Sábado, 4 de Janeiro de 2014

CONFISSÃO DA IMPOTÊNCIA TEMPORÁRIA

Ouvi há pouco umas declarações na rádio de Freitas do Amaral sobre o OE. Muito impressionante. Tive a sensação de que estava a ouvir aquilo que querem fazer passar pela opinião apenas da 'esquerda radical': "[o OE] não é proporcional, nem é progressivo. É regressivo. É tempo de dizer basta! Se não ainda vem aí uma ditadura". Sobre isto falarei em baixo. Ontem a entrevista de Jorge Miranda no Público mostrava igualmente a total incompreensão do governo do que é um estado de direito e um tribunal constitucional.

De outro modo, as análises sobre a diminuição dos manifestantes, as dez hipóteses colocadas pelo editorial do mesmo jornal na edição de hoje, sublinham a crescente dificuldade daqueles que continuam a protestar nas ruas em juntar multidões. Não sei se estão certas ou erradas as tais dez hipóteses. Mas uma coisa é certa: a resistência nas ruas tem limites - o cansado, o desânimo, a fadiga natural após dois anos e meio de tortura - face aos reduzidos efeitos produzidos.

O que é pior é que as declarações que referi, correm a meu ver o mesmo risco: serem quase inúteis, do mesmo modo que este texto que escrevo será (quase) inútil. E podemos regressar ao tema da ditadura. A ditadura não vem aí. A ditadura já cá está. Quando escrevi há um mês e tal que Passos Coelho não se demitiria nem com um canhão de um Chaimite de Salgueiro Maia apontado à cabeça, usei uma linguagem "inapropriada", tal como Soares quando disse que este governo tinha "delinquentes" - sendo uma evidência que tem alguns. Trata-se de um novo tipo de ditadura. Primeiro tem um suporte institucional-bancário da UE que estará para durar. Segundo, traduz um aprisionamento do aparelho de estado pela quadrilha chefiada por Passos e Portas, com o padrinho Cavaco por trás a assegurar "o bom funcionamento das instituições" tendo os bolsos com o rendimento das acções por convite do BPN. Só por si isto é uma vergonha. O PR. Como se não chegasse, agora lá está Machete - outra vez tudo legal - para nos mostrar de que forma a delinquência financeira está no topo do estado. Por isso é que lançam ferocidade contra o Tribunal Constitucional - o único órgão que ainda não demoliram - com o miserável apoio da Sra Lagarde, do Sr. Barroso, e doutros senhores dos bancos ex-fugitivos ao fisco. Mesmo contra a letra dos tratados europeus que os suportam. Não se acredita nesta conjugação tenebrosa de factores.

Mas não podemos esquecer os outros países (tendência que temos em larga escala). Em que país é que as manifestações de facto gigantescas produziram resultados? Na Grécia? Em Espanha? Parece-me que não produziram. Exprimiram repúdio e revolta, por vezes com violência, é certo, mas não conseguiram inverter as políticas comandadas de Bruxelas. Quando as expectativas eram grandes e os resultados foram reduzidos ou nulos é compreensível que haja alguma desmobilização. Por isso é normal que isso ocorra. Desculpem mas é normal. Não é preciso analisar muito, excepto na medida em que possa ajudar a reflectir sobre os momentos das suas convocatórias, em lugar de lançar acusações "a quem não está". Uma coisa é ser "revolucionário profissional" - conheci alguns - outra coisa é ter um emprego, um trabalho, uma casa, tudo aquilo que sempre foi duro e difícil para muitos e ainda por cima reservar energia suficiente para ir para as ruas muitas vezes com resultados que podem encher a alma de alguns mas que não se traduzem em mudanças reais. Se se traduzissem julgo que muito mais gente iria. É uma questão simples de avaliação intuitiva das consequências das acções. Para que é que serve? será a pergunta que muitos farão. É sábio não responder com acusações, porque se poderia devolver outra pergunta: E se tivesse estado um milhão de pessoas? Seria diferente?

