Segunda-feira, 10 de Setembro de 2012

QUE SE LIXE A TROIKA! QUEREMOS AS NOSSAS VIDAS!

 

É preciso fazer qualquer coisa de extraordinário. É preciso tomar as ruas e as praças das cidades e os nossos campos. Juntar as vozes, as mãos. Este silêncio mata-nos. O ruído do sistema mediático dominante ecoa no silêncio, reproduz o silêncio, tece redes de mentiras que nos adormecem e aniquilam o desejo. É preciso fazer qualquer coisa contra a submissão e a resignação, contra o afunilamento das ideias, contra a morte da vontade colectiva. É preciso convocar de novo as vozes, os braços e as pernas de todas e todos os que sabem que nas ruas se decide o presente e o futuro. É preciso vencer o medo que habilmente foi disseminado e, de uma vez por todas, perceber que já quase nada temos a perder e que o dia chegará de já tudo termos perdido porque nos calámos e, sós, desistimos.

O saque (empréstimo, ajuda, resgate, nomes que lhe vão dando consoante a mentira que nos querem contar) chegou e com ele a aplicação de medidas políticas devastadoras que implicam o aumento exponencial do desemprego, da precariedade, da pobreza e das desigualdades sociais, a venda da maioria dos activos do Estado, os cortes compulsivos na segurança social, na educação, na saúde (que se pretende privatizar acabando com o SNS), na cultura e em todos os serviços públicos que servem as populações, para que todo o dinheiro seja canalizado para pagar e enriquecer quem especula sobre as dívidas soberanas. Depois de mais um ano de austeridade sob intervenção externa, as nossas perspectivas, as perspectivas da maioria das pessoas que vivem em Portugal, são cada vez piores.

A austeridade que nos impõem e que nos destrói a dignidade e a vida não funciona e destrói a democracia. Quem se resigna a governar sob o memorando da Troika entrega os instrumentos fundamentais para a gestão do país nas mãos dos especuladores e dos tecnocratas, aplicando um modelo económico que se baseia na lei da selva, do mais forte, desprezando os nossos interesses enquanto sociedade, as nossas condições de vida, a nossa dignidade.

Grécia, Espanha, Itália, Irlanda, Portugal, países reféns da Troika e da especulação financeira, perdem a soberania e empobrecem, assim como todos os países a quem se impõe este regime de austeridade.

 

 


Contra a inevitabilidade desta morte imposta e anunciada é preciso fazer qualquer coisa de extraordinário

É necessário construir alternativas, passo a passo, que partam da mobilização das populações destes países e que cidadãs e cidadãos gregos, espanhóis, italianos, irlandeses, portugueses e todas as pessoas se juntem, concertando acções, lutando pelas suas vidas e unindo as suas vozes.

Se nos querem vergar e forçar a aceitar o desemprego, a precariedade e a desigualdade como modo de vida, responderemos com a força da democracia, da liberdade, da mobilização e da luta. Queremos tomar nas nossas mãos as decisões do presente para construir um futuro.

Este é um apelo de um grupo de cidadãos e cidadãs de várias áreas de intervenção e quadrantes políticos. Dirigimo-nos a todas as pessoas, colectivos, movimentos, associações, organizações não-governamentais, sindicatos, organizações políticas e partidárias que concordem com as bases deste apelo para que se juntem na rua no dia 15 de Setembro.

Dividiram-nos para nos oprimir. Juntemo-nos para nos libertarmos!

 

Ana Carla Gonçalves, Ana Nicolau, António Costa Santos, António Pinho Vargas, Belandina Vaz, Bruno Neto, Chullage, Diana Póvoas, Fabíola Cardoso, Frederico Aleixo, Helena Pato, Joana Manuel, João Camargo, Luís Bernardo, Magda Alves, Magdala Gusmão, Marco Marques, Margarida Vale Gato, Mariana Avelãs, Myriam Zaluar, Nuno Ramos de Almeida, Paula Marques, Paulo Raposo, Ricardo Morte, Rita Veloso, Rui Franco, Sandra Monteiro, São José Lapa, Tiago Rodrigues.

 

publicado por Elisabete às 16:13
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Quinta-feira, 10 de Maio de 2012

O que conta é a coragem das ideias

 

Et voilà... Depois de mais de três anos de impasses, durante os quais o financismo asfixiou quase completamente a política, a vitória de François Hollande parece ter finalmente alterado a situação, criando condições para que se trabalhem outras respostas à crise em que todos, na Europa, temos vivido. O conformismo financista e conservador foi indiscutivelmente abalado. Mas está longe, muito longe, de ser vencido: a batalha das ideias apenas começou. 

Coincidindo com a derrota de Merkel nas eleições regionais de Schleswig-Holstein (e o anúncio de outras), e com o implosivo resultado das legislativas gregas, pode dizer-se que esta vitória da esquerda nas presidenciais francesas acontece no momento certo, para ajudar a libertar a imaginação política e a abrir novos horizontes ideológicos.

Agora, o grande desafio é não falhar a oportunidade criada com esta vitória. É fazer deste resultado a ocasião de uma transformação política de fundo: é disto que vai depender o futuro do novo Presidente francês. E não só, porque o que está em jogo é muito mais do que um destino pessoal, ou mesmo nacional: é a recuperação da Europa ou a continuação do seu declínio, é o relançamento do socialismo democrático europeu ou o prolongamento da sua erosão.

