Sexta-feira, 29 de Fevereiro de 2008

Esta vida de professor...

Se a Ministra gosta de se cobrir com papéis,

os professores detestam.

 

 

 

O Não Professor do Ano

 por Pata Negra

Faço projectos, planos, planificações;
Sou membro de assembleias, conselhos, reuniões;
Escrevo actas, relatórios e relações;
Faço inventários, requerimentos e requisições;
Escrevo actas, faço contactos e comunicações;
Consulto ordens de serviço, circulares, normativos e legislações;
Preencho impressos, grelhas, fichas e observações;
Faço regimentos, regulamentos, projectos, planos, planificações;
Faço cópias de tudo, dossiers, arquivos e encadernações;
Participo em actividades, eventos, festividades e acções;
Faço balanços, balancetes e tiro conclusões;
Apresento, relato, critico e envolvo-me em auto-avaliações;
Defino estratégias, critérios, objectivos e consecuções;
Leio, corrijo, aprovo, releio múltiplas redacções;
Informo-me, investigo, estudo, frequento formações;
Redijo ordens, participações e autorizações;
Lavro actas, escrevo, participo em reuniões;
E mais actas, planos, projectos e avaliações;
E reuniões e reuniões e mais reuniões!...

E depois ouço,
alunos, pais, coordenadores, directores, inspectores,
observadores, secretários de estado, a ministra
e, como se não bastasse, outros professores,
e a ministra!...

Elaboro, verifico, analiso, avalio, aprovo;
Assino, rubrico, sumario, sintetizo, informo;
Averiguo, estudo, consulto, concluo,
Coisas curriculares, disciplinares, departamentais,
Educativas, pedagógicas, comportamentais,
De comunidade, de grupo, de turma, individuais,
Particulares, sigilosas, públicas, gerais,
Internas, externas, locais, nacionais,
Anuais, mensais, semanais, diárias e ainda querem mais?
- Que eu dê aulas!?...
*******************************************************************
P.S. Não conheço o Pata Negra, mas reconheço que a vida dos professores, hoje, é mais ou menos assim.
O texto chegou-me às mãos, por e-mail, em Novembro do ano passado e, hoje, ao limpar a minha caixa de correio, encontrei-o e resolvi publicá-lo. Espero que, pelo menos, sirva para abrir os olhos a quem gosta de denegrir os professores. Por favor, não falem daquilo que desconhecem!
publicado por Elisabete às 19:34
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Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2008

A ESCOLARIDADE OBRIGATÓRIA

   

 

 

O programa “Prós e Contras” de ontem à noite, obriga-me a falar, hoje, do alargamento da escolaridade obrigatória. Sempre defendi que o Estado Português devia proporcionar aos jovens as condições para que a sua instrução de base fosse a melhor possível. Julgava eu, ingenuamente, que quanto mais longo fosse aquilo a que chamamos o Ensino Básico, mais instruído seria o povo português, no futuro.
Infelizmente, a realidade demonstrou que não basta meter os meninos na Escola mais tempo, se não se exigir que vão mais longe. E foi isso que aconteceu.
Se há coisa que me magoa, é ver toda a gente falar de Educação e, no fim, ficar tudo na mesma. Ignora-se o que está debaixo do nosso nariz e inventam-se as coisas mais mirabolantes para justificar o injustificável.
Um ilustre professor, que recebeu o pomposo prémio de Melhor Professor do Ano de 2007, afirmou, do alto da sua sabedoria, que a Escola actual não pode ser igual à Escola dos nossos pais e que, sendo a escolaridade obrigatória e gratuita, não faz sentido falar de retenções, de faltas e, se não estou enganada, de avaliações. Parece-me até que sugeria, dada a heterogeneidade dos alunos, um professor para cada aluno. Pelo menos, uma planificação por escrito (como parece que agora vai ser obrigatório apresentar, por turma) para cada aluno, por cada aula, uma vez que esse senhor professor (o melhor) diz que as turmas já estão fora de moda. E este senhor professor foi aprender à Noruega que, nos cursos profissionais, um carpinteiro não precisa de saber inglês e, contudo, tem a disciplina de Inglês. Mas como para passar também não precisa de saber… está tudo dito. A ser assim, as escolas norueguesas são parecidas com as portuguesas e, então, não precisava de dar-se ao trabalho de lá ir gastar dinheiro. Agora, pensem na frustração do professor da disciplina, que se farta de trabalhar “para o boneco”.
Isto não fez estremecer a socióloga Maria de Lurdes Rodrigues. Mas quando um professor jovem e ingénuo, mas corajoso, falou do facilitismo nas Escolas e na “conversa do inspector”, a senhora teve um ataque de indignação. Então, não foi mais ou menos o que o tal professor premiado defendeu?
 
Falando a sério e para que não restem dúvidas, afirmo com todas as letras que há FACILITISMO nas Escolas portuguesas, SIM.  Se não houvesse, como se compreenderia que muitos alunos cheguem ao 8º e 9º anos (antigos 4º e 5º anos do Liceu) lendo, escrevendo e interpretando pior do que qualquer aluno com a antiga 4ª classe? Mas sabe outras coisas que, antigamente, não sabiam… dirão. Claro! Sobretudo, os antigos não saberiam mexer num computador… porque nem sequer existiam!
 
Mas o que mais importa é a resposta a esta pergunta: Pode um aluno, nestas condições, obter um diploma do 9º ano, em pé de igualdade com outro que atingiu o nível requerido para este grau de ensino? A isto chama-se injustiça. Que valores transmitimos aos jovens? O mundo artificial e irresponsável que se cria nas Escolas prepara os alunos para enfrentar a “selva” do mundo do trabalho? Prepara os alunos para serem cidadãos conscientes e justos? Lamento muito, mas não. Todos acabam por ser prejudicados, bons e maus alunos.
 
E a culpa não é dos professores, acreditem. Nunca falei com nenhum inspector, mas todos nós sofremos, nas Escolas, pressões mais ou menos expressas para não dar negativas. Alguns, mais fortes, não se deixam intimidar; a maioria, por medo ou por já não acreditar no sistema, submete-se.
Engraçada foi a última “tirada” do melhor professor do ano. Mais ou menos isto: “Há colegas que estão muito preocupados, a fazer tudo e mais alguma coisa, para poderem progredir. Eu recuso-me a fazer aquilo com que não esteja de acordo.”
Para ele será fácil, porque está no fim da carreira e já deve ter atingido o topo. E os outros? Aqueles que prevêem uma vida de escravos (quero mesmo dizer escravos), acorrentados a políticas inviáveis e de fachada para um país que não existe? Tudo o que o ilustre colega possa ter dito de correcto desapareceu perante estas posições.
Pelo menos, ficámos a saber que há professores que podem não fazer aquilo com que não estão de acordo. E se todos os imitassem? Era capaz de surgir uma forma de luta interessante.
 
