Domingo, 21 de Julho de 2013

A crise está a atacar estruturas civilizacionais

 

E se os portugueses, fartos de verem o seu futuro roubado, optassem em referendo pelo fim do país? É desta situação-limite que parte Despaís", o novo romance de Pedro Sena-Lino, situado em 2023. "Espelho negro" do país, e não "uma sátira à conjuntura portuguesa actual", o livro é uma "resposta" do autor a quem conduziu o país à presente situação.

 

Há uns anos este seu romance seria considerado pós-apocalíptico. Hoje, quando muito, é hiper-realista. Só esta transformação diz muito do estado a que chegámos enquanto país?

Mais do que pós-apocalíptico ou hiper-realista, tentei criar um romance seguindo os princípios da história virtual: alterando apenas alguns factores. Comecei a escrevê-lo há quase três anos, com uma enorme pausa pelo meio. Talvez isso explique a “transformação” de que fala. Para mim, foi um exercício quase matemático: como a manutenção de algumas variáveis e a alteração de outras podia gerar essa situação. Hoje fala-se no “segundo resgate”, no romance já vamos no quinto. Mas o que me importa mais é perguntar se de facto o conceito de país, assente no princípio de estado-nação, ainda faz sentido. E sobretudo, se serve aos cidadãos. Veja: a crise está a atacar as estruturas civilizacionais: cada um está preocupado consigo, e a União Europeia consigo própria. Mas quem estão a ser atacados são os Estados fracos e periféricos. Eles estão a servir-nos como representantes do bem comum, como “agregação” de cidadãos, como explicava Rousseau? Criámos o Estado e defendemo-lo durante gerações porque assegurava o bem comum e o progresso de cada um e de um todo. Será o caso hoje? Essa é a pergunta de biliões de euros.

 

Com a deterioração crescente das condições económicas sociais e políticas de Portugal, admite que o cenário de dissolução do país descrito no livro possa ter lugar muito antes de 2023?

Sou um escritor, não sou vidente (como parece que o são muitos comentadores políticos). Aliás, essa caricatura dos comentadores é uma das linhas de força da ironia que constrói o romance: nem terminam uma frase! Numa sociedade cultivada, os comentadores contribuem com o seu conhecimento e a sua análise para alargar a consciência da opinião pública; não para confundir e acirrar, para manipular segundo programas pessoais, como parece ser o caso em Portugal. É um espelho da falta de qualidade da nossa auto-reflexão. Todavia, o romance quer ser uma espécie de espelho negro: o que podemos fazer, o que podemos alterar, para que isto não seja possível? A uma crise que nos roubou o futuro e nos prendeu a um presente imediato de sobrevivência, estamos a responder a ela com as mesmas armas. A questão deve ser, parece-me: já não somos soberanos praticamente em nada; o estado-nação português, associação de todos os portugueses, está a ser destruído pelo financeirismo, “é um nome vazio que responde pela dívida”, como diz uma das personagens do livro. Não poderemos fazer voltar esta crise de identidade e soberania a nosso favor? Estive há anos num congresso no meio dos Estados Unidos, e muitas pessoas me diziam: «Ah, a União Europeia, um Parlamento, uma moeda comum; isto para nós é um milagre, como é que vocês venceram milénios de guerras e se uniram!». Não vemos isto. A Europa unida é uma potência poderosíssima, sobretudo porque o seu poder assenta num conjunto de valores civilizacionais e culturais. É isto que estão a tentar atacar, e é contra isto que creio, como criador europeu que sou, que deveremos criar uma solução. Que já não nasce dos políticos, mas que deve nascer, entre outros aspectos, da mais velha aliança da Europa: a do povo com a arte.

 

O projecto de “Despaís” nasceu, antes de mais, da sua insatisfação enquanto cidadão pelo rumo que o país tem seguido?

Como criador (e como cristão) pergunto-me todos os dias sobre o que posso fazer pelo meu tempo. Os criadores mantêm o enorme espaço entre a realidade e a ideia, entre o quotidiano e a memória, entre a ficção e o real. É nesse tremendo espaço que se transcende o presente limitado, e se constrói o futuro. Quero deixar claro que o objectivo deste romance não é uma provocação. Mas que se insere numa linha bem mais clara do meu programa de trabalho enquanto romancista. O que pretendo fazer com o romance, com este e os que se lhe seguirem, é questionar o significado de objectos civilizacionais que consideramos inquestionáveis: em 333, o que é um livro e as redes que estabelece, e como essas redes e esse poder simbólico se mantêm para além do desaparecimento do próprio livro. Em Despaís, com o próprio objecto que é um país assente no conceito de Estado-nação. Num próximo romance, o conceito de estadista, de cabeça e representante do Estado, como produto autofágico do próprio Estado.

