Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2008

OUTRO ERRO CRASSO

 
BARCELOS.Antiga Escola Industrial e Comercial    PORTO.Liceu D. Manuel II [Esc.Sec. Rodrigues de Freitas] 
O desejo de tudo mudar, no domínio da Educação em Portugal, determinou o fim do Ensino Técnico (Industrial e Comercial).
Já se percebeu que foi um tremendo erro. Um erro que se baseou numa leitura errada dos dois tipos de ensino existentes, antes do 25 de Abril.
Pensava-se que o Ensino Liceal era para as elites (aqui, igual a ricos), para os que tinham de, mais tarde, gerir o País; e que o Ensino Técnico era para os trabalhadores (claro… os pobrezinhos).
Não sei se era este o objectivo do Governo de então. Mas a ser, não estava de acordo com a destrinça que o Salazarismo/Marcelismo fazia dos alunos. Não me lembro se a terminologia era esta, mas o significado era mais ou menos assim: havia os alunos excepcionais, os normais e os estúpidos. Ora, como sabemos, rico não é sinónimo de excepcional, nem sequer de normal, a nível da inteligência; nem pobre é sinónimo de estúpido ou de burro.
De qualquer modo, se existia esse preconceito, o que havia a fazer era destruí-lo. Não nego que o Liceu dava uma preparação de base mais sólida para uma eventual entrada na Universidade. Por seu lado, as Escolas Comerciais e Industriais preparavam os alunos para entrarem mais rapidamente no mundo do trabalho. E saíam bem preparados como administrativos, electricistas, serralheiros, etc. Em contrapartida, um aluno do Liceu com o 5.º ou 7.º anos, podia saber muito de português, filosofia, etc., mas se quisesse trabalhar tinha de aprender a profissão partindo, praticamente, do zero.
Todos os tipos de trabalho são igualmente necessários para a sociedade funcionar. E cada indivíduo deve fazer aquilo de que mais gosta e para que tem mais capacidades.
Os filhos dos ricos, ou dos doutores, não têm de ser, obrigatoriamente, trabalhadores intelectuais. Nem os filhos das famílias mais humildes podem ser impedidos de o ser. Nem sequer os trabalhadores não intelectuais (Estas expressões não têm muito sentido.) têm ou devem ter pouca instrução.
O ideal de Abril era a igualdade de direitos, não a uniformização das competências e dos saberes. Somos todos diferentes uns dos outros, porque raio não poderemos ter trabalhos e profissões diferentes de acordo com o gosto e as características pessoais? Concordando que tem de haver uma base de conhecimentos gerais igual para todos, penso também que deve haver, o mais cedo possível, o tipo de matérias, e de escolas, apropriadas aos objectivos que cada um persegue. Sem que isso determine a existência de cidadãos de primeira, segunda ou terceira categoria. Isso é parolice!
Hoje, tenta-se mais uma vez remendar. Os ditos Ensinos Profissional ou Profissionalizante são óptimos no papel mas não passam de embustes. Pelo menos até ao momento em que me aposentei, PROFIJ’s e outros que tais, serviam apenas para “empandeirar” (Peço desculpa pelo termo.) os alunos que, por mais facilidades que se lhes desse, não conseguiam acabar a escolaridade obrigatória. E temos de aceitar que há alunos que não conseguem, ou porque não podem ou porque não querem.
O êxito dos Ministros da Educação, particularmente da actual Ministra, depende mais da “fachada” do que da substância. Mas isso, tentarei mostrar mais tarde.
Por agora, é preciso fazer a catarse e admitir que se errou. É um sinal de inteligência. Só não sei é onde se vai buscar as escolas bem apetrechadas para o ensino técnico que foram desmanteladas, sem o mínimo pudor, em nome duma igualdade que nivelou por baixo e que está a contribuir para a emergência de novas elites, agora do ensino privado. 
Entretanto, jovens que poderiam estar a aprender uma profissão que lhes permitisse a entrada num sector laboral onde falta oferta deste tipo de trabalhadores, arrastam-se pelas Escolas sem fazerem nada, julgando que tudo se lhes deve e que não têm qualquer espécie de dever: nem para com eles próprios, nem para com os pais, nem para com o País.
Chegou a hora de exorcizar os fantasmas do passado e de ter a coragem de implementar políticas que tenham a ver com o País real, em vez de imitarmos modelos de outros, com realidades  e recursos diferentes dos nossos. Tanto intelectual, no Ministério da Educação, a "dar cabo da cabecinha" lendo obras de psicólogos e pedagogos que nem sequer entendem e, depois, deturpam. O Piaget, então, até se arrepiaria com os estragos que as suas teorias provocaram no ensino em Portugal.
 (Continua)                                                                   
publicado por Elisabete às 22:01
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