Quinta-feira, 10 de Maio de 2007

O CASAMENTO, segundo Osho

 

“Osho nasceu em Madhya Paresh, na Índia, em 1931. Foi um aluno sobredotado e, de 1958 a 1966, foi professor catedrático de Filosofia na Universidade de Jabalpur. Dedicou-se, então, ao estudo da espiritualidade.

Fundou comunas e retiros de meditação em Poona, perto de Bombaim, e no Oregon, nos EUA. Ensinou e realizou palestras em todo o mundo. Faleceu em 1990.

É considerado o autor indiano de maior sucesso e o Sunday Times, de Londres, elegeu-o um dos ‘1000 Construtores do Século XX’. As suas obras vendem mais de um milhão de exemplares por ano e estão traduzidas em dezenas de línguas.

Oficialmente, é autor de mais de 600 livros, mas todos eles são transcrições das suas palestras. Osho acreditava no poder da palavra viva e do diálogo e é isso mesmo que os seus livros transmitem.”

 

Osho é um homem, no mínimo polémico. As suas ideias são arrojadas, diferentes, e nem sempre estou de acordo com elas. Penso mesmo que, no mundo complicado que criámos, não é fácil (Se calhar, nem possível.) pô-las em prática. No entanto, há muita coisa que consigo compreender e até desejar que seja possível. De qualquer modo, é uma lufada de ar fresco nesta nossa vida de preconceitos e tabus.

Aqui ficam algumas das suas opiniões sobre o casamento.

 

O casamento é a instituição mais triste inventada pelo homem. Não é natural; foi inventado para se poder monopolizar a mulher. As mulheres têm vindo a ser tratadas como se fossem uma extensão de terra ou algumas notas bancárias. A mulher foi reduzida a uma coisa.

Lembre-se que se reduzir qualquer ser humano a uma coisa – sem se aperceber, sem ter consciência – estará a reduzir-se também ao mesmo estatuto; caso contrário não poderá comunicar. Para conseguir falar com uma cadeira, você tem de se tornar uma cadeira.

O casamento é contranatural.

Só podemos ter certeza do momento presente, o que temos nas mãos. Todas as promessas para amanhã são mentiras – e o casamento é uma promessa para toda a vida, uma promessa de que ficarão juntos, de que se amarão, de que se respeitarão mutuamente até ao último dia das vossas vidas. (...)

Se der ouvidos à natureza, os seus problemas simplesmente deixarão de existir. O problema é o seguinte: biologicamente os homens sentem-se atraídos pelas mulheres, as mulheres sentem-se atraídas pelos homens, mas a atracção não pode ser a mesma para sempre. (...)

Os amantes não se enganam um ao outro, eles estão a dizer a verdade – mas essa verdade pertence ao momento. quando dois amantes dizem um ao outro: ‘Não consigo viver sem ti’, (...) eles estão a falar a sério. Mas não conhecem a natureza da vida.. (...) À medida que os dias passam começam a sentir-se presos. (...)

Para mim é tudo natural. O que não é natural é unir pessoas em nome da religião, em nome de Deus, para o resto da vida.

Num mundo melhor e mais inteligente, as pessoas sentirão amor, mas não farão contratos. Não é um negócio! Elas compreender-se-ão e compreenderão o fluxo mutável da vida. Serão verdadeiras para com as outras. (...) Não haverá necessidade de casamento, não haverá necessidade de divórcio. Nessa altura, a amizade será possível. (...)

É muito feio o tribunal e a lei estatal interferirem na nossa vida privada – vocês têm de lhes pedir permissão. Quem são eles? É uma questão entre dois indivíduos, é um assunto privado.

Só existirão amigos – não existirão maridos nem mulheres. Claro que se só houver amizade, a paixão nunca se transformará em ódio. No momento em que sentirem a paixão a desaparecer dirão adeus e ambos serão capazes de compreender. Mesmo que seja doloroso, não se pode fazer nada – a vida é assim.

Mas o homem criou as sociedades, as culturas, as civilizações, as regras, os regulamentos e transformou toda a humanidade numa coisa que não é natural. É por isso que os homens e as mulheres não podem ser amigos – o que é uma coisa muito feia; começam a possuir-se uns aos outros...

As pessoas não são coisas, não se pode possuí-las. (...) Nenhuma mulher é propriedade de ninguém, nenhum marido é propriedade de ninguém. Que tipo de mundo é que vocês criaram? As pessoas foram reduzidas a propriedades; e depois surge o ciúme, o ódio. (...)

Por isso, este é o conselho de despedida que te dou: nunca tentes agarrar-te a uma pessoa para o resto da tua vida. (...)

O amor não é uma paixão, não é uma emoção. O amor é um entendimento muito profundo de que de alguma forma alguém o completa. (...) A presença do outro melhora a sua presença. O amor dá-lhe liberdade para ser você mesmo; não é sentimento de posse.”

                          Osho, o livro da Mulher (Sobre o Poder do Feminino)

 

Cometo aqui um verdadeiro assassinato das palavras do Osho, mas não posso reproduzir tudo. Tudo isto que ele diz faz sentido, mas... quantos de nós somos capazes desta liberdade?

publicado por Elisabete às 18:27
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2 comentários:
De danirizzi@gmx.de a 9 de Julho de 2007 às 14:09
Se você não é capaz desta liberdade, então mais interessante do que perceber que não é capaz é se perguntar PORQUE você não é capaz. O que te segura? Do que você tem medo? Qual é o verdadeiro problema de se fazer as coisas de maneira diferente desta sociedade?

O medo é a nossa maior amarra.
De ANA ROOS a 23 de Julho de 2012 às 23:53
gostei demais desse post... bjus

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