Quinta-feira, 29 de Setembro de 2011

Um pouco de silêncio

Lagoas das Sete Cidades: onde o silêncio não é apenas a ausência de ruído
 

Onde ainda é possível hoje um pouco de silêncio, longe da contínua sucessão de notícias nas TV, rádios, jornais; da gritaria da publicidade; da música aos berros das discotecas, bares, corredores do Metro, ruas, praias; da chamada (raio de nome!) “música ambiente” dos centros comerciais, consultórios médicos, bancos, restaurantes, cafés, comboios, até das casas de banho e dos elevadores; do ruído estridente dos telemóveis; das conversas em voz alta; dos automóveis circulando de vidros abertos e leitor de CD no volume máximo; da chiadeira dos
travões; dos escapes; dos festejos de vitória nos dias de futebol; das celebrações gregárias que, por tudo e coisa nenhuma, enchem as ruas de todo o
género de turbas ululantes?

 

Porque tememos tanto o silêncio? Não é fácil, por exemplo, perceber se a música ensurdecedora nos bares se destina a poupar aos clientes, na maioria jovem – que, provavelmente, passaram a adolescência de headphones -, o embaraço de não terem que dizer ou se eles pouco falam entre si por ser impossível ouvirem-se; de qualquer modo, a situação parece convir à clientela e os bares enchem-se de grupos e de casais (alguém sozinho num desses bares é uma raridade) de copo na mão, mal trocando uma palavra, ou fazendo-o apenas de quando em vez, aos gritos, encostando a boca ao ouvido do, chamemos-lhe assim, interlocutor.

 

Onde será ainda possível um pouco de silêncio e, se não for pedir muito, um pouco de solidão também, quando até nos hospitais os televisores (em quartos, enfermarias, salas de espera) permanecem hoje ligados durante todo o dia?

 

Fui, não há muito tempo, operado num hospital público e pior e mais penoso do que a cirurgia foi ter estado uma semana inteira enfiado numa enfermaria (aliás nova e funcional) com o televisor ligado de manhã à noite: de manhã Goucha ou Praça da Alegria, à tarde telenovelas e Júlia Pinheiro, depois o Preço Certo, depois mais telenovelas, Ídolos, concursos, sei lá o quê, e tudo sem anestesia.

 

Quando finalmente consegui mudar para um quarto, não havia enfermeiro ou auxiliar que, entrando para me dar a medicação, para fazer a cama ou trazer a refeição e deparando com o televisor desligado, não se dirigisse mecanicamente a ele para o ligar, só se detendo quando eu gritava: “Não!” (Até o capelão, com quem mantive umas conversas sobre fé e sobre futebol, me perguntou um dia à saída, prestável: “Não quer que lhe ligue a televisão?”)

 

O horror ao silêncio (e a essa forma do silêncio que é a solidão), o fluxo tumultuoso da informação e da mera bisbilhotice, a prevalência da imediaticidade, da superficialidade, a vacuidade fotogénica, o voyeurismo e o exibicionismo, características da TV enquanto – como em Fahrenheit 451 – fantasia neurótica da “grande família”, são uma espécie de clone das nossas sociedades urbanas, histericamente gregárias e dominadas pela ansiedade de participação e de pertença, onde a reivindicação da solidão ou do silêncio são tanto mais afrontosas quanto mais são “associais”.

 

Não que nas nossas sociedades não haja gente solitária, mas não é dessa solidão que se trata; uma multidão de pessoas solitárias continua a ser uma multidão; basta ver os magotes de velhos nos lares, todo o dia diante da TV, mais sós do que ninguém. Nem da solidão essencial de Frei Luís de Leon:

 

Vivir quiero conmigo,

gozar quiero del bien que debo al Cielo,

a solas, sin testigo, libré de amor, de celo,

de ódio, de esperanzas, de recelo.

 

É coisa mais simples. Só um pouco de espaço para a identidade e para o pensamento; e talvez para o sofrimento, mas sem necessidade de ir contar tudo à TVI.

