Quinta-feira, 14 de Junho de 2007

HASTA SIEMPRE, CHE GUEVARA!

 

"Ou somos capazes de derrotar com

argumentação as ideias contrárias,

ou temos que deixar expressá-las.

Não é possível derrotar as ideias

com a força, porque isto bloqueia o

livre desenvolvimento da inteligência."

 

 

CHE GUEVARA
 
Nascido em 14 de Junho de 1928, na cidade argentina de Rosário, Guevara foi o primeiro dos cincos filhos do casal Ernesto Lynch e Celia de la Serna y Llosa. A mãe foi a principal responsável pela sua formação porque, mesmo sendo católica, mantinha em casa um ambiente de esquerda, sempre cercada de mulheres politizadas.
Desde pequeno, Ernestito - como era chamado - sofria de ataques de asma e por essa razão, aos 12 anos, mudou-se com a família para as serras de Córdoba, onde morou perto de uma favela. A discriminação, para com os mais pobres, era comum à classe média argentina. Porém Che não se importava e fez várias amizades com os favelados. Fez grande parte do ensino fundamental em casa, com a mãe. Na biblioteca de sua casa - que reunia cerca de 3.000 livros - havia obras de Marx, Engels e Lenine, com os quais se familiarizou na sua adolescência.  
Em 1947, Ernesto entra na Faculdade de Medicina da Universidade de Buenos Aires, motivado em primeiro lugar pela sua própria doença, mas desenvolvendo, desde logo um especial interesse pela lepra.
Em 1952, realiza uma longa jornada, pela América do Sul, com o seu melhor amigo, Alberto Granado, percorrendo 10.000 km numa mota Norton 500, apelidada de “La Poderosa”. Observam, interessam-se por tudo, analisam a realidade com olho crítico e pensamento profundo. Os oito meses dessa viagem marcam a ruptura de Guevara com os laços nacionalistas e dela resulta um diário. Aliás, escrever diários torna-se um hábito para o argentino, que cultiva até à sua morte.
No Peru, trabalhou com leprosos e resolveu tornar-se um especialista no tratamento da doença. Che saiu dessa viagem chocado com a pobreza e a injustiça social que encontrou ao longo do caminho e identificou-se com a luta dos camponeses por uma vida melhor. Mais tarde voltou à Argentina onde completou os seus estudos em medicina. Foi convocado para o exército. Como não estava de acordo com a ideologia peronista, não admitia ter de defender um governo que considerava autoritário. Portanto, no dia da inspecção médica, tomou um banho gelado antes de sair de casa e na hora do exame teve um ataque de asma. Foi considerado inapto e dispensado.
Já envolvido com a política, em 1953, viajou para a Bolívia e depois seguiu para a Guatemala com o seu novo amigo Ricardo Rojo. Foi lá que Guevara conheceu aquela que virá a ser a sua futura mulher, a peruana Hilda Gadea Acosta, e Ñico Lopez, que, futuramente, o apresentaria a Raul Castro, no México.
Na Guatemala, o Presidente Arbenz Guzmán, esquerdista moderado, comandava uma ousada reforma agrária. Porém, os EUA, descontentes com a reforma, que tiraria terras improdutivas das suas empresas para as conceder a camponeses famintos, planeou um golpe bem sucedido colocando no governo uma ditadura militar manipulada pelos yankees. Che ficou inconformado com a facilidade norte-americana em dominar o país e com a apatia dos guatemaltecos. A partir desse momento, convenceu-se da necessidade de tomar a iniciativa contra o cruel imperialismo.
Com o clima tenso na Guatemala e perseguido pela ditadura, Che foi para o México. Alguns relatos dizem que corria risco de vida no território guatemalteco, mas essa ida ao México já estava planeada. Ali, leccionou numa universidade e trabalhou no Hospital Geral da Cidade do México, onde reencontrou Ñico Lopez, que o levou para conhecer Raúl Castro. Raúl, que se encontrava refugiado no México após a fracassada revolução de 1953, em Cuba, tornou-se rapidamente amigo de Che. Depois, Raúl apresentou-o ao seu irmão mais velho, Fidel Castro, de quem se tornou amigo instantaneamente. Tiveram a famosa conversa, de uma noite inteira, onde debateram a política mundial e, no fim, estava acertada a participação de Che Guevara no grupo revolucionário que tentaria tomar o poder em Cuba.
A partir desse momento começaram a treinar tácticas de guerrilha e operações de fuga e ataque. Em 25 de Novembro de 1956, os revolucionários desembarcam em Cuba e refugiam-se na Sierra Maestra, de onde comandam o exército rebelde na bem-sucedida guerrilha que derrubou o governo de Fulgêncio Baptista. Depois da vitória, em 1959, Che torna-se não só cidadão cubano e como no segundo homem mais poderoso de Cuba. Marxista-leninista convicto, é apontado, por alguns especialistas, como o responsável pela adesão de Fidel ao bloco soviético e pelo confronto do novo governo com os Estados Unidos.
Guevara queria levar o socialismo a toda a América Latina e acreditava apaixonadamente na necessidade do apoio cubano aos movimentos guerrilheiros da região e também de África. Da revolução em Cuba até à sua morte, participou em três mal sucedidas expedições guerrilheiras. A primeira na Argentina, em 1964, quando o seu grupo foi descoberto e a maioria morta ou capturada. A segunda, um ano depois de fugir da Argentina, no antigo Congo Belga, mais tarde Zaire e actualmente República Democrática do Congo. E por fim na Bolívia, onde acabaria executado.
Sem a barba e a boina tradicionais, disfarçado de economista uruguaio, Che Guevara entrou na Bolívia, em Novembro de 1966. A ele se juntaram 50 guerrilheiros cubanos, bolivianos, argentinos e peruanos, numa base dum deserto do Sudeste do país. O seu plano era treinar guerrilheiros de vários países para começar uma revolução continental.
Guevara foi capturado em 8 de Outubro de 1967. Passou a noite numa escola da aldeia de La Higuera, no centro-sul da Bolívia, a 50 quilómetros de Vallegrande, e, por ordem do presidente da Bolívia, general René Barrientos, foi executado, com nove tiros no dia seguinte à sua captura, pelos rangers do Exército boliviano, treinados pelos Estados Unidos.
A sua morte, no dia 9 de Outubro de 1967, aos 39 anos, interrompeu o sonho de estender a Revolução Cubana à América Latina, mas não impediu que seus ideais continuassem a gozar de popularidade entre a esquerda.
Os boatos que cercaram a execução de Che Guevara levantaram dúvidas sobre a identidade do guerrilheiro. A confusão culminou no desaparecimento dos seus restos mortais, encontrados apenas em 1997, quando o mundo recordava os trinta anos de sua morte, sob o terreno do aeroporto de Vallegrande. O corpo estava sem as mãos, amputadas para reconhecimento poucos dias depois da morte, e levadas para Cuba.
Em 17 de Outubro de 1997, Che foi enterrado solenemente na cidade cubana de Santa Clara (onde liderou a batalha decisiva para a derrubada de Baptista), com a presença da família e de Fidel. Embora os seus ideais sejam românticos aos olhos de um mundo globalizado, ele transformou-se numa grande figura da História das Revoluções do século XX e num exemplo de coerência política. A sua morte determinou o nascimento de um mito, até hoje símbolo de resistência para os países latino-americanos.
 

