Segunda-feira, 31 de Março de 2008

Por um TIBETE livre

 

 

Ver meu Blogue SOL POENTE:

 

http://snmatias.blogspot.com/2008/03/por-um-tibete-livre.html

publicado por Elisabete às 17:47
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Domingo, 30 de Março de 2008

É assim tão difícil VER?

Munch, Melancolia
A evolução regressiva
 
1.Uma das figuras impressionantes e dramáticas que, discretamente, se impõem no romance de José Régio, "A Velha Casa" (nunca eu me canse de valorizar as obras superiores que o chinfrim da feira literata silencia!), é João Trigueiros, o irmão-aventureiro do herói (anti-herói lhe chamou, e bem, Gaspar Simões) Lélito. João inspira-se em Henri de Man, humanista e socialista personalista do século passado -um daqueles homens que têm sede de justiça e a entendem como a defesa e a exigência da liberdade individual: deve a sociedade avançar no sentido que permita aos cidadãos a sua realização total. Isto é: a realização espiritual e material de cada pessoa. Mas João constatava que a sociedade aprisionava o homem no pseudo-progresso -a conquista da máquina contra a conquista da cultura-, novo colectivismo massificador, e temia que o homem se lhe abandonasse. Drama actual: o colectivismo sufocante não caiu com o muro de Berlim: vestiu outras roupas e o neo-liberalismo é uma variante.
2.Georges Bernanos, em "Diário dum padre de aldeia", escreve "o mal é que a justiça dos homens chega sempre tarde: castiga certos actos sem ir além de quem os cometeu". Por que trago o grande romancista católico, tão incómodo e implacável a denunciar a covardia e a hipocrisia? Serve à infeliz história de uma aluna e de uma professora da Escola Carolina Michaëlis. O que está por trás do incidente? Até que ponto é responsável a aluna? E o que poderia fazer a professora, naquele momento, sem que os "juízes" improvisados da opinião pública lhe caíssem em cima? Assistimos ao desastre que poder e política do ensino foram provocando. Há anos (nos últimos tempos, perfidamente) que os professores são desprestigiados, desautorizados, rebaixados -e ninguém mais do que o aluno se aproveita dessa desclassificação social. E o aluno, por sua vez, quem é? Outra vítima: um adolescente, um jovem atirado às ortigas, na sociedade de indiferença e solidão.
3.Basta olhar à volta para perceber que confrontos desses podem acontecer -provavelmente acontecem- todos os dias. A sociedade em que vivemos olha ao lucro, não olha à pessoa que a tecnocracia não liberta: escraviza. Acontece a evolução regressiva. Transformam-nos em peças, objectos. O quotidiano, para a esmagadora maioria, representa corrida, a toque de caixa. Pais e adolescentes estão separados, desconhecem-se, e o professor, que o sistema analfabetizante sufoca, não pode ser professor.

P.S. a professora processou a aluna exerceu: um direito.
Manuel Poppe, O Outro Lado,
Jornal de Notícias [30.03.2008]
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Manuel Poppe mostra, na sua crónica de domingo, com a clareza que lhe é peculiar o cerne da questão. Todos falam, todos julgam. Alguns apontam o dedo a alvos fáceis que não passam de vítimas; outros varrem para debaixo do tapete aquilo que não querem ver. Porque ver, perceber, o que se passa, no País e no Mundo, responsabiliza e compromete. E quem está interessado em sair da "sua vidinha" para pôr em questão a sociedade que temos? Para os que têm poucos escrúpulos e muito dinheiro e poder, ela é óptima; para a maioria é, de novo, "esclavagista" e desumana. O absurdo torna-se normal. O homem-robot perdeu a capacidade de sonhar para transformar.
publicado por Elisabete às 18:38
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Sábado, 29 de Março de 2008

TERRA, um pálido ponto azul

Aqui, onde estamos, o que somos?

 

clique

 

http://www.youtube.com/watch?v=EjpSa7umAd8

 

... Não há indícios de que a ajuda virá, de algum outro lugar, para salvar-nos de nós mesmos.

... a nossa responsabilidade de tratarmos melhor uns dos outros, de preservarmos e estimarmos o único lar que conhecemos:

o pálido ponto azul

publicado por Elisabete às 18:06
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Sexta-feira, 28 de Março de 2008

OS RICOS QUE PAGUEM A CRISE!

Apesar de não acreditar que a crise já passou, não há dúvida de que todos sabem quem a pagou, paga e pagará sempre.
Se não sabe, é caso para dizer com o povo: "Só não vê quem não quer ver" ou "O pior cego é aquele que não quer ver."
O artigo do Nuno Rogeiro, foi um pretexto para dar utilidade a um "velho" autocolante da fase do PREC e à figura do Zé Povinho (de Bordalo Pinheiro)  que, mesmo fazendo o "manguito", é sempre quem paga os erros dos políticos e a ganância daqueles que, por mais que tenham, nunca ficam saciados.
 
