Domingo, 6 de Maio de 2007

MÃE

RAFAEL, Virgem da Cadeira

 

 

 

 

Morreste-me quando eu tinha apenas 22 anos, Mãe. Os meus filhos não te tiveram por avó e eu tive de compreender, muito cedo, que nada do que temos é para sempre. Não pertenço ao rol daqueles que endeusam as mães. Uma mãe não é anjo, nem santa. É apenas uma mulher, como qualquer outra, com qualidades e defeitos. Mas é, quase sempre, um porto de abrigo, um lugar seguro, a nossa casa.

Disse-te, uma vez, que não te pedi para nascer. Acusei-te, algumas vezes, de não seres tão carinhosa como eu desejava. Do alto da minha adolescência dolorosa e insegura, atrevia-me a julgar-te.

Hoje, sei que foste, para mim, a melhor mãe. Ensinaste-me a ser honesta e responsável e a ter um comportamento ético,  passaste-me valores fundamentais que fizeram de mim o ser humano que quero continuar a ser. Fizeste, por mim, muitos sacrifícios. Querias que estudasse, que tirasse um curso, que tivesse um bom futuro. E, ainda hoje, admiro a maneira como gerias os parcos recursos da família sem que nos faltasse nunca o essencial. Orgulhaste-te dos meus resultados escolares, mas sofreste com as minhas ideias um pouco “avançadas”. Não podia fazer nada a esse respeito. Sempre fui voluntariosa, senhora do meu nariz e sedenta de trilhar o meu próprio caminho. Acho que, apesar de me preferires mais ao teu estilo, me aceitavas como sou. Tive muita sorte em ser tua filha, Mãe. E passados todos estes anos, a dor... a dor de te perder continua viva. Ficou o meu pai, apenas por mais uma dezena de anos. E depois, quando também ele se foi, é que compreendi que já não tinha casa... que já não havia um lugar para me acolher. Quando perdemos os pais, é que percebemos o que é estar, de facto, sozinhos.

Tive a sorte de ter irmãos mais velhos para quem fui  “uma espécie de filha”. Continuam a fazer parte da minha vida. E gosto muito deles.

E tive a sorte... de ter dois filhos. Nem sempre fui, para eles, a mãe que desejei ser. Há momentos difíceis em todas as vidas e comigo não foi diferente. Quando sofremos, não conseguimos dar, aos que nos cercam, a atenção que merecem. E os meus filhos foram, algumas vezes, vítimas da minha desorientação e do meu egoísmo.

Hoje, é o “Dia da Mãe”. A melhor homenagem que posso fazer à memória da minha mãe é dizer aos meus filhos: Amo-te, Guilherme! Amo-te, Marta! Perdoai-me por não ser a mãe perfeita. Mas... espero ser, até ao fim da minha vida, o vosso “porto de abrigo”. O “meu colo” estará aqui, sempre que dele precisardes.   

publicado por Elisabete às 09:18
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2 comentários:
De Mario a 6 de Maio de 2007 às 13:17
Parabéns por este teu teu post. É preciso coragem para admitir, nos tempos que correm, que a mãe, até mesmo a nossa mãe, é (ou foi) apenas uma mulher com os defeitos e as virtudes de qualquer outra mulher.
De Marta a 6 de Maio de 2007 às 18:51
Mãe, depois de ler tudo isto vejo que realmente és uma pessoa excepcional, nem sempre o entendi assim, mas hoje acho que não poderia ter melhor e também deixar aqui o meu "colo" para quando precisares, pois os pais também precisam dele. OBRIGADO por tudo o que tens feito por mim, OBRIGADO por ser aquilo que sou, OBRIGADO por seres como uma mãe para o teu genro, OBRIGADO por não seres uma típica avó, OBRIGADO por me teres educado e continuares a fazê-lo....etc. POR TUDO ISTO QUERO QUE SAIBAS QUE O AMOR QUE TENHO POR TI É INFINITO. Amo-te, beijos da Marta.

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