 

Não teme ser acusado de catastrofista? Afinal, ao longo de quase um milhar de anos foram muitas as crises por que o país já passou, algumas das quais provocaram mesmo perdas de independência...

Portugal tem inscrito na sua história um movimento duplo, estaticidade e expansão: de resignação, de deixar andar, e outro de saída de crise. Portugal resolveu sempre isso concebendo a expansão como territorial, com uma dinâmica imperial. Não é o caso agora, essas estruturas acabaram, mas continuam fantasmaticamente activas. Trata-se de saber utilizar esta crise para recriar totalmente o país. Muito que se passa hoje é bem maior do que uma crise financeira da qual temos culpas muito limitadas: é uma crise de identidade nacional. Portugal não resolveu os seus complexos imperiais, tal como a Grécia, a Espanha e Itália: são estes países, no furacão da crise, que têm de repensar-se. Máquinas estatais pesadas, alimentadas por complexos de superioridade esmigalhados e que produzem fantasmas extremamente poderosos. Ainda mais fatalmente, no caso português, são os países de que foi potência colonial que agora compram o país. Todo o imperialismo é um boomerang – os Estados Unidos ainda não compreenderam isso, e não terão estrutura para viver essa situação quando lhes chegar. Grande parte da situação actual revela que Portugal não superou o seu complexo imperialista: ou arrumam-se oito séculos de conquista, na Península Ibérica e depois pelo Oceano fora, em trinta anos de uma revolução pacífica e cordata, nem marxista nem social-cristã? Ou nesta social-democracia sul-europeia, um fantasma assassino e híbrido, que não funcionou nem em Espanha, nem em Itália, muito menos em Portugal. O Estado, diz Engels, é um produto de uma sociedade num certo estádio de desenvolvimento. Gerámos esta III República nos escombros do Estado Novo e da Descolonização, com teorias vagas e improvisadas de Democracia e Desenvolvimento. Não trabalhámos o fim do império. Passámos do complexo de superioridade colonial que o Estado Novo aumentou, para um complexo de inferioridade europeu que alimentou uma sociedade sempre ansiosa de ter ilusões de riqueza para compensar os seus complexos. Eduardo Lourenço estudou-o n’ O Labirinto da Saudade. Agora estamos a vivê-lo. O país foi-nos devolvido na sua dimensão de condado portucalense ingerível, dependente de um poder maior – a União Europeia – e da vigilância de outras entidades. Somos um protectorado. Outro aspecto. Veja os grandes momentos da história da Europa: há sempre obras de arte que impulsionaram esta mudança. Espero que este livro possa ser um grão de areia na engrenagem.

 

O livro não possui um protagonista, pelo menos no sentido que habitualmente lhe conferimos, mas sim vários. Portugal acaba por ser, nesse sentido, o verdadeiro protagonista deste romance?

Portugal, sim, mas enquanto estado-nação. Repare que no romance, quando é proposto o referendo, este não assenta sobre o fim da “República Portuguesa”, ou sobre o sistema parlamentar, mas assim mesmo num sentido genérico: o fim de Portugal. Quis com isto ironizar com a distância que os Portugueses têm hoje do sistema político. De tal forma vivemos uma crise de representação, de tal forma disruptiva, que as fronteiras entre o país e o modelo de Estado que temos estão esbatidas. A personagem principal, por isso, é Portugal como Estado-nação, asfixiado por uma crise e também pelo seu excessivo sistema de mitos.

 

Há acusações bastante certeiras e severas à classe política. A provocação com que o livro vem rotulado advém também daí?

Impreparação, servilismo, incapacidade de servir a causa pública: foram estes os traços de identidade dos políticos que desenhei no romance. Qualquer semelhança com a realidade é uma wake-up call. Mas também pergunto: o que acontece a um cidadão que rouba outro? Que rouba um banco? É julgado e preso. O que acontece a um servidor do Estado que rouba o Estado, ou seja, o conjunto de todos os cidadãos? Vai para uma empresa pública repetir o feito. Qual é o crime pior? E a punição? Como veículos do poder do Estado, a pena deveria ser bem superior.

