Quinta-feira, 29 de Maio de 2008

RESSUSCITAR O ESPÍRITO DE ABRIL

 

 

 

APELO 

 

O 25 de Abril e o 1º de Maio de 1974 ficaram para sempre associados ao imaginário da liberdade e da democracia. Continuam a ser uma referência e uma inspiração. Trinta e quatro anos volvidos, apesar do muito que Portugal mudou, o ambiente não é propriamente de festa. Novas e gritantes desigualdades, cerca de dois milhões de portugueses em risco de pobreza, aumento do desemprego e da precariedade, deficiências em serviços públicos essenciais, como na saúde e na educação. Os rendimentos dos 20 por cento que têm mais são sete vezes superiores aos dos 20 por cento que têm menos.
A corrupção e a promiscuidade entre diferentes poderes criaram no país um clima de suspeição que mina a confiança no Estado democrático.
Numa democracia moderna, os direitos políticos são inseparáveis dos direitos sociais. Se estes recuam, a democracia fica diminuída. O grande défice português é o défice social, um défice de confiança e de esperança.
O compromisso do 25 de Abril exige que se restaurem as metas sociais consagradas na Constituição da República. E exige também uma crescente cidadania contra a insegurança, contra as desigualdades, por mais e melhor democracia.
Não podemos, por outro lado, ignorar a persistência de uma política de agressão, bem como as repetidas violações do direito internacional e dos direitos humanos. Bagdad, Abu-Ghraib e Guantánamo são os novos símbolos da vergonha. Não se constrói a paz com a guerra. Nem se defende a democracia pondo em causa os seus princípios. E por isso, hoje como ontem, é preciso lutar pelos valores da Paz e pelos Direitos Humanos.
Não nos resignamos perante as dificuldades. Como escreveu Miguel Torga – “Temos nas nossas mãos / o terrível poder de recusar.” Mas também o poder de afirmar e de dar vida à democracia.
Os que nos juntamos neste apelo, vindos de sensibilidades e experiências diferentes, partilhamos os valores essenciais da esquerda em nome dessa exigência. É tempo de buscar os diálogos abertos e o sentido de responsabilidade democrática que têm de se impor contra o pensamento único, a injustiça e a desigualdade.

Manuel Alegre - deputado e escritor; Isabel Allegro Magalhães - professora universitária; José Soeiro - deputado; Abílio Hernandez - professor universitário; Acácio Alferes - engenheiro; Albano Silva - professor; Albino Bárbara - funcionário público; Alexandre Azevedo Pinto - economista, docente universitário; Alfredo Assunção - general, militar de Abril; Alípio Melo - médico; Ana Aleixo - médica; Ana Luísa Amaral - escritora; António Manuel Ribeiro - músico; António Marçal - sindicalista; António Neto Brandão - advogado; António Nóvoa - professor universitário; António Travanca - professor universitário; Augusto Valente - major general, militar de Abril; Camilo Mortágua - resistente; Carlos Alegria - médico; Carlos Brito - ex-deputado; Carlos Cunha - engenheiro; Carlos Sá Furtado - professor universitário; Carolina Tito de Morais - médica; Carreira Marques - ex-autarca; Cipriano Justo - médico; Cláudio Torres - arqueólogo; David Ferreira - editor; Dinis Cortes - médico; Edmundo Pedro - resistente, ex-deputado; Eduardo Milheiro - empresário; Elísio Estanque - professor universitário; Ernesto Rodrigues - escritor; Eunice Castro - sindicalista; Fátima Grácio - dirigente associativa; Francisco Fanhais - músico e professor; Francisco Louça - deputado; Francisco Simões - escultor; Helena Roseta - arquitecta, autarca; Henrique de Melo - empresário; João Correia - advogado; João Cutileiro - escultor; João Semedo - deputado; João Teixeira Lopes - professor universitário; Joaquim Sarmento - advogado, ex-deputado; Jorge Bateira - professor universitário; Jorge Leite - professor universitário; Jorge Silva - médico; José Aranda da Silva - ex-Bastonário Farmacêuticos; José Emílio Viana - dirigente associativo; José Faria e Costa - professor universitário; José Leitão - advogado, ex-deputado; José Luís Cardoso - advogado, militar de Abril; José Manuel Mendes - escritor; José Manuel Pureza - professor universitário; José Neves - fundador do PS; José Reis - professor universitário; Luís Fazenda - deputado; Luís Moita - professor universitário; Luisa Feijó - tradutora; Mafalda Durão Ferreira - reformada da função pública; Manuel Correia Fernandes - arquitecto, professor universitário; Manuel Grilo - sindicalista; Manuel Sá Couto - professor; Manuela Júdice - bibliotecária; Manuela Neto - professora universitária; Margarida Lagarto - pintora; Maria do Rosário Gama - professora; Maria José Gama - dirigente associativa; Mariana Aiveca - sindicalista; Natércia Maia - professora; Nélson de Matos - editor; Nuno Cruz David - professor universitário; Pacman - músico; Paula Marques - produtora; Paulo Fidalgo - médico; Paulo Sucena - professor; Pio Abreu - psiquiatra; Richard Zimmler - escritor; Rui Mendes - actor; Teresa Mendes - reformada da função pública; Teresa Portugal - deputada; Ulisses Garrido - sindicalista; Valter Diogo - funcionário público aposentado; Vasco Pereira da Costa - escritor, director regional da cultura.

