Domingo, 1 de Novembro de 2009

Três Cantos

Coliseu do Porto com casa cheia e ao rubro

 

 

José Mário Branco, Sérgio Godinho, Fausto: juntos no Porto, no Coliseu.
Três cantos diferentes, unidos por um mesmo caminho de comprometimento e fidelidade a um ideal. Hoje como ontem. 
O Porto rendeu-se, ontem à noite, a estes três homens, à sua música, àquilo que significam.
Quanto a mim, há anos que não me sentia assim: uma enorme emoção obrigou-me a recuar no tempo e devolveu-me alguma esperança. Esta é, de facto, a minha gente. A gente que rejeita o conformismo e os homens de sucesso, egoístas e indiferentes. A gente que defende os que dormem na valeta, os que não têm acesso à cultura e a uma vida com dignidade. A gente solidária e generosa com quem sonhei, um dia, transformar o meu país.
Sei que a situação é, hoje, muito diferente. Sei que as pessoas mudaram. Sei que eu própria amadureci e já não acredito em milagres. Mas também sei que enquanto houver alguém que se emociona, canta, vibra e chora em comunhão, nem tudo está perdido. E esta noite foi UM MILAGRE! Recuei trinta anos. Voltei à pureza inicial, ao rio quente da fraternidade, à vontade de não desistir, à certeza de que vale a pena continuar a lutar por aquilo que quero para mim e para os outros. Senti-me viva, verdadeiramente viva, como naqueles dourados tempos de Abril.
Obrigada, Fausto!
Obrigada, Sérgio!
Obrigada, Zé Mário!
Continuaremos juntos a avisar e a animar a malta!

 

música:
publicado por Elisabete às 17:04
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Quarta-feira, 5 de Novembro de 2008

E agora?

 

Barack Obama foi eleito Presidente dos Estados Unidos da América.

 

Claro que estou satisfeita:

 

- porque é do Partido Democrata, que é um pouco melhor do que o Partido Republicano;

- porque a sua eleição significa o início do sonho de Luther King;

- porque a era Bush terminou, finalmente.

 

Está eleito. E agora?

 

Gostaria de estar optimista, de pensar que os EUA e o Mundo vão mudar de rumo, no sentido da construção de sociedades mais justas, mais humanas e fraternas.

 

Não tenho ilusões, no entanto.

Obama não exercerá o poder sozinho, nem eu acredito em homens providenciais. Não poderá desviar-se muito do padrão americano, se quer viver até ao fim da sua legislatura.

É, sem dúvida, um homem simpático e tem carisma. Terá também a força capaz de mudar a mentalidade americana? Será a conjuntura económico-financeira americana e mundial favorável à mudança?

 

A ver vamos!

 

Quem sabe? A vida, por vezes, surpreende-nos...

 

 

publicado por Elisabete às 12:10
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Quinta-feira, 29 de Maio de 2008

RESSUSCITAR O ESPÍRITO DE ABRIL

 

 

 

APELO 

 

O 25 de Abril e o 1º de Maio de 1974 ficaram para sempre associados ao imaginário da liberdade e da democracia. Continuam a ser uma referência e uma inspiração. Trinta e quatro anos volvidos, apesar do muito que Portugal mudou, o ambiente não é propriamente de festa. Novas e gritantes desigualdades, cerca de dois milhões de portugueses em risco de pobreza, aumento do desemprego e da precariedade, deficiências em serviços públicos essenciais, como na saúde e na educação. Os rendimentos dos 20 por cento que têm mais são sete vezes superiores aos dos 20 por cento que têm menos.
A corrupção e a promiscuidade entre diferentes poderes criaram no país um clima de suspeição que mina a confiança no Estado democrático.
Numa democracia moderna, os direitos políticos são inseparáveis dos direitos sociais. Se estes recuam, a democracia fica diminuída. O grande défice português é o défice social, um défice de confiança e de esperança.
O compromisso do 25 de Abril exige que se restaurem as metas sociais consagradas na Constituição da República. E exige também uma crescente cidadania contra a insegurança, contra as desigualdades, por mais e melhor democracia.
Não podemos, por outro lado, ignorar a persistência de uma política de agressão, bem como as repetidas violações do direito internacional e dos direitos humanos. Bagdad, Abu-Ghraib e Guantánamo são os novos símbolos da vergonha. Não se constrói a paz com a guerra. Nem se defende a democracia pondo em causa os seus princípios. E por isso, hoje como ontem, é preciso lutar pelos valores da Paz e pelos Direitos Humanos.
Não nos resignamos perante as dificuldades. Como escreveu Miguel Torga – “Temos nas nossas mãos / o terrível poder de recusar.” Mas também o poder de afirmar e de dar vida à democracia.
Os que nos juntamos neste apelo, vindos de sensibilidades e experiências diferentes, partilhamos os valores essenciais da esquerda em nome dessa exigência. É tempo de buscar os diálogos abertos e o sentido de responsabilidade democrática que têm de se impor contra o pensamento único, a injustiça e a desigualdade.

