Quinta-feira, 29 de Maio de 2008

RESSUSCITAR O ESPÍRITO DE ABRIL

 

 

 

APELO 

 

O 25 de Abril e o 1º de Maio de 1974 ficaram para sempre associados ao imaginário da liberdade e da democracia. Continuam a ser uma referência e uma inspiração. Trinta e quatro anos volvidos, apesar do muito que Portugal mudou, o ambiente não é propriamente de festa. Novas e gritantes desigualdades, cerca de dois milhões de portugueses em risco de pobreza, aumento do desemprego e da precariedade, deficiências em serviços públicos essenciais, como na saúde e na educação. Os rendimentos dos 20 por cento que têm mais são sete vezes superiores aos dos 20 por cento que têm menos.
A corrupção e a promiscuidade entre diferentes poderes criaram no país um clima de suspeição que mina a confiança no Estado democrático.
Numa democracia moderna, os direitos políticos são inseparáveis dos direitos sociais. Se estes recuam, a democracia fica diminuída. O grande défice português é o défice social, um défice de confiança e de esperança.
O compromisso do 25 de Abril exige que se restaurem as metas sociais consagradas na Constituição da República. E exige também uma crescente cidadania contra a insegurança, contra as desigualdades, por mais e melhor democracia.
Não podemos, por outro lado, ignorar a persistência de uma política de agressão, bem como as repetidas violações do direito internacional e dos direitos humanos. Bagdad, Abu-Ghraib e Guantánamo são os novos símbolos da vergonha. Não se constrói a paz com a guerra. Nem se defende a democracia pondo em causa os seus princípios. E por isso, hoje como ontem, é preciso lutar pelos valores da Paz e pelos Direitos Humanos.
Não nos resignamos perante as dificuldades. Como escreveu Miguel Torga – “Temos nas nossas mãos / o terrível poder de recusar.” Mas também o poder de afirmar e de dar vida à democracia.
Os que nos juntamos neste apelo, vindos de sensibilidades e experiências diferentes, partilhamos os valores essenciais da esquerda em nome dessa exigência. É tempo de buscar os diálogos abertos e o sentido de responsabilidade democrática que têm de se impor contra o pensamento único, a injustiça e a desigualdade.

Manuel Alegre - deputado e escritor; Isabel Allegro Magalhães - professora universitária; José Soeiro - deputado; Abílio Hernandez - professor universitário; Acácio Alferes - engenheiro; Albano Silva - professor; Albino Bárbara - funcionário público; Alexandre Azevedo Pinto - economista, docente universitário; Alfredo Assunção - general, militar de Abril; Alípio Melo - médico; Ana Aleixo - médica; Ana Luísa Amaral - escritora; António Manuel Ribeiro - músico; António Marçal - sindicalista; António Neto Brandão - advogado; António Nóvoa - professor universitário; António Travanca - professor universitário; Augusto Valente - major general, militar de Abril; Camilo Mortágua - resistente; Carlos Alegria - médico; Carlos Brito - ex-deputado; Carlos Cunha - engenheiro; Carlos Sá Furtado - professor universitário; Carolina Tito de Morais - médica; Carreira Marques - ex-autarca; Cipriano Justo - médico; Cláudio Torres - arqueólogo; David Ferreira - editor; Dinis Cortes - médico; Edmundo Pedro - resistente, ex-deputado; Eduardo Milheiro - empresário; Elísio Estanque - professor universitário; Ernesto Rodrigues - escritor; Eunice Castro - sindicalista; Fátima Grácio - dirigente associativa; Francisco Fanhais - músico e professor; Francisco Louça - deputado; Francisco Simões - escultor; Helena Roseta - arquitecta, autarca; Henrique de Melo - empresário; João Correia - advogado; João Cutileiro - escultor; João Semedo - deputado; João Teixeira Lopes - professor universitário; Joaquim Sarmento - advogado, ex-deputado; Jorge Bateira - professor universitário; Jorge Leite - professor universitário; Jorge Silva - médico; José Aranda da Silva - ex-Bastonário Farmacêuticos; José Emílio Viana - dirigente associativo; José Faria e Costa - professor universitário; José Leitão - advogado, ex-deputado; José Luís Cardoso - advogado, militar de Abril; José Manuel Mendes - escritor; José Manuel Pureza - professor universitário; José Neves - fundador do PS; José Reis - professor universitário; Luís Fazenda - deputado; Luís Moita - professor universitário; Luisa Feijó - tradutora; Mafalda Durão Ferreira - reformada da função pública; Manuel Correia Fernandes - arquitecto, professor universitário; Manuel Grilo - sindicalista; Manuel Sá Couto - professor; Manuela Júdice - bibliotecária; Manuela Neto - professora universitária; Margarida Lagarto - pintora; Maria do Rosário Gama - professora; Maria José Gama - dirigente associativa; Mariana Aiveca - sindicalista; Natércia Maia - professora; Nélson de Matos - editor; Nuno Cruz David - professor universitário; Pacman - músico; Paula Marques - produtora; Paulo Fidalgo - médico; Paulo Sucena - professor; Pio Abreu - psiquiatra; Richard Zimmler - escritor; Rui Mendes - actor; Teresa Mendes - reformada da função pública; Teresa Portugal - deputada; Ulisses Garrido - sindicalista; Valter Diogo - funcionário público aposentado; Vasco Pereira da Costa - escritor, director regional da cultura.

