Segunda-feira, 17 de Março de 2008

A Pedagogia da Incompetência

 

O 'Eduquês' em Discurso Directo

 

"O 'Eduquês' em Discurso Directo disseca com rigor e impiedade os lugares-comuns em educação, mostra o vazio dos conceitos que têm dominado a pseudopedagogia do laxismo e da irresponsabilidade e explica a ideologia frouxa que está por detrás da linguagem mole e palavrosa a que se tem chamado 'eduquês'.

Depois de ter lido este livro, ninguém poderá continuar a aceitar acriticamente expressões tão comuns como 'aprender a aprender', 'ensino centrado no aluno´ ou  'aprendizagem em contexto'. Percebem-se as ideias nocivas por detrás dessas expressões aparentemente inócuas.

Minuciosamente documentado com delirantes citações de responsáveis pela política educativa, apoiado em referências críticas da psicologia e da pedagogia, este livro não deixa pedra sobre pedra no edifício ideológico do 'eduquês'.

Nuno Crato é um professor de matemática preocupado com a educação. Armado de uma vasta cultura científica, de uma experiência de docência em vários países e de fundamentadas preocupações filosóficas, empreende neste livro uma crítica sistemática da pedagogia romântica e construtivista que em Portugal ficou conhecida como 'eduqués'.

É a primeira obra do género no nosso país. Destina-se a professores, pais e todos os que se preocupam com o futuro. O ensino é um problema demasiado sério para ser confiado exclusivamente aos teóricos da pedagogia, e muito menos aos ideólogos dogmáticos do 'eduqués'."

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Nuno Crato é professor no Instituto Superior de Economia e Gestão, em Lisboa. É doutorado em Matemática Aplicada e Presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática. Investigador, colunista do "Expresso", publicou vários livros e tem colaborado em programas de divulgação científica na rádio e na televisão.

Recebeu o primeiro prémio, em 2003, num concurso em que participaram catorze países, atribuído pela Sociedade Europeia de Matemática.

 

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Nuno Crato faz aqui a denúncia das políticas educativas implementadas em Portugal, nos últimos anos. Sobretudo, através da análise da legislação e das afirmações de responsáveis do Ministério da Educação.

Gabriel Mithá Ribeiro faz a mesma denúncia, em 2003, com base na experiência dolorosa da sua actividade de Professor, em "A Pedagogia da Avestruz".

Recentemente, os sucessivos Ministros da Educação têm tentado responsabilizar os Professores pela caótica situação a que chegou o Ensino. Mas ninguém os viu mudar de políticas. Mesmo a ministra Maria de Lurdes Rodrigues, que se diz tão reformista. As políticas continuam iguais ou piores. A diferença é que se quer resolver a questão do déficit, entrando no bolso dos Professores, como, aliás, de todos os Funcionários Públicos. Tentou denegrir-se a imagem dos Professores para pôr, de modo infame, a opinião pública contra os Professores. [1]

Os Professores não aceitam ser o "bode expiatório" e, se alguma culpa têm, foi a de não se terem recusado a cumprir as ordens do Ministério.

Mas muitos Professores, nas suas escolas, protestaram contra as medidas lastimosas que iam sendo implementadas. Infelizmente, não todos. Mas quem os poderá acusar de obedecerem aos seus superiores hierárquicos?

Eu posso orgulhar-me de sempre ter remado contra a maré. Sempre que pude, fiz o que pensava estar certo e que não era, de modo nenhum, coincidente com o determinado pelo ME.

Como diz Luísa Dacosta, "para se ser professor é preciso ser-se uma pessoa combativa. E não se negar a si própria, no sentido de se ser capaz de ir para além das pedagogias preestabelecidas."

É evidente que também há 'eduqués´ e "videirinhos" entre os Professores, mas sei que não são a maioria. O único erro dessa maioria de Professores foi o de serem obedientes e bem comportados. Se tivessem tido a coragem de chamar incompetente a quem, de facto, o era, não teríamos chegado a esta situação.

Mas nunca é tarde para remediar o mal feito. Agora, é tempo de não vergar. É preciso obrigar a Ministra, e o Governo, a reconhecerem a injustiça que estão a fazer a uma classe que merece respeito e, sem a qual, não há qualquer futuro.

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[1] Para já não falar da ideia que corre por aí de que o Ensino privado é que é bom. Com a febre das privatizações, que está a dar nos políticos, tem toda a lógica a construção duma Escola Pública para os "coitadinhos", sem qualidade, enquanto os bons, os da raça superior, vão para as privadas, onde mandarão os pais, se calhar à custa dos subsídios do Ministério da Educação. Eu queria era ver os alunos desse Ensino de qualidade a fazerem exames nacionais nas Escolas Públicas, como eu fiz, no tempo em que não havia Liceu na minha cidade.

publicado por Elisabete às 16:16
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