Segunda-feira, 14 de Dezembro de 2009

Ver para lá do imediato

 

 

O problema do clima  
 
1....é, antes de mais, o problema do clima social em que vivemos. Nós todos somos responsáveis? Certamente. Talvez, acima de tudo, por havermos permitido que se formasse e desenvolvesse -e de que maneira se desenvolve!- esta sociedade mercantil e consumista- Ela é só isso e mais nada: produzir, colocar no mercado, fazer com que o produto se venda. O produto é mais importante do que o homem. O crime em curso -a destruição da Terra- está intimamente ligado ao novo Bezerro de Ouro: o produto. Abraçado a ele, gira o lucro, ferve a concorrência, alarga-se a globalização da monopolização. Eis as palavras, os chavões (mercado, concorrência, produto, lucro) que me repugnam (revoltam) e matraqueiam o cidadão comum e o convertem num suicida inconsciente, saqueador do ambiente. O cidadão comum alimenta o mercado –e alimenta-o convicto de comprar a felicidade. Para o conseguir, aceita a nova escravatura: o emprego a prazo, o horário sufocante, os gritos do capataz que lhe exige que... produza. De homem não tem nada; de neo-objecto tem tudo. Alguma vez, para arejar o mundo, quem nos explora sacrificará algum negócio?
 
2.Andrea Zanzotto, poeta italiano, amante do espaço livre e da paz dos arredores de Treviso, ouvido acerca de Copenhaga e das habituais cimeiras que tratam o ambiente, comentou: “Hoje todos parecem dominados pelo fascínio do auto-engano”. E acertou em cheio: o modo do cidadão sobreviver ao massacre quotidiano é iludir-se, convencer-se de que a vida começa e acaba no produto: carro, telemóvel, internet, resorts, sexo fast food. Enterra-se a si próprio, esquece dignidade, individualidade, alma.
 
Manuel Poppe, O Outro Lado

Jornal de Notícias [13.Dezembro.2009]

publicado por Elisabete às 16:35
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Quarta-feira, 22 de Abril de 2009

DIA DA TERRA todos os dias

 

 

 Até quando continuaremos, por incúria ou ganância, a destruir as florestas, essenciais à vida na Terra?

 

 

publicado por Elisabete às 15:41
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Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008

Reflectindo os nossos actos...

 

A Morte das Baleias
 
1. Esta semana, impressionou-me, especialmente, a notícia transmitida por televisões (sempre atentas à desgraça espectacular o bastante para garantir audiências), de mais onze baleias que apareceram mortas, numa praia australiana. Ninguém conhece a razão. Velhice, doença, suicídio? Não há resposta certa. É um fenómeno cada vez mais frequente. Desta vez, não a primeira, os cetáceos escolheram morrer numa praia, à vista dos homens. Se tivessem desaparecido nas profundezas do mar, num lugar desabitado, nenhures, discretamente – eu e milhões de outras pessoas nunca teríamos dado por isso. E a verdade é que me senti envolvido, nos sentimos envolvidos, eu e milhões de outras pessoas. As baleias tinham-nos procurado, na agonia. Atiravam-nos à cara a sua morte. E os especialistas não excluem a hipótese de as haver levado àquele gesto a revolta contra quem, dia a dia, destrói o mar e o torna inabitável: nós, os homens: os predadores, os gananciosos, os desumanos.
 
2. Pergunta o jovem inquieto, angustiado, perplexo – ainda não anquilosado e formatado: “como pode ser o homem desumano?” A pergunta repete a das baleias (irmãs no sofrimento) e tem resposta: a sociedade desumaniza o homem. A sociedade do lucro, do consumo, do egoísmo, da indiferença, que torce o pepino e faz do adolescente mais uma rosca da grande máquina neo-capitalista. Ao jovem, eu diria, ainda: “Hoje, nas aulas de formação de professores os formadores explicam que os alunos são matéria bruta que se mete na máquina capaz de os transformar em produto rentável”. Especulo? Minto? Talvez não. O mal das baleias é o nosso: a nostalgia da liberdade livre.
 
Manuel Poppe, O Outro Lado
Jornal de Notícias [30.Nov.2008]

 

publicado por Elisabete às 20:37
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