 

O exercício de encontrar equivalentes na política portuguesa actual dos personagens do livro faz sentido? Dito de outro modo: qualquer semelhança não é mera coincidência?

Um romance é uma obra de arte, como a Torre de Belém, uma canção de David Bowie, ou a Gioconda. Encontrar num quadro de Da Vinci ou nos Concertos Brandenburgueses de Bach os senhores Sidónio Pais ou Helmut Köhl fará sentido?

 

Das várias medidas de austeridade que têm vindo a ser adoptadas, quais as que, como cidadão, lhe pareceram mais chocantes?

Não posso responder a essa questão. Deve perguntar aos economistas, responsáveis pela verdadeira ciência oculta assente em previsões e modelos que falhou redondamente nas últimas dezenas de anos. Já reparou que neste momento vivemos num sistema económico financeirista onde não sabemos quais são os limites da ficção e da realidade? Onde acaba a economia real e onde começa a economia virtual? Pergunto-me também o que é a economia real: é a bolsa de valores, são os mercados informáticos, irreais, da dívida, ou o resultado do trabalho de um cidadão integrado num grupo? O que devemos fazer é retraçar o caminho que nos levou até aqui. Fomos escravizados com um modelo de crescimento falso, que levou a um consumismo que agora nos mata. As pessoas pensavam gerar a sua segurança, e agora é uma prisão, como acontece com o mercado imobiliário. Isso levou a um predomínio do ter pelo ser, do parecer pelo ser, que se liga de uma forma particularmente agressiva em Portugal pelo complexo imperial que está longe de ser resolvido. Porém, uma nota apenas: o ataque aos pensionistas é inqualificável. Repare: o Estado guardou uma parte do trabalho mensal dos trabalhadores durante anos, como guardião do bem comum. E agora retira esse valor para pagar os seus excessos. Diga-me se isto faz sentido. Quando, ainda para mais, são as reformas dos pensionistas que estão a segurar a economia: quantos pais pagam as rendas dos filhos, quantos avós as escolas dos netos? Quantas famílias almoçam e jantam à mesa dos avós?

 

 

 

Vive na Alemanha, país que, aos olhos da opinião pública, surge como um dos responsáveis pela aplicação da austeridade aos países do Sul. Impera a ideia entre os alemães de que estes povos são pouco trabalhadores e que a situação actual é consequência de excessos vários cometidos ao longo de muitos anos?

A Alemanha é uma realidade sócio-política complexa. O muro ainda impera de formas permanentes, duráveis e inimagináveis. Quero dizer com isto que não podemos fazer generalizações de um país sobre outro, porque não há uma voz única, e no caso alemão, isto é ainda mais uma dinâmica irresolvida. Temos a ideia de que a reunificação foi automática, quando é um processo lento; como temos a ideia de que Portugal viver apenas com o seu território europeu é uma coisa simples, quando viveu alastrado pelo oceano fora quase o triplo do tempo do que viveu apenas no seu território europeu. É certo que a Alemanha foi a responsável pela 2ª guerra mundial, com excessos inqualificáveis. Mas também é certo que fizemos pagar à Alemanha uma conta de dezenas de anos. O alemão comum é rigoroso no seu trabalho, nas suas contas, no respeito pelo próximo: numa economia de moeda comum, é demasiado pedir isso aos outros vizinhos? É igualmente importante separar povo e Estado. Nunca me senti, mas nunca, discriminado por ser Europeu do Sul. Em Berlim, todas as diferenças são operativas, constrói-se a partir delas. Acho, porém, bem mais relevante pensarmos que há outro tipo de diferenças culturais; que são factores que contribuem para esta crise, como a herança do catolicismo e do protestantismo, como concepções diferentes do que é o Estado. Uma União enfrenta estas diferenças.

 

Tudo o que temos vindo a assistir nos chamados países sob assistência financeira vem provar que não só a solidariedade entre os países da UE é uma miragem, como o próprio conceito de construção europeia não passa de uma utopia?