 

 

Será que este encontro, no Teatro Trindade, no próximo 3 de Junho, em que participarão elementos do Bloco de Esquerda, renovadores comunistas e socialistas históricos, como Manuel Alegre, é a pedrada no charco há tanto tempo esperada?

 

Mário Soares, por seu lado, faz um contundente aviso ao Governo de José Sócrates para que faça uma reflexão urgente sobre a crise social que afecta o país, sobretudo em relação a bolsas de pobreza,  desigualdades sociais e  descontentamento da classe média, sob pena de um fracasso eleitoral já em 2009, por possibilidade de haver transferência de voto para o PCP e o Bloco de Esquerda. 

Não sendo, propriamente, admiradora do Dr. Mário Soares, concedo que há um conjunto de princípios a que ele é fiel e, por isso, tem a minha admiração. Teria gostado, no entanto, que a sua preocupação não fosse tanto a perda das próximas eleições pelo PS, mas antes a injustiça da situação que vivemos e a que um homem de esquerda não pode ficar indiferente. 

As eleições… Quero lá saber das eleições, se sei que vão ser ganhas pelos responsáveis das políticas erradas que têm sido seguidas! Que alternativa temos ao bloco central?

 

Só vejo uma solução: a luta, sem tréguas, de todos aqueles que não se conformam com o desnorte provocado pela incompetência desse mesmo bloco central (PS e PSD), nem aceitam políticas que favoreçam as desigualdades sociais e neguem à maioria o direito a viver com dignidade.

 

ACORDA, PORTUGAL!!!
  

publicado por Elisabete às 14:52
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Quarta-feira, 28 de Maio de 2008

A POESIA DORIDA DE ANTÓNIO GEDEÃO

 

Poema do autocarro

 

Quantos biliões de homens! Quantos gritos

de pânico terror!
Quantos ventres aflitos!
Quantos milhões de litros
de movediço amor!
Quantos!
Quantas revoluções na cósmica viagem!
Quantos deuses erguidos! Quantos ídolos de barro!
Quantos!
Até eu estar aqui nesta paragem
à espera do autocarro.
 
E aqui estou, realmente.
Aqui estou encharcado em sangue de inocente,
no sangue dos homens que matei,
no sangue dos impérios que fiz e que desfiz,
no sangue do que sei e que não sei,
no sangue do que quis e que não quis.
Sangue.
Sangue.
Sangue
Sangue.
 
Amanhã, talvez nesta paragem de autocarro,
numa hora qualquer, H ou F ou G,
uns homens hão-de vir cheios de medo e sede
e me hão-de fuzilar aqui contra a parede,
e nem sequer perguntarei porquê.
 
Mas…
 
Não há mas.
Todos temos culpa, e a nossa culpa é mortal.
 
Mas eu só faço o bem, eu só desejo o bem,
o bem universal,
sem distinguir ninguém.
 
Todos temos culpa, e a nossa culpa é mortal.
 
Eles virão e eu morrerei sem lhes pedir socorro
e sem lhes perguntar porque maltratam.
Eu sei porque é que morro.
Eles é que não sabem porque matam.
 
Eles são pedras roladas no caos,
são ecos longínquos num búzio de sons.
Os homens nascem maus.
Nós é que havemos de fazê-los bons.
 
Procuro um rosto neste pequeno mundo do autocarro,
um rosto onde possa descansar os olhos olhando,
um rosto como um gesto suspenso
que me estivesse esperando.
 
Mas o rosto não existe. Existem caras,
caras triunfantes de vícios,
soberbamente ignaras
com desvergonhas dissimuladas nos interstícios.
O rosto não existe.
 
Procura-o.
 
Não existe.
 
Procura-o.
Procura-o como a garganta do emparedado
Procura o ar;
como os dedos do homem afogado
buscam a tábua para se agarrar.
 
Não existe.
 
Vês aquele par sentado além ao fundo?
Vês?
Alheio a tudo quanto vai pelo mundo,
simboliza o amor.
Podia o céu ruir e a terra abrir-se,
uma chuva de lodo e sangue arrasar tudo
que eles continuariam a sorrir-se.
Não crês no amor?
 
?
 
Não ouves?
 
?
 
Não crês no amor?
 
Cala-te, estupor.
 
Tenho vergonha de existir.
Vergonha de aqui estar simplesmente pensando,
colaborando
sem resistir.
 
