Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

Somos só sobreviventes...

 

 

D. Quixote foi-se embora
 
Acende mais um cigarro, irmão
inventa alguma paz interior
esconde essas sombras no teu olhar
tenta mexer-te com mais vigor
abre o teu saco de recordações
e guarda só o essencial
o mundo nunca deixou de mudar
mas lá no fundo é sempre igual.
 
E agora, que a lua escureceu
e a guitarra se partiu
D. Quixote foi-se embora
com o amigo que a tudo assistiu
as cores do teu arco-íris
estão todas a desbotar
e o que te parecia uma bela sinfonia
é só mais uma banda a passar.
 
A chuva encharcou-te os sapatos
e não sabes p'ra onde vais
tu desprezavas uma simples fatia
e o bolo inteiro era grande demais
agarras-te a mais uma cerveja
vazia como um fim de verão
perdeste a direcção de casa
com a tua sede de perfeição.
 
Tens um peso enorme nos ombros
os braços que pareciam voar
tu continuas a falar de amor
mas qualquer coisa deixou de vibrar
os teus sonhos de infância já foram
velas brancas ao longo do rio
hoje não passam de farrapos
feitos de medo, solidão e frio.
 
                                                                        Jorge Palma, Norte
 
publicado por Elisabete às 17:24
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Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

Eu quero...

 

 

Casa no Campo

 
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais
 
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar no tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais
 
Eu quero carneiros e cabras pastando solenes
No meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
E meu filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal
 
Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros
E nada mais
 
Composição: Zé Rodrix e Tavito
Interpretação: Elis Regina
 
  

publicado por Elisabete às 20:58
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Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2009

Quem se lembra?

 

 

 

Canção do Regresso
 
Volto de mãos vazias
Sem ter nada do que quis
Para morrer bastam dois palmos
De terra no meu país (bis)
 
Volto como quem chora
Por um filho que perdeu
Para morrer na mesma cama
Em que a minha mãe morreu (bis)
 
Pobre de quem regressa
Ao jardim e acha um deserto
Já perdeu o que está longe
Já não tem o que está perto (bis)
 
in Canções do Mar e da Vida
 
Autor: Luiz Goes
Outros responsáveis: Leonel Neves; João Bagão; Afonso de Sousa; António Toscano; Edmundo Bettencourt; Armando Goes; Aires Máximo de Aguillar; Fernando Neto; João Gomes; Fernando Neves

 

publicado por Elisabete às 18:42
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Quarta-feira, 3 de Setembro de 2008

Incompatibilidades...

 

 

A Paixão (Segundo Nicolau da Viola)
 
Tu eras aquela que eu mais queria
Para me dar algum conforto e companhia
Era só contigo que eu sonhava andar
Para todo o lado e até quem sabe? talvez casar
 
Ai o que eu passei só por te amar
A saliva que eu gastei para te mudar
Mas esse teu mundo era mais forte do que eu
E nem com a força da música ele se moveu
 
Mesmo sabendo que não gostavas
Empenhei o meu anel de rubi
Para te levar ao concerto
Que havia no Rivoli
 
Era só a ti que eu mais queria
Ao meu lado no concerto nesse dia
Juntos no escuro de mão dada a ouvir
Aquela música maluca sempre a subir
 
Mas tu não ficaste nem meia hora
Não fizeste um esforço para gostar e foste embora
Contigo aprendi uma grande lição
Não se ama alguém que não ouve a mesma canção
 
Mesmo sabendo que não gostavas
Empenhei o meu anel de rubi
Para te levar ao concerto
Que havia no Rivoli
 
Foi nesse dia que percebi
Nada mais por nós havia a fazer
A minha paixão por ti era um lume
Que não tinha mais lenha por onde arder
 
Letra: Carlos Tê
Música: Rui Veloso

 

publicado por Elisabete às 22:41
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Terça-feira, 2 de Setembro de 2008

O inesquecível Brel

 

http://www.lastfm.pt/music/Jacques+Brel/+videos/+1-H1DpjXQUDsI

 

La Chanson des Vieux Amants

 
Bien sûr nous eûmes des orages
Vingt ans d’amour c’est l’amour fol
Mille fois tu pris ton baggage
Mille fois je pris mon envol
Et chaque meuble se souvient
Dans cette chambre sans berceau
Des éclats des vieilles tempêtes
Plus rien ne ressemblait à rien
Tu avais perdu le gout de l’eau
Et moi celui de la conquête
 
Mais mon amour
Mon doux, mon tendre, mon merveilleux amour
De l’aube claire jusqu’à la fin du jour
Je t’aime encore, tu sais je t’aime
 
Moi je sais tous les sortilèges
Tu sais tous mes envoûtements
Tu m’a gardé de piège em piège
Je t’ai perdue de temps en temps
Bien sûr tu pris quelques amants
Il faut bien passer le temps
Il faut bien que le corps exulte
Finalement, finalement
Il nous fallut bien du talent
Pour être vieux sans être adultes
 
Oh, mon amour
Mon doux, mon tendre, mon merveilleux amour
De l’aube claire jusqu’à la fin du jour
Je t’aime encore, tu sais je t’aime
 
Et plus le temps nous fait cortège
Et plus le temps nous fait tourment
Mais n’est-ce pas le pire piège
Que vivre en paix pour des amants
Bien sûr tu pleures un peu moins tôt
Je me déchire un peu plus tard
Nous protégeons moins nos mystères
On laisse moins faire le hasard
On se méfie du fil de l’eau
Mais c’est toujours la tendre guerre
 
Oh, mon amour
Mon doux, mon tendre, mon merveilleux amour
De l’aube claire jusqu’à la fin du jour
Je t’aime encore, tu sais je t’aime

 

publicado por Elisabete às 00:17
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Quinta-feira, 31 de Julho de 2008

INQUIETAÇÃO

A contas com o bem que tu me fazes
A contas com o mal por que passei
Com tantas guerras que travei
Já não sei fazer as pazes

São flores aos milhões entre ruínas
Meu peito feito campo de batalha
Cada alvorada que me ensinas
Oiro em pó que o vento espalha

Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que está p’ra acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Ensinas-me fazer tantas perguntas
Na volta das respostas que eu trazia
Quantas promessas eu faria
Se as cumprisse todas juntas

Não largues esta mão no torvelinho
Pois falta sempre pouco para chegar
Eu não meti o barco ao mar
P’ra ficar pelo caminho

Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que está p’ra acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Mas sei
É que não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que eu tenho que fazer
Qualquer coisa que eu devia resolver
Porquê, não sei
Mas sei
Que essa coisa é que é linda

 

José Mário Branco

Uma bela fotografia, de Lia Costa Carvalho.

A calma da maturidadde?

publicado por Elisabete às 12:31
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