Concluindo:
⇒exijo um Ensino Básico público de qualidade;
⇒exijo a igualdade de acesso a esse ensino para todas as crianças e    jovens do país;
⇒condeno a manutenção na Escola de alunos que, sistematicamente, não conseguem, ou não querem, atingir os objectivos propostos;
⇒defendo a existência de escolas especiais, para esses alunos, onde se profissionalizem em áreas de acordo com as suas capacidades, para entrarem mais rapidamente no mercado de trabalho, mas com a obtenção de diplomas diferentes;
⇒defendo um sistema de avaliação, que permita aos alunos interiorizarem que quem trabalha, é honesto, educado e responsável, merece prosseguir até onde quiser e puder;
⇒não admito a actual versão de Escola/armazém, onde os jovens adquirem hábitos de preguiça, de falta de rigor, de desleixo e de irresponsabilidade.
 
Felizmente, já estou aposentada. Mas serei, até morrer, professora e educadora. O que se passa nas Escolas é imoral e injusto. Para os Professoras, para os Alunos, para o País. Se os governantes não percebem isto, vão ter de perceber. Porque quem manda no País são os portugueses e, antes eu esteja enganada, eles perceberão em breve o logro que são estas políticas, que não são desta ministra nem deste governo. São do aparelho do Ministério da Educação que precisa de “picareta” que o destrua.
Como dizia Manuel Alegre, “Até as muralhas de aço se abatem”. Mais fácil abatê-las quando são de papelão.
Por mim, não descansarei enquanto não regressar o bom senso.
 
publicado por Elisabete às 19:07
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Sábado, 23 de Fevereiro de 2008

ZECA AFONSO

    

 

 ZECA AFONSO [2.Agosto.1929 - 23.Fevereiro.1987]

 

  

 

VAMPIROS

No céu cinzento
Sob o astro mudo
Batendo as asas
Pela noite calada
Vem em bandos
Com pés veludo
Chupar o sangue
Fresco da manada


Se alguém se engana
Com seu ar sisudo
E lhes franqueia
As portas à chegada
Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo

E não deixam nada
   
 A toda a parte 
Chegam os vampiros 
Poisam nos prédios
Poisam nas calçadas
Trazem no ventre
Despojos antigos
Mas nada os prende
Às vidas acabadas

 

 

São os mordomos
Do universo todo
Senhores à força
Mandadores sem lei
Enchem as tulhas
Bebem vinho novo
Dançam a ronda
No pinhal do rei

Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada

 

No chão do medo
Tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos
Na noite abafada
Jazem nos fossos
Vítimas dum credo
E não se esgota
O sangue da manada

Se alguém se engana
Com seu ar sisudo
E lhes franqueia
As portas à chegada
Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada


Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada
 

publicado por Elisabete às 20:06
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Não esperes justiça de quem não sabe o que anda a fazer

MOVIMENTO

PROFESSORES EM LUTA

 

Reunião 23 de Fevereiro, Caldas da Rainha, Escola Secundária Raul Proença, 10.30h

 

 

 EXIGE QUE TE TRATEM COM RESPEITO!

 

LUTA POR UMA ESCOLA QUE SEJA UM FAROL E NÃO O CAIXOTE DO LIXO DUMA SOCIEDADE SEM RUMO!

Se puderes, não faltes! VAI ÀS CALDAS!

 

MOSTRA A FORÇA DA RAZÃO!!!

Esclarecimento: Faço, aqui, apelo à participação dos professores neste encontro, porque penso que é urgente mostrar ao ME a oposição dos professores conscientes às medidas e aos processos que tem utilizado. Não conheço os promotores deste movimento e sempre fui sindicalista, sócia fundadora do Sindicato dos Professores do Norte [FENPROF]. Continuo a defender a existência de Sindicatos, de preferência de um só Sindicato dos Professores, sem cor partidária.

Não porque pense que os professores devem ser apolíticos. Nem pensar! Sou uma mulher assumidamente de esquerda. E ser de esquerda significa, para mim, ser justo.

Dói-me muito reafirmar que os Sindicatos não têm feito o seu papel. Não perceberam, ou não lhes interessa perceber, que o que está a acontecer agora não se resolve com um dia de greve ou uma manifestação. Se eles preferem continuar a não ver, só resta aos professores a revolta.

Por isso apoio a realização deste encontro. Talvez as Caldas, como da outra vez, prenunciem uma revolução. Desta vez, na Educação.   

publicado por Elisabete às 00:47
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Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2008

A ESCOLA NÃO É DOS PROFESSORES?