 

Manuel
António Pina
, in a terra vista da lua

[Notícias Magazine] 

 

publicado por Elisabete às 20:46
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Sexta-feira, 1 de Abril de 2011

PORTUGAL em ruínas?

 

"Aqui havia uma casa"

 

Ilse Losa contou-me um episódio doloroso do seu regresso à Alemanha no fim da guerra, quando visitou já não sei se Osnabruck se Hannover, onde vivera. Procurou a sua casa e não a encontrou.

Nem sequer o lugar dela, pois a cidade fora de tal modo desfigurada pelos bombardeamentos que todas as referências geográficas (ruas, praças, edifícios) tinham desaparecido numa amálgama indistinta de ruínas onde era impossível a orientação. Tal sentimento de perda irremediável está presente em grande parte da sua obra, especialmente em "Aqui havia uma casa".

Muitos portugueses experimentam hoje um sentimento parecido ante as ruínas daquilo que foi um dia um país e hoje é apenas um patético joguete de interesses alheios. Também "aqui havia uma casa", agora impossível de encontrar à míngua de referências (morais, ideológicas ou outras) e de qualquer projecto que não o da ganhunça. A "choldra ignóbil" de Eça regressou corrompendo tudo, confundindo verdade e mentira e espoliando o presente e o futuro colectivos.

As próprias palavras deixaram de merecer confiança. O Partido Socialista é tão socialista quanto o Partido Social-Democrata é social-democrata e expressões como "Estado social" ou "justiça social" perderam qualquer significado. Daqui a dois meses iremos outra vez a votos. E, como a imensa maioria descontente que se abstém não conta, os mesmos elegerão de novo os mesmos. Que farão mais uma vez o mesmo.

 

Manuel António Pina, Por Outras Palavras

Jornal de Notícias [1Abril2011]

 

publicado por Elisabete às 11:33
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Quinta-feira, 24 de Fevereiro de 2011

ELES COMEM TUDO...

 

VAMPIROS

 

No céu cinzento
Sob o astro mudo
Batendo as asas
Pela noite calada
Vem em bandos
Com pés veludo
Chupar o sangue
Fresco da manada
Se alguém se engana
Com seu ar sisudo
E lhes franqueia
As portas à chegada
Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada

 

A toda a parte
Chegam os vampiros
Poisam nos prédios
Poisam nas calçadas
Trazem no ventre
Despojos antigos
Mas nada os prende
Às vidas acabadas
São os mordomos
Do universo todo
Senhores à força
Mandadores sem lei
Enchem as tulhas
Bebem vinho novo
Dançam a ronda
No pinhal do rei

Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada

 

No chão do medo
Tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos
Na noite abafada
Jazem nos fossos
Vítimas dum credo
E não se esgota
O sangue da manada

Se alguém se engana
Com seu ar sisudo
E lhes franqueia
As portas à chegada
Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada

Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada

 

 

 

Sr. Mata e Sr. Esfola

 

Como fizeram para reduzir os salários e as prestações sociais, PS e PSD juntaram--se de novo no Parlamento, desta vez para impedir limites (nem sequer para os reduzir, só para lhes pôr freio) aos vencimentos dos gestores públicos.

Gestores públicos é um eufemismo usado para designar "boys" e "girls", em geral sem mais qualificações para gerirem o que quer que seja do que a sua disponibilidade para serem geridos. E se há assunto em que PS e PSD estão de acordo, além de que os pobres é que devem pagar as crises provocadas pelos ricos, é o da protecção dos "seus".

Embora não pareça, há no entanto diferenças entre PS e PSD. Por exemplo, o PS quer despedimentos fáceis & baratos para estimular "o emprego" enquanto o PSD também quer despedimentos fáceis & baratos mas para estimular "a economia". Para quem for despedido é igual, mas visto do lado do PS e PSD é muito diferente.

