Domingo, 12 de Julho de 2009

E assim se ENGANA PORTUGAL...

 

Quase 52 mil vagas
no Ensino Superior

 

 

 

Cursos sem emprego
são os que têm mais vagas
 

 Jornal de Notícias (hoje)

 

 

publicado por Elisabete às 11:29
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Quarta-feira, 11 de Março de 2009

SACRIFÍCIO E ABNEGAÇÃO

 

1.Convidaram-me para falar de livros, numa escola secundária. De literatura e de teatro, espelhos de vida, que reflectem a luz de mil e uma estradas, interrogam, sugerem caminhos. Durante mais de noventa minutos, tive à minha volta jovens cujo futuro se joga em cada instante. Até naquela simples conversa. Porque nenhuma conversa é pacífica, inconsequente, quando sincera: sempre alguma coisa fica. A turma reunia estudantes de ciências naturais, economia, matemática e uma aluna de artes. Companheiros, afinal, de um mesmo combate: a conquista da personalidade própria, que se esboça, experimenta, tacteia, afirma. Difícil era agarrar duas coisas: a confiança e a atenção. Havia, neles, porém, curiosidade e vontade de encontrar respostas. Não lhas dei eu: discutimo-las juntos, em boa fé. Os professores fazem isso todos os dias, com três blocos de noventa minutos seguidos. Apaixonante mas arrasador.         
 
2.E concluí que o problema da avaliação dos professores esconde (e ao poder serve que esconda) outros não menos graves: carência de pessoal docente, que assoberba de trabalho os que ainda existem (e resistem); acumulação de funções administrativas, que lhes não cabem (matrículas, pautas); impossibilidade cronométrica (falta de tempo) de se actualizarem. Leitor: o professor não é um funcionário público igual aos mais. Para lá do ensino, é psicólogo, assistente social, empregado de secretaria. Como conseguiu a professora que me convidou obter os resultados que obteve: alunos informados, disponíveis, interessados? Certamente, graças ao sacrifício e à abnegação, timbre dos verdadeiros mestres.    
 
Manuel Poppe, O Outro Lado
Jornal de Notícias [8.Março.2009]
publicado por Elisabete às 22:25
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Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009

ESTA LUTA NÃO PODE PARAR

 

APELO DOS MOVIMENTOS À CONCENTRAÇÃO/MANIFESTAÇÃO DE 24 DE JANEIRO

 

 
 
TODOS À CONCENTRAÇÃO/MANIFESTAÇÃO
DE 24 DE JANEIRO
EM FRENTE DO PALÁCIO DE BELÉM

Hoje estamos em greve, porque as nossas exigências são justas e porque não queremos aceitar as pressões, as chantagens pelo medo e os pequenos subornos com que o Governo pretende dividir e amedrontar os professores.

 

Hoje estamos em greve, porque a nossa dignidade individual e profissional não está à venda.



MAS A NOSSA LUTA NÃO PODE PARAR AQUI.

NO DIA 24 DE JANEIRO VAMOS TODOS A BELÉM

para que os portugueses percebam que a luta dos professores é uma causa de toda a sociedade, e não apenas de um grupo socioprofissional, e para que todos os poderes e responsáveis pelo país – sejam o Presidente da República, o Governo, a Assembleia da República – saibam ouvir a indignação e o descontentamento dos professores face aos ataques que têm minado a Escola Pública e as suas condições de trabalho.

APEDE (Associação de Professores e Educadores em Defesa do Ensino)
CDEP (Comissão em Defesa da Escola Pública)
MEP (Movimento Escola Pública)
MUP (Movimento de Mobilização e Unidade dos Professores)
PROMOVA (Movimento de Valorização dos Professores)
 


 

 

 

publicado por Elisabete às 17:02
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A UNIÃO FAZ A FORÇA

publicado por Elisabete às 12:15
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Domingo, 18 de Janeiro de 2009

GREVE: uma pequena batalha para vencer a grande guerra

 

 

 

 

  

 19 DE JANEIRO

 

 

 

GREVE

 

 

 

 

PELO FUTURO...

LUTA AGORA!