Paquete de Oliveira, sociólogo e professor do ISCTE, opinou sobre Educação, no Jornal de Notícias de ontem, dando ao seu artigo o título de “A Escola não é dos Professores”, que considero ofensivo.
É verdade que, depois, “dá umas no cravo e outras na ferradura”, compreendendo quase tudo e quase todos.
Que eu saiba a Escola é de todos os portugueses, porque sendo uma das instituições mais importantes para a viabilidade dum país, deve ser assim entendida e acarinhada por todos. É, por essa razão, dos Professores também. É bom não esquecer que os Professores são portugueses e pais de alunos que frequentam a Escola. Mas há, ainda, uma razão maior: é que a Escola é o seu local de trabalho, onde têm o direito às condições inerentes à dignidade da função que exercem.
Que eu saiba nunca nenhum Professor quis ser dono duma Escola.
Peço desculpa! De facto, há professores que o querem, mas esses são os que querem ser donos de tudo, só não querem é ser Professores. Refiro-me, claro, aos presidentes dos Conselhos Executivos que, quando obrigados a sair, arranjam logo um “tacho” nas DRE’s e até, calculo, no Ministério, se vivem na “capital do Império”. Quanto aos outros, sabem que fazem parte duma equipa cujo principal objectivo é ajudar os alunos a crescer “por dentro”, preparando-os para um futuro, onde possam desempenhar, com competência, dignidade e responsabilidade, o papel que lhes compete, como trabalhadores e cidadãos.
Diz o senhor que “O ano escolar tem sido marcado por um ruído ensurdecedor entre a Federação Nacional de Professores (FENPROF) e o Ministério da Educação”. Engraçado! Eu tenho ouvido muito pouco ruído. Aliás, é precisamente por isso que os Professores estão a perder a confiança nos Sindicatos. O que é muito do agrado da senhora Ministra e do senhor Primeiro-Ministro, que têm feito tudo, desde o início, desacreditar e destruir os Sindicatos. Preferem os trabalhadores, professores ou não, desorganizados, egoisticamente uns contra os outros, longe da solidariedade que os deve unir. Sinto uma mágoa imensa por ter de reconhecer que a FENPROF não tem estado à altura da situação, o que é muito mau para os Professores. Começam a surgir movimentos de contestação autónomos. Compreendo a revolta que os fazem surgir, mas apelo aos Professores que se mantenham unidos, na luta pelo essencial, deixando para mais tarde a resolução de divergências que, podendo ser importantes, não tenham a mesma urgência. Quanto aos outros sindicatos, nunca existiram. Ou melhor, foram sempre “lacaios” dos governos do “bloco central”.
Depois afirma que “tem valido os outros agentes deste complexo sistema, pais, alunos e comunidades locais não terem participado, pelo menos em tão alto tom, nesta «guerra»”.
Os pais de que fala, na sua quase totalidade, querem apenas um sítio onde meter os filhos enquanto trabalham. Compreendo o problema deles. A Ministra percebeu, como socióloga que é, que tinha de os ocupar a tempo inteiro o que, evidentemente, agrada aos pais. O que a Ministra não tem é o direito de fazer assistência social e, simultaneamente, conquistar aliados para a sua luta contra os Professores, "roubando" o tempo de que estes precisam, para fazer o trabalho que as aulas exigem, e à sua vida privada. Ou será que alguém pensa que o Professor só trabalha dentro da sala aula? Não somos, nem queremos ser, máquinas!
Há muita gente desempregada que poderia fazer o acompanhamento dos alunos, ajudando-os em salas de estudo ou nas mais variadas actividades.
Penso que se refere às autarquias quando fala nas comunidades locais. Pois eu, ainda ontem vi as Câmaras muito preocupadas com o projecto de lhes ser entregue a responsabilidade da gestão e do financiamento das Escolas até ao 9.º Ano, exceptuando, por enquanto, os vencimentos dos professores. Dizem não terem verbas e exigem-nas do Estado, se tal acontecer.
Quanto aos alunos, de que alunos fala o senhor sociólogo? Das crianças e dos adolescentes a quem se destina o ensino obrigatório? Acha que conseguem perceber o que se passa?
O desencadear de um processo de reforma traz sempre desestabilização a qualquer sistema.” Pois traz. Principalmente, quando é mais do mesmo. Pensa que a reforma saiu da cabeça desta Ministra? Ela é apenas o culminar dum processo há muito posto em andamento pelas muitas “cabecinhas pensadoras” instaladas no Ministério da Educação, muito intelectuais, muito lidos, mas que não querem ir para as Escolas pôr em prática as suas fantásticas teorias. Porque isso é que os professores gostariam de ver. Nos dias que correm a palavra reforma tornou-se mágica. Parece que é sinónimo de coisa bem feita e resolvida. Esta parece-me é que vai ser catastrófica.
Sempre ouvi dizer, aos elementos dos Executivos das Escolas onde leccionei, que o corpo escolar mais difícil de gerir era o dos, agora chamados, auxiliares de educação. Para este senhor, afinal, o corpo docente é que é a dor de cabeça dos Executivos.  Talvez seja assim na sua Escola Superior. Nas inferiores, as dos “professorzecos”, não me parece…
Paquete de Oliveira está muito preocupado com o futuro do país, se a Escola cai nas mãos dos Professores. Se duvida da nossa preocupação com o futuro do país e dos nossos alunos, pode procurar, nos “posts” já antigos deste blogue, excertos de relatórios que fiz, ao longo da minha actividade de docente, que mostram a angústia, por mim sentida, pela falta de qualidade do ensino, pelo facilitismo provocado pelas sucessivas e mal conduzidas reformas levadas a cabo pelo Ministério da Educação. E, é evidente, que eu não sou nenhuma “iluminada”. Grande parte dos Professores pensa como eu.
Esclareço que estou aposentada e que estas medidas já não me afectam. Mas tenho um neto que está a ser vítima da fuga à realidade de quem nos governa. E conheço os martírios a que estão sujeitos os meus colegas. E sou, com muito orgulho, portuguesa. Quero o melhor para o meu País e para o povo a que pertenço. Esse melhor passa pela qualidade do ensino. É essa qualidade que defendo quando contesto as políticas e a prepotência do Ministério da Educação e do Governo de que faz parte.
publicado por Elisabete às 16:37
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Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2008

Portugal de Pernas para o Ar

  

 

 

 

1.Devo dizer-vos que estou muito preocupada. Vejo pessoas,com responsabilidades na Comunicação Social, a aplaudir comportamentos que, quanto a mim, nada têm de louvável.

 

Vem isto a propósito, da posição de Paulo Martins [que julgo ser Chefe de Redacção Adjunto do Jornal de Notícias], face à promulgação do diploma que estabelece regimes de vinculação, carreiras e remunerações dos trabalhadores que exercem funções públicas, pelo Presidente da República.

Pelos vistos, o Presidente da República tem "dúvidas" (Ainda bem! Houve tempos em que não as tinha.) e fez questão de esclarecer que: "O acto de promulgação não significa a adesão do Presidente da República às opções políticas que lhe subjazem, nem implica a sua concordância com todas as soluções normativas nele inscritas."

Esta atitude parece-me "o lavar de mãos de Pilatos". O Presidente da República deve ser o garante do cumprimento da Constituição que, por sua vez, enuncia os direitos dos portugueses, nomeadamente dos trabalhadores. O Presidente da República não pode ignorar que esse diploma vai mexer com a vida de muitos trabalhadores que, acredito, vão perder direitos e vão sentir a sua vida a "andar para trás". O seu dever era desfazer todas as dúvidas e fazer cumprir o "espírito" da nossa Constituição, que defende os direitos dos trabalhadores. 

Ora, Paulo Martins, põe junto à fotografia de Cavaco Silva a seta com a ponta para cima, o que significa que está "em alta". Logo, que agiu bem. Fala até de "promulgação, mas demarcação" e "carimbo, mas não cumplicidade", bla,bla, bla.

Como democrata que sou, e quero continuar a ser, aceito opiniões diferentes das minhas. Não posso é aceitar que se bata palmas a quem "sacode a água do capote" em vez de assumir a sua concordância com as políticas do Governo. Alguém ainda tem dúvidas de que o herói do Primeiro-Ministro é, precisamente, o Prof. Cavaco Silva? Por mais que o PSD gostasse que o Presidente estivesse do outro lado da barricada, a verdade é que o PS não conquistou somente a maioria absoluta, nas últimas legislativas, conquistou também, nas Presidenciais, o Presidente que José Sócrates ambicionava.

