Domingo, 13 de Maio de 2007

MARQUÊS DE POMBAL

O Marquês de Pombal foi o primeiro grande reformador da Censura em Portugal, ao direccioná-la para a defesa política, no lugar da religião

  

Sebastião José de Carvalho e Melo nasceu, em Lisboa no dia 13 de Maio de 1699. Depois duma carreira diplomática na Inglaterra e na Áustria, em 1750, o rei D. José chama-o para fazer parte do governo, onde se notabiliza pela sua capacidade de iniciativa posta ao serviço do reforço do absolutismo, numa perspectiva de despotismo esclarecido, então dominante na Europa. D. José concede-lhe, em 1759, o título de Conde de Oeiras e, 10 anos mais tarde, aquele com que ficará conhecido: o de Marquês de Pombal.

O prestígio da sua acção face ao terramoto de 1755, deu-lhe o poder necessário para levar por diante o seu projecto de impor o poder absoluto do rei, atacando os poderosos grupos da nobreza e do clero (processo dos Távora e expulsão dos Jesuítas), ao mesmo tempo que favorecia a ascensão da burguesia. Adepto do mercantilismo, pode dizer-se que protegeu a indústria, a agricultura, a pesca e o comércio. Reformou o aparelho do Estado e laicizou o Ensino, que antes se encontrava nas mãos dos Jesuítas.

É uma figura muito controversa, principalmente, por ter utilizado métodos de grande dureza e crueldade. Sobretudo, à luz da nossa mentalidade democrática.

Não gosto de ditaduras, no entanto, é inegável que foi um governante com grande visão de futuro, que modernizou o país e melhorou a sua situação económica. E Lisboa deve-lhe a sua “baixa pombalina”.

Cai em desgraça, após a morte de D. José e a subida ao trono da rainha D. Maria I, morrendo, afastado da Corte, no dia 8 de Maio de 1782.

 

  

LISBOA, Praça do Comércio (Terreiro do Paço)

 

publicado por Elisabete às 08:34
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Sábado, 12 de Maio de 2007

SER REVOLUCIONÁRIO

 

 

"DEFENDER A LÍNGUA PORTUGUESA, NOS DIAS QUE CORREM, É UM ACTO REVOLUCIONÁRIO."

VITORINO

 

publicado por Elisabete às 21:02
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HÁ MUITAS FORMAS DE LUTAR PELA JUSTIÇA

Dia Mundial do Comércio Justo

“Os cidadãos do Norte não têm consciência de onde vêm os produtos que consomem e não sabem o que custa a nós, os pobres, produzi-los.”

Rigoberta Menchu   

 

 

Todos nós procuramos, ao fazer compras, pagar o menos possível pelos produtos. Só não sabemos, muitas vezes, que esses produtos têm preços baixos porque são produzidos, em grandes quantidades, à custa de salários de fome ou, mesmo, recorrendo ao trabalho infantil. Por outro lado, são também, muitas vezes, produzidos sem o mínimo respeito pelo ambiente e pela saúde dos consumidores. Quem ganha com esse comércio não são os produtores, mas os capitalistas que controlam os circuitos do comércio global.

Começam a aparecer nas nossas cidades, as Lojas do Comércio Justo que têm como objectivo principal inverter esta situação. Para isso, vendem produtos, oriundos de países pobres, sujeitos a regras  muito exigentes. Os produtores recebem mais pelo seu trabalho mas têm, por exemplo, de praticar agricultura biológica, de não usar o trabalho de crianças, de não utilizar técnicas ou produtos nocivos para as pessoas ou para o ambiente.

Esta é uma forma exemplar de ajuda aos povos mais pobres do mundo. Para que possam sair da miséria através dum trabalho digno e justo.

 

A melhor maneira de comemorar este dia, é  dar a conhecer Rigoberta Menchu, uma guatemalteca de 48 anos,  que recebeu o Prémio Nobel da Paz, em 1992, e  o Prémio Príncipe das Astúrias de Cooperação Internacional, em 1998, pela sua luta a favor da causa índia e pelos direitos humanos na América Latina. Ler o seu livro “Quando as Montanhas Tremem”, é uma forma de a conhecer; comprar no COMÉRCIO JUSTO é partilhar a sua luta por um mundo melhor.

