Quarta-feira, 12 de Outubro de 2011

Protesto de "indignados" vai unir 662 cidades do mundo

 

O próximo sábado - 15 de Outubro - promete ser um dia diferente. Em 662 cidades de 79 países, milhões de pessoas vão sair às ruas em protesto, exigindo os seus direitos e apelando a uma verdadeira democracia. Em Portugal, estão planeadas manifestações, às 15 horas, em Lisboa, Porto, Évora, Faro, Braga, Coimbra e Angra do Heroísmo.

"É hora de nos unirmos! É hora de eles nos ouvirem! Povos de todo o mundo, revoltem-se!". Esta é a palavra de ordem que está a ser utilizada pelo movimento "United for globalchange" (Unidos por uma mudança global", um site que coordena todas as acções que se realizarão por todo o mundo.

Ali, em constante actualização, encontra-se a agenda dos protestos mundiais. Nesta quarta-feira, o site regista a adesão de 662 cidades de 79 países.

Ao referir o objectivo do protesto mundial, fica bem claro que se trata de um protesto "sem violência". "Iremos, pacificamente, manifestar-nos, conversar e organizar-nos até que as coisas mudem". O site esclarece que tudo o que se pretende, é que, "unidos a uma só voz, iremos dar a conhecer aos políticos e às elites financeiras que eles servem, que cabe-nos a nós - povo - decidir o nosso futuro".

Até ao momento, em Portugal os protestos têm sido pontuais. Apenas a 12 de Março, o protesto "Geração à Rasca" trouxe às ruas de algumas cidades o protesto de cerca de 500 mil pessoas. Contudo, no próximo sábado, tudo leva a crer que a dimensão dos protestos deverá ser bem maior, até porque o movimento de indignação tem estado bem activo em outros países do mundo.

Em Lisboa, o protesto intitulado "15 de Outubro, a Democracia sai à rua!" começa com um desfile entre o Marquês de Pombal e São Bento, sendo depois organizada uma assembleia popular em frente ao Parlamento. A acção termina com a realização de uma vigília.

Nas restantes cidades, os protestos - todos agendados para as 15 horas, à excepção de Angra do Heroísmo, que se inicia uma hora antes - terão os seguintes pontos de partida: Porto, Praça da Batalha; Coimbra, Praça da República; Braga, Avenida Central; Évora, Praça Sertório, Faro, Jardim Manuel Bivar, e Angra do Heroísmo, Praça Velha.

O movimento dos "indignados" ganhou nas últimas semanas um novo fôlego com a realização de manifestações em Nova Iorque sob o lema "Occupy Wall Street".

A falta de esperança no futuro e o aumento da injustiça - que faz crescer o fosso entre ricos e pobres - justificam o movimento de "indignados" que está a crescer em todo o mundo. É assim que o entende Romano Prodi, ex-presidente da Comissão Europeia, numa conversa com jornalistas em Barcelona.

"Por isso se explica que haja movimentos de indignados em países tão diferentes como Israel, Espanha ou Reino Unido", afirmou.

Prodi falava aos jornalistas num encontro conjunto com Jordi Pujol, o ex-presidente da Generalitat (Governo Regional da Catalunha), que apresentou, esta terça-feira, um novo livro, intitulado "Semear, trabalhar e colher - Escritos de Reflexão e de Agitação" que reúne textos que escreveu entre 2005 e 2011.

Na conversa, em que se analisou a situação actual da Europa, Prodi considerou que o movimento dos " indignados " não encontra o seu fundamento em questões políticas, "ainda que a política tenha ajudado a causar a situação" que leva aos protestos.

"É uma revolta em países completamente diferentes, que deriva da crise, da falta de esperança no futuro, do aumento da injustiça, que nasce pela crescente distância entre os riscos e os pobres", disse.

"Essa distância começou a crescer em todo o mundo desde os anos oitenta, e é uma tendência constante em todos os países, que cresce porque a globalização, o sistema económico, criam cada vez mais tensão", afirmou.

Prodi admitiu, porém, que a classe política "deixou agravar este problema" que hoje "une todos estes países e todos estes movimentos".

 

Jornal de Notícias

[12 de Outubro de 2011]

publicado por Elisabete às 18:26
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Domingo, 7 de Junho de 2009

Eu já votei.