Disso, e do resto.
Vergonha de sorrir para quem detesto,
de responder pois é
quando não é.
Vergonha de me ofenderem,
vergonha de me explorarem,
vergonha de me enganarem,
de me comprarem,
de me venderem.
 
Homens que nunca vi anseiam por resolver o meu problema concreto.
Oferecem-me automóveis, frigoríficos, aparelhos de televisão.
É só estender a mão
e aceitar o prospecto.
A vida é bela. Eu é que devia ser banido,
Expulso da sociedade para que a não prejudique.
 
Hã?
                Ah! Desculpe. Estava distraído.

Um de quinze tostões. Campo de Ourique.

 

António Gedeão, Máquina de Fogo, 1961

 

 

publicado por Elisabete às 21:29
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Segunda-feira, 26 de Maio de 2008

PORQUE A CIDADANIA NÃO SE ESGOTA NAS URNAS...

    

Exemplo perfeito: O discurso político é feito aos berros... uma pedra em cada mão...

 

Retórica oca
O discurso político, escrito ou falado, utiliza habitualmente uma linguagem rígida e muitas vezes triste. É repetitivo. Ao discurso político falta quase sempre a alegria das coisas sentidas. Falta ao espaço de repente aberto e logo naturalmente preenchido pelo que é lindo e que faz do dia-a-dia de cada um uma coisa boa de ser vivida. Falta o imprevisto que nasce da imaginação e, porque não, da utopia. O discurso político de um modo geral não procura. Está. Conserva. Aceita. O discurso político é feito aos berros. Não tem de ser ouvido nem pensado. É só barulho de fundo. É deprimente e vazio. Não propõe. Destrói.
Quem fala, e basta assistir a uma sessão da Assembleia da República, ainda não percebeu que se falar baixinho e sem uma pedra em cada mão será melhor ouvido e mais respeitado. O que sobra de um discurso político são as amêndoas de Portalegre, o leitão da Bairrada ou o arroz de cabidela de Ponte de Lima!
É importante que quem fala por nós eleve um pouco o seu nível na linguagem, na postura e nas propostas. Estonteado com números e estatísticas, quem lê ou ouve passa à frente daquela página do jornal ou desliga o televisor. É insuportável o vazio e a falta de credibilidade que gera.
O cidadão comum tem o direito, diria mesmo o dever, de não aceitar. De recusar o que é morto e triste. Já olharam para como se vive neste mundo? Anda tudo aos encontrões e é difícil discernir onde está a razão. A palavra solidariedade desapareceu da linguagem política. O insulto, mais ou menos camuflado, e a piada de mau gosto, que faz o título da primeira página dos jornais ou abre o noticiário nobre nos canais de televisão, são a regra.
O discurso político será vivo, sentido e ouvido, quanto mais for capaz de ser inovador e recusar o conforto das ideias feitas tentando ultrapassar sempre o adquirido. Claro que pode e deve ser duro e incisivo, mas se cai no insulto pessoal e nos pequenos fait divers tão típicos na nossa vida política perde toda a seriedade que temos o direito de exigir.
Os portugueses olham hoje e cada vez mais para os políticos profissionais sem respeito e sem qualquer tipo de interesse. A chamada disciplina partidária não é mais do que um instrumento dos aparelhos partidários para que alguns, poucos, se mantenham no poder e controlem a liberdade de escolha e de pensamento da maioria. (1) Maioria essa que aceita, para não perder pequenos privilégios, “vender” a sua própria consciência. É de tal maneira diminuta a participação da maioria dos deputados à Assembleia da República que o cidadão comum tem o direito de se perguntar o que é que lá fazem. Eu sei que existem as várias comissões onde parece que se trabalha muito. Só que, se assim é, esse trabalho não tem qualquer visibilidade para o exterior. E impacte legislativo? Será que tem? O que se vê são os “ilustres”, sempre os mesmos, sentados nas duas primeiras filas, que representam todos os outros. Os silenciosos. Mas representarão?
Claro que há um ou outro que faz ouvir a sua voz. Dá jeito e dá um aspecto mais democrático à coisa. Cada 15 dias temos agora direito a uma espécie de liturgia. O que lá se discute terá assim uma importância tão grande? Não sei. O que ouço nos telejornais da noite e nos jornais do dia seguinte, salvo raras excepções, são os comentadores a discutir sobre quem ganhou! Mas ganhou o quê?
 
Octávio Cunha, Jornal de Notícias [11.05.2008]
************
(1) O destaque é meu.
sinto-me:
publicado por Elisabete às 14:18
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Sexta-feira, 23 de Maio de 2008

Como são gastos os nossos impostos?

 

[...] 

 

Eis a questão, outra vez. Com os provados réditos dos combustíveis, o que faz o Estado pelo cidadão comum? Dá-lhe boas estradas e ruas, hospitais, escolas, parques, limpeza e segurança (social e física)? Dá-lhe "qualidade de vida"?