Quem Pagou a Crise?
"Os ricos que paguem a crise". Era um estribilho militante do pós-PREC, entre a Esquerda.
Muita água passou debaixo das fontes, certamente.
A crise, na sua vertente "financeira", foi vencida. É a jura do governo Sócrates que, magnanimamente, baixa 1% ao abstruso IVA.
Mas com sindicatos, povo local, professores, polícias, utentes de serviços públicos e funcionários do Estado, entre outros grupos de protesto, continuamente nas ruas, percebe-se que não foram os "ricos" que estabilizaram o orçamento "deste país".
Sabe-se que, na questão do défice, havia dois problemas o gasto do Estado (o "monstro" denunciado por Cavaco), que revelava desperdício, duplicação, inutilidade, muita gordura e pouco músculo, e a deficiência na cobrança de impostos e outras obrigações.
Nos números, ter-se-á reduzido "a despesa" e aumentado "a receita". Mas que "despesa"? E que "receita"?
Começando pela última tratando-se de liquidar dívidas de grandes devedores, ou de tornar visíveis os rendimentos tributáveis de apreciáveis fortunas (os lendários magnates - se é que existem - que se vangloriariam de nunca pagar ao Fisco), ou de combater grupos poderosos e imaginativos de fraude fiscal, a solução é unívoca. Melhore-se a inspecção e a cobrança. Os ricos que paguem a crise. Aplausos, cortina e créditos finais.
Onde nos podemos dividir é na questão da "despesa".
Tem o Estado cortado no seu excedente de gestores opacos, departamentos esotéricos, secretárias e assessores pessoais, frotas automóveis, imóveis sobredimensionados, serviços de difícil justificação, isto é, no topo da cadeia?
Ou limitou-se a atacar a base, através dos trabalhadores com menor poder, dos serviços "da província" e das populações envelhecidas, da despesa "social" considerada mais dispersa e irrelevante?
Cortou o ordenado gigantesco de um administrador público, em empresa deficitária, ou extinguiu o posto médico dos confins, que possui poucos utentes?
Retirou o direito ao salário chorudo ao político reciclado, ou o direito à saúde ao reformado da pequena aldeia?
Sabe-se qual é a resposta.
Por outro lado, deve lembrar-se que Manuela Ferreira Leite foi sempre atacada pela sua "obsessão" de equilíbrio orçamental, alegando-se que esquecia a economia "real". Por outras palavras salvava a imagem do país em Bruxelas, mas deixava os pobres mais pobres, os velhos mais velhos, os desesperados mais desesperados.
E agora, como é?
Sócrates afirma que temos, no exterior, um estado português mais credível.
E no interior?
 

 Nuno Rogeiro,Jornal de Notícias [28.03.2008]

publicado por Elisabete às 21:55
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Segunda-feira, 24 de Março de 2008

O PÁSSARO DE VIDRO

 

[…] duas pessoas apaixonadas que pediam, um ao outro, o absoluto que não conseguiam encontrar dentro de si. Desiludia-os às vezes a pobre resposta; mas, porque se amavam, sabiam que só o outro – Lorenza a Andrea e Andrea a Lorenza – poderia dar-lhes aquilo de que andavam à procura. Estavam os dois de boa-fé. O medo deles era humano: ao mesmo tempo que se amavam, desconfiavam um do outro. O absoluto de que andavam à procura queriam que lhes aparecesse logo, evidente, e, no meio, metia-se-lhes a fragilidade que tinham: nem um nem outro se transformava facilmente na harmonia desejada. Eram da terra, animais como os outros, sujeitos às fraquezas.

 

 

 

 

“O Pássaro de Vidro” é a história de um amor impossível, cuja acção decorre em Veneza, entre o médico recém-divorciado, Andrea, e a jovem estudante Lorenza.
Manuel Poppe, num tom profundamente intimista, escalpeliza o fenómeno amoroso, visitando os recantos mais profundos da insegurança e dos medos provocados por um amor que se quer puro, único, absoluto.
Não havia barreiras exteriores para os separar, mas… separava-os a impossibilidade de se darem, como pobres pássaros, em invólucro de vidro, incapazes de voar. A ansiedade paralisa-os. E culpam-se mutuamente. Acabam enredados nas suas próprias dúvidas, utilizando todos os ardis para descobrir até onde vai o amor do outro. E magoam-se… e desconfiam…e fogem… e voltam a aproximar-se para de novo se separarem e saborearem a dor que quase os destrói.
Andrea dispõe, e aproveita, dum amor menos complicado, em que só quase dá o corpo, mas do qual obtém alguma estabilidade e uma sensação de bem-estar. E também de remorso, de traição e instantes de consciência intranquila. Caterina dá-se-lhe, para o confortar, sabendo que ele nunca será seu, mas… mesmo assim, esperando o impossível.
Ele prefere a outra, Lorenza, fugidia, irregular, incompreensível. É o enigma que ela representa que o atrai? Deveriam desligar-se, se não conseguem construir a ponte sobre o abismo que os separa, mas não: preferem a insegurança, o conflito, ao vazio da vida sem o outro.
É um romance que dói, que ora nos leva a chorar o infortúnio destes dois, ora nos transforma em potenciais personagens, com vontade de interferir nas suas vidas, obrigando-os a voar por cima do muro que ergueram entre eles. Na verdade, nós é que somos empurrados, pela mão do autor, para dentro de nós próprios, afinal… seres humanos indefesos perante a turbulência do amor.
Por que razão nos apaixonamos?
Para lá da atracção física, há muitas vezes, em nós como nas personagens, a necessidade de combater a solidão e a vontade de proteger, quem nos parece desamparado e frágil, ou de sermos protegidos. Pensar que alguém precisa urgentemente de nós, dá um sentido à nossa vida; pensar que alguém se preocupa connosco, faz-nos sentir igualmente importantes e imprescindíveis.
O caso da Lorenza e do Andrea é, por Poppe, levado ao limite. Mas a verdade é que, quando nos apaixonamos, surge o medo, quase intolerável, de perder o sonho, de fracassar: de não sermos suficientemente bons para satisfazer a exigência do outro, de confrontarmos o ser inventado por nós com a pessoa real e verificar que nos enganámos, de ficarmos dependentes e reféns do amor do outro, de interpretarmos erradamente os sinais que nos são enviados. É como se perdêssemos o pé, sem qualquer certeza e muitas dúvidas. Será que para ele/a sou a/o única/o, a/o tal, a/o diferente? Até que ponto gostará de mim? É mais fácil fugir e ver se o outro vai atrás. Para medir o amor e porque, lá no fundo, acreditamos que se deseja mais quem se escapa do que quem está na nossa mão. E porque é excitante ser “caçador” e agradável saber que nos procuram, cai-se numa espécie de jogo em que, de vez em quando, se muda de papel. E ficamos irremediavelmente presos.
Haverá ser humano que nunca tenha passado por isto, mesmo que só o apreenda de forma difusa? Não creio. O amor é o sentimento que nos leva às maiores loucuras, ao céu ou ao abismo. E quando o desejamos da pureza do cristal, preferimos o nada ao vidro grosseiro.
Mesmo que, no fim, reste apenas a rotina comezinha duma relação banal ou o ombro dum amigo para chorar e descansar…
“O Pássaro de Vidro”, da Caminho, está esgotado. Encontrei-o numa biblioteca pública. Espero uma nova edição para o adquirir, para o reler as vezes que o meu coração pedir.
publicado por Elisabete às 19:08
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Sábado, 22 de Março de 2008

