Quarta-feira, 23 de Maio de 2007

AINDA O CASO FERNANDO CHARRUA

"Provedor de Justiça quer explicações da DREN" (Jornal de Notícias, 23/05/2007)

 

"Ministra recusa ir à AR justificar suspensão de professor que disse piada sobre Sócrates" (Jornal de Notícias, 23/05/2007)

 

 

Margarida Moreira (DREN)

 

 

Os "guardiões do poder"
 
A democracia não se faz sem democratas e sem consciência e práticas democráticas. Podem a Constituição e as leis clamar por direitos, liberdades e garantias que, sem gente - sobretudo nos lugares de decisão - que acredite nisso, clamarão no deserto. Pessoas como a directora regional de Educação do Norte, que suspendeu um professor por ele ter gracejado sobre a licenciatura de Sócrates, encontrarão sempre algures um regulamento, uma competência, uma interpretação, para a arbitrariedade. Como escreve a propósito do caso Vital Moreira (http//causa-nossa.blogspot.com), "há-os sempre, os zelosos guardiões do poder, excedendo-se na punição dos que se excedam no desrespeito ao poder. Não se dão conta, os zelosos, que no seu excesso só desajudam quem julgam proteger." Numa canção célebre, José Afonso chamou-os, a esses, os que "lambuzam de saliva os maiorais", de "eunucos". Os maiorais desprezam-nos mas precisam deles, e por isso normalmente vão longe. A referida directora regional de Educação (!) reconheceu em tempos (JN, 15/10/2006) que "estamos no século XXI e ainda temos muita herança do tempo do Estado Novo". Não, senhora directora regional, não é "herança do Estado Novo" (o Estado Novo tem as costas largas); é pior que isso, é a natureza humana.
Manuel António Pina, "Jornal de Notícias", 23/05/2007
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Infelizmente, é por causa deste triste caso, que hoje aparece em todos os órgãos da Comunicação Social, a palavra EDUCAÇÃO, à qual o nosso país devia dar muito mais importância.
Não sei, a não ser pelo que diz o próprio professor suspenso, o motivo da sua suspensão. Sei apenas, que Margarida Moreira chama "insulto grave" ao Primeiro-Ministro àquilo que Fernando Charrua designa de "comentário jocoso"; sei, também que a Ministra da Educação recusa ir ao Parlamento esclarecer a questão.  
O Provedor de Justiça quer explicações e eu, uma simples cidadã deste país, também. Se o professor teve uma actuação passível de processo disciplinar, porque não explica, a senhora directora da DREN, exactamente o que se passou? É que todos nós, portugueses, temos o direito de saber se a perseguição política voltou a Portugal.
Devo dizer que não sou PSD, nem pouco mais ou menos. Devo dizer, também, que fui professora, sou do Norte e, pelo que conheço do percurso desta senhora, não tenho a mínima simpatia por ela.
Não quero, no entanto, defender ou acusar, a priori, nenhum deles. Mas exijo saber o motivo da suspensão! Porque, como diz Manuel António Pina, não há Democracia sem democratas. E quem não é democrata não merece a cadeira do mais ínfimo poder, no Portugal de Abril.
publicado por Elisabete às 18:53
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6 comentários:
De Pedro Pacheco a 29 de Maio de 2007 às 01:42
Às tantas, a verdade de tudo isto, é que são muitas mentiras…
Ao Processo Disciplinar do prof Fernando Charrua urge corrigir imprecisões, que fui sabendo por professores de escolas, poucos dias após o início dos factos, muito antes desta "palhaçada tola". E se eu sei isto, que não passo de prof. do Porto, porque diabo é que os jornalistas (que são tantos!) também não o sabem? Será que a verdade é que, se calhar, a perseguição é do PSD aos elementos do PS e não o contrário? Sim, porque se a Drª Guida é do PS, o Dr Nando é do PSD! Até já foi deputado e tudo...
Mas passemos aos factos que têm testemunhas, basta ir aos locais indicados e confirmar. Não falta lá gente para o fazer!!:
- A 20 de Abril (6ª feira), e não a 19, o prof. Charrua estava a almoçar num café próximo da DREN ("CAFÉ MUXAGATA"). Estavam aí vários elementos da DREN, dado tratar-se do seu restaurante habitual. Este café, tinha a televisão ligada. Era hora do almoço e estava a dar o telejornal. Surgiu o Primeiro-ministro. O prof.Charrua "alto e bom som", possivelmente porque estava entre pessoas que conhecia, berrou: "Isto é um país de bananas, qualquer filho da puta é primeiro ministro..." e continuou o role de impropérios que julgou oportuno proferir.
