Quarta-feira, 13 de Agosto de 2008

Mudar a fechadura

As certezas do meu mais brilhante amor

 

As certezas do meu mais brilhante amor
vou acender, que amanhã não há luar
eu colherei do pirilampo um só fulgor
que me desculpe o bom bichinho de o roubar
 
Assobiando as melodias mais bonitas
e das cidades descrevendo o que já vi
homens e faces e os seus gestos como escritas
do bem, do mal: a paz, a calma e o frenesi
 
Se estou sozinho é num beco que me encontro
vou porta a porta perguntando a quem me viu
se ali morei, se eu era o mesmo, e em que ponto
o meu desejo fez as malas e fugiu
 
Já de manhã, vai parecer tudo tão diferente
não é do vinho, nem do sono, ou do café
é só que o olho por olho, dente por dente
nos deixa o rosto assemelhado ao que não é
 
Não vás contar-lhes desse abraço derradeiro
nem que mudei a fechadura mal saíste
quero o teu rosto devolvido por inteiro
o desse dia em que me vi no que tu viste
 
Não vás tomar à letra aquilo que te disse
quando te disse que o amor é relativo
se o relativo fosse coisa que se visse
não era amor o porque morro e o porque vivo

 

  

Não vás contar que mudei a fechadura
 
Não vás contar que mudei a fechadura
nem revelar que reclamei dos teus anéis
o amor dura, se durar, enquanto dura
e o vento voa à procura de papéis
 
O vento passa à procura dum engano
e quando encontra presa fácil na cidade
bate à janela, e redemoinha, e causa dano
naquilo que é suposto ser nossa vontade
 
Já de manhã, vai parecer tudo tão diferente
não é do vinho, nem do sono, ou do café
é só que o olho por olho, dente por dente
nos deixa o rosto assemelhado ao que não é
 
 Não vás contar-lhes desse abraço derradeiro
nem que mudei a fechadura mal saíste
quero o teu rosto devolvido por inteiro
o desse dia em que me vi no que tu viste
 
Não vás tomar à letra aquilo que te disse
quando te disse que o amor é relativo
se o relativo fosse coisa que se visse
não era amor o porque morro e o porque vivo
 
                                                                          Sérgio Godinho, Escritor de Canções
 

 

publicado por Elisabete às 17:49
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3 comentários:
De Cristina a 14 de Agosto de 2008 às 02:22
Olá Elisabete querida.

Ah,não quero mudar as fechaduras.Ao contrário,trancarei todas as portas,passarei todas as trancas e direi baixinho ao pé do ouvido do meu mais brilhante amor: - Dorme tranquilo dentro do meu coração,enquanto ele estiver em chamas.

Adorei querida,muitos beijos bem carinhosos neste coração.
De Elisabete a 15 de Agosto de 2008 às 19:16
Mudar as fechaduras para quê?
O coração é tão grande que tem lugar para todos os que forem entrando e não queiram sair. Por vezes, basta trocar de lugar.
Mas são lindas as palavras do Sérgio... Não são, Cris?
Um beijo, com muito carinho,
Elisabete
De Cristina a 15 de Agosto de 2008 às 20:21
Querida Elisabete

Sim, são lindas as palavras, e todas as tuas escolhas que nos oferece aqui em teu cantinho.
Estou mesmo aqui pensando na ultima postagem , era só o que faltava não é amiga, acreditarmos que as máquinas produzirão homens pensantes. A uma grande inversão de valores, estão mesmo a me preocupar.
Um grande beijo minha querida.

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