 

publicado por Elisabete às 17:55
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Sexta-feira, 11 de Maio de 2007

A POSSIBILIDADE DE SER FELIZ?

 

“A felicidade é uma opção que cada um de nós toma a cada momento. Para ser feliz, temos de decidir sê-lo.”

 

“A felicidade existe independentemente das circunstâncias que nos rodeiam.”

 

“É possível aprender a ser feliz sem mudar nada na nossa vida, a não ser a relação que temos com o nosso próprio pensamento.”

 

“Não existe nenhum caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.”

 

 

Estas frases, adaptadas, são do doutor em Psicologia Richard Carlson e do livro Sinta-se Feliz de Novo, que se baseia nos princípios da Psicologia da Mente.

À primeira vista, estas palavras parecem não querer dizer grande coisa. Mas, pela minha própria experiência, reconheço que têm muito de verdade, mesmo estando desligadas do seu contexto. Ao longo da minha vida, sofri desilusões, frustrações, sentimentos de impotência e de desânimo. Aliás, como toda a gente. Nem sempre foi fácil, para mim, sair desses estados de revolta ou de depressão. Mas... aos poucos, fui compreendendo que pode haver, em relação a qualquer situação, aquilo a que chamo “um outro olhar”. Nada há, na vida, que não tenha um lado bom e um lado mau. Só precisamos de rejeitar o mau e descobrir o bom.

É fácil? Não! Mas é possível... com treino. E, afinal, tudo o que é valioso dá trabalho. Não será assim?

Como diria Juan Manuel Serrat:

 

Caminante no hay camino, se hace camino al andar.”

OBS. É evidente que falo duma felicidade possível. Dum bem-estar interior que possa diminuir o sofrimento que faz parte de todas as vidas. Porque felicidade cor-de-rosa é própria dos tontos. 

 

publicado por Elisabete às 21:14
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Quinta-feira, 10 de Maio de 2007

O CASAMENTO, segundo Osho

 

“Osho nasceu em Madhya Paresh, na Índia, em 1931. Foi um aluno sobredotado e, de 1958 a 1966, foi professor catedrático de Filosofia na Universidade de Jabalpur. Dedicou-se, então, ao estudo da espiritualidade.

Fundou comunas e retiros de meditação em Poona, perto de Bombaim, e no Oregon, nos EUA. Ensinou e realizou palestras em todo o mundo. Faleceu em 1990.

É considerado o autor indiano de maior sucesso e o Sunday Times, de Londres, elegeu-o um dos ‘1000 Construtores do Século XX’. As suas obras vendem mais de um milhão de exemplares por ano e estão traduzidas em dezenas de línguas.

Oficialmente, é autor de mais de 600 livros, mas todos eles são transcrições das suas palestras. Osho acreditava no poder da palavra viva e do diálogo e é isso mesmo que os seus livros transmitem.”

 

Osho é um homem, no mínimo polémico. As suas ideias são arrojadas, diferentes, e nem sempre estou de acordo com elas. Penso mesmo que, no mundo complicado que criámos, não é fácil (Se calhar, nem possível.) pô-las em prática. No entanto, há muita coisa que consigo compreender e até desejar que seja possível. De qualquer modo, é uma lufada de ar fresco nesta nossa vida de preconceitos e tabus.

Aqui ficam algumas das suas opiniões sobre o casamento.

 

O casamento é a instituição mais triste inventada pelo homem. Não é natural; foi inventado para se poder monopolizar a mulher. As mulheres têm vindo a ser tratadas como se fossem uma extensão de terra ou algumas notas bancárias. A mulher foi reduzida a uma coisa.

Lembre-se que se reduzir qualquer ser humano a uma coisa – sem se aperceber, sem ter consciência – estará a reduzir-se também ao mesmo estatuto; caso contrário não poderá comunicar. Para conseguir falar com uma cadeira, você tem de se tornar uma cadeira.

