Sexta-feira, 8 de Agosto de 2008

"O receio da morte é a fonte da arte"

 

 

Ruy Belo morreu no dia 8 de Agosto de 1978

com 45 anos

 

Atropelamento mortal

 

 Nalgum oásis do princípio ele fora

 um fugitivo brilho no olhar de Deus

-a vida havia de lho lembrar muitas vezes.
 
Atravessou as nossas ruas entre gatos,
a chuva molhou-lhe as pobres botas cambadas.
Teve um banco de jardim, teve amigos, um deles o sol.
Sempre sem o saber procurou Deus.
Um dia foi campos fora atrás dele, perdeu o emprego
na Câmara Municipal. Teve mãe mas depois
nunca mais foi solução para ninguém.
 

 Naquele dia a morte instalou-o

 confortavelmente no céu. Lá se foi

com seus modos humanos, seus caprichos
e um notório acanhamento em público
(há-de a princípio faltar-lhe à-vontade entre os anjos).
 
Tinha o nome no registo, agora habita
nas planícies ilimitadas de Deus.
Nas suas costas ainda se derrama
a tarde interrompida.
Manhãs e manhãs desfilarão sobre ele,
caracóis cobrirão a memória daquele
que foi da sua infância como qualquer de nós.
 
Teve um nome de aqui, andou de boca em boca,
agora é Deus que para sempre o tem na voz.
 

 

                                                                             Ruy Belo, Aquele Grande Rio Eufrates

 

 

publicado por Elisabete às 21:06
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