 

 

 

Óptima oportunidade para ver, ou rever ,o

filme " Os Diários de Che Guevara".

 

O Che será, sempre, para a minha geração,

o expoente máximo do revolucionário bom,

humano, profundamente empenhado na

construção duma sociedade de HOMENS

 iguais, livres e fraternos.

Foi por esse ideal que deu a vida.

 

Até sempre, amigo!

Talvez um dia... quem sabe?

 

 

Hasta siempre,
comandante Che Guevara!
 
Aprendimos a quererte
Desde la histórica altura
Donde el sol de tu bravura
Le puso un cerco a la muerte.
Aquí se queda la clara,
La entrañable transparencia,
De tu querida presencia
Comandante Che Guevara.
Tu mano gloriosa y fuerte
Sobre la historia dispara
Cuando todo santa clara
Se despierta para verte.
Aquí se queda la clara,
La entrañable transparencia,
De tu querida presencia
Comandante Che Guevara.
Vienes quemando la brisa
Con soles de primavera
Para plantar la bandera
Con la luz de tu sonrisa.
Aquí se queda la clara,
La entrañable transparencia,
De tu querida presencia
Comandante Che Guevara.
Tu amor revolucionario
Te conduce a nueva empresa
Donde esperan la firmeza
De tu brazo libertario.
Aquí se queda la clara,
La entrañable transparencia,
De tu querida presencia
Comandante Che Guevara.
Seguiremos adelante
Como junto a ti seguimos
Y con Fidel te decimos:
Hasta siempre comandante.
Aquí se queda la clara,
La entrañable transparencia,
De tu querida presencia
Comandante Che Guevara.
****
Carlos Puebla

 

publicado por Elisabete às 18:36
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