Como aquele comportamento agressivo e inapropriado era bem conhecido dos presentes, porque já o conheciam há vários anos, não reagiram.Mas, Coordenador Pedagógico do Colégio Barão de Nova Sintra, afecto à Segurança Social, ouviu, não gostou e verberou-lhe a linguagem dizendo-lhe: "o senhor, como um responsável do Ministério da Educação, não pode falar dessa forma em público do Primeiro-ministro!".
"Palavra puxa palavra" e acabaram à "pancada" em pleno café e perante a estupefacção de todos. Os óculos da pessoa em causa partiram-se e este, garantiu que ía apresentar queixa do professor Charrua no Ministério Público.Como se calcula, a notícia espalhou-se rapidamente na Dren. Toda a gente falava sobre a cena de pancadaria e teciam-se comentários sobre o habitual linguarejar e comportamento daquele colega.Incidentes semelhantes, isto é, insultos aos membros do governo e a quaisquer outros superiores hierárquicos, sempre foram uma constante do professor Charrua e naquele momento, perante a "pancadaria" daquele dia, começaram a ser lembrados e enumerados por todos. Facilmente, tudo chegou ao conhecimento da D.R.
Como qualquer um de nós em lugar de chefia (coordenador de departamento ou de escola, elemento do Conselho Executivo ou Chefe de serviço de auxiliares de Acção Educativa, responsável de loja comercial...) aquela (DR) terá procurado inteirar-se dos factos e, perante acusações claras e inequívocas, moveu um Processo Disciplinar ao professor Charrua.É de referir que, o elevado número de situações problemáticas, do ponto de vista disciplinar, ocorridas nos corredores "alto e bom som" não se semelham em nada à anedota insípida e incompreensível que tem sido contada, como causa do processo disciplinar. Tal seria totalmente disparatado e, tanto quanto me foi dito, absolutamente desnecessário. É do conhecimento geral de todos quantos conhecem ou trabalharam (muito ou pouco tempo) com este professor que, depois do almoço, a sua capacidade de censura a comportamentos e a palavras, parece estar fortemente fragilizada. Tem havido, por isso, algum "desconto" por parte dos colegas.
O prof. Charrua foi chamado ao gabinete da DR, no dia seguinte aos factos (2ª feira- 23 de Abril) e, aí não negou qualquer uma das acusações, como o próprio tem afirmado. Como não é mais do que ninguém, insultou: apanhou um processo disciplinar e foi suspenso! Acontece a qualquer professor ou aluno, não é verdade? Mas a suspensão foi rapidamente levantada, já que o professor regressou (após 19 anos) à sua escola de origem (Esc. Sec. Carolina Michäellis) e aí está na biblioteca.
Agora estou profundamente incrédulo: Como é que alguém acredita em tanto disparate que tem por base uma anedota tão tola? Deve ser assustador voltar à escola depois de 19 anos atrás de uma secretária e/ou sentado nos bancos da Assembleia da República... mas daí até esta palhaçada toda…!?
Sou pai de 2 jovens estudantes do ensino secundário e assusta-me pensar que o Drº Nando possa vir a passar tal moral a um dos meus filhos. Estarei só nestes receios?
De Elisabete a 29 de Maio de 2007 às 20:00
Até pode ser verdade o que diz. Mas os principais responsáveis, por ilações eventualmente erradas, são os membros do Governo e da DREN, que "se fecham em copas" e não dão explicações.
Esse senhor pode, de facto, ser mal-educado e não saber comportar-se dignamente. Não o conheço.
Agora... poderá, por lei, o superior hierárquico castigar o comportamento dum funcionário fora do local de trabalho? É tudo isto que é necessário esclarecer.
A única coisa que eu quero é que Portugal seja um país livre. Mesmo para os malcriados. Para esses, talvez seja suficiente a reprovação da opinião pública.
Não publicitando a verdade, só estão a converter o homem em vítima. Não acha?
Luar de Janeiro
De João Gaioso a 29 de Maio de 2007 às 10:39
Finalmente............Algo de muito estranha vinha acontecendo. Há outras versões diferentes e mais credíveis sobre o acontecido. Se Pedro Pacxheco teve acesso a estas informções, é estranho que os jornalistas as não obtenham....ou não querem publicar a verdade?
De Pedro Saleiro a 29 de Maio de 2007 às 10:43
A verdade surge aos poucos.....o herói tem pés de barro. Obrigado caro Pacheco
De José Eduardo Linhares de Castro a 13 de Junho de 2007 às 11:48
Bom dia, Margarida!


