Segunda-feira, 16 de Abril de 2007

PORTO SANTO

 A ILHA DOURADA

Embora as ilhas do Arquipélago da Madeira apareçam representadas em mapas do século XIV, só em 1419 (Porto Santo) e 1420 (Madeira) os navegadores portugueses João Gonçalves Zarco, Tristão Vaz Teixeira e Bartolomeu Perestrelo fazem a sua redescoberta, com vista a um posterior povoamento, uma vez que eram desabitadas. O Infante D. Henrique, o “senhor das ilhas”, doou a ilha de Porto Santo ao capitão-donatário Bartolomeu Perestrelo que, entre os vastos poderes que lhe foram atribuídos, administrava a justiça, cobrava impostos e distribuía terras aos povoadores portugueses que quisessem explorá-las.

Assim começa a História desta pequena ilha que acabei de visitar e que foi, para mim, uma agradável surpresa.

        

    Praia                                    Pico do Castelo                       Vila Baleira

 

 

            

      Pedreira (Piano)                     Pico de Ana Ferreira                Fonte da Areia

 

 

       

Ilhéu de Baixo ou da Cal       Ilhéu de Cima ou do        Casa de Salão  

                        (tem minas de calcário)                          Farol

 

Desde logo, o que mais me impressionou foi o relevo. A ilha é bastante montanhosa e isso confere à paisagem uma certa beleza agreste, para a qual também contribuem os ilhéus que a circundam. Por outro lado... as várias tonalidades de azul e verde do mar e 9 km de praia de areia dourada. Aquecida pelo sol, ou por outros meios, esta areia é usada no tratamento de doenças dos ossos e diz-se, até, que da psoríase.

Chove pouco, em Porto Santo, e a cobertura vegetal é escassa. No entanto, a partir dum projecto de António Schiappa de Azevedo, vai-se fazendo a reflorestação da ilha, apostando na diversificação das espécies. Entre elas, o autóctone dragoeiro e o importado cedro do Líbano vão embelezando a pequena ilha. Toda a água da rede pública provém da dessanilização da água do mar.

 

       Um cedro-do-líbano plantado nos Longwood Gardens

            Dragoeiro                                                       Cedro do Líbano

No Verão, com os muitos turistas, não sei como é Porto Santo. Na Primavera, o ambiente é tranquilo e convida à reflexão, ao relaxamento e à paz de espírito. Sentada na varanda do meu quarto de hotel, ao pôr-do-sol, com as montanhas à direita e o mar à esquerda, purificava a alma seguindo as cabriolas dos coelhos bravos que cavaram as suas luras  por debaixo das moitas do terreno ao lado do hotel, situado na Ponta do Cabeço. Convenhamos que não é vulgar esta mistura!...

                                                         Coelho bravo

 

                

       Moinho                               Casa de Colombo                      Um sonho?

 

A única cidade da ilha é Vila Baleira, onde se encontram os principais estabelecimentos de comércio e o centro histórico, com a Igreja Matriz (ou de Nossa Senhora da Piedade) e a Casa de Colombo (Museu de Porto Santo), onde teria vivido o descobridor da América, que foi casado com uma filha de Bartolomeu Perestrelo. 

No sopé do Pico do Castelo, situa-se a Camacha, que alberga o Museu do Cardina, museu etnológico dedicado aos ofícios e costumes da ilha.

Típicos de Porto Santo são, ainda, os moinhos e as “casas de salão”, exemplo da arquitectura tradicional  e assim chamadas por terem os telhados cobertos de salão (espécie de barro de composição arenosa). Ainda se encontram algumas, na Serra de Fora, incentivando-se a sua reconstrução.

Quem estiver no Porto Santo pode dar um salto à ilha da Madeira. Há dois voos diários e ligação por mar, também duas vezes por dia, através do ferry-boat “Lobo Marinho”.

É obrigatório, também, passar pelo Bar do João do Cabeço e saborear, no alpendre, as lapas grelhadas e o bolo do caco com manteiga de alho. E que tal o bolo de mel caseiro de Porto Santo, bem temperado com especiarias e acompanhado dum cálice de poncha?

Por tudo isto, vale a pena visitar a ilha dourada de Porto Santo.

publicado por Elisabete às 21:53
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