 

 

 

 

 

 

publicado por Elisabete às 19:09
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Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2009

UNIR e RESISTIR

 

 

 

 

GREVE NACIONAL
 
 
19 de Janeiro
 

 

 

 

 

 

  
MANIFESTAÇÃO/CONCENTRAÇÃO
PALÁCIO DE BELÉM
LISBOA
 
24 de Janeiro 2009
14:30H
 

 

publicado por Elisabete às 23:53
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Terça-feira, 13 de Janeiro de 2009

A FORÇA DA RAZÃO

 

 

Nunca se esqueça de que se encontra sempre algo de muito especial em fazer uma coisa que tem algum significado. O que tira a genica a um homem é fazer um trabalho que não conduz a nada. O nosso é lento, mas é todo feito numa direcção.

 

John Steinbeck, Batalha Incerta

 

 

 

Acabo de ler estas palavras. Sem qualquer esforço, regressou à minha consciência a luta que, hoje, travam os Professores.
Quando comecei a dar aulas, estava cheia de ilusões. Achava que o meu trabalho, completando o de outros, perseguia o objectivo mais nobre de todos: acender as luzes da razão nas cabecinhas dos jovens do meu país e contribuir, assim, para a sua formação como cidadãos e indivíduos capazes de gerir conscientemente a sua vida e de contribuir para o desenvolvimento do país, conquistando assim um pouco mais de felicidade.
À medida que foram surgindo reformas e mais reformas do Ensino; papéis e mais papéis para preencher (o trabalho lectivo foi sufocado por trabalho burocrático, de secretaria); estatísticas forçadas de sucesso; indisciplina e desrespeito pela função docente; teorias, sem pés nem cabeça, fabricadas por iluminados que não gostam de dar aulas; etc., etc., etc., comecei a sentir que o meu trabalho não conduzia a nada, ou a muito pouco, o que fazia de mim uma profissional insatisfeita, desiludida, infeliz. A ausência de significado tira a genica
Tentei, sempre e de todas as formas ao meu dispor, contribuir para alterar este estado de coisas. Infelizmente, a cada mudança de Ministro, as coisas quase sempre pioravam. Os interesses instalados à volta Ministério são demasiado fortes: muita gente que, não querendo voltar às Escolas, tem de “mostrar serviço” e, então, é só produzir despachos e decretos, teorias (muitas vezes, mal copiadas do estrangeiro) e experiências que não são devidamente avaliadas e que, portanto, não servem para nada. Melhor, servem para contribuir para a ruína.
Cheguei a um ponto em que só tinha um objectivo: a reforma. É essa a situação em que me encontro e nunca me arrependi de me vir embora, apesar de muito penalizada pelas medidas das últimas ministras.
Hoje, face à luta travada nas Escolas, tenho pena de não me encontrar no activo. Pela primeira vez, vejo os Professores unidos e determinados a fazer ouvir a sua voz. Uma voz que exige condições de trabalho e o reconhecimento da dignidade da função docente, mas também uma Escola Pública de qualidade.

Estou orgulhosa dos meus colegas e solidária com a sua luta. Tudo faz sentido quando se caminha na mesma direcção. Não há nada capaz de vencer quem se mantém unido na certeza de ter razão.

 

 

publicado por Elisabete às 12:09
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Sábado, 15 de Novembro de 2008

NÃO DESISTIR!

publicado por Elisabete às 21:34
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Domingo, 9 de Novembro de 2008

Só não vê quem não quer...

 

Até que a casa caia
 
Entrou-se numa espécie de loucura pedagógica e as disciplinas onde se transmitem saberes foram perdendo importância
 
