Sábado, 18 de Agosto de 2007

Portugal, Napoleão e Ilha de Santa Helena

 

Na ambição de dominar a Europa, Napoleão Bonaparte envolveu-se em lutas com vários países, entre os quais Portugal. Sofremos 3 invasões: a primeira, em 1807, foi comandada por Junot e teve como consequência a fuga da família real portuguesa para o Brasil; a segunda, em 1809, comandada por Soult e a terceira, em 1810, comandada por Massena. Com o auxílio de tropas inglesas, Portugal conseguiu afastar a ameaça francesa.

Vem isto a propósito de, há precisamente 195 anos (18 de Agosto de 1812), Napoleão ter, durante a sua campanha na Rússia, derrotado o exército russo em Smolensk. Muitas vitórias... também derrotas... um primeiro exílio na Ilha de Elba... o regresso... e a derrota definitiva em 18 de Junho de 1815, na Batalha de Waterloo. É condenado ao exílio, na ilha inglesa  de Santa Helena, no Atlântico Sul, onde morre, enquanto uma terrível tempestade varre a ilha, às 17.49 horas do dia 5 de Maio de 1821. 

O que é extraordinário é que a Ilha de Santa Helena foi descoberta pelo português João da Nova, no dia 18 de Agosto de 1502, isto é, faz hoje 505 anos. O navegador, ao regressar da Índia, "teve outra boa fortuna que lhe deparou Deus, uma ilha mui pequena, a que ele poz o nome de Santa Helena."  [João de Barros, Décadas]. Acrescenta ainda Barros que aí passaram a fazer escala habitual as naus que regressavam do Oriente., "pelo muito refresco que nela achavam".  A ilha recebeu os primeiros habitantes em 1513. No séc. XVII, foi sucessivamente ocupada por Holandeses, Ingleses e de novo por Holandeses. Em 1673, passou definitivamente à posse da Inglaterra.

Como diria o Sérgio Godinho, "cada coisa p'ra seu lado... isto anda tudo ligado.". 

publicado por Elisabete às 22:42
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Quinta-feira, 16 de Agosto de 2007

O Grande Escritor que, por um triz, não foi parar à Roda

 

José Maria Eça de Queirós (Póvoa de Varzim, 25 de Novembro de 1845/ Paris, 16 de Agosto de 1900).
"A Correspondência de Fradique Mendes", "Os Maias", "A Cidade e as Serras", "A Relíquia", "O Crime do Padre Amaro", "A Tragédia da Rua das Flores",  "Prosas Bárbaras", "O Primo Basílio, "Contos", etc., etc., etc....
Quão mais pobre seria o nosso país sem este gigante da Literatura Portuguesa.
Morreu faz hoje 107 anos, mas vive ainda na nossa memória. 

 

Carta do pai do escritor, anexa ao seu assento de baptismo:

 

"Senhora:

Ponte do Lima, 18 de Novembro de 1845.

Recebi carta de meu pai, que novamente me recomenda a criação de meu filho, e se me oferece para mandá-lo criar no Porto, em companhia da minha família, quando a senhora nisto convenha. Espero, pois, a sua resposta para nessa inteligência escrever a meu pai.

Ele me recomenda igualmente - e também o desejo - que no Assento de Baptismo se declare ser meu filho, sem todavia se enunciar o nome da mãe. Isto é essencial para o destino futuro de meu filho, e para que, no caso de se verificar o meu casamento consigo - o que talvez haja de acontecer brevemente - não seja precisa em tempo algum justificação de filiação. Espero se ponha ao nosso filho o meu, ou o seu nome, conforme deve ser.

Adeus. Acredite sempre nas minhas sinceras tenções e agora mais do que nunca. Queiroz."

