Segunda-feira, 10 de Novembro de 2008

Por que falam do que não sabem?

O Sr. José Leite Pereira publicou, ontem, no Jornal de Notícias, o texto que publico a seguir. Este senhor, pode escrever o que quiser: é o Director do jornal e vivemos, felizmente, numa Democracia. Só que é lamentável que alguém opine, levianamente, sobre aquilo que não conhece.

Dos militares, não falo porque não estou suficientemente informada dos seus problemas e razões.

Mas insinuar que os Professores fazem manifestações porque os Sindicatos lhes "arranjam" uns autocarros e farnéis, é insultá-los e isso fica-lhe muito mal, Sr. Pereira. Insinua até, subliminarmente, que são todos do Partido Comunista e empurrados pelos seus interesses partidários, como carneirada ignorante e manipulável ou como débeis mentais.

Os Professores não estão a travar esta luta para não perderem o emprego ou mordomias que, aliás, nunca tiveram. Estão a lutar pelo direito de fazer aquilo para que se formaram e que é ensinar. Não querem perder tempo nem gastar dinheiro ao país, para se transformarem em burocratas, atafulhados em papéis que não servem para nada de verdadeiramente útil. Os professores lutam contra este modelo de avaliação porque ele se insere num processo de liquidação da Escola Pública.

Melhor fora que se preocupassem com a avaliação séria e rigorosa dos alunos, que não são meros algarismos de estatísticas, simulando um sucesso inventado. Isso é que deveria preocupá-lo, Sr. Pereira! Que queiram fazer dos Professores agentes, acéfalos e bem comportados, de teorias pedagógicas erradas que, infalivelmente, terão repercussões trágicas no futuro.

Porque como alguém disse, hoje: Um país que humilha e trata mal os seus Professores é um país sem futuro. 

 

______________________________________

 

 

Professores e militares
 
Largos milhares de professores manifestaram-se ontem em Lisboa, pondo em causa o sistema de avaliação, a ministra, o próprio Governo.
 Não vale a pena, aos críticos, invocar a impecável organização sindical pois até os partidos funcionam hoje assim: quando a "fé" escasseia, ou quando se quer ter a certeza que a coisa não falha, não há como uns autocarros e uns farnéis para manter a militância no alto.
É hoje óbvio para toda a gente que entre professores e ministra a corda partiu há muito. Mas, podendo a razão não estar do lado dela, é inequívoco que está a seriedade, porque Maria de Lurdes Rodrigues aceita fazer um balanço do processo de avaliação no final do ano e introduzir alterações para 2010. Os professores é que não, pois pretendem rebentá-lo desde já. É bom que se saiba que, por muitos professores que desçam e subam a Avenida da Liberdade, há escolas em que o processo de avaliação está a correr bem. São a maioria. E é bom que se saiba também que, no ano passado, 16 mil avaliações feitas revelaram 7% de professores cujo desempenho não era correcto. Só esta indicação é um bom motivo para continuar, não é? Ontem, na TSF, uma professora dizia que muitos professores investidos em avaliadores andam muito senhores de si por lhes ter sido atribuído esse pequeno poder. É possível, não custa a crer que sim. E custará a crer que alguns professores foram tomados de ataque de invejite por serem avaliados por pessoas com as quais certamente não simpatizam?
Como dizia Ferreira Leite em Março passado, o Governo não deve desistir deste processo de avaliação. É lamentável que a mesma Ferreira Leite, agora líder do PSD, agora necessitada de ver Sócrates e o Governo em perda, tenha vindo dizer, na véspera da manifestação de ontem, que o processo de avaliação deveria ser suspenso. Ao menos tivesse a coragem de ser directa e pedisse aos professores do seu partido que engrossassem a coluna dos manifestantes.
Com os militares e os seus protestos passa-se um pouco do mesmo. Atingidos no coração dos seus direitos adquiridos, os militares protestam e conseguem até que um dos melhores dos seus diga em público que se pode estar à porta de uma acção extrema.
Como os professores, os militares estavam mal habituados. São, em Portugal, dois lóbis muito fortes. A estrutura de guerra manteve-se em tempo de paz e, quando chegou a hora de apertar o cinto, as Forças Armadas pouco cederam. Hoje, por cada oficial há três praças, um "ratio" terceiro-mundista completamente inexplicável. Portugal precisa de segurança, sobretudo de boa polícia, de boa vigilância, mais do que de um exército tão numeroso. Reduzindo aí, talvez se possa aumentar na polícia. Hoje, nada é eterno. Muitos direitos adquiridos já foram e até ser professor não garante emprego toda a vida. Por que haveriam uns de ser mais do que os outros?
 
José Leite Pereira,Preto no Branco
Jornal de Notícias [09.Nov.2008]
publicado por Elisabete às 21:43
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4 comentários:
De Ibel a 10 de Novembro de 2008 às 23:14
Já tinha lido este artigo e fiquei indignada. A senhora ministra é séria? Então por que motivo exige dos professores uma carg brutal de trabalho e cria novas oportunidades para alunos que são uns baldas? Só com muita força é que se aguenta o barco!

Beijinho, AMIGA e obrigada pelo seu apoio.Estou rota de cansaço!
De Elisabete a 10 de Novembro de 2008 às 23:30
Está cansada, sei bem.
Mas sabe que luta por uma causa justa e boa. Apoiada na sua bela poesia, vai encontrar mais forças.
Um afago no seu coração
De Cris a 11 de Novembro de 2008 às 00:32
Meninas
Venho aqui deixar meu abraço solidário.E a alegria de saber que ainda é latente a indignação.
Beijos no coração das duas meninas queridas.
De Elisabete a 12 de Novembro de 2008 às 11:27
Cris,
Esse abraço solidário aqueceu-me o coração.
Um beijo do tamanho do "Mar Oceano"

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