Sábado, 26 de Abril de 2008

Antes e depois de Abril: EMIGRAÇÃO

Emigração a salto                              Foto: Gérard Bloncourt (1)

Trova do emigrante
Parte de noite e não olha
Os campos que vai deixar
Todo por dentro a abanar
Como a terra em Agadir
Folha a folha se desfolha
Seu coração ao partir
 
Não tem sede de aventura
Nem quis a terra distante
A vida o fez viajante
Se busca terras de França
É que a sorte lhe foi dura
E um homem também se cansa
 
As rugas que o suor cava
Não são rugas são enganos
São perdas lágrimas e danos
De suar por conta alheia
Não compensa nunca paga
Quanto suor se semeia
 
Em vida vive-se a morte
Se o trabalho não dá fruto
Morre-se em cada minuto
Se o fruto nunca se alcança
Porque lhe foi dura a sorte
Vai para terras de França
 
Não julguem que vai contente
Leva nos olhos o verde
Dos campos onde se perde
Gente que tudo lhe deu
Parte mas fica presente
Em tudo o que não colheu
 
Verde campo verde e triste
Em ti ceifou e hoje foi-se
Em ti ceifou mas a foice
Ceifava somente esperança
Nem sempre um homem resiste
Vai para terras de França
 
Vai-se um homem vai com ele
A marca duma raiz
Vai com ele a cicatriz
De um lugar que está vazio
Leva gravada na pele
Uma aldeia um campo um rio
 
Ficam mulheres a chorar
Por aqueles que se foram
Ai lágrimas que se choram
Não fazem qualquer mudança
Já foram donos do mar
Vão para terras de França
texto: Manuel Alegre
música e interpretação: Manuel Freire
 Bidonville       Foto: Gérard Bloncourt (1)
********************************************
Afinal, o que mudou? Os Portugueses, hoje como ontem, têm de procurar o seu sustento fora da sua pátria.
Na Suíça, na Holanda ou na Espanha, são muitos os casos de portugueses que emigram e que, até!!!, são enganados e escravizados por quem os contrata.
É preciso criar trabalho, em Portugal, para TODOS os portugueses.
É URGENTE CUMPRIR ABRIL!!!
(1) Exposição de fotografia, de Gérard Bloncourt, no Centro Cultural de Belém.
publicado por Elisabete às 16:39
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2 comentários:
De IBEL a 27 de Abril de 2008 às 00:20
Até os jovens licenciados buscam emprego fora do país que não lhes dá emprego e engana-os, empurrando-os para cursos sem saída. Novas oportunidades? Em que espaços? Em que tempo português?
Ai Portugal, meu país envergonhado de tanta mentira e de tanta pobreza!
De Elisabete a 27 de Abril de 2008 às 18:25
Pois é, Ibel!
Em nome duma necessidade crescente de desenvolvimento económico, estamos a dar cabo do Planeta e a transformar as pessoas em meras peças descartáveis.
Até arrepia ouvir os empresários. Privatizar é a palavra de ordem. Agora, começou o assalto à Caixa Geral de Depósitos.
Depois, é a fusão de empresas. Pequenas e médias não têm lugar esta "economia". Os que trabalham vão para o desemprego e os que ficarem com trabalho têm de se tornar "flexíveis" à vontade dos patrões.
Esta é uma sociedade em que os políticos não servem para nada. Limitam-se a tentar dar legitimidade a interesses económicos desumanos, sem bom senso e com menos escrúpulos.
Se não abrimos os olhos rapidamente, isto vai acabar mal. Acho que se está a atingir um nível de descrença insuportável.
Quem me dera estar a ser APENAS pessimista!
Temo-nos, ao menos, uns aos outros. Viva a amizade!
Um abraço

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