Segunda-feira, 30 de Abril de 2007

VEMOS, OUVIMOS E LEMOS NÃO PODEMOS IGNORAR

Adolf Hitler - Presidente e Chanceler da Alemanha

  

 

Hitler

 

Nasceu em Braunau-am-Inn, Áustria, em 20 de Abril de 1889;
morreu em Berlim em 30 de Abril de 1945

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Pois é! Faz 62 anos que Hitler morreu. Morreu mas não pode ser esquecido. As ideias que defendeu e pôs em prática são de tal modo hediondas que não pode haver, para elas, o esquecimento. Aqui fica um excerto dum romance do Paul Auster para que não se esqueça. Coisas destas, NUNCA MAIS!!!

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“Eu vi o fim de todas as coisas. Eu desci às entranhas do inferno, e vi o fim. Um tipo regressa duma viagem dessas e, por muito tempo que viva, há uma parte dele que estará sempre morta.

Quando é que foi isso?

Abril de 1945. A minha unidade estava na Alemanha, fomos nós que libertámos Dachau. Trinta mil esqueletos que ainda respiravam. Você viu as fotos, mas as fotos não nos dizem como é que era aquilo. Um tipo tem de lá estar e de cheirar aquilo com o seu próprio nariz, tem de lá estar e de tocar naquilo com as suas próprias mãos. Seres humanos fizeram aquilo a outros seres humanos, e fizeram-no dum modo perfeitamente consciente. Esse foi o fim da humanidade. Deus desviou os seus olhos de nós e abandonou o mundo para todo o sempre. E eu estava lá para testemunhar aquilo.

Quanto tempo esteve no campo?

Dois meses. Eu era cozinheiro, pertencia à equipa da cozinha. O meu trabalho consistia em alimentar os sobreviventes. Com certeza que leu as histórias sobre alguns presos que não conseguiam parar de comer. Eles tinham pensado em comida durante tanto, tanto tempo, que era impossível não fazerem isso. Comiam até os estômagos rebentarem, e morriam. Centenas deles. No segundo dia, uma mulher veio ter comigo com um bebé nos braços. Estava louca, essa mulher, via-se bem que estava, via-se no modo como os seus olhos dançavam nas órbitas, sempre a dançar, sempre a dançar nas órbitas, e tão magra, tão desnutrida, que eu não percebia como é que ela conseguia manter-se de pé. Não me pediu comida, mas queria que eu desse um pouco de leite ao bebé. Fiquei todo contente por poder satisfazer o pedido da mulher, mas, quando ela me pôs o bebé nos braços, eu vi que ele estava morto, que estava morto havia vários dias. Tinha a cara toda engelhada e negra, uma coisa minúscula que não pesava quase nada, não mais que pele engelhada e pus seco e ossos que não pesavam mais que uma pena. A mulher não parava de me pedir leite para o filho, de maneira que deitei umas gotas nos lábios do bebé. Não sabia que outra coisa havia de fazer. Deitei o leite nos lábios do bebé morto e depois a mulher pegou no seu filho – tão feliz, tão feliz, que começou a entoar baixinho uma canção, quase que cantava, de facto, quase que cantava naquele jeito alegre, carinhoso... Não sei se alguma vez vi alguém tão feliz como ela estava naquele momento, enquanto se afastava com o bebé morto nos braços, cantando porque, finalmente, pudera dar-lhe um pouco de leite. Fiquei parado a olhar para ela. Andou para aí uns cinco metros num passo vacilante, e, depois, os joelhos cederam e, antes que eu conseguisse correr e apanhá-la, a mulher caiu morta na lama. Para mim foi isso que desencadeou tudo. Quando vi aquela mulher morrer, a tive a menor dúvida de que tinha de fazer qualquer coisa. Eu não podia limitar-me a regressar a casa e esquecer tudo o que vira. Tinha de guardar aquele sítio na minha cabeça, tinha de continuar a pensar naquilo todos os dias do resto da minha vida.”

 

Paul Auster,  A Noite do Oráculo (Baseado num acontecimento real)

 

 

 

 

publicado por Elisabete às 20:00
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