Aos Meus Amigos

publicado por Elisabete às 16:27
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Sexta-feira, 21 de Março de 2008

O CAOS INSTALADO

O espectáculo degradante, deprimente, humilhante, gravado por um aluno, dentro duma sala de aula na Escola Carolina Michaëlis (Porto), e que tem feito as parangonas dos noticiários, mais do que incredulidade e condenação, deve suscitar em nós uma reflexão profunda sobre a responsabilidade dos adultos e dos poderes no descalabro da Educação.
Não se trata dum episódio isolado nem pouco frequente. Nem sequer é um episódio característico do meio escolar. É, simplesmente, um reflexo da família e da sociedade absurda em que vivemos.
Como tenho defendido, a Escola não deveria ser esse reflexo, antes um ambiente disciplinador e transmissor de regras de conduta que contrariasse a influência da sociedade (que se exerce, sobretudo, através dos media) e até dos próprios pais que, absorvidos pelo trabalho cada vez mais exigente (quase escravo?), compensam a sua ausência na vida dos filhos, dando-lhes coisas e deixando-os fazer tudo o que querem.
Claro que “remar contra a maré” é uma missão quase impossível. Sobretudo, quando o Ministério da Educação resolve embarcar no mesmo bote: o da falta de exigência, do laxismo, dos direitos sem deveres, do desprezo pela autoridade dos Professores e por aí fora… As crianças e jovens sabem, hoje, que podem fazer a maior das barbaridades sem que nada lhes aconteça. Perderam a noção dos limites e de justiça. Estão expostos à amoralidade e ao egoísmo feroz, sem qualquer protecção, caindo numa violência gratuita de que a prática do bullying  é exemplo. Porque pais, Escola e sociedade se demitiram da sua obrigação de educadores.
Quando nos “Prós e Contras”, Manuel Villaverde Cabral afirmou que a Escola portuguesa "tinha entrado em colapso", logo se levantaram “os optimistas” que gostam de ver a vida a cor-de-rosa. Os factos desmentem este optimismo. E se não formos capazes de inverter, rapidamente, a tendência… teremos todos de andar de “coletes à prova de bala” dentro de muito pouco tempo.
Quem me dera estar enganada. Palavra de honra!
publicado por Elisabete às 23:18
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Crimes contra a Humanidade

 

Para quando o julgamento destes senhores?

Invadir e destruir toda a estrutura dum país, à revelia da ONU, sob pretextos mentirosos, é um crime grave que não pode ficar impune.

 

publicado por Elisabete às 18:31
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DIA MUNDIAL DA POESIA

     Liberdade

 

        Aqui nesta praia onde
        Não há nenhum vestígio de impureza,
        Aqui onde há somente
        Ondas tombando ininterruptamente,
        Puro espaço e lúcida unidade,
        Aqui o tempo apaixonadamente
        Encontra a própria liberdade.

Sophia de Mello Breyner

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Ao Miguel Sousa Tavares

Escolhi um poema da sua mãe, propositadamente, para celebrar o Dia Mundial da Poesia. Ela merece-o.

A si, seu filho, quero dizer que lamento o que tem dito acerca dos Professores portugueses.

Afirmar, por exemplo, que são uns inúteis muito bem pagos, fica-lhe mal. Primeiro, porque não pode generalizar (e, em todos os sectores, há bons e maus profissionais); segundo, porque não são inúteis; terceiro, porque não são bem pagos.

Ao fazer esta afirmação está a classificar-se mal como homem e como escritor. Com certeza percebe que a maior parte dos seus leitores são Professores. Logo, se os seus leitores não prestam a sua literatura deve ser light.

