Uma pessoa feliz, cujas energias começam a transbordar, que se torna uma flor, tem de se relacionar. Não é uma coisa que tenha de aprender a fazer, é uma coisa que começa a acontecer. Mas descubra primeiro o seu centro. Antes de poder relacionar-se com qualquer pessoa, relacione-se consigo mesmo. É esse o requisito básico que tem de ser preenchido. Sem ele, nada é possível. Com ele, nada é impossível.” 

Que bom se todos procurássemos compreender-nos e encontrar dentro de nós o tal tesouro para partilhar com os outros. Isto não é um catecismo, nem eu gosto de catecismos ou de gurus. Simplesmente, serve para reflectir, para aprender a viver. Nunca se é suficientemente velho para aprender a viver melhor, de um modo mais verdadeiro e mais afectuoso. Que bom se, cada um de nós, fosse uma flor frágil, que não quer ser semente.


 


publicado por Elisabete às 18:09
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