Para nós, beduínos a gasóleo, o problema não é a "carga fiscal", mas o que resulta dela. Não é o dinheiro que o Estado nos tira, mas o que faz com o dinheiro que nos tira. Porque "pagar impostos" em Portugal, infelizmente, não é o mesmo que pagá-los na Suíça.


Nuno Rogeiro, Jornal de Notícias

[23.05.2008]

 

 

 

 Nota: O sublinhado é meu.

_____________________

 

publicado por Elisabete às 15:20
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Quarta-feira, 21 de Maio de 2008

Para quando a discussão do que é, VERDADEIRAMENTE, importante?

 

 

Duas notícias sobre educação, na imprensa escrita de hoje, mostram bem o modus operandi do Ministério da Educação, desde há muito, e das “comissões”, “associações” e “especialistas” vários (sociólogos, psicólogos, pediatras, etc.) que se movimentam à sua volta.

 
1. Fusão do 1º e do 2º Ciclos
 
A proposta é feita pela Comissão Nacional de Educação [que para justificar a sua existência tem de fazer estudos e defendê-los com unhas e dentes].
Diz-se que é apoiada por associações de pais, de professores e por um senhor pediatra.
Muito bem, falemos claro! Esta ideia não é nova. Há muito anos que se fala, pelo menos, em reduzir o número de professores do 2º Ciclo a 2: um para a área de Letras, outro para a de Ciências.
A única razão apontada para voltar, e cito, é que os ditos senhores constataram “um contraste violento e repentino entre o regime de monodocência do 1º Ciclo e o regime de pluiridocência do 2º Ciclo” e que “esta transição demasiado brusca pode trazer problemas comportamentais e de aprendizagem”.
Coitados! Estou a ver que, quando passaram por esta situação, estes senhores ficaram tão traumatizados que foram maus alunos e passaram a ter comportamentos problemáticos. Se assim foi, não serão as pessoas mais indicadas para se debruçarem sobre assuntos de tamanha importância.
Em minha opinião esta medida visa, entre outras, 2 coisas:
- prolongar um Ensino infantilizado até aos 12 anos, que cria um “oásis”, dentro da Escola, e não prepara os alunos para enfrentar as dificuldades que o crescimento necessariamente impõe;
- poupar dinheiro no Ensino Básico, alterando a prestação do trabalho dos professores, que será desviado (Será que, no Governo, se aperceberão disto?) para o Ensino Superior. Porque vai ser preciso formar (ou reformar?), de novo, os professores (fala-se, agora, em 3 para cada turma) e parece que já estou a ver as Escolas Superiores de Educação, e outras, a perfilarem-se para, em duas penadas, tornarem os Professores aptos para as novas tarefas.
Confesso que não consigo ver a bondade ou maldade desta mudança. Acho, simplesmente, que é irrelevante e desnecessária, face aos problemas gravíssimos que o Ensino enfrenta.
Depois… a razão apontada não me convence. Lembro-me muito bem de que essa “mudança brusca” foi, para mim, muitíssimo estimulante e motivo de orgulho. Ia mudar de Escola, ter vários Professores, disciplinas muito diferentes e isso despertava a minha curiosidade sempre ávida de aprender: era um desafio, um novo patamar da minha evolução. Com que entusiasmo encadernava os livros, preenchia os Cadernos Diários e mirava o novo material escolar!...
 
2. Exames de aferição
 
“Ridiculamente fáceis”, não servem para nada, até porque “mudam freneticamente de ano para ano” impossibilitando a comparação de resultados.
É Nuno Crato que pergunta e muito bem: “Para quando verdadeiros exames?”
 
Não quero deixar-me vencer pela tristeza e pelo desalento. Mas dói-me este “país de   faz-de-conta”.
Continua-se a tratar as criancinhas como atrasados mentais, incapazes de enfrentar os desafios da vida. É assim que os alunos adquirem as competências que lhes permitirão sobreviver no futuro? Num mundo cada vez mais competitivo e cruel, almofadam-se as paredes das escolas para que não se magoem, como se em casa, e na rua, fossem cegos e surdos relativamente aos problemas da família e da sociedade.
Continua-se a gastar o dinheiro de nós todos fazendo reformas sem o mínimo critério de qualidade. Da qualidade sim! Da qualidade tão necessária e tão ausente do Ensino Público. Porque parece que está tudo vesgo. Porque talvez, para a senhora Ministra, o problema seja sociológico e não educativo e cultural.
publicado por Elisabete às 21:17
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Terça-feira, 20 de Maio de 2008

Mudar as mentalidades e as vidas

 

  