Os humoristas são regra geral umas almas soturnas. A graça, quando a têm, extingue-se-lhes mal acabam os espectáculos. E desistam aqueles que esperam que, no meio dum jantar de amigos, eles façam de animadores, pois habitualmente são os menos divertidos dos convivas. Para desconsolo geral, declaram que nem sabem contar anedotas e passam rapidamente aos assuntos que os interessam como a poesia, a política internacional ou o futebol. Mas sempre num registo de grande preocupação. Talvez por causa dessa apreensiva quando não angustiada forma de estar devamos a José Pedro Gomes, precisamente o da Conversa da Treta, uma das mais sérias chamadas de atenção para a situação do ensino em Portugal. Talvez pela obrigação do ofício lhe tenha parecido estranho ouvir o bastonário da Ordem dos Engenheiros declarar que "Apenas quatro politécnicos exigem Matemática como disciplina específica para acesso aos cursos [de Engenharia]. Os restantes alunos podem entrar com negativa, sem Matemática, porque não é exigido". Infelizmente, e ao contrário do que aparentemente parecia, o bastonário da Ordem dos Engenheiros, Fernando Santo, não estava a contar anedotas. Estava, sim, a dar conta da degradação real do ensino em Portugal. E foi sobre isso que José Pedro Gomes escreveu num artigo de opinião para um jornal.
Creio, contudo, que José Pedro Gomes teria sido mais bem sucedido se tivesse resolvido encenar anedotas sobre engenheiros que não estudam Matemática. Pelo menos toda a gente se ria do desconchavo e elogiavam a imaginação do artista. Naturalmente todos se achavam muito sagazes, pois os portugueses, como todos os povos que exercem mal os seus direitos, sempre gostaram de fazer de conta que a eles ninguém os engana nem censura porque interpretam melhor que ninguém as entrelinhas das anedotas. Assim, sem anedota, apenas com factos, nem se riram nem se preocuparam. Olharam para o lado. Um lado com bom ângulo que os poupe a ver aonde nos tem conduzido essa conversa da treta a que temos chamado reforma da educação, paixão pela educação, pedagogia do sucesso…
Nos últimos anos, nos ensinos básicos e secundário, institucionalizou-se uma espécie de loucura pedagógica. As disciplinas onde se transmitem saberes foram perdendo importância. Se eram difíceis, tornavam-se fáceis ou dispensáveis, como agora se viu com a Matemática. Simultaneamente todos os dias se repetia (e repete!) que os conteúdos têm de ser apelativos, pois supostamente o ensino deve ser lúdico e os alunos devem aprender sem esforço. À conta desta política de promoção do sucesso, entra-se em Engenharia sem ter estudado Matemática e a disciplina de Química corre o risco de desaparecer no ensino secundário porque os alunos não a escolhem. Idem para o Latim e para a Filosofia. Adeus equações, declinações e pensamento racional. Estuda-se um bocadinho de Psicologia e o resultado é o mesmo. Uma vez na faculdade, logo se vê. E se os engenheiros ainda vão estudando Matemática durante o curso - embora não a suficiente, porque mais de metade dos licenciados pelos 316 cursos de Engenharia existentes em Portugal chumbam no exame que a Ordem dos Engenheiros exige para o exercício da profissão - no caso dos antigos cursos de Letras, transformados cada vez mais numa versão literária das antropologias e sociologias, corre-se o risco de ver desaparecer os departamentos de Estudos Clássicos.
Noutras disciplinas, como a Física, baixou-se o nível de exigência nos exames nacionais de modo a que as estatísticas melhorassem. Mesmo nas línguas estrangeiras a opção pelo que se acha mais fácil pode levar a que se troque o francês pelo espanhol. A memorização tornou-se uma expressão maldita e arreigou-se a convicção de que o saber nasce das entranhas das crianças num fenómeno equivalente à intervenção do Espírito Santo que fez dos Apóstolos poliglotas. Os desaparecidos Trabalhos Manuais e Oficinais deram lugar às doutas tecnologias e áreas disto e daquilo, sendo que nestas disciplinas os alunos tanto podem levar o ano a fazer caixinhas de papel tipo pasteleiro, pintar cartazes para salvar a água, estudar, com detalhe, nas etiquetas da roupa a simbologia do torcer e lavar a seco, confeccionar bolos com pouco açúcar ou usar abundantemente as teclas "seleccionar-copiar-colar" da sala dos computadores. E para quê queimar as pestanas a estudar Química? Não existe, em alternativa, uma panóplia de disciplinas muito mais fáceis que, diz o "pedagoguês", desenvolvem "novas competências e dinâmicas de interactividade"? Quanto aos professores, sobretudo com o actual modelo de avaliação, é sem dúvida bem mais fácil e propiciador de sucesso na carreira ser "ensinante" de Área de Projecto, nas quais os alunos invariavelmente obtêm melhores resultados, do que meter mãos à tarefa de dar aulas de Física ou Matemática.
A degradação do ensino não começou com este Governo. O que este Governo trouxe de novo foi a capacidade de transformar essa degradação, que os anteriores procuravam negar, num sinal de modernidade e progresso. Entrar em Engenharia sem ter feito exame a Matemática deixa de ser uma aberração e passa a "inovação". Os conteúdos não contam, o que conta é o embrulho tecnológico com que chegam às mãos dos alunos. O Ministério da Educação há muito que vive num universo de ficção. O que Maria de Lurdes Rodrigues conseguiu foi que assumíssemos que essa ficção é do domínio do grotesco e que já não nos indignemos com isso. Só o humorista, honra lhe seja feita, deu pelo sério da questão. E tratou de nos avisar que um dia a casa vem abaixo.

