
Édouard Manet.A amante de Baudelaire, reclinada
A que está sempre alegre
Teu ar, teu gesto, tua fronte
São belos qual bela paisagem;
O riso brinca em tua imagem
Qual vento fresco no horizonte.
A mágoa que te roça os passos
Sucumbe à tua mocidade,
À tua chama, à claridade
Dos teus ombros e dos teus braços.
As fulgurantes, vivas cores
De tua vestes indiscretas
Lançam no espírito dos poetas
A imagem de um ballet de flores.
Tais vestes loucas são o emblema
De teu espírito travesso;
Ó louca por quem enlouqueço,
Te odeio e te amo, eis meu dilema!
Certa vez, num belo jardim,
Ao arrastar minha atonia,
Senti, como cruel ironia,
O sol erguer-se contra mim;
E humilhado pela beleza
Da primavera ébria de cor,
Ali castiguei numa flor
A insolência da Natureza.
Assim eu quisera uma noite,
Quando a hora da volúpia soa,
Às frondes de tua pessoa
Subir, tendo à mão um açoite,
Punir-te a carne embevecida,
Magoar o teu peito perdoado
E abrir em teu flanco assustado
Uma larga e funda ferida,
E, como êxtase supremo,
Por entre esses lábios frementes,
Mais deslumbrantes, mais ridentes,
Infundir-te, irmã, meu veneno!
Baudelaire, in As Flores do Mal
De IBEL a 26 de Junho de 2009 às 11:52
"Les Fleurs du Mal", um livro que estudei no meu terceiro ano da faculdade. Depois desliguei-me u pouco de Flaubert, nem sei bem porquê. Hoje gostei de o reeencontrar. Não será de dicado à Cris?
Beijinho
De Cris a 26 de Junho de 2009 às 14:56
Minha querida Elisabete
Nossa essa foi direto ao coração,as verdades secretas,as ocultas insanidades,a vibração da vida.
Fantástico.Estou sem ar. As emoções em desordem.
Incrível como traduzes minhas entrelinhas.
E a Lia?
Meninas agradeço a cumplicidade.
Ah como gostaria de abraça-las.
Envio beijos emocionados.
"Embriaguem-se
É preciso estar sempre embriagado. Aí está: eis a única questão. Para não sentirem o fardo horrível do Tempo que verga e inclina para a terra, é preciso que se embriaguem sem descanso.
Com quê? Com vinho, poesia ou virtude, a escolher. Mas embriaguem-se.
E se, porventura, nos degraus de um palácio, sobre a relva verde de um fosso, na solidão morna do quarto, a embriaguez diminuir ou desaparecer quando você acordar, pergunte ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui, a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio responderão: "É hora de embriagar-se! Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso". Com vinho, poesia ou virtude, a escolher."
Baudelaire, in Pequenos Poemas em Prosa
Meninas, embriaguem-se, antes, de AMOR!
Beijos às duas
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