O casamento é contranatural.

Só podemos ter certeza do momento presente, o que temos nas mãos. Todas as promessas para amanhã são mentiras – e o casamento é uma promessa para toda a vida, uma promessa de que ficarão juntos, de que se amarão, de que se respeitarão mutuamente até ao último dia das vossas vidas. (...)

Se der ouvidos à natureza, os seus problemas simplesmente deixarão de existir. O problema é o seguinte: biologicamente os homens sentem-se atraídos pelas mulheres, as mulheres sentem-se atraídas pelos homens, mas a atracção não pode ser a mesma para sempre. (...)

Os amantes não se enganam um ao outro, eles estão a dizer a verdade – mas essa verdade pertence ao momento. quando dois amantes dizem um ao outro: ‘Não consigo viver sem ti’, (...) eles estão a falar a sério. Mas não conhecem a natureza da vida.. (...) À medida que os dias passam começam a sentir-se presos. (...)

Para mim é tudo natural. O que não é natural é unir pessoas em nome da religião, em nome de Deus, para o resto da vida.

Num mundo melhor e mais inteligente, as pessoas sentirão amor, mas não farão contratos. Não é um negócio! Elas compreender-se-ão e compreenderão o fluxo mutável da vida. Serão verdadeiras para com as outras. (...) Não haverá necessidade de casamento, não haverá necessidade de divórcio. Nessa altura, a amizade será possível. (...)

É muito feio o tribunal e a lei estatal interferirem na nossa vida privada – vocês têm de lhes pedir permissão. Quem são eles? É uma questão entre dois indivíduos, é um assunto privado.

Só existirão amigos – não existirão maridos nem mulheres. Claro que se só houver amizade, a paixão nunca se transformará em ódio. No momento em que sentirem a paixão a desaparecer dirão adeus e ambos serão capazes de compreender. Mesmo que seja doloroso, não se pode fazer nada – a vida é assim.

Mas o homem criou as sociedades, as culturas, as civilizações, as regras, os regulamentos e transformou toda a humanidade numa coisa que não é natural. É por isso que os homens e as mulheres não podem ser amigos – o que é uma coisa muito feia; começam a possuir-se uns aos outros...

As pessoas não são coisas, não se pode possuí-las. (...) Nenhuma mulher é propriedade de ninguém, nenhum marido é propriedade de ninguém. Que tipo de mundo é que vocês criaram? As pessoas foram reduzidas a propriedades; e depois surge o ciúme, o ódio. (...)

Por isso, este é o conselho de despedida que te dou: nunca tentes agarrar-te a uma pessoa para o resto da tua vida. (...)

O amor não é uma paixão, não é uma emoção. O amor é um entendimento muito profundo de que de alguma forma alguém o completa. (...) A presença do outro melhora a sua presença. O amor dá-lhe liberdade para ser você mesmo; não é sentimento de posse.”

                          Osho, o livro da Mulher (Sobre o Poder do Feminino)

 

Cometo aqui um verdadeiro assassinato das palavras do Osho, mas não posso reproduzir tudo. Tudo isto que ele diz faz sentido, mas... quantos de nós somos capazes desta liberdade?

publicado por Elisabete às 18:27
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Quarta-feira, 9 de Maio de 2007

DANIEL DE SÁ

  

              Lagoa das Sete Cidades                                                  Daniel de Sá

 

 

 

Daniel Augusto Raposo de Sá nasceu na freguesia da Maia, na Ilha de S. Miguel (Açores), no dia 2 de Março de 1944.

Depois de completar o quinto ano no Externato da Ribeira Grande, tirou o curso do Magistério Primário. Foi professor nos Fenais da Ajuda e na Maia, tendo entretanto cumprido o serviço militar. Entrou para a congregação missionária dos Combonianos, onde permaneceu quase três anos, em Valência, e alguns meses em Granada.

Casou, é pai de três filhos e continua a viver na sua terra, “definitivamente disposto a ser rural e sedentário”. Confessa que gosta de dormir a sesta.

