Segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008

OS SEM FUTURO

1. O homem não é peça de máquina. É muitíssimo mais do que isso. Não gira, ao sabor de caprichos de capatazes. O homem, em suma, é um homem! Com inteligência, sensibilidade e afectividade próprias. Não é feito de betão ou ferro forjado. Sonha, deseja, ambiciona. Tem uma alminha dentro. Quer dizer: o homem é humano. Não o atraem as Artes e a Filosofia, o estudo da lição clássica (grega, latina), por mero movimento de evasão –assim ao modo dos que se encharcam de imbecilidades telenovelísticas ou vivem (sofrem) as aventuras das estrelas do jet set. O homem não é um produto nem se destina a assegurar -novo escravo- rendimentos alheios. Em Cambridge, um estudante de economia pode estudar filosofia. Em França, os ministérios da cultura e do ensino superior criaram uma bolsa de 100 000 euros, destinada a premiar trabalhos sobre ciências humanas e sociais. Obama promove a ecologia. Para que se saiba, uma vez que, entre nós, tosquiaram a Cultura e as humanidades –indecentemente.

 
2. Atentemos na Grécia e na impaciência da juventude grega. Não se trata de excesso juvenil ou de imitação de Maio de 68; trata-se de revolta contra a desumanidade. Maio de 68 era teoria, pressentimento; Dezembro de 2009 é experiência sofrida. Manifestam-se os condenados ao desemprego e ao não-futuro. Não suportam uma sociedade e um sistema corruptos –rejeitam a imoralidade do neoliberalismo. O fenómeno, mais tarde ou mais cedo, vai alargar-se. Em 2009? Os jovens perceberam que a competitividade imposta é isca envenenada: ensina canibalismo. Na vida, o único critério justo é descobrirmos a nossa vocação e realizá-la, livremente, em diálogo criador, com os mais.
 
Manuel Poppe, O Outro Lado
Jornal de Notícias [28Dez2008]
publicado por Elisabete às 22:06
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Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2008

O Rei Cifrão

Mosteiro de Alcobaça: a próxima pousada? 

 

Vendilhões do Templo
 
Com os encargos de todas as obras públicas anunciadas, boa parte do nosso futuro está hipotecada; pelo presente já ninguém dá nada; resta o passado. Não se estranhará, pois, que o Governo prepare um novo regime para o património histórico e cultural que abre portas à venda mais ou menos indiscriminada de monumentos históricos. "O mote é alienar", denunciam, alarmadas, as associações de defesa do património.
 
Se a coisa, congeminada no Ministério das Finanças, for avante, depois do Forte de Peniche transformado em pousada, veremos um dia destes uma loja Ikea na Torre de Belém e um hotel de charme no Mosteiro de Alcobaça (e porque não no da Batalha?); Rui Rio poderá, finalmente, vender a Torre dos Clérigos em "time-sharing"; e António Costa, em Lisboa, fazer dos Jerónimos um centro comercial. Governados por mercadores sem memória e sem outra cultura que não a do dinheiro, faltava-nos ver a nossa própria História à venda. Em breve, nem Cristo (quanto mais nós) terá poderes para expulsar os vendilhões do Templo porque eles já terão comprado o Templo e já lhe terão dado ordem de expulsão a Ele.
 
Manuel António Pina, Por Outras Palavras
Jornal de Notícias [17.Dez.2008]
 
 
 

 

publicado por Elisabete às 13:38
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Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2008

Uma flor para cada Professor em luta

 

 Colegas,

Porque a vossa luta é...

 

 pela dignidade da função docente;

 contra a burocracia;

 pelo direito dos alunos a um ensino de qualidade;

 pela Educação;

pelo futuro de Portugal.

 

 

Sinto-me orgulhosa da vossa coragem.

 

Os tecnocratas podem ser vencidos pelos valores da cultura e do humanismo. 

Não podemos dar guarida ao desânimo.

 

Esta luta é para ganhar!!!

 

publicado por Elisabete às 08:25
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Quinta-feira, 27 de Novembro de 2008

Porque o presente é herdeiro do passado

Aproveito o aniversário da concessão do Foral para homenagear o Teatro Municipal da Guarda (TMG), pelo trabalho que desenvolve, na cidade, e de que aqui deixo um feliz exemplo: a edição de PARA SEMPRE... talvez não. Escrito por seis jovens [Ana Rita Costa, Filipa Almeida, Joana Romano, Lara Monteiro, Maria João Lopes e Rita Dinis] que, assumindo-se como personagens, nos dão conta das suas dúvidas, amores, angústias, erros, desilusões e esperanças no futuro.

Já falei desta publicação há tempos e parece-me que seria interessante a implementação, nas nossas Escolas Secundárias, de projectos deste género. Motivariam, sem dúvida, os alunos para a leitura e, porque não?, para a escrita.