Como é sabido, foi lançada ontem, no Porto (Fundação José Rodrigues) a revista Nova Águia , que pretende recriar no presente o espírito da revista A Águia, órgão do movimento da Renascença Portuguesa, contribuindo, assim, para uma transformação profunda das mentalidades e das vidas.
Porque trocar e discutir ideias me parece urgente, proponho-me publicar no meu blogue Baralha e Volta a Dar! - http://adormirnaforma.blogs.sapo.pt - textos desta revista, e outros, que possam contribuir para a tal, tão necessária, transformação profunda das vidas e das mentalidades.
Hoje, para ler e reflectir, o segundo ponto do MANIFESTO NOVA ÁGUIA.
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A profunda crise de Portugal e a aspiração a algo de novo
Tal como no início do século XX, sente-se que Portugal atravessa no presente uma profunda crise, a todos os níveis, com tudo o que a palavra implica de risco e oportunidade simultâneos. Agudiza-se hoje de novo, como escreveu Raul Proença num dos manifestos da “Renascença Portuguesa”, uma “atmosfera” composta de “um sentimento de mal-estar” e de “um desejo de alguma coisa” indefinida, “que nos incite, que nos impulsione, que nos una, que nos salve”. Sente-se haver, na nação e na nossa tradição cultural, imensas virtualidades criadoras que desde há muito não são assumidas nos rumos dominantes da nossa vida institucional e pública, cada vez mais condicionados pela busca de soluções meramente materiais, económicas e tecnológicas – que em si mesmas são insuficientes e se têm revelado decepcionantes – e por uma crescente anestesia e massificação das consciências, abandonadas ao produtivismo-consumismo, à publicidade e às distracções mais grosseiras, para que não sintam a alienação e o vazio das suas vidas. Quanto mais se pretende ocultar isso, com novas políticas de fachada, mais se sente vivermos num país onde nada se discute de importante, incluindo o sentido a dar à nossa existência colectiva. Sente-se que o verdadeiro problema nacional é um problema de atitude e de mentalidade e haver qualquer coisa de vital em nós que não se conforma ao paradigma produtivista-consumista da globalização civilizacional que domina e devasta o planeta. Sente-se haver uma diferença que aspira a manifestar-se e a ganhar voz. A saudade de não sei quê ainda desconhecido, vago e nebuloso, como diria Pascoaes, mas que aponta a um futuro diverso daquele que nos querem impor. Talvez a saudade de nós mesmos, o pressentimento de tudo o que podemos ser e a dor do pouco ou nada que vamos sendo.
publicado por Elisabete às 22:42
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Ainda tão longe as portas do futuro...

 

 

O INFANTE


Deus quer, o homem sonha, a obra nasce,
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,

E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.

Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!

 

Fernando Pessoa, Mensagem

 

publicado por Elisabete às 19:26
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Segunda-feira, 19 de Maio de 2008

EÇA Actual

 

 

E o tempo corre
 
1.Eça de Queirós é testemunha ou justificador dos males que, há séculos, carregamos, sem que se veja solução ou remédio. Sobre "o pobre homem da Póvoa do Varzim" se escreveram milhares de páginas, avultando a biografia fundamental legada por João Gaspar Simões, "Vida e Obra de Eça de Queirós". Citaram-se e citam-se as páginas do autor de "Os Maias", sobretudo aquelas em que nos desanca a nós e ao país. "Uma Campanha Alegre" e a "Correspondência de Fradique Mendes" têm que chegue. No precioso (admirável, indispensável) livro de Mário Sacramento, "Eça de Queirós, Uma Estética da Ironia", julgo que desde 1945 nunca reeditado, encontrei, transcrito, o seguinte dizer queirosiano, acerca das relações entre os poderosos e os outros assim tratados: "o mundo oficial, opulento, soberano, o que faz? Despreza-os; não pensa neles, não vela por eles: Trata-os como se tratam bois: deixa-lhes apenas uma pequena porção dos produtos dos seus trabalhos dolorosos: não lhes melhora a sorte, cerca-os de obstáculos e dificuldades: forma-lhes em redor uma servidão que os prende e uma miséria que os esmaga: não lhes dá protecção. E, terrível coisa, não os instrui: deixa-lhes morrer a alma".
 
2.Isto, no "Distrito de Évora", que Eça dirigia, em Janeiro de 1867. Qualquer articulista, lúcido, objectivo, interessado na denúncia das iniquidades, torniquete que nos atenaza há anos e cada dia mais, poderia assinar essa declaração -esse protesto. Certamente, reparou o leitor que passaram 99 anos. E, no entanto, sabe-lhe a hoje. Tem presente que o desemprego aumentou; que a emigração engrossou (5 milhões de portugueses andam pelo mundo, principalmente na Europa, à procura de trabalho); não desconhece o caos instalado no ensino e a farsa das estatísticas cuja consistência parece ser o único sonho da ministra; fará parte da procissão de lázaros, à espera de vaga nos hospitais e a ouvirem "Daqui a um ano, daqui a dois anos". Desespera da condição de português. E há quem lhe atire com as culpas para cima. Uma culpa com oito séculos.
 