Não quero ser injusta, nem maniqueísta, como o Miguel. Sou portista, mas não gosto do seu fanatismo futebolístico; como comentarista, acho-o arrogante (Pensa que tem a verdade na mão ou usa uma máscara para esconder a insegurança?); mas, gosto dos seus livros, sim. Tenho-os todos e vou continuar a comprá-los. Porque, ao contrário do que acontece consigo, não vejo o mundo a preto e branco. Sei que nem sempre a obra reflecte o homem que a escreveu, mas prefiro acreditar que, no seu caso, reflecte, pelo menos, a parte melhor desse homem.

publicado por Elisabete às 00:13
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Quarta-feira, 19 de Março de 2008

A Pedra que impede a LUZ no caminho da EDUCAÇÃO

NO MEIO DO CAMINHO TINHA...

 

UMA PEDRA

 

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

Carlos Drummond de Andrade
publicado por Elisabete às 18:13
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ALERTA VERMELHO!

 

 

Contratados coagidos (clique aqui) a assinarem requerimento a pedirem avaliação de desempenho

Colegas,

Vão ao blogue do Ramiro Marques!

Vejam como proceder em casos idênticos. Há um requerimento que podem usar, nos comentários, para exigir o pedido dos Conselhos Executivos por escrito.

Não tenham medo de defender os vossos direitos! Ainda vivemos numa DEMOCRACIA!

 

 

publicado por Elisabete às 00:08
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Terça-feira, 18 de Março de 2008

A "Cassete" Maria de Lurdes Rodrigues

 

AR/Interpelação: Oposição pergunta sobre avaliação, ministra evita respostas directas
Lisboa, 18 Mar (Lusa) - A ministra da Educação foi hoje insistentemente questionada pelos deputados da oposição sobre o sistema de avaliação dos professores, mas, durante mais de uma hora e meia, evitou responder directamente.

No debate da interpelação do PCP sobre Educação, na Assembleia da República, o deputado comunista António Filipe perguntou quais eram as regras em vigor para a avaliação dos professores - as do decreto regulamentar ou de "um documento apócrifo" no "site" do Ministério, "mais flexíveis".

"Não lhe vou responder aquilo que quer ouvir. Vou-lhe responder com factos, com resultados", respondeu Maria de Lurdes Rodrigues, insistindo num balanço de três anos de governação como a maior "eficiência na organização das escolas" ou o programa escola a "tempo inteiro", com "acesso universal e gratuito à aprendizagem de inglês, música, actividade física e transporte escolar".

Ana Drago, deputada do Bloco de Esquerda, perguntou por duas vezes qual a solução para a contestada avaliação, que originou a manifestação de 100 mil professores, ou se a ministra achava que tinha condições para continuar "a fingir uma política educativa".

"A minha obrigação não é dar as respostas que a senhora deputada quer ouvir. A minha obrigação é responder com resultados. Respondo com aquilo que faço, com a política educativa", respondeu a ministra.

Este tipo de resposta levou Ana Drago a dizer que a ministra "não quer ou não sabe dar respostas" e António Filipe, a meio do debate, dizia, com ironia, que ainda tinha esperança de ouvir Maria de Lurdes Rodrigues responder.

António Filipe tinha, aliás, lançado uma outra pergunta sobre quando pensava o Governo pagar aos professores as aulas de substituição, depois de uma decisão nesse sentido dos tribunais.

José Paulo Carvalho, deputado CDS-PP, fez a contabilidade e concluiu que, das nove perguntas feitas pela sua bancada, "apenas três foram respondidas".

Na sua intervenção inicial, a ministra disse que "o que conforta o Governo, a política educativa e as decisões dos três últimos anos, os resultados - mais eficiência na organização das escolas, funcionamento das escolas orientado para os alunos, mais alunos e melhores resultados, menos abandono e menos insucesso escolar".

O primeiro-ministro, José Sócrates, que "segurou" a ministra depois da manifestação, dizendo que não estava em causa a sua continuação no executivo, assistiu, como habitualmente, à abertura do debate e abandonou São Bento.

NS.

Lusa/fim

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Como se vê, a Ministra roubou a "cassete" ao PC.

Sempre que se vê atacada, carrega no botão e dispara: "Não lhe vou responder aquilo que quer ouvir. Vou-lhe responder com factos, com resultados: eficiência na organização das escolas, escola a tempo inteiro, acesso universal e gratuito à aprendizagem de inglês, música, actividade física e transporte escolar."

Mesmo que tudo isto fosse assim fantástico, e não é, na sua maior parte são medidas de carácter social, com que até posso estar de acordo. Mas... às medidas de carácter pedagógico disse nada.

Não basta dizer "fez-se isto e aquilo", é preciso provar que o que se fez é eficaz. Não tenho nenhuma e indicação de que as escolas funcionam melhor. Escola a tempo inteiro e transporte escolar são medidas para resolver problemas dos pais. E não de todos. O meu neto tem de frequentar um ATL privado que o transporta à escola. Educação Física tem, mas melhor ou pior sempre houve, mesmo no 1º Ciclo. Inglês também tem e eu preferiria que não tivesse. Não sou contra, mas primeiro é preciso aprender bem PORTUGUÊS. E todos nós sabemos que... Afinal, não tenho razões para me preocupar: perante a minha curiosidade em saber o que aprendeu, até agora, o meu neto respondeu que... uma canção.