  

Helena Matos
Público, 28.10.2008
publicado por Elisabete às 20:44
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Sábado, 8 de Novembro de 2008

OUSAR VENCER

 

 

 

BASTA!

 

 

 

 

Não quero aqui esmiuçar as razões que levaram os Sindicatos a marcarem, para hoje, uma Manifestação de Professores, depois de movimentos autónomos terem já marcado uma para o próximo dia 15. Apesar disso, estes movimentos decidiram apoiar a Manifestação de hoje e manter a do dia 15. Não acho mal, dada a actual situação nas Escolas. É necessário manter a união e um espírito de luta e… quantos mais protestos melhor!
 
No entanto…
 
No entanto, não acredito que estas manifestações tenham o efeito desejado. Penso que as coisas só se resolverão quando os Professores forem capazes de perder o medo e as Escolas recusarem, em bloco, a aplicação não só do Diploma de Avaliação dos Docentes, mas todos aqueles que visam transformar a docência num inferno e as Escolas em fábricas de diplomas, de falsas competências e saberes, para jovens pouco mais que analfabetos e desprovidos de valores fundamentais.
 
Colegas:
 
Não se deixem transformar em zombies ou em simples peças dessa máquina infernal criada pelos burocratas do Ministério da Educação!
 
Não se minimizem! Não consintam que vos tratem como simples executores de delírios fabricados nos gabinetes!
 
A hora é de dizer: NÃO!
 
 

 

 

 

O ensino está a perder a alma […] está a desumanizar-se. […] Como se a docência pudesse ser exercida qual tarefa fabril, mecanicamente, aparecendo no final o produto desejado: o sucesso escolar. (*)
 
Manuel Bernardino, Professor aposentado (**)
in Jornal de Notícias de hoje
 
 
______________
 
(*) Sucesso escolar fabricado, digo eu.
(**) Este colega, professor de Matemática durante 33 anos, pediu aposentação, antecipada de 2 anos. Porque, tal como eu, não aguentava mais
 
 
 

 

publicado por Elisabete às 11:51
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Segunda-feira, 3 de Novembro de 2008

E assim se faz Portugal...

 

 

 