Ainda não perceberam a novela Soares/Alegre? "Matar dois coelhos com um só tiro"... Acredito que Sócrates percebeu que, tanto Soares como Alegre, lhe fariam mais oposição do que Cavaco Silva.

 

2.O Ministro Teixeira dos Santos, por sua vez, está radiante porque conseguiu empurrar para a aposentação 39.373 funcionários públicos. E com isso, diz ele, poupou não sei quantos milhões. Não disse, porque não lhe convém, é que está a admitir novos funcionários para substituir os que saíram. Pelo menos, nas Secretarias das Escolas. É um facto que se uma Escola, por exemplo, precisa de 3 ou 4 funcionários, só lhe consentem admitir um. E para esse único lugar concorrem dezenas de jovens, sendo eliminados, quase à partida, os que têm habilitações a mais. Isto só em Portugal!!! Seria bom que se investigasse o motivo de tão descabida desculpa. Se calhar é porque "os afilhados" têm habilitações a menos.

Mas nem assim o desemprego baixa, como afirmam. Não se deixem enganar! Sei do que falo. Um desses que tem habilitações a mais é meu filho e está há mais de um ano desempregado. Possivelmente, porque nos recusamos a fazer aquilo que criticamos nos outros: meter cunhas.

Mas há mais. O tão famoso programa das "Novas Oportunidades", isto é, a oportunidade de dar um diploma que não corresponde aos conhecimentos da pessoa que o obtém, assenta no pagamento "a recibos verdes", pelo menos aos trabalhadores que contratam para o programa funcionar. E o que significa isso? Significa ganhar menos de 500 € líquidos, não ter direito a subsídios de alimentação, de férias e de Natal, não ter direito a férias, nem a subsídio de desemprego, depois. São deste tipo os empregos que o Primeiro-Ministro criou e vai criar?

Tanta indiferença, tanta desumanidade, faz doer!... Não sei como estes "salvadores da Pátria" conseguem dormir. Será que ainda têm um pouquinho de consciência?

 

publicado por Elisabete às 16:29
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Quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2008

Como fazer comentários?

Vários amigos se têm queixado de não conseguirem pôr comentários nos "posts" dos meus blogues Sapo.

Vou tentar explicar, partindo do príncipio de que não têm blogues Sapo.

 

1.Devem clicar na bolinha branca que antecede a pergunta: Não tem Blogs nos novos Blogs do Sapo?;

 

2. A seguir, escrevem o nome com que querem ser identificados no comentário;

 

3. Onde pede o url, escrevem o vosso e-mail;

 

4. Copiam os caracteres que estão mais abaixo;

 

5. Finalmente, clicam no publicar comentário.

 

Espero ter-me explicado de forma perceptível. Claro que têm de escrever o comentário no respectivo.

 

Agradeço a vossa disponibilidade para participar. E, sobretudo, no que diz respeito à Educação, peço a máxima colaboração possível dos professores. Estou empenhada em demonstrar à senhora Ministra, ao Governo e aos portugueses, que não são os professores os culpados da caótica situação a que chegámos. As políticas do Ministério é que têm sido desastrosas.

Os professores querem, acima de tudo que os seus alunos saiam das Escolas bem preparados. Mas, como Pessoas que são, exigem também que lhes devolvam o direito ao respeito e à dignidade que a classe merece.

A matéria é extensa e complicada para ser tratada neste espaço. Por isso, apelo ao esforço de todos, de modo a nos fazermos entender.

Não podemos baixar os braços! Se queremos um futuro e um Mundo melhores, vamos assumir, sem medos, o papel de Educadores, que é o que realmente somos. E, infelizmente, não são só os nossos alunos que precisam de ser educados.

Um abraço para  todos.

 

publicado por Elisabete às 18:42
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Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2008

AVALIAR QUE PROFESSOR?

 

 

Quando ouço falar de avaliação dos professores começo logo a sentir um formigueiro. Não porque ache que os professores são seres privilegiados cujo trabalho não deve ser avaliado, mas porque não é fácil fazê-lo com justiça.
Proponho-me falar apenas do antigo Ensino Secundário (correspondente aos actuais 2º Ciclo+3ºCiclo+Secundário, só para complicar ou copiar outros países). Porque, como muito bem disse Francisco Carmo “as coisas mudam de nome, mas o nome não muda as coisas.” Adiante!
 
 
Primeiro. Qual é a função do professor?
 
Antigamente, qualquer pessoa responderia que era a de ensinar os conteúdos do programa de determinada disciplina, com vista à aquisição dos conhecimentos e competências definidos como indispensáveis à passagem dos alunos para o ano seguinte. Simultaneamente, e sempre que a situação o justificava, eram transmitidos aos alunos regras de conduta e alguns valores.
Hoje, o professor continua a ter, teoricamente, esta função que deveria ser, de facto, a sua. Na prática, porémo único objectivo é agora “transitar” de ano, mesmo que o aluno não atinja o nível mínimo indispensável, mesmo que não saiba comportar-se na sala de aula nem em lado algum, só porque “reprovar” (Desculpem, usar a palavra proibida.) é uma coisa “excepcional”.
Como os conhecimentos (outra palavra proibida) já não interessam nada, o professor é assistente social, psicólogo, pai, mãe, animador e promotor de eventos culturais, recreativos e desportivos. E é, principalmente, administrativo, rodeado de papéis inúteis por todos os lados. Ai!, já me esquecia, e decifrador de longos Despachos e Decretos, oriundos do Ministério da tutela, cheios de banalidades que, acredito, nem quem os faz percebe para que servem.
 
Segundo. É o sucesso dos alunos que mede a qualidade do professor?
 
Gostaria de explicar que durante a minha longa vida de docente, tive turmas, no mesmo ano lectivo (e de ciclo) e na mesma Escola, em que a percentagem de níveis negativos variava entre 6,1% e 68,2%. Quer dizer, numas turmas, eu era uma óptima professora; noutras era péssima, tendo de justificar, em acta, as razões do insucesso.
 
Terceiro. Terá o professor de fazer “milagres” ou “omeletas sem ovos”?
 