Pelo que me tem chegado aos ouvidos, pelo menos algumas das pessoas que dão estas disciplinas (Não sei se lhes posso chamar Professores), são pagos a "recibos verdes".

Concluindo, a Ministra "faz caridade" à custa de professores, resolve os problemas de alguns pais e continua a política do "eduquês".

Depois... os malandros são os Professores!!!...

publicado por Elisabete às 21:47
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Segunda-feira, 17 de Março de 2008

A Pedagogia da Incompetência

 

O 'Eduquês' em Discurso Directo

 

"O 'Eduquês' em Discurso Directo disseca com rigor e impiedade os lugares-comuns em educação, mostra o vazio dos conceitos que têm dominado a pseudopedagogia do laxismo e da irresponsabilidade e explica a ideologia frouxa que está por detrás da linguagem mole e palavrosa a que se tem chamado 'eduquês'.

Depois de ter lido este livro, ninguém poderá continuar a aceitar acriticamente expressões tão comuns como 'aprender a aprender', 'ensino centrado no aluno´ ou  'aprendizagem em contexto'. Percebem-se as ideias nocivas por detrás dessas expressões aparentemente inócuas.

Minuciosamente documentado com delirantes citações de responsáveis pela política educativa, apoiado em referências críticas da psicologia e da pedagogia, este livro não deixa pedra sobre pedra no edifício ideológico do 'eduquês'.

Nuno Crato é um professor de matemática preocupado com a educação. Armado de uma vasta cultura científica, de uma experiência de docência em vários países e de fundamentadas preocupações filosóficas, empreende neste livro uma crítica sistemática da pedagogia romântica e construtivista que em Portugal ficou conhecida como 'eduqués'.

É a primeira obra do género no nosso país. Destina-se a professores, pais e todos os que se preocupam com o futuro. O ensino é um problema demasiado sério para ser confiado exclusivamente aos teóricos da pedagogia, e muito menos aos ideólogos dogmáticos do 'eduqués'."

**********

Nuno Crato é professor no Instituto Superior de Economia e Gestão, em Lisboa. É doutorado em Matemática Aplicada e Presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática. Investigador, colunista do "Expresso", publicou vários livros e tem colaborado em programas de divulgação científica na rádio e na televisão.

Recebeu o primeiro prémio, em 2003, num concurso em que participaram catorze países, atribuído pela Sociedade Europeia de Matemática.

 

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Nuno Crato faz aqui a denúncia das políticas educativas implementadas em Portugal, nos últimos anos. Sobretudo, através da análise da legislação e das afirmações de responsáveis do Ministério da Educação.

Gabriel Mithá Ribeiro faz a mesma denúncia, em 2003, com base na experiência dolorosa da sua actividade de Professor, em "A Pedagogia da Avestruz".

Recentemente, os sucessivos Ministros da Educação têm tentado responsabilizar os Professores pela caótica situação a que chegou o Ensino. Mas ninguém os viu mudar de políticas. Mesmo a ministra Maria de Lurdes Rodrigues, que se diz tão reformista. As políticas continuam iguais ou piores. A diferença é que se quer resolver a questão do déficit, entrando no bolso dos Professores, como, aliás, de todos os Funcionários Públicos. Tentou denegrir-se a imagem dos Professores para pôr, de modo infame, a opinião pública contra os Professores. [1]

Os Professores não aceitam ser o "bode expiatório" e, se alguma culpa têm, foi a de não se terem recusado a cumprir as ordens do Ministério.

Mas muitos Professores, nas suas escolas, protestaram contra as medidas lastimosas que iam sendo implementadas. Infelizmente, não todos. Mas quem os poderá acusar de obedecerem aos seus superiores hierárquicos?

Eu posso orgulhar-me de sempre ter remado contra a maré. Sempre que pude, fiz o que pensava estar certo e que não era, de modo nenhum, coincidente com o determinado pelo ME.

Como diz Luísa Dacosta, "para se ser professor é preciso ser-se uma pessoa combativa. E não se negar a si própria, no sentido de se ser capaz de ir para além das pedagogias preestabelecidas."

É evidente que também há 'eduqués´ e "videirinhos" entre os Professores, mas sei que não são a maioria. O único erro dessa maioria de Professores foi o de serem obedientes e bem comportados. Se tivessem tido a coragem de chamar incompetente a quem, de facto, o era, não teríamos chegado a esta situação.

Mas nunca é tarde para remediar o mal feito. Agora, é tempo de não vergar. É preciso obrigar a Ministra, e o Governo, a reconhecerem a injustiça que estão a fazer a uma classe que merece respeito e, sem a qual, não há qualquer futuro.

_____________

[1] Para já não falar da ideia que corre por aí de que o Ensino privado é que é bom. Com a febre das privatizações, que está a dar nos políticos, tem toda a lógica a construção duma Escola Pública para os "coitadinhos", sem qualidade, enquanto os bons, os da raça superior, vão para as privadas, onde mandarão os pais, se calhar à custa dos subsídios do Ministério da Educação. Eu queria era ver os alunos desse Ensino de qualidade a fazerem exames nacionais nas Escolas Públicas, como eu fiz, no tempo em que não havia Liceu na minha cidade.

publicado por Elisabete às 16:16
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Domingo, 16 de Março de 2008

NO PAÍS DOS SACANAS

No País dos Sacanas

Que adianta dizer-se que é um país de sacanas?
Todos os são, mesmo os melhores, às suas horas,
e todos estão contentes de se saberem sacanas.
Não há mesmo melhor do que uma sacanice
para poder funcionar fraternalmente
a humidade de próstata ou das glândulas lacrimais,
para além das rivalidades, invejas e mesquinharias
em que tanto se dividem e afinal se irmanam.

