Terça-feira, 1 de Maio de 2007

"DIA DO TRABALHADOR" - dia de luta

 

 

 

O trabalho numa fábrica de fiação, na 2ª metade do séc. XIX

 

“Os nossos patrões obrigam-nos a trabalhar das cinco horas da manhã até ao pôr-do-sol, o que perfaz catorze horas, com interrupção para o pequeno almoço e para o almoço. É um trabalho duro e nocivo, em que não há um pouco de ar que nos refresque quando suamos e sufocamos, sem uma janela por onde ver o sol, numa atmosfera carregada de pó e de cotão de algodão que respiramos constantemente e que destroem a nossa saúde e as nossas forças. (...) O curto repouso da noite não é suficiente para restaurar as nossas energias esgotadas e voltamos ao trabalho, de manhã, tão cansados como quando o deixámos. Todavia, temos de trabalhar, senão as nossas famílias morreriam de fome (...). Não podemos prevenir-nos para o caso de termos uma doença ou um acidente, porque, com o pouco que ganhamos, não podemos poupar sequer um dólar.”

 

Inquérito às fábricas de fiação na Pensilvânia

 

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Eram estas as condições de vida dos operários, nos finais do séc. XIX: horários de trabalho longos e ausência de protecção social. Não havia apoio ao trabalhador quando estava doente, ou desempregado, nem apoio à  sua família mesmo quando morria. Por isso, teve de lutar, muitas vezes, à custa da própria vida. É uma dessas lutas, descrita a seguir, que se comemora hoje.

 

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 Chegou o 1 de Maio de 1886, que devia marcar o início da campanha pelo dia de trabalho de 8 horas. A imprensa contribuiu para lançar o pânico entre a população. Em toda a cidade de Chicago começaram as greves e as marchas. Aqueles que continuavam o trabalho foram chamados de “os amarelos”. A polícia carregou sem qualquer aviso.

Na noite de 4 de Maio, os anarquistas reuniram-se no bairro Haymarket. Lançaram uma bomba de uma janela. Vários polícias foram mortos. Centenas de pessoas foram presas. Mas o verdadeiro autor nunca foi posto em causa e o papel que desempenhou também nunca foi oficialmente esclarecido. Os chefes do movimento da jornada de 8 horas foram enforcados no dia 11 de Novembro.

Sete anos mais tarde, o governador declarou a sentença como injustificada.”

                                                                 Maman Jones, Autobiografia, 1886

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Três anos depois, a 20 de Junho de 1889, a segunda Internacional Socialista reunida em Paris decidiu por proposta de Raymond Lavigne convocar anualmente uma manifestação com o objectivo de lutar pelas 8 horas de trabalho diário. A data escolhida foi o 1º de Maio, como homenagem às lutas sindicais de Chicago.

                                                          ===============

 E hoje, o que se passa? Os trabalhadores, nomeadamente em Portugal, estão a perder tudo aquilo que conquistaram. Ele é aumentar os horários de trabalho; ele é diminuir ,ou mesmo suprimir, os direitos; ele é aumentar a idade da reforma; ele é diminuir, constantemente, os salários reais... E tudo isto feito, com a maior eficiência, por um governo que se diz socialista. Por mim, estou farta! A minha alma está de luto. Não posso aceitar um sistema que, de joelhos perante a globalização e uma União Europeia que se preocupa mais com o uso das colheres de pau do que com aqueles que vivem do seu trabalho, favorece essencialmente os interesses do grande capital.

A luta tem de prosseguir. Portugal não pode ser um país de injustiça e de desigualdade. A luta não acabou com o 25 de Abril. A democracia exige de nós a coragem de "pegar ,  pelos cornos, o destino" e de acabar, de vez, com este triste fado.

 

publicado por Elisabete às 14:01
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