Manuel Alegre - deputado e escritor; Isabel Allegro Magalhães - professora universitária; José Soeiro - deputado; Abílio Hernandez - professor universitário; Acácio Alferes - engenheiro; Albano Silva - professor; Albino Bárbara - funcionário público; Alexandre Azevedo Pinto - economista, docente universitário; Alfredo Assunção - general, militar de Abril; Alípio Melo - médico; Ana Aleixo - médica; Ana Luísa Amaral - escritora; António Manuel Ribeiro - músico; António Marçal - sindicalista; António Neto Brandão - advogado; António Nóvoa - professor universitário; António Travanca - professor universitário; Augusto Valente - major general, militar de Abril; Camilo Mortágua - resistente; Carlos Alegria - médico; Carlos Brito - ex-deputado; Carlos Cunha - engenheiro; Carlos Sá Furtado - professor universitário; Carolina Tito de Morais - médica; Carreira Marques - ex-autarca; Cipriano Justo - médico; Cláudio Torres - arqueólogo; David Ferreira - editor; Dinis Cortes - médico; Edmundo Pedro - resistente, ex-deputado; Eduardo Milheiro - empresário; Elísio Estanque - professor universitário; Ernesto Rodrigues - escritor; Eunice Castro - sindicalista; Fátima Grácio - dirigente associativa; Francisco Fanhais - músico e professor; Francisco Louça - deputado; Francisco Simões - escultor; Helena Roseta - arquitecta, autarca; Henrique de Melo - empresário; João Correia - advogado; João Cutileiro - escultor; João Semedo - deputado; João Teixeira Lopes - professor universitário; Joaquim Sarmento - advogado, ex-deputado; Jorge Bateira - professor universitário; Jorge Leite - professor universitário; Jorge Silva - médico; José Aranda da Silva - ex-Bastonário Farmacêuticos; José Emílio Viana - dirigente associativo; José Faria e Costa - professor universitário; José Leitão - advogado, ex-deputado; José Luís Cardoso - advogado, militar de Abril; José Manuel Mendes - escritor; José Manuel Pureza - professor universitário; José Neves - fundador do PS; José Reis - professor universitário; Luís Fazenda - deputado; Luís Moita - professor universitário; Luisa Feijó - tradutora; Mafalda Durão Ferreira - reformada da função pública; Manuel Correia Fernandes - arquitecto, professor universitário; Manuel Grilo - sindicalista; Manuel Sá Couto - professor; Manuela Júdice - bibliotecária; Manuela Neto - professora universitária; Margarida Lagarto - pintora; Maria do Rosário Gama - professora; Maria José Gama - dirigente associativa; Mariana Aiveca - sindicalista; Natércia Maia - professora; Nélson de Matos - editor; Nuno Cruz David - professor universitário; Pacman - músico; Paula Marques - produtora; Paulo Fidalgo - médico; Paulo Sucena - professor; Pio Abreu - psiquiatra; Richard Zimmler - escritor; Rui Mendes - actor; Teresa Mendes - reformada da função pública; Teresa Portugal - deputada; Ulisses Garrido - sindicalista; Valter Diogo - funcionário público aposentado; Vasco Pereira da Costa - escritor, director regional da cultura.