Tive o privilégio de viver uns anos em S. Miguel e de descobrir a sua obra literária. Via-o, por vezes, na Ribeira Grande. É uma pessoa simples, que não gosta das luzes da ribalta e que dificilmente deixa a Maia, mesmo para participar em tertúlias literárias.

Tenho lido alguns livros e artigos, publicados em jornais açorianos, de Daniel de Sá. Acho-o uma pessoa de bem e isso transparece na sua escrita.

Gosto, especialmente, de dois dos seus romances:

 

Ilha Grande Fechada. Foi o primeiro que li e confesso que me marcou. Porque descreve tradições da Ilha, porque nos confronta com a fragilidade da nossa humanidade, porque nos mostra que há coisas que não conseguimos afastar das nossas vidas. João, a personagem principal, depois da guerra e de dar a volta à Ilha, como romeiro, vê-se obrigado a emigrar para o Canadá. E vai compreender, ao partir, que “sair da Ilha é a pior maneira de ficar nela”.

 

A Terra Permitida. É, talvez, o último publicado. É uma história de amor, de grande sensibilidade, entre António, trabalhador agrícola e tocador de guitarra, e Helena, uma bonita rapariga cega. Tem, como enquadramento histórico, a visita dos rei D. Carlos e da rainha D. Amélia, aos Açores. Ainda hoje, um dos miradouros da Lagoa das Sete Cidades tem o nome de “Vista do Rei”, por ter sido dali que D. Carlos admirou aquela magnífica vista.

 

 

 

 

publicado por Elisabete às 15:02
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Domingo, 6 de Maio de 2007

FELICIDADE

                                                                                              

 

                                Içami Tiba

 

 

FELICIDADE

"Os pais podem dar alegria e satisfação a um filho, mas não há como dar-lhe

 felicidade.

Os pais podem aliviar o sofrimento, enchendo-o de presentes, mas não

 há como comprar-lhe felicidade.

Os pais podem ser muito bem sucedidos e felizes, mas não há

como emprestar-lhe felicidade.

Mas os pais podem dar ao filho muito amor,

carinho e respeito.

Ensinar-lhe tolerância, solidariedade e cidadania,

exigir reciprocidade, disciplina e espiritualidade.

Reforçar a ética e a preservação da Terra.

Pois é de tudo isto que se compõe a auto-estima.

É sobre a auto-estima que repousa a alma.

E é nesta paz que reside a felicidade."

 

"Ninguém pode oferecer a felicidade a outra pessoa. Apenas se podem dar os instrumentos."

Içami Tiba, Amar é Educar

         

publicado por Elisabete às 17:55
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MÃE

RAFAEL, Virgem da Cadeira

 

 

 

 

Morreste-me quando eu tinha apenas 22 anos, Mãe. Os meus filhos não te tiveram por avó e eu tive de compreender, muito cedo, que nada do que temos é para sempre. Não pertenço ao rol daqueles que endeusam as mães. Uma mãe não é anjo, nem santa. É apenas uma mulher, como qualquer outra, com qualidades e defeitos. Mas é, quase sempre, um porto de abrigo, um lugar seguro, a nossa casa.

Disse-te, uma vez, que não te pedi para nascer. Acusei-te, algumas vezes, de não seres tão carinhosa como eu desejava. Do alto da minha adolescência dolorosa e insegura, atrevia-me a julgar-te.

Hoje, sei que foste, para mim, a melhor mãe. Ensinaste-me a ser honesta e responsável e a ter um comportamento ético,  passaste-me valores fundamentais que fizeram de mim o ser humano que quero continuar a ser. Fizeste, por mim, muitos sacrifícios. Querias que estudasse, que tirasse um curso, que tivesse um bom futuro. E, ainda hoje, admiro a maneira como gerias os parcos recursos da família sem que nos faltasse nunca o essencial. Orgulhaste-te dos meus resultados escolares, mas sofreste com as minhas ideias um pouco “avançadas”. Não podia fazer nada a esse respeito. Sempre fui voluntariosa, senhora do meu nariz e sedenta de trilhar o meu próprio caminho. Acho que, apesar de me preferires mais ao teu estilo, me aceitavas como sou. Tive muita sorte em ser tua filha, Mãe. E passados todos estes anos, a dor... a dor de te perder continua viva. Ficou o meu pai, apenas por mais uma dezena de anos. E depois, quando também ele se foi, é que compreendi que já não tinha casa... que já não havia um lugar para me acolher. Quando perdemos os pais, é que percebemos o que é estar, de facto, sozinhos.