Do mesmo modo, o PS rejeitou as propostas do BE, PCP e CDS para que os salários dos gestores públicos tivessem como tecto o vencimento do presidente da República por isso ser "da competência do Governo" ao passo que o PSD as rejeitou por serem "populistas". "Boys" e "girls" do PS e PSD continuarão, pois, a poder ganhar mais do que o presidente da República. E não por um mas por dois bons motivos, um o do Sr. Mata outro o do Sr. Esfola.

É assim que PS e PSD conseguem o milagre de estar em desacordo fazendo exactamente o mesmo.

 

Manuel António Pina, Por Outras Palavras

Jornal de Notícias [22FEV2011]

 

publicado por Elisabete às 11:36
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Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2011

O PAPÃO tirado da cartola

 

 

Foto: http://bancadadirecta.blogspot.com/2009_09_01_archive.html

 

O Quinto Cavaleiro

 

Quem o garante é economista e professor de Economia, ex-catedrático e tudo e, se ele o garante, quem é o povo para duvidar?

Ora o que ele garante é que, se o povo não o eleger já no domingo, como é "essencial", abrir-se-ão os mares e desabará o céu. E pior acontecerá em terra: a sua não eleição à primeira volta provocará imediatamente, avisa ele, "uma contracção do crédito e uma subida das taxas de juros", com consequências apocalípticas para "empresas e famílias".

"Imaginem o que seria de Portugal, na situação económica e financeira complexa em que se encontra, se prolongássemos por mais algumas semanas esta campanha eleitoral", avisa de novo. O povo imagina e o que vê deixa-o petrificado de terror: ao lado da Morte, da Fome, da Peste e da Guerra, cavalga agora o Quinto Cavaleiro, o terrífico Mercado, e todos juntos precipitam-se a galope sobre "empresas e famílias".

Por isso o povo correrá a eleger o ex-catedrático no domingo. Ou no sábado, se lhe permitirem. Elegê-lo-ia até sem eleições (por exemplo, suspendendo-se a democracia por seis meses, assim se poupando milhões porque a democracia é cara). Só o ex-catedrático pouparia os 2,1 milhões de euros (um recorde absoluto) que gastou na campanha. E se, depois, na Presidência, poupasse ainda aos contribuintes uma parte dos 17,4 milhões que gastou em 2010 (outro recorde absoluto), talvez, quem sabe?, o crédito se descontraísse um poucochinho.

 

Manuel António Pina, Por outras palavras [Jornal de Notícias, 21/01/2011]

 

publicado por Elisabete às 09:23
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Quarta-feira, 25 de Agosto de 2010

Que é do FUTURO?

Uma perigosa reaccionária

 

Uma professora da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa ficou sem a regência de duas cadeiras por ter chumbado mais de 50% dos alunos. O motivo invocado pelo Departamento de Química da Nova para a punição não deixa dúvidas: "Aumento súbito do insucesso escolar". Desde que, no sistema educativo português, foi consagrado entre os direitos, liberdades e garantias fundamentais o direito ao sucesso escolar, quem se meta entre um aluno e o diploma a que tem direito (atrevendo-se, como no caso, a dar notas negativas em exames finais) é culpado do pior dos crimes, o de terrorismo anti-estatístico. Se o futuro licenciado sabe ou não sabe alguma coisa (ler, escrever e contar, por exemplo), é irrelevante; o país, as estatísticas e as caixas dos supermercados precisam de licenciados. Foi isso que a professora da Nova não percebeu. Arreigada a valores reaccionários, achava (onde é que já se viu tal coisa?) que "um aluno só merece 10 valores se adquiriu as competências mínimas nas vertentes teóricas e práticas da disciplina". Campo de reeducação em Ciências da Educação com ela.

 

Manuel António Pina, Por Outras Palavras

Jornal de Notícias [25.AGOSTO.2010]

publicado por Elisabete às 10:24
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Sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009

Apertar o cinto...

