Domingo, 20 de Maio de 2007

QUE FUTURO?

 

[...] até neste país de pelintras se acha normal haver mãos desempregadas e se acha inevitável haver terras por cultivar! [...]

José Mário Branco, FMI

 

 

DA IMPRENSA ESCRITA DOS ÚLTIMOS DIAS:

 

"Máximo desde 1998

Taxa de desemprego em Portugal sobe para 8,4%" ( Jornal de Negócios)
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"Delphi vai mandar 700 operários para o desemprego" (Jornal de Notícias)
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"O ministro da Economia afirmou esta sexta-feira que a taxa de desemprego poderá baixar se a economia continuar a crescer." ... "Manuel Pinho desvaloriza desemprego." (Correio da Manhã)
<><><>

 Infelizmente, não estou a falar dum país inventado. Estou a falar do Portugal de hoje, 20 de Maio de 2007. Do Portugal que tem um governo "socialista", que tem meio milhão de desempregados, que tem 15% da população a viver em 60% do território, onde cresce, todo os dias o número dos sem-abrigo, onde as reformas estão a descer, onde os salários reais estão a baixar, onde os serviços de saúde e os medicamentos estão cada vez mais caros, onde a agricultura está quase destruída, onde se implora às empresas estrangeiras que invistam aqui, etc., etc. Mas falo, também, do país onde os grandes empresários andam satisfeitos, onde os Bancos, as EDP's e outros "ês" têm lucros fabulosos, que tem um Primeiro-Ministro que se gaba do "bem que está a fazer ao país, porque o défice...", que tem um Ministro da Economia que acha normal o desemprego e que a "recuperação" vai resolver tudo e que, entretanto, se passeia em automóveis de milhares de contos. E digo "contos", porque grande parte dos portugueses ainda não compreendeu que 1kg de laranjas custa 160$00 (=80 cêntimos) e não 80$00 (Não esqueçamos que aderimos rápidamente ao euro, porque queríamos pertencer "à linha da frente". Daria vontade de rir se não fosse demasiado trágico). E em nome de quê este país? Em nome da "santa" União Europeia, em nome do "santíssimo" neoliberalismo, em nome da "inevitável" globalização.

E nós, os portugueses? Um povo, com mais de 800 anos de História, sem futuro? Vamos acabar todos como vendedores, de porta em porta, daquilo que os outros produzem? Estou farta!!!

Isto dos governos acusarem sempre o governo anterior da situação, de se desculparem com as exigências europeias, com as regras internacionais, com o envelhecimento da população, com a pouca qualificação dos portugueses, tem de acabar. Se não são capazes de resolver os problemas do país, para que se candidatam? Ofereçam-no aos espanhóis! Ou será que já estão a oferecê-lo? [Nada de confusões! Não tenho nada contra os espanhóis, nem contra qualquer outro povo.] Há, ainda, outra solução muito conveniente. Como é que ainda ninguém se lembrou? A EUTANÁSIA. Para os trabalhadores sindicalizados, para os desempregados, para os reformados com menos de 3000 € de reforma (Sim! Porque as cabeças dos outros são imprescindíveis para o país). Já pensaram nas vantagens? Acabavam-se as greves, os protestos, e poupava-se um dinheirão em subsídios de desemprego e em pensões de reforma. Então é que teríamos um Primeiro-Ministro reformador.

Perdoem-me os leitores deste blog. Sempre que dedico algum tempo à leitura dos jornais, fico neste estado. Hoje é domingo, e como só posso comprar o jornal ao domingo...

E quero, ainda, pedir perdão ao meu país, aos portugueses com mais dificuldades, por ter votado "útil" nas últimas legislativas. Mas, pensando bem, será que há alternativas?

Ainda a palavra de esperança do Manuel Alegre (1):

"Mesmo na noite mais triste

Em tempo de servidão

Há sempre alguém que resiste

Há sempre alguém que diz: NÃO!!!

 

(1) Para o Manuel Alegre, prometo  um post, em breve.

 

  

 

 

   

 

publicado por Elisabete às 17:13
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