3.São muitos séculos... "A raça não dá mais!", exclamava um amigo meu, à cavaqueira, no Majestic, Porto. Não dá e já deu muito mais. E foi mil vezes traída. Quando Eça sublinha: "não os instrui: deixa-lhes morrer a alma" -põe o dedo na ferida. O horror e o medo goebbelianos que os poderosos sentem diante da cultura, eis o busílis. E porquê? Porque povo culto é povo perigoso: reivindicará os direitos -questionará injustiças e privilégios. Não convém.

 

Manuel Poppe, in O Outro Lado,

Jornal de Notícias, 18.05.2008

publicado por Elisabete às 18:20
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Domingo, 18 de Maio de 2008

O novo voo da ÁGUIA

 

Porque, no início do século XX quando surgiu a revista Águia (no Porto, a 1 de Dezembro de 1910), o país atravessava uma situação de «alguma indefinição quanto ao rumo da Nação e um certo sentimento de desalento», como acontece na actualidade, a Nova Águia pretende apontar algumas respostas nesse sentido.
A nova publicação será lançada, no Porto (Fundação José Rodrigues), amanhã (19 de Maio) e tem como objectivo “despertar as consciências” dos portugueses para um debate sobre a identidade nacional.
A revista terá uma periodicidade semestral e procura agrupar «grandes vultos da cultura portuguesa para que se debrucem sobre temas actuais».
O primeiro número conta com 150 páginas de textos e poemas de variados autores e custará 12 euros.  

 

publicado por Elisabete às 23:46
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Porto,Praça D. João I, 17.Maio.2008

Não foi como devia ter sido, não foi como eu queria que fosse.

 

 

Mas alguém respondeu à chamada.

Apesar da frustração, apesar de ser claro para muitos de nós que, tão cedo, nada mais se pode fazer.

A última batalha não teve, em minha opinião, vencidos nem vencedores.

A GUERRA TEM DE SER GANHA PELOS

PROFESSORES E POR PORTUGAL!!!

 

 

  

Poder-se-á, ainda, aproveitar a paragem das aulas para reflectir nos imensos problemas da profissão e na qualidade do Ensino que temos:

 

PARA REGRESSAR COM A FORÇA DE QUEM ENCONTRA, NA LUTA POR UM MUNDO MELHOR PARA TODOS, A FELICIDADE POSSÍVEL.

 

publicado por Elisabete às 12:00
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Sábado, 17 de Maio de 2008

PORQUE DESISTIR É MORRER...

Colegas,

 

Em todas as lutas há avanços e recuos. Há gente que persegue o que é justo e bom  e há, também, os que se juntam para impedir que esse objectivo se concretize.

O Ensino, em Portugal, precisa duma REVOLUÇÃO. Por nós todos, pelo nosso futuro!

Esta hora é de UNIÃO. Sei que há muitos Professores desanimados, tristes, que se sentem traídos. Mas é hora de acordar! Vá lá! Chega de hibernação! Chega de lamentos! Vamos lutar TODOS pelos nossos direitos, pela possibilidade de Portugal sair do limbo em que se encontra. Isso só será possível, através de um Ensino de qualidade na ESCOLA PÚBLICA.

Eu vou lá estar. E tu?

 

 

 

 

publicado por Elisabete às 08:50
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Sexta-feira, 16 de Maio de 2008

A FARSA DO PRESENTE

 

QUANTOS SEREMOS?



Não sei quantos seremos, mas que importa?!
Um só que fosse, e já valia a pena.
Aqui, no mundo, alguém que se condena
A não ser conivente
Na farsa do presente
Posta em cena!

Não podemos mudar a hora da chegada,
Nem talvez a mais certa,
A da partida.
Mas podemos fazer a descoberta
Do que presta
E não presta
Nesta vida.

E o que não presta é isto, esta mentira
Quotidiana.
Esta comédia desumana
E triste,
Que cobre de soturna maldição
A própria indignação
Que lhe resiste.

publicado por Elisabete às 23:09
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A VERGONHA DOS RECIBOS VERDES

http://snmatias.blogspot.com/2008/05/vergonha-dos-recibos-verdes.html     

publicado por Elisabete às 19:04
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Quarta-feira, 14 de Maio de 2008

PORQUE QUESTIONAR É PRECISO...

Humoristas às avessas

 

Nos muitos rótulos que se colam a alguns de nós – há quem pareça maleta de porão pejada deles -, os que mais entediam são os de pessimista, catastrofista, negativista, anátemas de muito mesquinha formulação.

Os bem pensantes (os papas dos três ou quatro pensamentos únicos instituídos) designam paternalistamente os alvejados de irrealistas – a inibir, a denegrir.

Fazem-no, como de costume, de forma enviesada: em vez de os questionarem de frente, no concreto, alfinetam-nos de esguelha, no apoucamento, maneira de desacreditá-los, amesquinhá-los.