 

 

A receita do costume

 

Temos de novo o FMI à perna. O FMI é uma espécie de tutor que, quando não sabemos governar--nos, nos declara incapazes e passa a governar-nos por nós. A trapalhada financeira de um Orçamento feito "com grande sentido de responsabilidade", mas que, afinal, Teixeira dos Santos dixit, parece que foi elaborado "num quadro financeiro que não incorporava" o impacto real da crise financeira, mais a trapalhada de um Orçamento Rectificativo de que o mesmo Teixeira dos Santos não via, em Maio, "necessidade" e em Novembro já via, com medidas de contenção do défice (que cresceu 284% no 1.º semestre) que ainda em Julho garantia que não adoptaria pois "os números" davam "sinais claros de controlo da despesa", levaram o tutor a achar que era melhor ser ele a decidir o que deve fazer o Governo já que este parece não saber às quantas anda. E a receita é a santíssima trindade do costume: reduzir salários, reduzir prestações sociais, aumentar impostos, isto é, o que, nos anos 80, impôs a Mário Soares sob a estimulante divisa "apertar o cinto". Resta saber é se os portugueses têm mais buracos no cinto para apertar.
 
Manuel António Pina, Por Outras Palavras
Jornal de Notícias [04.Dez.2009]

 

publicado por Elisabete às 11:29
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Sexta-feira, 11 de Setembro de 2009

O bem mais precioso

Ribeira Grande (S. Miguel.Açores)

  

Águas pouco transparentes

 
Na "Ode ao ar" do início das "Odes elementales" que dedica às coisas simples, Neruda dirige-se assim ao "incansável" ar: "Monarca ou camarada,/ fio, coroa ou ave,/ não sei quem és, mas/ uma coisa te peço, não te vendas./A água vendeu-se/ e dos canos,/ no deserto,/ vi/ extinguirem-se as gotas/ e o mundo pobre, o povo/ caminhar sequioso/ cambaleando na areia".

A privatização, isto é, a entrega ao critério do lucro, de bens essenciais não é coisa que possa ser tratada como mais uma trica eleitoral e, feita a denúncia, não pode ser ignorada pelos partidos que se propõem ser governo.

É, pois, fundamental que tanto o PS como o PSD respondam à acusação do BE de que estará em curso um projecto de entrega da água que bebemos à cobiça privada. Sendo de procura quase inelástica, a água é um negócio altamente apetecível e, porque ninguém pode viver sem água, uma responsabilidade social elementar de que o Estado não pode demitir-se.
Se há assunto em que qualquer partido deve ser absolutamente transparente é o das suas intenções nesta matéria. E nem o PS nem o PSD o são, o que legitima todas as suspeitas.

 

Manuel António Pina, Por Outras Palavras
Jornal de Notícias [11.Set.2009]

 

publicado por Elisabete às 16:28
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Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2008

O Rei Cifrão

Mosteiro de Alcobaça: a próxima pousada? 

 

Vendilhões do Templo
 
Com os encargos de todas as obras públicas anunciadas, boa parte do nosso futuro está hipotecada; pelo presente já ninguém dá nada; resta o passado. Não se estranhará, pois, que o Governo prepare um novo regime para o património histórico e cultural que abre portas à venda mais ou menos indiscriminada de monumentos históricos. "O mote é alienar", denunciam, alarmadas, as associações de defesa do património.
 
Se a coisa, congeminada no Ministério das Finanças, for avante, depois do Forte de Peniche transformado em pousada, veremos um dia destes uma loja Ikea na Torre de Belém e um hotel de charme no Mosteiro de Alcobaça (e porque não no da Batalha?); Rui Rio poderá, finalmente, vender a Torre dos Clérigos em "time-sharing"; e António Costa, em Lisboa, fazer dos Jerónimos um centro comercial. Governados por mercadores sem memória e sem outra cultura que não a do dinheiro, faltava-nos ver a nossa própria História à venda. Em breve, nem Cristo (quanto mais nós) terá poderes para expulsar os vendilhões do Templo porque eles já terão comprado o Templo e já lhe terão dado ordem de expulsão a Ele.
 
Manuel António Pina, Por Outras Palavras
Jornal de Notícias [17.Dez.2008]
 
 
 

 

publicado por Elisabete às 13:38
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