É preciso que se diga que grande parte dos alunos chega ao 3º Ciclo (7º Ano), quase sem saber ler e escrever. Soletram, tropeçam em qualquer palavra que não caiba no seu limitadíssimo vocabulário, não conseguem reproduzir o sentido do parágrafo que acabam de ler.
Dirão: Claro, não aprenderam nada, nos anos anteriores, porque os professores não prestam. Pois eu digo que não aprenderam nada, essencialmente, porque:
se desvalorizou a importância dos conhecimentos, o papel da memória e se começou a ver a Escola como um jardim de infância, onde se brinca e onde cada um pode fazer o que quer, onde se realizam muitas festas, para além de frequentes passeios pelas ruas e jardins;
os sapientes teóricos do Ministério da Educação (ao longo dos anos) confundiram autoridade com autoritarismo e passaram, para o exterior, a ideia de que quem manda nas aulas e na Escola são os alunos e respectivos papás.
Neste Portugal que se pretendia justo e solidário, toda a gente percebe de Educação exceptos os professores. Não é?
Por isso, já há alunos do 1º Ciclo (entre os 6 e 9 anos) a baterem nas professoras sem que nada lhes aconteça. Mas o que aconteceria à professora se se passasse o contrário? E os casos de pais que entram pelas Escolas dentro, com ar feroz, para insultar e mesmo agredir professores? Esta senhora Ministra desvaloriza, com ar seráfico… “Não é nada grave… São casos pontuais”, etc., etc. Não é a senhora que sente a vergonha e a revolta por carregar a “cruz” que a incompetência duma hierarquia, vivendo num mundo que só existe na sua cabeça, lhe pôs às costas;
esta desautorização do professor é responsável por comportamentos de desafio e de não reconhecimento da sua autoridade científica e pedagógica como, por exemplo, o do aluno que responde “tanto faz”, quando o professor lhe aponta um erro, e que se recusa a emendá-lo. A mim, professora de História, diziam, muitas vezes, que não era professora de Português. Logo, devia estar caladinha e só falar do que me competia;
os pais deixaram de exercer o seu papel de educadores e de transmitir aos filhos o significado e a importância da Escola. A única coisa que os preocupa é ter um sítio onde os deixar enquanto trabalham. Compreendo os problemas que a maioria dos pais trabalhadores enfrenta no seu quotidiano, sobretudo nas cidades. Mas os pais não podem abdicar da função de formadores dos seus filhos. É fundamental a passagem de valores, no seio da família.
Uma das melhores turmas que tive, nos últimos anos, era composta em grande parte por alunos filhos de professores (e doutros licenciados), mas sobretudo por filhos de empregados de Escolas (desde auxiliares a cozinheiras, etc.). A competição era grande mas eram, precisamente, os filhos dos empregados os melhores alunos. Via-se que os pais lhes passavam a ideia de que, com esforço e empenho, poderiam no futuro ter uma profissão um pouco mais qualificada. Os jovens têm de acreditar que podem ter um futuro melhor, se fizerem por isso. Sei que, hoje, isto não é verdade. Os jovens sabem que não vale a pena o esforço, em termos profissionais. Por isso, é necessário demonstrar-lhes que só a instrução e a cultura permitem o desenvolvimento de certas potencialidades que temos e que fazem de nós seres humanos mais completos. E isso, por si só, é já uma boa recompensa. Quantas vezes, dizia aos meus alunos que é nosso dever  descobrir e desenvolver capacidades que nem imaginamos possuir: como a sensibilidade que nos torna capazes de apreciar e de nos emocionarmos, diante duma obra de arte ou duma bela paisagem, lendo um poema ou ouvindo um belo trecho musical; como o discernimento necessário às escolhas que temos de fazer durante toda a vida. Sem isso, não passamos de seres embotados e mutilados. Como é que, mais tarde, poderão desempenhar convenientemente o seu papel de cidadãos?
 
Concluindo, porque é impossível elencar aqui todas as causas do insucesso dos alunos, penso que a maior responsabilidade pertence ao Ministério da Educação que inverteu todo o processo e, julgando favorecer os alunos, acabou por tratá-los como “coitadinhos” a quem nada se exige, tornando-os irresponsáveis, mal-educados, prepotentes, preguiçosos e arrogantes [Não incluo, claro, as excepções que confirmam a regra]. Os pais, por seu lado, demitiram-se da sua obrigação de educar. Para agravar a situação, a sociedade em que vivemos encarrega-se do resto. Mostra-lhes, principalmente através das televisões, um mundo de fantasia onde o sucesso é fácil e rápido para gente medíocre e, quantas vezes, sem escrúpulos e uma formação decente.
  
Quarto. Vão ser os papéis (planos disto e daquilo, relatórios, etc.), bem feitinhos, bonitinhos, para encher “dossiers”, o mais apreciado pelos avaliadores?
 
Se calhar… Pelo menos, é qualquer coisa de palpável, de visível. Nem que não tenham qualquer importância e que só sirvam “para inglês ver”, sempre obrigam o professor a trabalhar. E o trabalhinho faz bem aos malandros dos professores. Se não tiverem tempo para o que é essencial, fica o supérfluo a encher as prateleiras. [Coitada da Terra! Quanto lixo desnecessário…]
A verdade é que, em concreto, ninguém sabe o que é mais importante, isto é, o que dá mais pontos à avaliação dos professores.
Acaso poderá, a Ministra Maria de Lourdes Rodrigues, esclarecer-me acerca do peso que terá, na avaliação, cada um dos imensos e hercúleos trabalhos que atribuiu àqueles a quem chamo “os escravos do séc. XXI”? Sim, porque os professores precisam de saber se devem “ser professores” ou “paus para toda a colher”.
A resposta não pode ser ambígua. Porque se o for, o professor fica entregue ao livre arbítrio do avaliador e caímos num sistema injusto.
 
Para terminar, quero fazer uma última pergunta:
 
A senhora Ministra acha justo que, por exemplo, um professor com avaliação de excelente corra o risco de não progredir na carreira, só porque a progressão é apenas permitida a uma pequena (determinada, possivelmente, em função do dinheiro que vai querer poupar) percentagem de professores?
Senhora Ministra Maria de Lourdes Rodrigues,
Sei que quando chegou ao Ministério a situação já era caótica. Não a responsabilizo por isso. Mas teimar na manutenção de políticas que, já vimos, não resultam, parece-me um erro tremendo. Só lhe peço um pouco de bom senso.
Às vezes, a solução é descer do “Olimpo” em que se transformou o Ministério da Educação e descer aos “Infernos” em que se transformaram as Escolas.
Talvez, depois dessa descida, tenha a coragem de expulsar do “Olimpo” os inúmeros falsos “deuses” que o povoam. Mais vale começar por identificar os problemas reais do sistema e tentar resolvê-los, com calma, usando o nosso fantástico potencial inventivo, do que seguir modelos importados que nada têm a ver com a nossa realidade.
 
