Segunda-feira, 17 de Novembro de 2008

Da importância da Avaliação à desconfiança nas instituições

 

 

A Avaliação dos Professores está na ordem do dia. De repente, todos desatam a falar da necessidade absoluta dos Professores serem avaliados, estejam ou não a par do que isso significa. Em primeiro lugar, é preciso esclarecer que existe, há anos, um Modelo de Avaliação usado em todas as escolas. Não é perfeito? Claro que não. Mas o que o Ministério da Educação quer implementar, agora, parece bem pior: extremamente burocrático e injusto, afasta os docentes da sua principal função que é ensinar (palavra banida pelos pseudopedagogos que por aí andam) e afasta os docentes uns dos outros, ao criar hierarquias sem sentido, tão ao gosto dos que gostam de se sentir importantes e dos governantes que adoram dividir para reinar.
Muitas destas vozes levantam-se por inveja: se nós somos avaliados…; outras por estreiteza de vistas: não podem conceber que há grupos profissionais mais fáceis de avaliar do que outros; quanto ao Governo… quer alterar a avaliação dos Professores (entre outras medidas) para ocultar a sua incapacidade de resolver os verdadeiros problemas da Educação ou porque não acredita na formação dada pelas Universidades e Institutos Superiores aos futuros Professores?
Será assim tão importante a existência de um Modelo de Avaliação? Ainda há horas soube, pela televisão, que em países como o Luxemburgo, a Finlândia e a Holanda (se a memória me não atraiçoa) não existe qualquer sistema de avaliação de Professores.
Mesmo correndo o risco de ser politicamente incorrecta, parece-me que mais importante do que andar a avaliar o trabalho de professores com 20 e 30 anos de carreira, melhor seria que a ministra se preocupasse em propiciar uma formação de base de alta qualidade aos futuros professores. E, já agora, em encontrar mecanismos capazes de colmatar algumas das eventuais lacunas sentidas pelos docentes mais jovens, vítimas também eles das práticas pedagógicas utópicas e facilitistas dos últimos anos.
O mais engraçado disto tudo é que esta avidez de avaliação, de tudo e de todos, coincida com o desprezo total pela avaliação séria dos alunos, que quase só precisam de frequentar a escola para obter o seu diploma no final. Isto para não falar das Novas Oportunidades que distribuiu diplomas à pressão.

 

publicado por Elisabete às 16:49
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2 comentários:
De Ibel a 17 de Novembro de 2008 às 23:11
Mais um forte aplauso para si, Elisabete!
Efectivamente, o objectivo prioritário da escola é transmitir conhecimentos e contribuir para a formação de personalidades com valores sólidos .
Salvo raríssimas excepções, a escola é uma jaula onde os professores são lançados às feras. Engraçado é quando os patos mansos só atiram ovos...e os corajosos fogem a sete pés.
Beijinho!
De Elisabete a 18 de Novembro de 2008 às 11:44
O que é preciso, Ibel, é que os Professores não fujam.
Isto tem de mudar um dia. Por que não agora?
Beijinho

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