Nas actuais circunstâncias, o passo europeu é o mais imediato e o mais decisivo. É dele que, na verdade, tudo vai depender: o novo Presidente francês tem que se mostrar rapidamente capaz de lidar com A. Merkel, impondo um novo equilíbrio na relação com a Alemanha, ou talvez mesmo um novo eixo europeu (França/Itália/Espanha, como sugeriu Romano Prodi), bem como um claro reforço da solidariedade transnacional e da coordenação comunitária, cuja legitimidade política carece de ser robustecida.

Mas em paralelo com este passo europeu é igualmente vital o modo, e o ritmo, com que François Hollande seja capaz de passar das palavras aos actos, concretizando a tão exigida política de crescimento económico, bem como o modo como a articulará com uma nova política de finanças públicas.

Apesar de herdar uma situação, nacional e europeia, que o vai obrigar a governar no fio da navalha, François Hollande tem alguns trunfos valiosos. Nomeadamente dois: a sua visão da política e uma boa preparação nos dossiers mais decisivos. Quanto ao primeiro, ele compreende bem que a política é, antes do mais, uma questão de imaginário e de simbolismo, e que é esta a chave do espírito colectivo de qualquer nação e, nomeadamente, da base popular de qualquer transformação.

O oposto, como se sabe, do que fez Nicolas Sarkozy, que apostou desde o dia da sua eleição, em 2007, na dessacralização da função presidencial e na banalização do exercício político. Sarkozy - como muitos outros líderes - foi nisto vítima de uma das mais vulgares ilusões político-mediáticas dos últimos tempos: a de que o que importa numa liderança é a velocidade, a energia e o voluntarismo que exprime, numa permanente combinação - como se de um action man se tratasse - da vertigem do movimento com a manipulação estatística e a amnésia do cidadão/espectador.

O tempo tem mostrado sem piedade a enorme fragilidade desta ilusão performativa, e as suas trágicas consequências. Como tem mostrado, e bem, que sem ideias novas não há políticas inovadoras; que sem reflexão paciente não há acção eficaz; que sem deliberação ponderada não há decisão acertada; que sem profundo conhecimento dos problemas não há soluções consistentes.

Afinal, a mais importante das coragens é a coragem das ideias. Sem ela, a autoproclamada "determinação" não passa nunca ou de teimosia ou de exibicionismo, o que - num caso como no outro - prenuncia sempre um aparatoso desastre político.

Quanto ao segundo trunfo, o da preparação nos dossiers mais sensíveis, os socialistas franceses trabalharam bem nos últimos anos, nomeadamente através do persistente contributo do "Laboratoire des Idées", criado por Martine Aubry (e que desenvolveu um impressionante leque de propostas altamente inovador), da Fondation Jean Jaurès, e do think-tank Terra Nova.

Ao contrário do que se papagueia tantas vezes, não tem havido falta de ideias sólidas e inovadoras para se enfrentar o financismo, nem de propostas bem fundamentadas para se lidar com a crise sistémica que a nossa civilização enfrenta. Não, o que tem existido é a falta de ligação dessas ideias com a visão e a acção políticas - justamente o problema que esta vitória à esquerda nas presidenciais francesas pode ajudar a resolver. Porque a vertente inovadora das ideias só se revela (e avalia) verdadeiramente quando elas emergem com a miragem, o impulso e a força do poder. François Hollande surpreendeu muita gente quando, por altura das "primárias" de Outubro passado, apareceu a conversar demoradamente com Pierre Rosanvallon nas páginas da revista Philosophie Magazine, sobre os grandes impasses e os mais agudos desafios que o mundo do século XXI colocam à esquerda e ao
socialismo democrático, fazendo-o sem nostalgias encantatórias nem diabolizações inúteis.

Agora, decidiu fechar a campanha presidencial com uma longa conversa (que N. Sarkozy recusou) no jornal Le Monde, com outro dos mais prestigiados intelectuais franceses, Edgar Morin. Vale a pena reter o que François Hollande afirmou na véspera da sua eleição, quanto aos seus objectivos e às suas responsabilidades.

Quanto aos objectivos, assumiu querer "fazer com que a democracia volte a ser mais forte do que os mercados, com que a política retome o controlo da finança e o domínio da globalização". Quanto às responsabilidades, afirmou que a principal é "ser o Presidente da saída da crise. O que supõe uma transição económica, energética, ecológica e também geracional, que permita à juventude cumprir o seu próprio destino".

Com fama de indeciso e de moleza, a verdade é que Francois Hollande surpreendeu toda a gente com a sua astúcia estratégica, e com uma campanha, programática e no terreno, sem falhas. O que agora falta saber é se ele tem a coragem das suas ideias: destas ideias.

 

 

Manuel Maria Carrilho, Diário de Notícias [10 de Maio de 2012]

  

publicado por Elisabete às 19:30
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Domingo, 7 de Junho de 2009

Eu já votei.

 

 

Não votar, salvo motivos intransponíveis, significa renunciar a um direito fundamental que custou muitos sacrifícios (e até vidas!) oferecidos ao sonho da Democracia.
 
António Freitas Cruz
Jornal de Notícias [7.Junho.2009]
 
 
 
Eu já votei.
Porque se é verdade que a cidadania não se esgota no voto, não posso deixar de afirmar o que quero (ou não quero) para mim, para o meu País, para a Europa e para o Mundo. Porque é de nós todos que depende o presente e o futuro.
 
 

 

publicado por Elisabete às 18:05
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