(Continua)
 
********** 
Tenho plena consciência de que este texto está incompleto, apesar de longo. Afinal, os problemas da Educação constituem uma rede de causas e efeitos, sendo muito difícil isolar um tema e tratá-lo de “forma cirúrgica”. Por isso, agradeço que os colegas me proponham alterações, me esclareçam em relação ao que não estiver correcto, acrescentem ideias e façam propostas. Ainda quero acreditar que é possível meter um pouco de juízo em certas cabeças.   
publicado por Elisabete às 00:06
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Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2008

OUTRO ERRO CRASSO

 
BARCELOS.Antiga Escola Industrial e Comercial    PORTO.Liceu D. Manuel II [Esc.Sec. Rodrigues de Freitas] 
O desejo de tudo mudar, no domínio da Educação em Portugal, determinou o fim do Ensino Técnico (Industrial e Comercial).
Já se percebeu que foi um tremendo erro. Um erro que se baseou numa leitura errada dos dois tipos de ensino existentes, antes do 25 de Abril.
Pensava-se que o Ensino Liceal era para as elites (aqui, igual a ricos), para os que tinham de, mais tarde, gerir o País; e que o Ensino Técnico era para os trabalhadores (claro… os pobrezinhos).
Não sei se era este o objectivo do Governo de então. Mas a ser, não estava de acordo com a destrinça que o Salazarismo/Marcelismo fazia dos alunos. Não me lembro se a terminologia era esta, mas o significado era mais ou menos assim: havia os alunos excepcionais, os normais e os estúpidos. Ora, como sabemos, rico não é sinónimo de excepcional, nem sequer de normal, a nível da inteligência; nem pobre é sinónimo de estúpido ou de burro.
De qualquer modo, se existia esse preconceito, o que havia a fazer era destruí-lo. Não nego que o Liceu dava uma preparação de base mais sólida para uma eventual entrada na Universidade. Por seu lado, as Escolas Comerciais e Industriais preparavam os alunos para entrarem mais rapidamente no mundo do trabalho. E saíam bem preparados como administrativos, electricistas, serralheiros, etc. Em contrapartida, um aluno do Liceu com o 5.º ou 7.º anos, podia saber muito de português, filosofia, etc., mas se quisesse trabalhar tinha de aprender a profissão partindo, praticamente, do zero.
Todos os tipos de trabalho são igualmente necessários para a sociedade funcionar. E cada indivíduo deve fazer aquilo de que mais gosta e para que tem mais capacidades.
Os filhos dos ricos, ou dos doutores, não têm de ser, obrigatoriamente, trabalhadores intelectuais. Nem os filhos das famílias mais humildes podem ser impedidos de o ser. Nem sequer os trabalhadores não intelectuais (Estas expressões não têm muito sentido.) têm ou devem ter pouca instrução.
O ideal de Abril era a igualdade de direitos, não a uniformização das competências e dos saberes. Somos todos diferentes uns dos outros, porque raio não poderemos ter trabalhos e profissões diferentes de acordo com o gosto e as características pessoais? Concordando que tem de haver uma base de conhecimentos gerais igual para todos, penso também que deve haver, o mais cedo possível, o tipo de matérias, e de escolas, apropriadas aos objectivos que cada um persegue. Sem que isso determine a existência de cidadãos de primeira, segunda ou terceira categoria. Isso é parolice!
Hoje, tenta-se mais uma vez remendar. Os ditos Ensinos Profissional ou Profissionalizante são óptimos no papel mas não passam de embustes. Pelo menos até ao momento em que me aposentei, PROFIJ’s e outros que tais, serviam apenas para “empandeirar” (Peço desculpa pelo termo.) os alunos que, por mais facilidades que se lhes desse, não conseguiam acabar a escolaridade obrigatória. E temos de aceitar que há alunos que não conseguem, ou porque não podem ou porque não querem.
O êxito dos Ministros da Educação, particularmente da actual Ministra, depende mais da “fachada” do que da substância. Mas isso, tentarei mostrar mais tarde.
Por agora, é preciso fazer a catarse e admitir que se errou. É um sinal de inteligência. Só não sei é onde se vai buscar as escolas bem apetrechadas para o ensino técnico que foram desmanteladas, sem o mínimo pudor, em nome duma igualdade que nivelou por baixo e que está a contribuir para a emergência de novas elites, agora do ensino privado. 
Entretanto, jovens que poderiam estar a aprender uma profissão que lhes permitisse a entrada num sector laboral onde falta oferta deste tipo de trabalhadores, arrastam-se pelas Escolas sem fazerem nada, julgando que tudo se lhes deve e que não têm qualquer espécie de dever: nem para com eles próprios, nem para com os pais, nem para com o País.
Chegou a hora de exorcizar os fantasmas do passado e de ter a coragem de implementar políticas que tenham a ver com o País real, em vez de imitarmos modelos de outros, com realidades  e recursos diferentes dos nossos. Tanto intelectual, no Ministério da Educação, a "dar cabo da cabecinha" lendo obras de psicólogos e pedagogos que nem sequer entendem e, depois, deturpam. O Piaget, então, até se arrepiaria com os estragos que as suas teorias provocaram no ensino em Portugal.
 (Continua)                                                                   
publicado por Elisabete às 22:01
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PORQUE O MAIS IMPORTANTE DA VIDA SÃO OS AFECTOS...

 

Para todos os meus amigos e

amigas, desejo o melhor do mundo:

O AMOR PERFEITO

 

publicado por Elisabete às 00:47
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Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2008

FINALMENTE, VIAJEI NA MÁQUINA DO TEMPO!

Como Elizabeth da Baviera, entrei "por engano" nas portas do século XIX.

Tirem-me daqui! DEPRESSA!!!!!!

 

  

 

“Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter.”
[…]
“Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo.”
 
[…]
 
“Dois partidos (...) sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes (...), análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se amalgamando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no Parlamento, de não caberem todos de uma vez na mesma sala de jantar.”
[…]
"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional.”
Guerra Junqueiro, in "Pátria" (1896)
publicado por Elisabete às 19:12
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Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008

Como é que aqui chegamos?

 

 

25 de Abril de 1974
 
Dia iluminado pela esperança da possível concretização dos sonhos há muito sonhados . Todos queríamos tudo e depressa. Era urgente substituir o país cinzento de alguns, pelo país colorido de todos.
 
Como o Sérgio Godinho e tantos outros, também eu acreditei na possibilidade de construirmos um país, de gente generosa e solidária, onde houvesse  “liberdade” e responsabilidade para “decidir", e  "paz, pão, educação, saúde, habitação", onde pertencesse ao povo a riqueza que produzisse. 
 