 

Para o pai recomendar novamente ao filho a criação do neto, que estava para nascer, é porque o filho não tinha intenção de o fazer. Só por pressão do avô é que o pai do escritor se decidiu assumir a paternidade. E, pelos vistos, a mãe também não queria criar o filho que trazia no ventre. Disso, pai e filho não tinham a menor dúvida. O tempo e os factos encarregaram-se de lhes dar razão. Pois, nem após o casamento - efectuado em 3 de Setembro de 1849 - a mãe assume a sua maternidade. A mãe só assume a maternidade quando o filho é um escritor célebre e celebrado. Só em 25 de Dezembro de 1885 é que oficialmente o reconhece como seu filho legítimo, por se ter tornado necessário ao seu casamento.

[...]

Não fora a intervenção do avô paterno, e Eça de Queiroz poderia ter tido o destino dos filhos indesejados - a Roda. Instituição que, na Póvoa de Varzim, ficava em frente da casa onde Carolina Augusta Pereira de Eça, sua mãe, o dera à luz.

Foi sua mãe que, depois da morte do escritor, veio pôr ponto final no diferendo entre Poveiros e Vilacondenses. Pois uns e outros reclamavam para a sua terra a naturalidade de Eça de Queiroz. Em carta de 6 de Novembro de 1906, D. Carolina Augusta vem dizer: "meu filho José Maria de Eça de Queiroz nasceu na Póvoa de Varzim". Quem, melhor que ela, sabia onde o filho nasceu?!

Em suma, a omissão do nome da mãe de Eça de Queiroz no seu assento de baptismo não se deve a nenhuma "habilidade jurídica" do avô, para evitar a presunção da paternidade a favor do marido da mãe, mas tão só a recusa desta em assumir a maternidade do filho, que concebera no estado de solteira, menor de 19 anos e órfã de pai.

 

Francisco Marques, in "A Mãe de Eça de Queiroz"

 

*****************

Como se vê pelo último parágrafo, há quem defenda que a mãe do escritor era casada e, por isso, não queria reconhecer o filho. No entanto, não parece ser essa a verdade. Sendo assim, talvez se tenha ficado a dever ao avô a possibilidade de Eça ser o escritor que foi. Claro que o talento, o génio, estava lá. Mas a educação que recebeu possibilitou que se manifestasse. Se tivesse ido parar à Roda, é possível que fosse também um grande escritor. Seria, no entanto e com toda a certeza, um escritor diferente. E nós gostamos dele assim. Para sempre! 

publicado por Elisabete às 15:07
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Domingo, 12 de Agosto de 2007

Miguel Torga nasceu há cem anos

  
Coimbra, 26 de Março de 1965
 
            Só há uma solução quando se vive num ambiente medíocre, entre medíocres: recusar a mediocridade. [...]
Diário (Volume X)

 