“Em Portugal somos julgados não pelo que dizemos ou escrevemos mas pelo que os outros afirmam que nós dizemos ou escrevemos”, alertava, certeiro, Jorge de Sena.
Trata-se de uma variante pós moderna do que ocorria antes do 25 de Abril (o labéu de então era ser-se comunista) e depois dele (ser-se fascista).
“Os optimistas profissionais não entendem que o mal não é a desconfiança mas o embuste, não é a descrença mas a incompetência”, comenta a propósito o economista Medina Carreira, voz de breu no seu sector.
Atrás de semelhantes cenografias, a riqueza vai-se concentrando cada vez mais em núcleos restritos e o poder em tiranias privadas, multi-nacionalizadas. O País debilita-se, a política tropeça, os esbatimentos direita/esquerda, realidade/utopia, propaganda/informação aceleram-se.
Uma nova Idade Média emerge trazendo consigo uma generalizada Era de Desigualdade que, desapiedadamente, provoca a eliminação dos que não conseguem lugar à sua mesa.
A mentalidade de mendigo faz-se pandemia propagada por subculturas dissolventes, por políticas (sobretudo fiscais) que tiram aos que têm pouco para salvaguardar os que têm muito. Isso apesar da Europa produzir hoje três vezes mais do que há quarenta anos, utilizando menos trinta por cento de mão-de-obra.
Dois séculos atrás, por exemplo, um escravo custava no sul dos Estados Unidos cerca de 30 mil euros; actualmente (e escravo nos dias que correm é o que não possui documentação nem personalidade jurídica) custa 100 euros no mercado internacional.
Só a lucidez, avisam os ditos pessimistas, nos pode preservar do abuso dos poderes, poderes que não se encontram nas mãos dos que produzem o conhecimento mas nas dos que manipulam os que produzem o conhecimento.
Colunistas de soalheiro e tecnocratas de balcão ajudam, enfáticos, à festa inundando-nos de cenários, de estatísticas, de sondagens a sustentarem medidas revigorantes (arrastantes) para a continuação da nossa débil sobrevivência – que a deles encontra-se (bem) salvaguardada.
 
Dissipados os fundos da Comunidade Europeia, manchados os executivos, os partidos, os órgãos de comunicação, de justiça, de ensino, de civismo, Portugal imerge, entretanto, sem voz, sem ânimo, sem esperança, sem dignidade, lamurioso ante o concreto e a imprevisibilidade abatidos à volta.
Psiquiatras revelam, por sua vez, que as pessoas parecem mais apavoradas com a sobrevivência do que com a morte.

 

Fora do tempo e dos interesses estabelecidos, os pessimistas não passam de humoristas às avessas.

 

 
Fernando Dacosta, in Tempo Livre [revista do Inatel]

 

publicado por Elisabete às 16:43
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Segunda-feira, 12 de Maio de 2008

O Colégio de Santa Maria para a Ibel

BARCELOS

Casa de Santa Maria

Brasão

 

Deslocando-me, hoje, à terra que me viu nascer, trouxe de presente, para uma menina de bibe com o nome bordado e com os cabelitos enrolados em canudinho no alto da cabeça, fotografias das paredes dentro das quais ficou o seu primeiro “paraíso perdido”. Aqui aprendemos as primeiras letras e aqui ficaram guardadas algumas das nossas primeiras memórias.

 

 

 

 

publicado por Elisabete às 22:50
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Quarta-feira, 7 de Maio de 2008

A "Cassete" de volta

 

 

O programa "Cartas na Mesa", da TVI, começou mal. Constança Cunha e Sá esteve insegura, incapaz de perceber a complicação da linguagem e do sistema de ensino português.

Por isso, deu rédea solta à Ministra que, sem qualquer problema, voltou a repetir tudo o que tem afirmado. Nada de novo.

Está tudo bem. Ela, qual formiguinha laboriosa, continua a trabalhar para melhorar a Escola Pública, sem demonstrar a bondade da política que impõe. Depois... as Escolas estão preparadas para resolver todas as situações, já perceberam que tudo o que senhora Ministra faz (Até o Sistema de Avaliação dos Professores!!!) é para bem de todos e, por isso, colaboram com entusiasmo. 

Elucidativa foi a afirmação de que "uma Escola que reprova alunos tem por objectivo a selecção. Hoje, o objectivo é manter os alunos na Escola durante nove anos". Como pôde a entrevistadora deixar passar, sem qualquer comentário, esta "fuga da boca para a verdade" da Ministra? CONFRANGEDOR!!!

Quem será capaz de retirar, dos olhos da Ministra, a venda que ela própria colocou e que a impede de ver a realidade? É que insistir nesta via poder levar a que "a bomba um dia lhe rebente nas mãos".