Decorridos quase 34 anos, é difícil negar que a maior parte destes sonhos se esfumou. E pergunto-me, quase sempre com as lágrimas nos olhos e o coração a sangrar, como foi possível chegarmos a este ponto, a este beco sem saída?
É verdade que a guerra colonial terminou; é verdade que já não há presos políticos; é verdade que, antes, eu não poderia dizer livremente o que penso neste blogue; é um facto que o nosso quotidiano é mais livre (abolidas certas proibições disparatadas que existiam); é verdade que tivemos governantes imbuídos dum espírito humanista, como Maria de Lourdes Pintasilgo ou António Arnaud, que nos transmitiram confiança no futuro; é verdade que a mulher adquiriu mais direitos e que a mentalidade mudou. Mas…
 
E o resto? Mudou? Para melhor? Para pior? As respostas serão, com certeza, muito diversas. A minha, hoje dia 13 de Fevereiro de 2008, é amarga: acho que mudou para pior. Continuo a ver, e cada vez mais, portugueses sem pão, sem casa (ou hipotecados por causa dela), sem emprego, a perderem o direito a uma saúde e a uma segurança social decentes. Quanto aos "vampiros", continuam a comer tudo e nem migalhas deixam.
 
Pergunto a mim própria qual a principal razão que nos levou a "isto". Só encontro uma resposta: porque nos demitimos do nosso papel de cidadãos e entregámos, paulatinamente, o poder a gente com uma visão economicista [onde só entram números  e cifrões, onde não têm lugar pessoas "de carne e osso", e sangue, e lágrimas], cuja única ideologia passa pelos seus próprios interesses e ambições pessoais.
    
Penso que isto já muitos portugueses perceberam. Só que a maioria ainda não compreendeu que os últimos Governos têm querido fazer dos professores o bode expiatório do descalabro da Educação em Portugal. Nunca ninguém teve o bom senso de parar para reflectir nos erros cometidos, nunca ninguém teve coragem para os assumir. Optou-se por "remendar" os buracos que iam surgindo, em vez de mudar o rumo.
E, afinal, errar é humano. Em períodos de grande agitação revolucionária, os erros são mais frequentes e também mais compreensíveis.
 
 Agora… Quanto tempo será preciso para inverter o processo? Quanto sofrimento, quanta vida roubada a professores e alunos é, ainda, preciso imolar às políticas "sem pés nem cabeça" implementadas pelo Ministério da Educação ao longo destes mais de 30 anos?
 
Apetece desistir, cruzar os braços... fugir!
Mas o espítiro de Abril e o amor a Portugal não morreram ainda, pelo menos em mim. Desenganem-se!  A cidadania que conquistei nesse dia claro dar-me-á legitimidade e força para lutar pelo futuro do meu País. E esse futuro passa, inevitavelmente, por uma educação de qualidade para as crianças e para os jovens.
 
Hoje, fico-me por aquele que considero o primeiro grande engano:
 
Partir-se do princípio de que nada havia de aproveitável no tipo de educação que tínhamos.
 
O maniqueísmo, quanto a mim, não é muito saudável. Porque leva ao fanatismo e à consequente cegueira.
Eu sei que, naquela altura, era difícil ser lúcido e admitir que havia coisas que deviam permanecer. Havia que arrasar tudo e construir de novo. Mas o passado e a experiência dos que nos antecederam não podem ser simplesmente elimanados. Mas, pronto!... até entendo. O que já não posso entender é que, passado um tempo razoável, os responsáveis não tenham tido o discernimento de “emendar a mão”. E não faltaram avisos por parte dos professores. Eu própria me insurgi, muitas vezes, contra a desorientação que se estava a desenhar. 
 
(Continua)

 

publicado por Elisabete às 23:57
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Cícero

"Nenhuma coisa poderá ser generosa se não for, ela mesma, intrinsecamente justa."

Cícero, in "De Officiis" (Dos Deveres)

 

Cícero (106-43 a.C.)

Homem de letras, político, orador e causídico romano

publicado por Elisabete às 00:36
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Domingo, 10 de Fevereiro de 2008

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO DE PROFESSORES

 

ÚLTIMA HORA:

 

O Governo acaba de criar um novo ministério: o O MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO DE PROFESSORES.

 

Tendo em conta que o mundo está andando ao contrário, o Governo Português decretou que os professores das Escolas passam a ser os alunos, que os Conselhos Executivos e Pedagógicos serão formados pelo pais dos alunos e que os auxiliares de educação serão marginais que receberão treino militar nos EUA.

 

Portugal alcançará, assim, daqui a alguns anos, o "pelotão da frente" da União Europeia e arredores.

 

 

 

 Como já entenderam, a notícia é falsa. A caricatura da situação tem... Vá lá! 70% de verdade, porque o treino militar nos EUA é para os "agentes" da ASAE.

 

 

 

 

publicado por Elisabete às 16:46
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Sexta-feira, 8 de Fevereiro de 2008

A NÊSPERA

ESPERAR O QUE ACONTECE
 
Mário Viegas e a nêspera...

Há ainda quem se lembre? Há ainda quem prefira ficar calado?

--------------------------------------------------

Uma nêspera estava na cama

deitada, muito calada, a ver o que acontecia.

Chegou a Velha e disse:
olha uma nêspera e zás comeu-a !

É o que acontece às nêsperas
que ficam deitadas, caladas, a esperar o que acontece!
 
Adaptado de Mário Henrique Leiria, "Novos contos do Gin Tonic", 1974
publicado por Elisabete às 22:23
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Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2008

LAGOS DE CRISTAIS

 

Sente-se no divã, ouça o seu coração

não pense no amanhã, não há nenhuma razão

para a sua angústia omnipresente

essa sua dúvida de seguir em frente

valerá a pena? é esse o dilema

já nem Deus lhe diz nem nenhum sistema

você vê as folhas que no Outono mudaram

perdeu um minuto já o ultrapassaram

você não tem status é um pouco aéreo

não mostra sinais ninguém o leva a sério

 

Sente-se no divã ouça o seu coração

já não há papá mas ainda há papão

mesmo que decida não sair da cama

continua a vida fiel ao programa

quem sabe para onde

ninguém nos responde

 

Calendas centrais

campos de morangos

lagos de cristais

 

Sente-se no divã, ninguém tem a solução

reme ao Deus dará contra a situação

deixe o litoral povoe o interior

salve Portugal e vença o seu pavor

lá nas serranias é outro amanhacer

junto com os dias você vai renascer

se você não alinha e não agarra a chance

você é um morrinha está fora do lance

se é feliz com pouco se se senta no chão

dizem que está louco não tem ambição

 

Você tem razão em sentir-se perdido

não é você não que está deprimido

é o mundo lá fora que vive outra vida

sem saber para onde você está de partida

 

Calendas centrais

campos de morangos

lagos de cristais

Carlos Tê [in LADO LUNAR, de Rui Veloso]

 

publicado por Elisabete às 18:23
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Domingo, 3 de Fevereiro de 2008

O que vale a pena ler...