Miramar, 12 de Agosto de 1967
 
            Sessenta anos. Felizmente que ninguém deu pela conta, e pude calmamente, secretamente, meditar na significação deste dia crucial. Até há pouco, ia contando. Trinta, quarenta, cinquenta... Não era a juventude, evidentemente, mas havia ainda pano para mangas. Mais vinte, mais quinze... Tempo de sobra, enfim. Agora é que toda a ilusão se desvaneceu. Nem quarteirão, nem dúzia. Inexorável, a razão apenas me promete a decadência e o desenlace, no molho amargo de que tudo está feito e por fazer. É essa, de resto, a grande lição de humildade que a vida nos dá, se a esclerose não lavrou demais e consente ao espírito o resgate duma lúcida contrição. Vamos seguindo confiados pela estrada fora. De repente, olhamos para trás, e que terramoto de ilusões! O que parecia grande mede um palmo, o que julgávamos sólido abana, o que dava a impressão de voar, patinha. Incrédulos, esfregamos os olhos. Mas não há dúvida. Desacertos sobre desacertos, erros palmares, ingenuidades confrangedoras. O saco de viagem abarrotado de falências. E de nada vale perguntar se as coisas se poderiam passar de outra maneira. Os factos são irreversíveis. No meu caso, então, só por milagre. Comecei mal e tarde. Enquanto outros partiram do saber, eu parti do sofrimento. Nenhuma porta se me abriu sem eu a arrombar. Lutei contra a pobreza, lutei contra a ignorância, lutei contra a idade, lutei contra os homens, lutei contra Deus, lutei contra mim. Uma infância rolada, de bola à mercê dos pontapés do mundo, uma juventude esfalfada, de estafeta atrasado na maratona da cultura, uma maturidade crispada, de indesejável na pátria. A criança desaninhada e perplexa nas encruzilhadas do destino, o rapaz a tentar a ferro e fogo fazer-se gente, o homem cercado de incompreensões. De maneira que era praticamente impossível que a árvore desse outros frutos. Tudo se conjugou nela e fora dela para um Outono sáfaro, que verifico nesta singeleza despida de ilusões. É triste, mas não há voltas a dar-lhe. Resta-me apenas uma consolação: embora derrotado, consegui chegar ao fim da aventura na pureza com que a iniciei, a remir pela consciência dum velho poeta a sangrar a inocência dum jovem poeta de versos de pé quebrado.
Diário (Volume X)
***************************
Há 40 anos, fazias assim o balanço, um tanto amargo, da tua vida. Hoje, soube pela Rádio, que o Governo não se dignou estar presente na comemoração do centenário do teu nascimento, em Coimbra. Estiveram Manuel Alegre e António Arnaud, como amigos e admiradores. Porque sabem, como tu, que "Os poetas são como os faróis: dão chicotadas de luz à escuridão."
Apesar da amargura que sentes ou talvez por seres capaz de a sentir, é de homens como tu, que recusam a mediocridade, que se fará a História da nossa pátria sofredora. Dos medíocres, dos que se pensam melhores do que são, não rezará a "nossa História".
publicado por Elisabete às 16:06
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Segunda-feira, 6 de Agosto de 2007

HIROXIMA NUNCA MAIS!

 

  

6 de Agosto de 1945
Terminada a guerra (II Guerra Mundial) na Europa e, perante a recusa do Japão em aceitar a capitulação, o Presidente Truman, dos EUA, ordenou o lançamento da bomba atómica sobre a cidade japonesa de Hiroxima (3 dias depois, uma segunda seria lançada em Nagasáqui).
 Baptizada de “litle boy” (=menino, rapazinho) custou 2 mil milhões de dólares e, no seu fabrico, trabalharam cerca de 500 mil pessoas. Tinha uma potência equivalente a 20 mil toneladas de TNT.
Foi lançada pelo bombardeiro “Enola Gay”, nome da mãe do respectivo piloto.
Para além de destruir tudo, provocar tempestades, afundar navios e matar plantas, animais e milhares de pessoas, mais de 200 mil ficaram gravemente afectadas pela radioactividade. Posteriormente, nasceram muitas crianças deficientes. Hiroxima ficou reduzida a cinzas.
O problema das consequências da radioactividade continua actual. Movimentos ecologistas, como o “Greenpeace”, prosseguem a sua luta contra as centrais e resíduos nucleares.
 
Algumas perguntas: Haverá perdão para quem deu a ordem que provocou este crime contra a Humanidade? Será que o Japão não poderia ter sido vencido de forma menos destrutiva e mortífera? Será que o Presidente Truman teria sido capaz de usar esta arma num país europeu?
 
Gostaria de poder pensar que os japoneses não foram usados como “ratinhos de laboratório” para testar a bomba atómica. Não consigo. Por isso, condeno este acto hediondo que não há guerra que justifique. Como condeno as guerras. Como condeno os homens que as provocam.
 
GUERRAS E BOMBAS (de qualquer tipo), NÃO, OBRIGADA!!!
 
publicado por Elisabete às 12:31
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Sábado, 4 de Agosto de 2007

Voo Nocturno

Jorge Palma continua a escrever coisas destas, no seu último álbum "Voo Nocturno". Quem canta assim o amor será, para sempre jovem.

 

Tudo o que eu vi

estou a partilhar contigo.

E o que não vivi, um dia,

hei-de inventar contigo.

Sei que não sei, às vezes,

entender o teu olhar...

Mas quero-te bem.

Encosta-te a mim!

publicado por Elisabete às 16:32
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