De repente, fizeste-te capa de jornal e de revista. Jornalista que se preze esqueceu os amores de Merche Romero ou os dólares de Luís Figo, as vitórias do FCP (do teu FCP) ou do Sporting (do meu Sporting), a Ota ou Alenquer para falar de ti, do Dr. Charrua e de mais não sei quantos casos de fazer chorar as pedras das calçadas.

Agora até um simpático padre vem, um ano depois, dizer que tu o ofendeste. Um ano depois! Cristãmente, o reverendo segue a máxima de “quando vês alguém a afogar-se empurra-o para baixo, para sofrer menos tempo”. Santo padre!

Os teus amigos, mesmo quando te reconhecem qualidades, fazem-no sob anonimato, não vá o diabo tecê-las e verem-se apeados de algum lugarzito de que usufruam.

Precipitaste-te, Margarida?
Provavelmente!

Os amigos do Dr. Charrua esfregam as mãos e, entre dentes, vão comentando que o que ele disse deve ter sido pior do que tudo o que os jornais contam. Eles conhecem-no… E há quem jure que aprendeu muito com o senhor e que dar-lhe um abraço numa rua do Porto é o mais in dos tempos que correm.
Mas tu és uma mulher de bem, solidária, de dignidade imaculada, Amiga como só tu! Para além deste episódio vales muitos charruas e alfaias quejandas.

Neste “amasso” em que te encontras, acredita que há quem continue a confiar em ti: na tua capacidade de trabalho, na tua competência, na forma séria que pões em tudo o que fazes. Eu sei que às vezes é preciso paciência para aturar os teus “repentes”, as tuas quase certezas. Mas são essas coisas que fazem as diferenças, que distinguem os médios dos bons. E tu, garantidamente estás entre os segundos.

Alguém precisava de dizer isto, assim, sem receio das críticas que vão chegar. Já chega de te quererem sacrificar no altar da opinião pública. Um bom dia, Margarida.



José Eduardo Linhares de Castro
Professor aposentado
BI 1797801
De Elisabete a 15 de Junho de 2007 às 07:38
Não se enganou no endereço? Tudo o que eu preciso saber é o que de facto aconteceu. Não me interessa se é ou não amigo e apoiante da D. Margarida. Se leu bem o que escrevi, não me pus ao lado, nem contra, nenhuma das partes. Sei o que o prof. Charrua afirma ter dito. Do outro lado, só sei que o mesmo professor "terá insultado o Primeiro-Ministro". Não sei qual foi esse insulto e em que circunstâncias ocorreu.
A sério, a sério... Tudo o que isto leva a pensar é que se anda a esconder qualquer coisa. De outro modo, tanto a Ministra como a Directora já teriam explicado, aos portugueses, a situação. Como não o fazem, dão mostras de prepotência ou de pouco conhecimento das regras democráticas.
Quanto ao prof. Charrua, não o conheço e só sei que pertence ao PSD. Eu considero-me, com orgulho, uma pessoa de esquerda. E, para mim, ser de esquerda é, entre outras coisas, respeitar a liberdade de expressão de qualquer cidadão, seja de que quadrante político for.
Quanto à sua querida amiga Margarida, também não a conheço. Mas sei que foi Educadora de Infância e uma activista sindical fantástica: sempre à frente na luta pelos direitos dos professores, motivando os colegas para as greves, manifestações e outros protestos. Acontece é que, desde que conseguiu um "poleirinho", se passou para o lado da hierarquia e sempre a tenho visto defender as políticas, altamente lesivas dos direitos dos professores, do Ministério da Educação.
Também sou professora aposentada, do 3º Ciclo e Secundário, e todos os dias sofro e me revolto pela maneira como o poder político trata os professores portugueses.
Não temos a mesma opinião, mas agradeço a seu comentário.
E repito: Como cidadã, exijo conhecer os factos, para avaliar se há, ou não, perseguição política no meu país.

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