 

 

 

A Insuportável Solidão

 

1.Bridgend é uma pequena cidade de 40.000 habitantes, no sul do País de Gales. Um burgo isolado e pacato, aconselhável aos turistas (fonte de divisas), com o problema de muitos outros burgos: o desemprego. E, recente e inesperadamente, saltou para a primeira página dos jornais. Nesse mundo esquecido e apagado, aconteceu a tragédia: o suicídio de sete jovens, o mais velho de 20 anos e o mais novo (uma rapariga) de 17. Estudantes sem mácula, vidas aparentemente equilibradas e arregimentadas. Nem álcool, nem droga. Portanto, nenhuma razão. Um gesto absurdo. Mas haveria uma razão? Enraizaria o gesto na chateza da corrente dos dias? No ritual cinzento, em que as pessoas se perdem umas das outras e de si próprias?

***

2.Os sete jovens tinham coisas em comum viviam condições semelhantes, trocavam mensagens num sítio da internet e, pormenor macabro, suicidaram-se da mesma maneira: enforcaram-se. Talvez, ainda, um outro elo os unisse: a vontade de se tornarem públicos, de saírem do anonimato e de se afirmarem. Talvez fosse o alvo que o grito deles procurou atingir: a tona de água. O protesto -obviamente um protesto- quis arrancar, ao silêncio circundante, reconhecimento e admiração jamais tidos. Quem nos vê acompanha-nos e reconhece-nos? Não é certo. Albert Camus escreveu "O Estrangeiro": a solidão absurda do homem; Malcolm Lowry, na obra-prima "Debaixo do Vulcão", denunciou: "O que é a vida mais do que uma guerra e a passagem pela terra de um estrangeiro?" Em Bridgend, a meio de tantos sinais de beleza -paisagem, arquitectura, praias- sete fantasmas vivos (nunca se terão visto e trocavam mensagens dentro de garrafas que se confiam ao mar) descobriram que as suas almas estiolavam e pensaram o mesmo que o Cônsul de Lowry: "o pior de todas as coisas é sentir morrer a própria alma".

***

3.Não eram únicos, a não ser no gesto excêntrico, esquisito. Fora disso, habitavam o centro do quotidiano. Vivemos entre homens e mulheres, que se desconhecem e desconhecemos. Entre vítimas da indiferença e do egoísmo, do falso progresso, que tudo reduz a números. Sofremos, em época retrógrada, desumana, insalubre, assassina. Tempo de peste. Milhões de homens esbracejam, pulam, mascaram-se, na esperança de que atentem neles. Não atentam. A máquina não se condói nem pára, tritura e afoga, desliga-nos do mundo, pobres títeres, extraterrestres cada vez mais cadáveres adiados. Malcolm Lowry alertava "Le gusta este jardin que es suyo? Evite que sus hijos lo destruyan!"

Manuel Poppe, in Jornal de Notícias [O Outro Lado]

3.Fevereiro.2008

N.B. Não acho necessário acrescentar mais nada. Um óptimo texto para... reflectir.

publicado por Elisabete às 23:57
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Sexta-feira, 1 de Fevereiro de 2008

LISBOA.1.FEV.1908

 
Republicano e patriota tornaram-se sinónimos. Hoje quem diz pátria diz república. Não uma república doutrinária, estupidamente jacobina, mas uma república larga, franca, nacional, onde caibam todos. Não dum partido, da Nação.
Guerra Junqueiro, Pátria (1896)
 
Há cem anos atrás, cinco homens morreram, assassinados, em Lisboa: D. Carlos I, rei de Portugal; D. Luís Filipe, o príncipe herdeiro; Alfredo Costa, que matou o rei; Manuel Buíça, que matou o príncipe e João Sabino da Costa, apenas um homem na multidão.
Sou republicana, por uma questão de princípio. Sei que a minha vida não seria muito diferente se vivêssemos numa Monarquia.  Mas o conceito de Monarquia e República são substancialmente diferentes, apesar de a ambos poder corresponder uma democracia. Num regime republicano, teoricamente pelo menos, os homens são considerados iguais, com os mesmos direitos e deveres. Numa Monarquia, existe uma família que, por tradição, assegura para o seu primogénito o cargo de Chefe de Estado. Não concebo esta diferença entre seres humanos. Embora esse privilégio possa tornar-se num fardo demasiado pesado, a injustiça e o princípio da desigualdade não deixam de existir, mesmo em relação àquele que tem de o suportar.

(in Le Petit Parisien)
O Regicídio, em 1908, talvez não pudesse ter sido evitado. O povo vivia com grandes dificuldades económicas, enquanto a Casa Real gastava mais do que devia; o Ultimato Inglês desplotou uma onda de intenso patriotismo que levou o povo a ver o rei como “um fraco” ou, pior ainda, como traidor; a situação política era muito instável e os Republicanos pressionavam, denunciando “os podres” da Monarquia e conspirando para a derrubar. Neste cenário explosivo, D. Carlos comete um erro: chama,  para chefe do Governo, João Franco. Passado algum tempo, João Franco governa como um ditador e inicia feroz perseguição aos Republicanos. Entre 21 e 29 de Janeiro, são presos quase uma centena de republicanos entre os quais alguns dirigentes como António José de Almeida, Afonso Costa, o médico e cientista Egas Moniz (o nosso primeiro Prémio Nobel) e o conde da Ribeira Brava.  D. Carlos assina, em Vila Viçosa, um decreto que autoriza a deportação para as colónias africanas dos indesejáveis. A publicação deste decreto, no dia 31 de Janeiro, provoca uma onda de indignação na capital.

Alfredo Costa e o inocente João Sabino da Costa

No dia seguinte, de regresso a Lisboa, rei e príncipe têm a morte à espera… Haveria maneira de evitar esta tragédia? Talvez não. Preferia que não tivesse havido derramamento de sangue. Mas "encurralar" as pessoas negando-lhes a esperança tem, quase sempre, consequências trágicas...
Cinco portugueses morreram. Dois deles lutando por um ideal.

(Manuel Buíça)

Com John Donne, afirmo:
[…] a MORTE de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do GÉNERO HUMANO.
publicado por Elisabete às 18:28
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