Tive a sorte de ter irmãos mais velhos para quem fui  “uma espécie de filha”. Continuam a fazer parte da minha vida. E gosto muito deles.

E tive a sorte... de ter dois filhos. Nem sempre fui, para eles, a mãe que desejei ser. Há momentos difíceis em todas as vidas e comigo não foi diferente. Quando sofremos, não conseguimos dar, aos que nos cercam, a atenção que merecem. E os meus filhos foram, algumas vezes, vítimas da minha desorientação e do meu egoísmo.

Hoje, é o “Dia da Mãe”. A melhor homenagem que posso fazer à memória da minha mãe é dizer aos meus filhos: Amo-te, Guilherme! Amo-te, Marta! Perdoai-me por não ser a mãe perfeita. Mas... espero ser, até ao fim da minha vida, o vosso “porto de abrigo”. O “meu colo” estará aqui, sempre que dele precisardes.   

publicado por Elisabete às 09:18
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Quinta-feira, 3 de Maio de 2007

SUSANNA TAMARO

"As pessoas gostam de se agarrar sempre às mesmas ilusões. Toda a gente tem medo, por isso inventa um sonho, qualquer coisa que lhe dê cumplicidade e sentido, é bonito fazer parte do coro, repetir as mesmas coisas. Os pintainhos gostam de estar quentes sob a luz da incubadora, os homens gostam da tepidez das utopias, das promessas impossíveis. Nem todos podem sair disso, nem todos têm força para contemplar a essência real, o túnel longo e escuro que desde o nascimento até à morte somos obrigados a percorrer de gatas."

 

Susanna Tamaro, Vai Aonde Te Leva o Coração

 

 

 

 

 

 Susanna Tamaro é uma escritora italiana, nascida em Trieste, em 1957. Viveu a maior parte da vida em Roma, mas retirou-se para uma pequena herdade em Orvieto (Umbria), onde encontrou a paz e a tranquilidade espiritual que lhe são necessárias para escrever.

A sua obra mais conhecida é Vai Aonde Te Leva o Coração. Mas Responde-me, A Alma do Mundo e Escuta a Minha Voz, entre outras, fazem dela uma escritora que vale a pena ler. Eu, pelo menos, gosto muito da sua escrita intimista, que nos ajuda a reflectir na dificuldade das relações que estabelecemos com as pessoas que mais amamos.

publicado por Elisabete às 20:34
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Terça-feira, 1 de Maio de 2007

A ALFARROBEIRA

                  

 

Confesso que até há bem pouco tempo nunca tinha dado atenção à árvore, introduzida pelos muçulmanos na Península Ibérica, e que só me era próximo o fruto. Na minha infância, quando ia para a escola, passava junto dum armazém que tinha à porta , quase sempre, um saco com alfarroba. Eu, ou uma das minhas colegas, lá comprava uma ou duas alfarrobas, para rilharmos durante o percurso. Dizia-se que era comida de burros, mas nós gostávamos.

Hoje, que estou mais atenta à Natureza, quando vou ao Algarve, maravilho-me e passo a vida a fotografar as alfarrobeiras. Acho-as lindíssimas.

Soube até, através de técnicos agrícolas, que a alfarrobeira é uma espécie especialmente amiga do ambiente. Contribui muito para a qualidade do ar e, em vez de empobrecer a terra, contribui para a sua adubação. Dá pouco trabalho e o seu fruto é muito usado no fabrico de medicamentos, de cosméticos e, cada vez mais, nas dietas vegetariana.