 

 

 

Não suporto…
Definitivamente não suporto esta interminável mania de a tarde suceder à manhã. Devia antes alternar com a noite. A tarde é nostálgica… não tem a magia da noite nem a pureza da manhã… definitivamente não gosto da tarde.
Ainda por cima aquele telefonema da Inês para a irmã deixou-me preocupada. Sinto que algo não está bem com ela. Identifico-me com a minha filha mais velha, ela é igual a mim. Se ao menos tivesse falado com ela, talvez lhe pudesse ser aconselhado alguma leitura, uma exposição, um espectáculo… enfim, algo que simplificasse alguma complexidade que deve estar a viver sem motivo!
Não! Decididamente não estou preparada para fazer nada para jantar. Peço uma pizza. Dá-me sempre a sensação que este queijo linear, filamentoso e branco é etéreo… puro… simboliza a vida e a sua continuidade. Com algum jeito consegue-se prolongar quase indefinidamente sem partir… o queijo… a vida também. É preciso sensibilidade apenas! A chave é essa… sensibilidade e sentidos apurados. Aquele marido do qual me restam duas filhas… sempre tão pragmático… tão terreno e, no entanto, foi capaz de ir-se embora para sempre… morrer sem dizer nada! Uma igual a mim, impulsiva, seguiu uma ideia e foi-se sem estar ainda preparada, antes de eu poder moldar alguma coisa nela; esta mais nova, tão diferente… nega tudo o que eu aceito!
Apesar de tudo faz-lhes falta o pai… aquele homem mais marmóreo que a pedra que está no atelier para ser trabalhada!
Aí está a chave de novo. Preciso de uma dose de sonho e sensibilidade… preciso do atelier! Sim, vou esculpir um pouco mais, acabarei por conseguir retratar o espírito do amor na pedra ainda em bruto. É urgente objectivar o amor; preciso de ideias!
Aquela conversa com fim abrupto deixou-me perdida. Gosto da continuidade… no queijo como na vida… um fio de sensibilidade que podemos estender até encher o mundo.
Passo na casa de banho para apanhar o prozac e olho-me ao espelho. Cinquenta e sete quilos de intemporalidade… acho que preciso de perder um pouco de peso, apesar de dizerem que não. Toda a gente me acha exótica! Como se isso fosse uma virtude! Será que confundem exotismo com comunhão natural? Que tem de exótica a forma como me visto? Será que não vêem que é na simplicidade das minhas túnicas de linho que se encontra a verdadeira expressão natural? Se me deixassem andava nua! Já o fiz várias vezes encerrada no atelier do sótão… é tão fácil dar expressividade aos sentimentos quando não há tabus, barreiras físicas, crítica social.
As coisas são como são que diabo! Criar não é amar… é manifestar necessidades! Aquele homem sempre fez amor comigo… como se isso existisse… nunca lhe chegou o facto de ter sexo, as filhas que me deixou vão viver sempre de ideais, não fora isso e a Inês não se ligaria a uma relação daquelas. Sai de casa para viver com um homem como se num homem fosse possível encontrar a eternidade! A eternidade está na natureza. Só isso!
Dizem que tenho uma cara pura, angélica e pensam que os traços do rosto fazem de mim uma mulher bonita! Ignorantes… superficiais. Não dão conta que eu sou os meus ideais e não este corpo. O cúmulo dos existencialistas traduziu-se naquela frase do pai das minhas filhas, nunca mais esquecerei aquilo que me disse depois de uma tarde de sexo. Na altura, fingi que me agradava aquele “Tens um corpo de sereia numa cara de anjo, devias ser modelo e não modelar estátuas”…!!!
Se calhar foi aí que deixei de gostar das tardes!
Como vou mudar a Maria? Herdou do pai as coisas terrenas. Abomina aquilo de que eu gosto por não poder ser como eu sou? Adoro-a, mas não sei explicar-lhe o que é o amor. Nem isso interessa… acredito é na pureza do linho e na frieza do mármore. Conversei sobre o sexo com as minhas filhas e não entenderam que essa é a relação verdadeiramente natural e espiritual. Queriam ouvir falar de amor… mais um produto da paternidade genética!
Acho que hoje um prozac não me chega. Talvez um pouco de música… sons naturais. Vou colocar um DVD do Andrey Cechelero – talvez “A última chuva” me dê uma ajuda.
 
in "PARA SEMPRE, talvez não

 

________________________

Contactos do Teatro Municipal da Guarda

 www.tmg.com.pt

Rua Batalha Reis, nº 12

6300-668 GUARDA  / PORTUGAL

Tel. 271 205 240 / Fax 271 205 248

 

 

publicado por Elisabete às 16:17
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Domingo, 18 de Maio de 2008

O novo voo da ÁGUIA

 

Porque, no início do século XX quando surgiu a revista Águia (no Porto, a 1 de Dezembro de 1910), o país atravessava uma situação de «alguma indefinição quanto ao rumo da Nação e um certo sentimento de desalento», como acontece na actualidade, a Nova Águia pretende apontar algumas respostas nesse sentido.
A nova publicação será lançada, no Porto (Fundação José Rodrigues), amanhã (19 de Maio) e tem como objectivo “despertar as consciências” dos portugueses para um debate sobre a identidade nacional.
A revista terá uma periodicidade semestral e procura agrupar «grandes vultos da cultura portuguesa para que se debrucem sobre temas actuais».
O primeiro número conta com 150 páginas de textos e poemas de variados autores e custará 12 euros.  

 

publicado por Elisabete às 23:46
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