Pelo contrário: este é o momento para uma construção europeia alargada. Se a Comissão organizasse um grande referendo europeu a perguntar pelo reforço de poder das instituições europeias eleitas democraticamente, não duvide de uma esmagadora resposta positiva. Em Berlim, convivo com muitos expatriados: sou mais próximo de um alemão da antiga RDA do que de um americano; de um polaco do que de um brasileiro, de um finlandês do que de um mexicano. A maioria dos cidadãos europeus de 35-40 anos para baixo considera-se, sem problemas, mais “europeia” do que “alemã”, “francesa” ou “portuguesa”. Por outro lado, assistiremos a um cenário assustador nas próximas eleições europeias, em que os partidos contra a UE correm o risco de terem uma representação enorme no Parlamento Europeu. Mas, claramente, isto não é uma votação contra a UE, mas contra o que os nossos políticos entendem da UE, e dela fizeram. A haver uma revolução europeia, é pela integração, não pela desagregação.

 

Politicamente sempre foi muito activo ou os acontecimentos dos últimos anos fizeram despertar essa atenção?

Não sou politicamente activo. Intervenho como artista, com a consciência de que tenho de servir o meu tempo e os meus semelhantes com o meu trabalho.

 

Aos que dizem que não há alternativa à austeridade o que responde?

Uma história: o médico disse ao meu sobrinho de 13 anos que tinha de perder peso para poder crescer. Mas também não lhe disse para arrancar o estômago. Estamos a ser demasiado maniqueístas nesta crise: ou austeridade ou investimento. Não é essa a questão, mas sim: planificação. Estamos num mercado comum. O que é que Portugal pode fazer bem e que a Europa não tem? Veja como o Marquês de Pombal percebeu isso no século XVIII.

 

Em termos formais, “Despaís” é um romance substancialmente diferente do anterior, “333”. Era a especificidade deste livro em concreto que exigia o tom que acabou por adoptar (menos experimental e mais directo) ou é consequência de uma mudança natural enquanto autor?

Tenho, como já referi, um objectivo programático como romancista. Porém, quando crio cada livro, espero que seja o livro a determinar o tom que pretende. O livro deve ensinar-me como posso eu servi-lo melhor. Os livros não nos pertencem nunca: sou mais um maestro do que um compositor, a seguir a pauta de uma ideia complexa que surgiu da minha experiência e do tempo em que vivo. Lembro-me sempre do célebre maestro Leopold Stokowski (o único maestro que falou com o Mickey Mouse, em Fantasia de Walt Disney), que dizia que não dirigia a orquestra, mas a seguia. Posso porém confidenciar que este livro correspondeu a uma série de equilíbrios difíceis que tentei articular. A ironia é um meio, não é um fim em si. Isso aprendi com os experimentalistas portugueses, como Ana Hatherly e Alberto Pimenta.

 

Vários escritores, como Miguel Real têm defendido que os intelectuais estão alheios dos problemas sociais, “dormitando narcisisticamente na sua concha”. O seu livro é um contributo no sentido de provar que há quem esteja alerta?

Miguel Real tem produzido uma obra não apenas ensaística que é de uma importância fulcral para a consciencialização de algumas ideias que andam arredadas da produção artística nacional. Essa sua chamada de atenção, como outras, parece-me de uma pertinência fulgurante. Porém, como notou Pierre Bourdieu, a “ilha sagrada da arte” está em muitos aspectos refém da sociedade capitalista, de uma Economia que deixou de ser “uma coisa em si” para tornar-se “uma coisa por si”. A crise actual pede também uma reformulação do que é o conceito de artista, como o próprio Bourdieu estudou relativamente à mudança que nesse campo se operou do século XIX para o Modernismo. O que quero dizer é que, se termos como “arte realista” deixaram de fazer sentido, a missão social do escritor também. Estes últimos 40-50 anos foram de pura apropriação da arte pelo mercado, que se estendeu ao papel dos escritores. Chegou o momento em que os produtores artísticos produzam não só obras, mas uma nova identidade para o artista. Ainda não sei o quê nem como, mas é para mim certo que neste momento de descivilização, em que perdemos a cada dia séculos de conquistas pelo bem comum, o artista deve desmontar os próprios princípios da civilização. Mas tudo está ainda por inventar, e é essa a grande força da Europa: reinventar-se do nada depois de cada devastação.

 

Entrevista de Sérgio Almeida (Jornal de Notícias)

publicado por Elisabete às 23:07
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