 

 

Não votar, salvo motivos intransponíveis, significa renunciar a um direito fundamental que custou muitos sacrifícios (e até vidas!) oferecidos ao sonho da Democracia.
 
António Freitas Cruz
Jornal de Notícias [7.Junho.2009]
 
 
 
Eu já votei.
Porque se é verdade que a cidadania não se esgota no voto, não posso deixar de afirmar o que quero (ou não quero) para mim, para o meu País, para a Europa e para o Mundo. Porque é de nós todos que depende o presente e o futuro.
 
 

 

publicado por Elisabete às 18:05
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Segunda-feira, 26 de Maio de 2008

PORQUE A CIDADANIA NÃO SE ESGOTA NAS URNAS...

    

Exemplo perfeito: O discurso político é feito aos berros... uma pedra em cada mão...

 

Retórica oca
O discurso político, escrito ou falado, utiliza habitualmente uma linguagem rígida e muitas vezes triste. É repetitivo. Ao discurso político falta quase sempre a alegria das coisas sentidas. Falta ao espaço de repente aberto e logo naturalmente preenchido pelo que é lindo e que faz do dia-a-dia de cada um uma coisa boa de ser vivida. Falta o imprevisto que nasce da imaginação e, porque não, da utopia. O discurso político de um modo geral não procura. Está. Conserva. Aceita. O discurso político é feito aos berros. Não tem de ser ouvido nem pensado. É só barulho de fundo. É deprimente e vazio. Não propõe. Destrói.
Quem fala, e basta assistir a uma sessão da Assembleia da República, ainda não percebeu que se falar baixinho e sem uma pedra em cada mão será melhor ouvido e mais respeitado. O que sobra de um discurso político são as amêndoas de Portalegre, o leitão da Bairrada ou o arroz de cabidela de Ponte de Lima!
É importante que quem fala por nós eleve um pouco o seu nível na linguagem, na postura e nas propostas. Estonteado com números e estatísticas, quem lê ou ouve passa à frente daquela página do jornal ou desliga o televisor. É insuportável o vazio e a falta de credibilidade que gera.
O cidadão comum tem o direito, diria mesmo o dever, de não aceitar. De recusar o que é morto e triste. Já olharam para como se vive neste mundo? Anda tudo aos encontrões e é difícil discernir onde está a razão. A palavra solidariedade desapareceu da linguagem política. O insulto, mais ou menos camuflado, e a piada de mau gosto, que faz o título da primeira página dos jornais ou abre o noticiário nobre nos canais de televisão, são a regra.
O discurso político será vivo, sentido e ouvido, quanto mais for capaz de ser inovador e recusar o conforto das ideias feitas tentando ultrapassar sempre o adquirido. Claro que pode e deve ser duro e incisivo, mas se cai no insulto pessoal e nos pequenos fait divers tão típicos na nossa vida política perde toda a seriedade que temos o direito de exigir.
Os portugueses olham hoje e cada vez mais para os políticos profissionais sem respeito e sem qualquer tipo de interesse. A chamada disciplina partidária não é mais do que um instrumento dos aparelhos partidários para que alguns, poucos, se mantenham no poder e controlem a liberdade de escolha e de pensamento da maioria. (1) Maioria essa que aceita, para não perder pequenos privilégios, “vender” a sua própria consciência. É de tal maneira diminuta a participação da maioria dos deputados à Assembleia da República que o cidadão comum tem o direito de se perguntar o que é que lá fazem. Eu sei que existem as várias comissões onde parece que se trabalha muito. Só que, se assim é, esse trabalho não tem qualquer visibilidade para o exterior. E impacte legislativo? Será que tem? O que se vê são os “ilustres”, sempre os mesmos, sentados nas duas primeiras filas, que representam todos os outros. Os silenciosos. Mas representarão?
Claro que há um ou outro que faz ouvir a sua voz. Dá jeito e dá um aspecto mais democrático à coisa. Cada 15 dias temos agora direito a uma espécie de liturgia. O que lá se discute terá assim uma importância tão grande? Não sei. O que ouço nos telejornais da noite e nos jornais do dia seguinte, salvo raras excepções, são os comentadores a discutir sobre quem ganhou! Mas ganhou o quê?
 
Octávio Cunha, Jornal de Notícias [11.05.2008]
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(1) O destaque é meu.
sinto-me:
publicado por Elisabete às 14:18
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