Quarta-feira, 18 de Abril de 2007

ANTÓNIO LOBO ANTUNES

ANTÓNIO LOBO ANTUNES

Romancista, nasceu em Lisboa, no dia 1 de Setembro de 1942. Proveniente de uma família da grande burguesia portuguesa, licenciou-se em Medicina, com especialização em Psiquiatria. Exerceu a profissão no Hospital Miguel Bombarda em Lisboa, dedicando-se  desde 1985 exclusivamente à escrita.

        

 

 

  “ ... ser totalmente compreendido é impossível.”

Baptista-Bastos, O Cavalo a Tinta-da-China

 

Acabei, há dias, a leitura de “ONTEM NÃO TE VI EM BABILÓNIA” de António Lobo Antunes. Costumo ler os seus livros e gosto. Não sou crítica literária e não tenho a ousadia de pensar que o compreendo. No entanto, por mais amarga que pareça a sua escrita, ela parece-me profundamente humana, porque fala do que existe dentro de nós todos, porque vai ao fundo de cada um de nós. As suas personagens são assombradas, a cada passo, pelas memórias do passado. Reflectem a angústia de quem não pode esquecer situações dolorosas e perdas e, por isso, procuram uma certa frieza como protecção. São pessoas solitárias incapazes de comunicar afectivamente com os outros. Negam a necessidade evidente de ternura. Suspendem as palavras e os gestos     carinhosos, evitam a aproximação desejada.  Há nelas a impossibilidade de encontro com o outro, uma espécie de pudor que as retém.

As palavras do Autor:

 

“...a que me espera em Lisboa uma filha, dei-lhe a boneca numa embalagem com um laço e afastei-me o mais depressa que pude antes que agradecesse, nunca a beijei nem dei a entender que consentia beijos, não pedi

- Anda cá

apesar de me apetecer pedir, mesmo que fosse uma única vez

- Anda cá

escapando a essa parvoíce a que chamam ternura, que me importa a ternura, para que iria servir-se [...] num buraco qualquer desde que livre da maçada de um filho a quem seria necessário passear pela mão, consolar, garantir

- Estou aqui

quando julgam que perderam e não nos ganharam nunca, assistirmos a uma criança a crescer tornando-se tão amarga quanto nós que esquisito, não me arrependo de não haver pedido

- Anda cá”

 

“interrogo-me se a companhia de um filho me açucarava a velhice”

 

“(porque não tive um filho, um amigo, um colega, uma criatura em que pudesse confiar e confiasse em mim?)”

 

  Em 9 de Novembro de 2004, dizia em entrevista ao DN:

 

“Não fomos feitos para a morte, a não ser para a morte voluntária. A involuntária sempre me pareceu uma tremenda injustiça, para não falar em crueldade.”

 

2007 – Recebeu o Prémio Camões e foi-lhe diagnosticado um cancro. Foi operado e acredito que vai vencer esta batalha. Nós precisamos de continuar a ter por perto o escritor fabuloso que afirma: “Temos uma Língua espantosa. Cada vez me seria mais difícil viver longe de Portugal. Gosto muito do meu país.” Eu também! E, António, também gosto muito de si!

  

publicado por Elisabete às 21:53
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