Dizer-se que é de heróis e santos o país,
a ver se se convencem e puxam para cima as calças?
Para quê, se toda a gente sabe que só asnos,
ingénuos e sacaneados é que foram disso?

Não, o melhor seria aguentar, fazendo que se ignora.
Mas claro que logo todos pensam que isto é o cúmulo da sacanice,
porque no país dos sacanas, ninguém pode entender
que a nobreza, a dignidade, a independência, a
justiça, a bondade, etc., etc., sejam
outra coisa que não patifaria de sacanas refinados
a um ponto que os mais não são capazes de atingir.

No país dos sacanas, ser sacana e meio?
Não, que toda a gente já é pelo menos dois.
Como ser-se então nesse país? Não ser-se?
Ser ou não ser, eis a questão, dir-se-ia.
Mas isso foi no teatro, e o gajo morreu na mesma.
****
JORGE DE SENA
publicado por Elisabete às 23:12
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O Que Diz Quem Sabe...

 

A escola hoje é para mim um desgosto, na medida em que acho que a escola se está a abastardar. Não se está a fazer  uma educação de exigência, mas de massificação - e a massificação não serve a educação. A escola tem de ser exigente. Essa coisa de passar alunos reprovados a quatro cadeiras não leva a nada a não ser a um desgosto terrível. [...]

Penso que [não poder chumbar por faltas é uma grande irresponsabilidade. [...]

Reduzir as pessoas à estatística? Ou ao dinheiro? Uma pessoa é antes de mais uma ansiedade e uma alma. E essa ansiedade de se projectar, de se elevar, de se ultrapassar, não pode ser defraudada pela educação.

[...] Mas a nossa obrigação é defender os nossos autores, os que escrevem em português. [...] O português é uma língua com uma capacidade expressiva espantosa.

Luísa Dacosta [entrevista ao Jornal de Notícias

de 16 de Março de 2008]

 

 

Um Governo que tira a Literatura dos currículos deve ser imediatamente demitido.

Magalhães Godinho,

citado por Luísa Dacosta,

na mesma entrevista

 

 

 

...uma coisa assim, que se usa e deita fora. E é passar adiante, aceitar o que vem e permitem. Não duvidar. Não perguntar. Não bulir. Entregarmo-nos ao espectáculo circense, à luz e ao ruído, afogarmo-nos nas coisas ocas, que ajudam a esquecer -a esquecermo-nos de nós próprios e das perniciosas inquietações. Como a literatura descartável. Julien Gracq advinhou para onde isto tudo ia ("Lettrines", 1974) "A noção útil do livro sem autor: oficializando um sector da literatura industrial, permitir-se-ia à clientela de massa, das estações de caminhos-de-ferro e de metropolitano, dos supermercados, recorrer à página escrita como ao filme de sábado à noite -sem se preocupar com a origem, sem se inquietar com questões embaraçadoras e inoportunas." [...]

Relia o 4º volume ("Avisos do Destino") do grande romance de Régio, "A Velha Casa", praticamente silenciado, quando a irónica denúncia de Julien Gracq me confirmou a tragédia cultural em que vivemos: a morte do humano -das humanidades. O caos do nosso ensino é um genocídio planeado. Ao governo neo-liberalista, que é o nosso, não servem homens: servem objectos desmiolados -e, apenas, os estritamente indispensáveis (executantes, não-pensadores). O desemprego absorverá os excedentários.

Manuel Poppe, "A Vida Descartável",

in O Outro Lado,

Jornal de Notícias [16.03.2008]

 

P.S. Os destasques (negrito) são da minha responsabilidade.

publicado por Elisabete às 14:40
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Sábado, 15 de Março de 2008

O MEDO DE EXISTIR

       
A Educação sofre um massacre que provoca a fuga dos professores: não é isto um dos objectivos da "contenção", a redução do número dos docentes e dos custos da educação? A racionalidade necessária da avaliação esconde a outra racionalidade imposta pelo défice.


Nisto tudo, uma questão me intriga: porquê tanto ódio, tanto desprezo, tanto ressentimento contra a figura do professor?

José Gil (filósofo)
publicado por Elisabete às 23:49
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A Pedagogia da Avestruz

 

É, no meu ponto de vista, fundamental um dilúvio reparador que nos conduza às essências.

"Docentes estagiários, como eu fui, foram formados tendo por base princípios aberrantes, que ainda funcionam. A ideia mestra do paradigma das ciências da educação era a de que tudo se devia centrar no aluno, ao professor cabia o papel de o ajudar a iluminar o caminho que o conduzisse ao seu direito inato à felicidade. Daí decorria tudo o resto:os programas eram secundários e tinham de se adaptar às características do alunos. Cumpri-los não era importante, desde que os alunos se sentissem integrados. A autoridade era uma questão secundária, pois o 'bom selvagem' dela não necessitava e, caso fosse necessário, ele próprio construiria as suas regras. Mais do que a avaliação, a auto-avaliação deveria ser incentivada e foi mesmo revertida em lei. Era preciso dar largas à auto-aprendizagem e ao aprender a aprender, mais do que transmitir conhecimentos.

