Sexta-feira, 1 de Agosto de 2008

Apenas viver...

 

Vivam Apenas
 
Vivam, apenas
Sejam bons como o sol.
Livres como o vento.
Naturais como as fontes.
 
Imitem as árvores dos caminhos
que dão flores e frutos
sem complicações.
 
Mas não queiram convencer os cardos
e transformar os espinhos
em rosas e canções.
 
E principalmente não pensem na morte.
Não sofram por causa dos cadáveres
que só são belos
quando se desenham na terra em flores.
 
Vivam, apenas.
A morte é para os mortos!
 
                                                       José Gomes Ferreira

 

publicado por Elisabete às 19:20
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3 comentários:
De Ibel a 2 de Agosto de 2008 às 01:57
Durante o meu ano de estágio, o José gomes Ferreira foi um dos meus escritores de eleição. " o Mundo dos Outros", sobretudo o conto, A Boca Enorme, fez-me chorar numa aula assistida, quando esbarrei nos rogos do narrador, que suplicava que soltassem a mulher, que ele conhecera menina, mjá com uma boca que sobressaia,na praia da Cruz Quebrada, estância balnear para crianças pobres. A Elisabete sabe a história, tenho a certeza.
"Está um dia de sol tâo bonito.Soltem-na. Por favor, soltem-na, porque todos nós lhe roubámos qualquer coisa, antes dela ter roubado o não sei quê a não sei quem."
É um conto lindíssimo. Estávamos em 1976.A efervecência ainda dos jovens ventos de Abril florido. Chorei, ao som da música de Mozart.Silêncio profundo. Limpei os olhos, respirei cavamente, levantei a cabeça e disse"Vamos lá, repitam comigo:Soltem-na, está um dia de sol tão bonito!Soltem-na já disse. soltem-na."
Fiz variações de voz e de partes do texto e os alunos repetiam comigo.Comoveram-se também. Eu fui até à janela, olhei para fora e disse " está um dia de sol tão bonito. e os alunos, sem que eu pedisse nada, disseram:soltem-na.Foi lindo!
A orientadora de estágio, no fim da aula, veio com ar grave"devia ter ido para o teatro", mas como eu ainda tivesse os olhos húmidos" Acabei de lhe dar um grande elogio.Espero o tenha entendido assim, bem como as suas colegas. Temos professora!"
Olhe, Elisabete, depois disso, vieram "As venturas de José Sem Medo" e a poesia..."Viver sempre também cansa" " A Linguagem das Nuvens"-Aqula nuvem parece um cavalo/ Ah! Quem me dera montá-lo/ E aquela? Um barca à vela/ Eu queria embarcar nela...".Os a lunos continuaram a poesia com imagens surpreendestes. Eu tinha mesmo nascido para dar a alma, a palavra, o gesto, avoz.

Quando conheci o José Gomes ferreira, andámos a passear de braço dado, debaixo das árvores do Liceu Sá de Miranda, onde ele tinha vindo fazer um colóquio. Fez-me prometer que eu escreveria um livro e que seria ela a apresentá-lo. Infelizmente, morreu pouco temp depois.
Vivamos apenas, amiga, enquanto a morte é só para os mortos.
Desculpe tanta conversa.Beijinho.
De Cristina a 2 de Agosto de 2008 às 03:04
Queridas
Elisabete e Ibel.
Viver assim é muito mais saboroso...carregaste-me pelas mãos,e pude mesmo criar as imagens.
Lindo...vcs são lindas.
Beijos no coração das duas.
Estou emocionada.
De Elisabete a 2 de Agosto de 2008 às 15:29
Amigas,
Os vossos comentários são bem mais valiosos do que a mensagem que vos mando.
Temos bons escritores e poetas e, felizmente, pessoas como vós que os lêem, os entendem, os amam e os mantêm vivos.
Ibel, vocação nítida para o caminho escolhido.
Como diz a Cris, "levou-nos pela mão".
Estão as duas no meu coração.

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