A ESCOLA PÚBLICA E O FORDISMO
 
A escola pública morreu, enquanto espaço democrático multifacetado (e idealista) de instrução científica e artística e de formação cívica - já o proclamei algumas vezes. Foi abruptamente estilhaçada pelo maremoto das desconexas e demagógicas ordenações socratistas de 2008: novo estatuto do aluno, nova lei sobre o ensino especial, novo regulamento de avaliação de desempenho docente e novo modelo de gestão escolar. Foi desacreditada pela propaganda do ministério e da ministra que a tutelam e caiu em desgraça junto da opinião pública. Foi tomada por demasiados candidatos a futuros directores escolares embevecidos pelos decálogos de José Sócrates e inebriados pelas cartilhas sobre as dinâmicas de gestão no mundo neoliberal – afinal, as mesmas cartilhas que agora puseram o mundo à beira do caos. Foi pervertida pela imposição, por parte do Ministério da Educação, de um sistema burocrático kafkiano que visa obrigar os professores a fabricarem um sucesso educativo ilusório. Foi adulterada por alguns professores pragmáticos ou desprovidos de consciência crítica, os quais exibem a sua diligente e refinada burocracia como arma de arremesso para camuflar as suas limitações científicas, pedagógicas e culturais. E, neste momento, quando decorrem nas várias escolas eleições para os conselhos gerais transitórios, está a ser vítima de um já previsível mas intolerável processo de politização (no sentido mais pejorativo da palavra). Tal processo é dirigido por forças que em muitos casos se mantiveram durante anos alheados dos grandes problemas das escolas, mas que na actual conjuntura encaram estas instituições (outrora) educativas como tribunas privilegiadas para servirem maquiavélicos interesses de poder pessoal e/ou de carácter político-partidário.
A nova escola pública que está a emergir é uma farsa. Tornou-se um território deveras movediço, onde reina uma desmedida conflitualidade (e competitividade) social e política e uma grotesca e insuperável contradição entre os conceitos de 'escola inclusiva' e de 'pedagogia diferenciada'. Nesta instituição naufragaram, entretanto, num conspurcado lamaçal, os nobres ideais instrutivos, formativos e educativos. O famoso PC portátil 'Magalhães', ofertado em grande escala, numa bem encenada operação de marketing, a alunos do primeiro ciclo que cada vez sabem menos de Português ou Matemática e utilizam os computadores somente para simples divertimento é, de resto, o mais recente exemplo do sentido irreal e burlesco das prioridades deste sistema educativo.
A nova escola pública é hoje uma empresa gerida por muitos tecnocratas alinhados com a actual ordem política, e equipada por operários que se desejam amanuenses servis e catequizados na alegada única ideologia vigente (a qual - agora já todos o sabemos - se encontra manifestamente em crise). A verdadeira função desta espécie de mal engendrada e desalmada linha de montagem é produzir, automaticamente, em massa, de forma acelerada, e a baixos custos, duvidosos produtos estandardizados. Esta nova escola é, afinal, um hino ao velho Fordismo. O tal sistema que venerou o dinheiro como deus supremo do homo sapiens sapiens e que projectou um mundo sublime, onde o Homem é castrado da sua capacidade cognitiva e coagido a demitir-se das suas quotidianas obrigações familiares bem como de outros cívicos desígnios sociais em nome do lucro desenfreado (de uns poucos), da sobrevivência, do consumismo e do hedonismo desregrados. Aquele sistema perfeito superiormente ironizado por Aldous Huxley ('Admirável Mundo Novo') ou por Charlie Chaplin ('Tempos Modernos'), nos anos 30 do século XX, que está agora no epicentro de mais um 'tsunami' financeiro de consequências imprevisíveis para a humanidade, 'tsunami' esse cujas causas são reincidentes e estão bem diagnosticadas. Enfim, aquele implacável sistema materialista mecanicista e 'darwinista' cujo modo de vida John dos Passos também satirizou, numa obra datada dos mesmos anos 30 ('O Grande Capital'), com esta antológicas palavras: 'quinze minutos para almoçar, três para ir à casa de banho; por toda a parte a aceleração taylorizada: baixar, ajustar o berbequim-acertar a porca-apertar o parafuso.
Baixarajustaroberbequimacertaraporcaapertaroparafuso, até que a última parcela de vida tenha sido aspirada pela produção e que os operários voltem para casa, trémulos, lívidos e completamente extenuados'.
'Porreiro pá!' Mas, pá, será esta a escola e o mundo que nós desejamos para os nossos alunos, para os nossos filhos?
 
 
LUÍS TORGAL
(Professor Catedrático da Universidade de Coimbra)

 

publicado por Elisabete às 18:15
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Quinta-feira, 30 de Outubro de 2008

REVOLTA necessária e possível

 

 

Tenho de confessar que, apesar das muitas tentativas feitas nos últimos meses, não tenho conseguido escrever acerca de Educação ou de Professores.

Depois do acordo, agora recusado pelos Sindicatos, feito com o Ministério da Educação, que mais posso dizer?
 
Os problemas estão mais do que diagnosticados:
 
1. Modelos de avaliação tenebrosos (dos Professores e dos Alunos), impingidos como mezinhas milagreiras, que não vão resolver coisa nenhuma. Pelo contrário, vão impedir o professor de “ser professor”, transformando-o num burocrata infeliz e afogado em papelada inútil.
 