 

Em suma, quanto mais apagado fosse o papel do professor, tanto melhor. Tínhamos de perceber que não ensinávamos, eram os alunos que aprendiam; não avaliávamos, era importante a auto-avaliação dos alunos; e, já agora, não modelávamos comportamentos, mas, acima de tudo, devíamos despir-nos de preconceitos culturais e de adultos e negociar regras. Para eventuais dificuldades existiam os contratos pedagógicos. Portanto, a nossa formação, enquanto docentes, servia para nos provar quão precisos eram os alunos e quão inúteis eram os professores, numa espécie de esfarrapada autocomiseração docente."

 

*****

 GABRIEL MITHÁ RIBEIRO nasceu em Moçambique, em 1965. É professor de História do 3º Ciclo e do Secundário (do 7º ao 12º anos). Quando, em 2003, publicou este livro, deu voz a muitos professores que, nas suas escolas, demonstravam o seu descontentamento e uma total oposição às teorias e práticas pedagógicas impostas pelo Ministério da Educação. Ainda me lembro de um debate (na RTP1?), em que esteve presente e enfrentou os defensores deste tipo de pedagogia (nomeadamente os Sindicatos) e que, como é costume, tiveram mais tempo de antena. Vale a pena ler este livro. Continua actual. E é, precisamente, contra a realidade que ele retrata que os PROFESSORES estão em luta.

Entretanto, deste autor, saiu "A Lógica dos Burros" que não tive ainda a possibilidade de ler. Em breve, darei notícia dele.

publicado por Elisabete às 09:38
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Sexta-feira, 14 de Março de 2008

CUIDADO!!!

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

 Governo diz que "foi por muito pouco" que não foi alcançado um acordo
Lisboa, 14 Mar (Lusa) - o Secretário de Estado adjunto da Educação afirmou hoje que "foi por muito pouco" que não foi alcançado um acordo sobre a avaliação de desempenho dos professores, acusando os sindicatos de estarem "irredutíveis".
No final de uma reunião de quase três horas com Federação Nacional de Sindicatos da Educação (FNE), Jorge Pedreira adiantou que a tutela propôs o estabelecimento de regras comuns para o modelo simplificado de avaliação em todas as escolas, mostrando-se até disponível para negociar outras matérias, como o diploma da gestão escolar.
"É uma pena mas foi por muito pouco que não se conseguiu um acordo com a FNE. O Ministério mostrou toda a abertura para negociar, a irredutibilidade está do lado dos sindicatos", disse Jorge Pedreira.
De acordo com o secretário de Estado, o ministério propôs que o regime simplificado de avaliação, que não contempla a observação de aulas ou as notas dos alunos, fosse aplicado da mesma forma em todos os estabelecimentos de ensino, com definição de regras comuns e procedimentos mínimos, o que não foi aceite pela FNE.
Assim sendo, este regime simplificado - anunciado na quarta-feira pela ministra Maria de Lurdes Rodrigues na sequência de uma reunião com o Conselho de Escolas - será negociado em cada estabelecimento de ensino, podendo ser aplicado de forma diferenciada, uma solução já criticada pelos sindicatos.
No encontro, o ME propôs ainda que o processo de avaliação fosse apenas aplicado aos 7.000 professores contratados e docentes dos quadros em condições de progredir de escalão, sendo suspenso em relação aos restantes 136 mil.
"O ME colocou-nos uma solução em que admitia que umas escolas fizessem avaliação e outras não. Nós entendemos que o princípio da unidade não pode ser posto em causa. Consideramos que não estão reunidas as condições para que o processo possa decorrer com qualidade, seriedade e credibilidade", afirmou o secretário-geral da FNE, João Dias da Silva, à saída do encontro.
Considerando que "a tutela está inabalável", a FNE declarou o fim do processo negocial, à semelhança do que já tinha acontecido à tarde com a outra estrutura dos professores, a Fenprof.
A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) ameaçou mesmo recorrer aos tribunais por considerar ilegal o regime simplificado de avaliação de desempenho que o Ministério acordou esta semana com o Conselho de Escolas.
"Os procedimentos simplificados anunciados pelo ME são completamente ilegais porque representam uma alteração ao diploma que não foi negociada, nem publicada em lado nenhum", afirmou à Lusa o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, no final da última reunião com a tutela relativa à regulamentação do processo de avaliação dos docentes.
Na quarta-feira, a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, anunciou que o processo de avaliação não será suspenso, nem adiado, mas poderá ser aplicado de forma simplificada este ano lectivo, por exemplo abdicando de requisitos como a observação de aulas e de critérios como as notas dos alunos.
© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.
2008-03-14 21:25:02
Colegas!
Atenção! Mostrem claramente aos vossos Sindicatos que não estão dispostos a aceitar um qualquer acordo com o Ministério.
Está muita coisa em causa e não se pode esquecer que os Professores, se querem defender os seus direitos laborais, também defendem um Ensino de qualidade que ponha fim à desordem, à indisciplina e às práticas educativas erróneas e comprometedoras do futuro.
É preciso não perder esta oportunidade única de pôr a Educação "nos carris".
 
 
publicado por Elisabete às 22:29
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SE EU FOSSE MINISTRA DA EDUCAÇÃO

