Sexta-feira, 28 de Março de 2008

OS RICOS QUE PAGUEM A CRISE!

Apesar de não acreditar que a crise já passou, não há dúvida de que todos sabem quem a pagou, paga e pagará sempre.
Se não sabe, é caso para dizer com o povo: "Só não vê quem não quer ver" ou "O pior cego é aquele que não quer ver."
O artigo do Nuno Rogeiro, foi um pretexto para dar utilidade a um "velho" autocolante da fase do PREC e à figura do Zé Povinho (de Bordalo Pinheiro)  que, mesmo fazendo o "manguito", é sempre quem paga os erros dos políticos e a ganância daqueles que, por mais que tenham, nunca ficam saciados.
 
Quem Pagou a Crise?
"Os ricos que paguem a crise". Era um estribilho militante do pós-PREC, entre a Esquerda.
Muita água passou debaixo das fontes, certamente.
A crise, na sua vertente "financeira", foi vencida. É a jura do governo Sócrates que, magnanimamente, baixa 1% ao abstruso IVA.
Mas com sindicatos, povo local, professores, polícias, utentes de serviços públicos e funcionários do Estado, entre outros grupos de protesto, continuamente nas ruas, percebe-se que não foram os "ricos" que estabilizaram o orçamento "deste país".
Sabe-se que, na questão do défice, havia dois problemas o gasto do Estado (o "monstro" denunciado por Cavaco), que revelava desperdício, duplicação, inutilidade, muita gordura e pouco músculo, e a deficiência na cobrança de impostos e outras obrigações.
Nos números, ter-se-á reduzido "a despesa" e aumentado "a receita". Mas que "despesa"? E que "receita"?
Começando pela última tratando-se de liquidar dívidas de grandes devedores, ou de tornar visíveis os rendimentos tributáveis de apreciáveis fortunas (os lendários magnates - se é que existem - que se vangloriariam de nunca pagar ao Fisco), ou de combater grupos poderosos e imaginativos de fraude fiscal, a solução é unívoca. Melhore-se a inspecção e a cobrança. Os ricos que paguem a crise. Aplausos, cortina e créditos finais.
Onde nos podemos dividir é na questão da "despesa".
Tem o Estado cortado no seu excedente de gestores opacos, departamentos esotéricos, secretárias e assessores pessoais, frotas automóveis, imóveis sobredimensionados, serviços de difícil justificação, isto é, no topo da cadeia?
Ou limitou-se a atacar a base, através dos trabalhadores com menor poder, dos serviços "da província" e das populações envelhecidas, da despesa "social" considerada mais dispersa e irrelevante?
Cortou o ordenado gigantesco de um administrador público, em empresa deficitária, ou extinguiu o posto médico dos confins, que possui poucos utentes?
Retirou o direito ao salário chorudo ao político reciclado, ou o direito à saúde ao reformado da pequena aldeia?
Sabe-se qual é a resposta.
Por outro lado, deve lembrar-se que Manuela Ferreira Leite foi sempre atacada pela sua "obsessão" de equilíbrio orçamental, alegando-se que esquecia a economia "real". Por outras palavras salvava a imagem do país em Bruxelas, mas deixava os pobres mais pobres, os velhos mais velhos, os desesperados mais desesperados.
E agora, como é?
Sócrates afirma que temos, no exterior, um estado português mais credível.
E no interior?
 

 Nuno Rogeiro,Jornal de Notícias [28.03.2008]

publicado por Elisabete às 21:55
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