Era óptimo que, no Algarve, se investisse mais na plantação destas árvores. Ganhar-se-ia em beleza, na melhoria do ambiente e no combate à desertificação. 

publicado por Elisabete às 21:00
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"DIA DO TRABALHADOR" - dia de luta

 

 

 

O trabalho numa fábrica de fiação, na 2ª metade do séc. XIX

 

“Os nossos patrões obrigam-nos a trabalhar das cinco horas da manhã até ao pôr-do-sol, o que perfaz catorze horas, com interrupção para o pequeno almoço e para o almoço. É um trabalho duro e nocivo, em que não há um pouco de ar que nos refresque quando suamos e sufocamos, sem uma janela por onde ver o sol, numa atmosfera carregada de pó e de cotão de algodão que respiramos constantemente e que destroem a nossa saúde e as nossas forças. (...) O curto repouso da noite não é suficiente para restaurar as nossas energias esgotadas e voltamos ao trabalho, de manhã, tão cansados como quando o deixámos. Todavia, temos de trabalhar, senão as nossas famílias morreriam de fome (...). Não podemos prevenir-nos para o caso de termos uma doença ou um acidente, porque, com o pouco que ganhamos, não podemos poupar sequer um dólar.”

 

Inquérito às fábricas de fiação na Pensilvânia

 

===============

 

Eram estas as condições de vida dos operários, nos finais do séc. XIX: horários de trabalho longos e ausência de protecção social. Não havia apoio ao trabalhador quando estava doente, ou desempregado, nem apoio à  sua família mesmo quando morria. Por isso, teve de lutar, muitas vezes, à custa da própria vida. É uma dessas lutas, descrita a seguir, que se comemora hoje.

 

===============

 

 Chegou o 1 de Maio de 1886, que devia marcar o início da campanha pelo dia de trabalho de 8 horas. A imprensa contribuiu para lançar o pânico entre a população. Em toda a cidade de Chicago começaram as greves e as marchas. Aqueles que continuavam o trabalho foram chamados de “os amarelos”. A polícia carregou sem qualquer aviso.

Na noite de 4 de Maio, os anarquistas reuniram-se no bairro Haymarket. Lançaram uma bomba de uma janela. Vários polícias foram mortos. Centenas de pessoas foram presas. Mas o verdadeiro autor nunca foi posto em causa e o papel que desempenhou também nunca foi oficialmente esclarecido. Os chefes do movimento da jornada de 8 horas foram enforcados no dia 11 de Novembro.

Sete anos mais tarde, o governador declarou a sentença como injustificada.”

                                                                 Maman Jones, Autobiografia, 1886

                                     ===============

Três anos depois, a 20 de Junho de 1889, a segunda Internacional Socialista reunida em Paris decidiu por proposta de Raymond Lavigne convocar anualmente uma manifestação com o objectivo de lutar pelas 8 horas de trabalho diário. A data escolhida foi o 1º de Maio, como homenagem às lutas sindicais de Chicago.

                                                          ===============

 E hoje, o que se passa? Os trabalhadores, nomeadamente em Portugal, estão a perder tudo aquilo que conquistaram. Ele é aumentar os horários de trabalho; ele é diminuir ,ou mesmo suprimir, os direitos; ele é aumentar a idade da reforma; ele é diminuir, constantemente, os salários reais... E tudo isto feito, com a maior eficiência, por um governo que se diz socialista. Por mim, estou farta! A minha alma está de luto. Não posso aceitar um sistema que, de joelhos perante a globalização e uma União Europeia que se preocupa mais com o uso das colheres de pau do que com aqueles que vivem do seu trabalho, favorece essencialmente os interesses do grande capital.

A luta tem de prosseguir. Portugal não pode ser um país de injustiça e de desigualdade. A luta não acabou com o 25 de Abril. A democracia exige de nós a coragem de "pegar ,  pelos cornos, o destino" e de acabar, de vez, com este triste fado.

 

publicado por Elisabete às 14:01
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