 

 

Será que este encontro, no Teatro Trindade, no próximo 3 de Junho, em que participarão elementos do Bloco de Esquerda, renovadores comunistas e socialistas históricos, como Manuel Alegre, é a pedrada no charco há tanto tempo esperada?

 

Mário Soares, por seu lado, faz um contundente aviso ao Governo de José Sócrates para que faça uma reflexão urgente sobre a crise social que afecta o país, sobretudo em relação a bolsas de pobreza,  desigualdades sociais e  descontentamento da classe média, sob pena de um fracasso eleitoral já em 2009, por possibilidade de haver transferência de voto para o PCP e o Bloco de Esquerda. 

Não sendo, propriamente, admiradora do Dr. Mário Soares, concedo que há um conjunto de princípios a que ele é fiel e, por isso, tem a minha admiração. Teria gostado, no entanto, que a sua preocupação não fosse tanto a perda das próximas eleições pelo PS, mas antes a injustiça da situação que vivemos e a que um homem de esquerda não pode ficar indiferente. 

As eleições… Quero lá saber das eleições, se sei que vão ser ganhas pelos responsáveis das políticas erradas que têm sido seguidas! Que alternativa temos ao bloco central?

 

Só vejo uma solução: a luta, sem tréguas, de todos aqueles que não se conformam com o desnorte provocado pela incompetência desse mesmo bloco central (PS e PSD), nem aceitam políticas que favoreçam as desigualdades sociais e neguem à maioria o direito a viver com dignidade.

 

ACORDA, PORTUGAL!!!
  

publicado por Elisabete às 14:52
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2 comentários:
De Ibel a 29 de Maio de 2008 às 22:45
A alternativa é o voto à esquerda, quem se diz ser de esquerda.O voto é um arma de pontaria variável, mas a mais certa.Lutar? Veja o que se passa nas escolas´. Não sei pra que foi a ida a Lisboa.Tudo inútil.Só nos rest lavar a consciência e não calar a voz. EU NÃO VOU CALAR A MINHA!
De Elisabete a 30 de Maio de 2008 às 12:27
Tem alguma razão, Ibel, mas acho que nada é inútil. E se é a culpa é de nós todos que não vamos até às últimas consequências.
Votar à esquerda? Com certeza. Pelo menos para que os do bloco central nunca mais tenham maioria absoluta.
Se calhar, uma boa forma de mostrar o nosso descontentamento fosse, um dia, votarmos todos (ou quase todos) em branco. Como ficariam os senhores políticos profissionais? Já imaginou?
Lutar sempre, sim! De qualquer forma, mesmo votando.
Já viu que o nosso amigo do "oráculo" está incluído na lista de apoiantes ao encontro/festa do dia 3?
Beijinhos

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