 

 

Será que este encontro, no Teatro Trindade, no próximo 3 de Junho, em que participarão elementos do Bloco de Esquerda, renovadores comunistas e socialistas históricos, como Manuel Alegre, é a pedrada no charco há tanto tempo esperada?

 

Mário Soares, por seu lado, faz um contundente aviso ao Governo de José Sócrates para que faça uma reflexão urgente sobre a crise social que afecta o país, sobretudo em relação a bolsas de pobreza,  desigualdades sociais e  descontentamento da classe média, sob pena de um fracasso eleitoral já em 2009, por possibilidade de haver transferência de voto para o PCP e o Bloco de Esquerda. 

Não sendo, propriamente, admiradora do Dr. Mário Soares, concedo que há um conjunto de princípios a que ele é fiel e, por isso, tem a minha admiração. Teria gostado, no entanto, que a sua preocupação não fosse tanto a perda das próximas eleições pelo PS, mas antes a injustiça da situação que vivemos e a que um homem de esquerda não pode ficar indiferente. 

As eleições… Quero lá saber das eleições, se sei que vão ser ganhas pelos responsáveis das políticas erradas que têm sido seguidas! Que alternativa temos ao bloco central?

 

Só vejo uma solução: a luta, sem tréguas, de todos aqueles que não se conformam com o desnorte provocado pela incompetência desse mesmo bloco central (PS e PSD), nem aceitam políticas que favoreçam as desigualdades sociais e neguem à maioria o direito a viver com dignidade.

 

ACORDA, PORTUGAL!!!
  

publicado por Elisabete às 14:52
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Terça-feira, 20 de Maio de 2008

Mudar as mentalidades e as vidas

 

  

Como é sabido, foi lançada ontem, no Porto (Fundação José Rodrigues) a revista Nova Águia , que pretende recriar no presente o espírito da revista A Águia, órgão do movimento da Renascença Portuguesa, contribuindo, assim, para uma transformação profunda das mentalidades e das vidas.
Porque trocar e discutir ideias me parece urgente, proponho-me publicar no meu blogue Baralha e Volta a Dar! - http://adormirnaforma.blogs.sapo.pt - textos desta revista, e outros, que possam contribuir para a tal, tão necessária, transformação profunda das vidas e das mentalidades.
Hoje, para ler e reflectir, o segundo ponto do MANIFESTO NOVA ÁGUIA.
**************************************************
A profunda crise de Portugal e a aspiração a algo de novo
Tal como no início do século XX, sente-se que Portugal atravessa no presente uma profunda crise, a todos os níveis, com tudo o que a palavra implica de risco e oportunidade simultâneos. Agudiza-se hoje de novo, como escreveu Raul Proença num dos manifestos da “Renascença Portuguesa”, uma “atmosfera” composta de “um sentimento de mal-estar” e de “um desejo de alguma coisa” indefinida, “que nos incite, que nos impulsione, que nos una, que nos salve”. Sente-se haver, na nação e na nossa tradição cultural, imensas virtualidades criadoras que desde há muito não são assumidas nos rumos dominantes da nossa vida institucional e pública, cada vez mais condicionados pela busca de soluções meramente materiais, económicas e tecnológicas – que em si mesmas são insuficientes e se têm revelado decepcionantes – e por uma crescente anestesia e massificação das consciências, abandonadas ao produtivismo-consumismo, à publicidade e às distracções mais grosseiras, para que não sintam a alienação e o vazio das suas vidas. Quanto mais se pretende ocultar isso, com novas políticas de fachada, mais se sente vivermos num país onde nada se discute de importante, incluindo o sentido a dar à nossa existência colectiva. Sente-se que o verdadeiro problema nacional é um problema de atitude e de mentalidade e haver qualquer coisa de vital em nós que não se conforma ao paradigma produtivista-consumista da globalização civilizacional que domina e devasta o planeta. Sente-se haver uma diferença que aspira a manifestar-se e a ganhar voz. A saudade de não sei quê ainda desconhecido, vago e nebuloso, como diria Pascoaes, mas que aponta a um futuro diverso daquele que nos querem impor. Talvez a saudade de nós mesmos, o pressentimento de tudo o que podemos ser e a dor do pouco ou nada que vamos sendo.
publicado por Elisabete às 22:42
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