Se eu fosse Ministra da Educação...
1.Partindo do princípio de que os Professores alguma razão têm para se manifestarem da maneira que se vê, suspendia diplomas e medidas, deixando que o sistema continuasse a funcionar como até aqui (incluindo a diferenciação entre Professores titulares e não titulares que, absurdamente, só existe no Continente). Criaria assim um espaço de acalmia, que permitisse a reflexão e discussão sobre todos os problemas que o Ensino enfrenta actualmente;
2.Deslocar-me-ia às Escolas para que, reunindo com os Professores, estes pudessem pôr em cima da mesa, sem medos ou constrangimentos, todos os motivos de preocupação e insatisfação, tanto em relação à sua função como em relação às políticas educativas seguidas;
3.Leria com atenção, por exemplo, os seguintes livros: A Pedagogia da Avestruz, de Gabriel Mithá Ribeiro, e O ‘Eduquês’ em Discurso Directo, de Nuno Crato;
4.Colocava os eduqueses nas Escolas a dar “aulinhas”, atolados nos papéis que produziram e a aturar meninos mal-educados. Era uma forma de  serem responsabilizados pelas asneiras que fizeram enquanto brincavam às experiências pedagógicas;
5.A partir dos dados recolhidos, tentaria reflectir, seriamente, sobre o objectivo central da Educação e, se as políticas que têm sido seguidas atingem, ou não, esse objectivo primordial;
6.Reconhecendo o papel do Professor como central no processo educativo, procuraria definir, de forma concreta e sem ambiguidades, o seu perfil adequado, isto é, definir os parâmetros de avaliação daquele que reconheceria como “bom Professor”.
******************
Senhora Ministra da Educação,
Sei que talvez já não seja possível o entendimento entre a Senhora e os Professores, mas sempre quero deixar-lhe algumas considerações e, quem sabe?, outros tantos conselhos.
A minha linguagem, propositadamente simples e perceptível por todos, não é inocente. É o contraponto à linguagem rebuscada e oca, mas linda!,  usada nos documentos emanados do Ministério  e inspirados pelos “especialistas em Ciências d Educação”.
É que penso que é chegado o tempo de chamar as coisas pelo nome e de ser pragmática. Os problemas da nossas escolas não podem já resolver-se pela imposição de um modelo que parte do nada. É preciso criar, e não copiar, um novo modelo que, assentando na realidade, procure resolver os muitos problemas da Escola portuguesa. Não estou a defender um modelo por escola. Estou a defender um MODELO único que tenha em conta os problemas comuns a todas as escolas. É que, por mais que queiram fazer-nos crer na existência de escolas problemáticas e de escolas não problemáticas, os Professores sabem muito bem que, em todas as escolas há turmas e alunos problemáticos. Sendo que o maior problema deles é ter caído numa Escola que premeia quem é preguiçoso, irresponsável e mal-educado.
Como já disse, não sei se a Senhora Ministra ainda está a tempo de fazer alguma coisa que valha a pena.
Ainda assim, se eu ocupasse o seu cargo, gostaria de ser recordada como a Ministra que, assumindo os seus erros, emendou a mão e acabou por deixar construídos os alicerces, sólidos e firmes, de uma nova Educação.
Envergonhar-me-ia, por outro lado, se deixasse um belo edifício, construído sobre areias movediças, que se vai enterrando, pouco a pouco, ou que uma leve brisa deita ao chão.
É que, Senhora Ministra, fazer reformas apressadas e sem consistência pode ser muito pior do que não reformar coisa alguma.
A REFORMA DO ENSINO TEM DE SER JUSTA PARA ALUNOS E PROFESSORES.

A REFORMA DO ENSINO TEM DE TER COMO RESULTADO A ELEVAÇÃO DO NÍVEL CULTURAL DOS CIDADÃOS PORTUGUESES.
publicado por Elisabete às 17:00
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Segunda-feira, 10 de Março de 2008

O DIREITO À DESOBEDIÊNCIA

Quando um  governante se torna prepotente, não admite que pode estar errado e segue políticas nocivas ao futuro do País, os cidadãos têm o

 

 

DIREITO À DESOBEDIÊNCIA

 

 

 

Os Professores, agrupados nos seus Departamentos, podem e devem exigir, aos Conselhos Executivos das suas Escolas, a suspensão de todos os trabalhos que visavam a consecução da avaliação dos Professores e do novo modelo de gestão das Escolas.

É obsceno impor, à força, diplomas com que ninguém consciente está de acordo, só para "salvar a cara" da Ministra ou, pior ainda, porque a cedência significará a caída do poder na rua. Dizem "os inteligentes" que, depois do que já aconteceu na saúde, o País se tornaria ingovernável.

Há uma maneira simples de resolver o problema: o Governo muda de política educativa, como mudou o local do novo aeroporto, exigido pela CIP.

Como vemos, o Governo trata de maneira diferente os trabalhadores e os patrões. O poder económico manda no Governo e o Governo, humilhado, vinga-se calcando os Professores (E outros trabalhadores, claro!).

Por que não podem os Professores apresentar um projecto que substitua o da Ministra, como fez a CIP com o Ministro Jamais (Para quem não sabe francês, lê-se Jamé)?

Já agora, para a Srª Socióloga e Ministra da Educação, o conselho de Vasco Graça Moura, no seu artigo "Entre a Vergonha e a Catástrofe":

 A senhora ministra da Educação fará aos contribuintes o subido obséquio de ler atentamente este livro.

publicado por Elisabete às 22:29
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