Segunda-feira, 14 de Abril de 2008

CUIDADO... PROFESSORES!!!

Cuidado com as imitações

Estimado ouvinte, já que agora estou consigo,
Peço apenas dois minutos de atenção.
É p'ra contar a história de um amigo,
Casimiro Baltazar da Conceição

O Casimiro, talvez você não conheça,
A aldeia donde ele vinha nem vem no mapa
Mas lá no burgo, por incrível que pareça
Era, mais famoso que no Vaticano o Papa

O Casimiro era assim como um vidente
Tinha um olho mesmo no meio da testa,
Isto pra lá dos outros dois é evidente,
Por isso façamos que ia dormir a sesta

Ficava de olho aberto
Via as coisas de perto
Que é uma maneira de melhor pensar
Via o que estava mal
E como é natural
Tentava sempre não se deixar enganar
(E dizia ele com os seus botões:)

-Cuidado, Casimiro
Cuidado, Casimiro
Cuidado com as imitações
Cuidado, minha gente
Cuidado, minha gente
Cuidado justamente com as imitações

Lá na aldeia havia um homem que mandava
Toda a gente, um por um, pôr-se na bicha
E votar nele, e se votassem, lá lhes dava
Um bacalhau, um pão-de-ló, uma salsicha

E prometeu que construía um hospital
Uma escola e prédios de habitação
E uma capela maior que uma catedral
Pelo menos a julgar pela descrição

Mas... O Casimiro que era fino do ouvido
Tinha as orelhas equipadas com radar
Ouvia o tipo muito sério e comedido
Mas lá por dentro com o rabinho a dar a dar

E... punha o ouvido atento
Via as coisas por dentro
Que é uma maneira de melhor pensar
Via o que estava mal
E como é natural
Tentava sempre não se deixar enganar
(E dizia ele com os seus botões:)

-Cuidado, Casimiro
Cuidado, Casimiro
Cuidado com as imitações
Cuidado, minha gente
Cuidado, minha gente
Cuidado justamente com as imitações

Ora o tal tipo que morava lá na aldeia
Estava doido, já se vê, com o Casimiro
De cada vez que sorria à plateia
Lá se lhe viam os dentes de vampiro

De forma que p'ra comprar o Casimiro
Em vez do insulto, do boicote, da ameaça
Disse-lhe: "Sabe que no fundo o admiro
Vou erguer-lhe uma estátua aqui na praça"

Mas... O Casimiro que era tudo menos burro
E tinha um nariz que parecia um elefante
Sentiu logo que aquilo cheirava a esturro
Ser honesto não é só ser bem falante

A moral deste conto
Vou resumi-la e pronto
Cada qual faz o que melhor pensar
Não é preciso ser
Casimiro pra ter
Sempre cuidado pra não se deixar levar

-Cuidado, Casimiro
Cuidado, Casimiro
Cuidado com as imitações
Cuidado, minha gente
Cuidado, minha gente
Cuidado justamente com as imitações.

Sérgio Godinho

publicado por Elisabete às 23:15
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2 comentários:
De Ibel a 15 de Abril de 2008 às 21:17
Que saudades, querida ilha do meu afecto!Sempre atenta à nossa luta.Adoro esta música do Sérgio Godinho e vem mesmo a propósito, depois de uma reunião em que os cães de fila imitram estar a roer o mesmo osso dos colegas, quando já andavam preparados para entrar pelas salas para avaliar...
Amanhã envio mail. Beijinho, beijinho!
De Elisabete a 16 de Abril de 2008 às 19:42
Já respondi no "post" mais recente.
Coragem, Ibel! Agora, é impossível desistir.
Um beijinho
Elisabete

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