_______________________

P.S. Já me esquecia: Segundo a senhora socióloga, o estatuto sócio-económico dos Professores mantém-se intocável.

publicado por Elisabete às 10:46
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Terça-feira, 6 de Maio de 2008

A Política Agrícola Comum

 

 

Ouvir e ver, ontem, o programa da RTP1, "Prós e Contras", dá que pensar.

Agora, que a crise alimentar chegou, todos sabem que as políticas agrícolas da Comunidade Europeia estão erradas. Foram muitos os que o afirmaram. Até dói ver o Ministro da Agricultura tentar defender o indefensável.

Para ele, os agricultores é que são os culpados. Lá por receberem dinheiro da UE para não produzir, ninguém os obrigava a... não produzir.

Por outro lado, há quem pense que se abriu uma janela de oportunidade. Um desafio...

Para ganhar com a miséria e a fome alheias?

 

Enfim... ou estou a ficar doida ou temos de começar a ter cuidado com a irresponsabilidade de quem nos governa. Aqui ou na dita "Europa civilizada".

publicado por Elisabete às 17:58
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Segunda-feira, 5 de Maio de 2008

Assim se educa, e FORMA, em Portugal...

Manuel António Pina que, não interessa porquê, esteve um tempo afastado do Jornal de Notícias, regressou. E regressou no seu melhor.

Da forma mordaz e corrosiva que o caracteriza,  faz  um retrato do Ensino Superior, numa previsão negra do futuro.

Será que está tudo cego?

 

 

Doutores ou ainda menos

O "Guia do Estudante" (e, já agora, também as notícias que dão conta de que 70% dos universitários de Ciências e 50% dos de Letras não lêem livros, para além dos que não sabem sequer quem é primeiro-ministro ou o presidente da República) é uma amostra abissal do país da "excelência" e das "novas oportunidades". Universidades e escolas superiores têm, neste momento, à venda algo como 1500 pós-graduações, mestrados e doutoramentos, o que, a uma média de 30 alunos por curso, promete cerca de 5000 novos mestres e doutores a pesar fruta nas caixas de supermercado, nos próximos tempos. Há de tudo: pós-graduações, mestrados e doutoramentos em lazer, criatividade, revisão de texto, manutenção de campos de golfe, fiscalização de obras, aconselhamento pastoral, grandes catástrofes (o jeito que tinha dado um doutor em grandes catástrofes, sábado, no Dragão!), consentimento informado (?), legendagem, "design de jeans wear" (gosto particularmente daquele "de" perdido no meio do inglês técnico), e por aí fora. Depois do caso do telemóvel do Carolina Michaëlis até já existe um mestrado em "mediação de conflitos em contexto escolar". Falta, como em "A Lição", de Ionesco, um Doutoramento Geral, ou em Tudologia. E em Sueca, e em Arrumação de Automóveis. Mas lá chegaremos.

in Jornal de Notícias, 5 de Maio de 2008

publicado por Elisabete às 22:39
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Quinta-feira, 1 de Maio de 2008

PÃO, TRABALHO, EDUCAÇÃO!

 

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DO HOMEM
ADOPTADA E PROCLAMADA PELA ASSEMBLEIA GERAL
DAS NAÇÕES UNIDAS
NA SUA RESOLUÇÃO 217A (III) DE 10 DE DEZEMBRO DE 1948
Artigo 23.º
1.    Toda a pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha do trabalho, a condições equitativas e satisfatórias de trabalho e à protecção contra o desemprego.
2.    Todos têm direito, sem discriminação alguma, a salário igual por trabalho igual.
3.    Quem trabalha tem direito a uma remuneração equitativa e satisfatória, que lhe permita e à sua família uma existência conforme com a dignidade humana, e completada, se possível, por todos os outros meios de protecção social.
4.    Toda a pessoa tem o direito de fundar com outras pessoas sindicatos e de se filiar em sindicatos para a defesa dos seus interesses.
Artigo 24.º
 
Toda a pessoa tem direito ao repouso e aos lazeres e, especialmente, a uma limitação razoável da duração do trabalho e a férias periódicas pagas.
 
Artigo 25.º
 
1.    Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem-estar, principalmente quanto à alimentação, ao vestuário, ao alojamento, à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários, e tem direito à segurança no desemprego, na doença, na invalidez, na viuvez, na velhice ou noutros casos de perda de meios de subsistência por circunstâncias independentes da sua vontade.

 

 

O mês de Maio é, para muitos de nós, símbolo de luta. Dos Trabalhadores pelo reconhecimento dos seus direitos, dos Estudantes que, na França em 68 ou em Portugal em 69, exigiram um Ensino e uma sociedade melhores para todos.

Hoje, mais do que nunca, é visível um ataque cerrado contra os direitos fundamentais.

Por isso, mais do que nunca, é preciso lutar contra o neoliberalismo e aqueles que o servem de forma acrítica e desumana.

OUTRO MUNDO É POSSÍVEL!

SE QUISERMOS...

publicado por Elisabete às 11:46
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