2. Um Ensino sem qualidade, que não preocupa a Ministra nem o Governo. Ter os meninos dentro das Escolas para que as estatísticas (falsificadas por falta de exigência e facilidades várias) mascarem a realidade dum país de analfabetos funcionais, basta-lhes.
 
Para conseguirem mostrar um paraíso irreal e inconsistente, lançaram-se mão de técnicas de marketing várias, como as abundantemente usadas no início do ano lectivo. Distribuem “Magalhães”, afirmam que está tudo “a correr sobre rodas” e o Zé Povinho… acredita.
 
Mas o que verdadeiramente interessa, à D. Maria de Lurdes, é domesticar esses bandidos dos professores. Por isso, quer transformá-los em rebanho, dócil e obediente, de ovelhas patetas e sem miolos que concordem com tudo o que sai dos gabinetes iluminados do ME. Só que os rebanhos têm de ter guias, os cães de fila que os empurrem para o carreiro. Vai daí, inventaram-se os Professores Titulares para fazer esse serviço, ajudados por alguns Executivos que já vão vergando a cerviz. Claro que quem não aceitou o cargo, por não se sentir psicologicamente capaz de aguentar tal desvario, foi punido: não progride na carreira. Acredito que qualquer professor decente (que é sem dúvida a maioria) se sinta infeliz e revoltado por ter de aceitar um cargo que não desejou e a que não reconhece utilidade nem bondade. Infelizmente, há sempre uns quantos videirinhos capazes de tudo para trepar ou ganhar mais uns dinheiritos.
 
Vejam bem a aberração: Nas escolas em que, por qualquer motivo, os lugares de Professor Titular não estão totalmente preenchidos, nomeiam-se Professores que, não apresentando os requisitos necessários, passam, todavia, a auferir de um vencimento mais elevado enquanto durar essa “comissão de serviço”. Já se está a ver aonde isto vai levar…
Nesta fase de restrição de gastos, diminui-se os tempos lectivos das disciplinas, reduz-se o número de professores, mas para cargos dispensáveis e aberrantes o dinheiro aparece. Porque o que é preciso é “avaliar” o trabalho do Professores (mesmo o daqueles que o são há décadas), ao mesmo tempo que se procura desvalorizar a avaliação do trabalho e dos resultados dos alunos.
 
Aumenta-se a escolaridade obrigatória (e querem aumentá-la de mais dois anos), mas isso não significa melhor preparação ou maior grau de instrução dos alunos. As elites formar-se-ão no privado. É o neoliberalismo aplicado à Educação. Será que ainda não se aperceberam da falência do sistema?
 
Para os meus colegas Professores, um apelo:
 
Não podemos deixar que nos transformem em ovelhas ou cães de fila obedientes e acríticos. A Ministra da Educação e seus acólitos do ME não são nem mais instruídos, nem mais cultos e têm, seguramente, menos experiência e conhecimento destas matérias do que nós. Não deixemos que nos inferiorizem, que nos passem atestados de menoridade.
 
A REVOLTA é possível e democrática. É preciso, de uma vez por todas e pelas mais variadas formas, dizer NÃO!
 
P.S. Precisam que lhes lembre a história daquele pai que, estando a morrer, chamou os filhos e os mandou partir um feixe de varas de vime?
 
A UNIÃO FAZ A FORÇA! O povo sabe o que diz.

 

publicado por Elisabete às 16:48
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Sábado, 17 de Maio de 2008

PORQUE DESISTIR É MORRER...

Colegas,

 

Em todas as lutas há avanços e recuos. Há gente que persegue o que é justo e bom  e há, também, os que se juntam para impedir que esse objectivo se concretize.

O Ensino, em Portugal, precisa duma REVOLUÇÃO. Por nós todos, pelo nosso futuro!

Esta hora é de UNIÃO. Sei que há muitos Professores desanimados, tristes, que se sentem traídos. Mas é hora de acordar! Vá lá! Chega de hibernação! Chega de lamentos! Vamos lutar TODOS pelos nossos direitos, pela possibilidade de Portugal sair do limbo em que se encontra. Isso só será possível, através de um Ensino de qualidade na ESCOLA PÚBLICA.

Eu vou lá estar. E tu?

 

 

 

 

publicado por Elisabete às 08:50
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