A quadrilha que está no poder, que até enfurece mesmo gente da direita clássica, não tem escrúpulos, nem valores, nem vergonha. Tudo que diga respeito a dinheiro lhes é suficiente como argumento. A mentira e a demagogia é-lhes constitutiva. Não sei o que irá acontecer a curto prazo. Suspeito que o "Basta" de Freitas do Amaral terá as mesmas consequências do "Basta" de Arménio Carlos e muitos outros. Nenhumas. Reparem: eu também acho que Basta, já há muito tempo. Mas os nossos vários Basta não derrubam quadrilhas no poder que, legitimadas pelo voto em tempos de mentiras, se julgam legitimadas para tudo. E o tempo das revoluções clássicas já lá vai, até ver. Até ver. Historicamente, se nos colocarmos na União Soviética dos anos 30, no Chile de Pinochet, na Argentina dos coronéis, na Itália de Mussolini, ou na Espanha de Franco, saberemos o horror que deve ter sido ter de continuar a viver naqueles locais - apesar das suas diferenças - nesses longos anos. Uns morreram, fuzilados, outros fugiram e exilaram-se, outros, talvez com menos sorte, ficaram e tiveram de sobreviver como puderam. E alguns aproveitaram para enriquecer. Como agora por toda essa Europa fora. Se não for antes em 2015 iremos correr com esta quadrilha, seja como for e para o que for.

O problema é aquilo que de criminoso fizeram entretanto. Uma vez cortada, é impossível recolocar a cabeça de Luís XVI no seu antigo lugar.

Fica o lastro do irreconstituível.
António Pinho Vargas 
publicado por Elisabete às 22:15
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Domingo, 15 de Setembro de 2013

O que faz falta?

 
UM GOVERNO DE TRAIÇÃO NACIONAL

 

A história e a política estão cheias de grandes tiradas, de declarações que mudaram o rumo do mundo e que inflamaram o desejo e o sonho de milhões durante décadas ou séculos. “Obviamente, demito-o!” “De l”audace, toujours de l”audace, encore de l”audace!” “We shall fight on the beaches…” “Os proletários não têm nada a perder senão as suas grilhetas!”…

E há também frases aparentemente banais que, por uma conjugação de circunstâncias, conseguem mudar o curso dos acontecimentos. O fim do senador republicano americano Joseph McCarthy foi ditado quando, durante um das famosas audições no Senado, o advogado do Exército dos EUA Joseph Nye Welch lhe perguntou simplesmente, com um ar de profundo desdém, “Have you no sense of decency?” Uma pergunta que bastou para os americanos – havia 20 milhões a seguir a transmissão televisiva em directo – adquirirem a consciência de que aquele arruaceiro pomposo era apenas um pequeno traste à procura de poder. O homem não merecia senão desprezo.

O que é espantoso é como, na actual situação política portuguesa, há tão pouca gente a fazer a mesma pergunta a todos e a cada um dos membros do Governo português, de cada vez que abrem a boca, quando é tão evidente que essa gente é apenas, como McCarthy, um bando sem escrúpulo, sem noção de decência, sem respeito pela lei, sem apego à democracia e com um profundo desprezo pela vida dos cidadãos e uma subserviência criminosa em relação aos interesses financeiros internacionais. Há decência nos swaps? Na destruição da escola pública? Na humilhação dos pobres? Na destruição da universidade? No aumento do desemprego a que chamam flexibilização? Na destruição da administração pública a que chamam requalificação?

Não têm o sentido da decência? Não. Não têm, não querem ter e têm raiva a quem tem.

 

Parece uma caricatura? Parece. Mas isso é apenas porque o Governo de Passos Coelho é de facto uma caricatura, um excesso de mentiras e pouca-vergonha, uma organização de rapina que governa sem qualquer escrúpulo. Aquele conjunto é de facto caricatural. Portas é caricatural. Mota Soares é caricatural. Maduro é caricatural. Passos Coelho é caricatural como todas as pessoas sem escrúpulos são caricaturais. Porque é que as enormidades que diz não são denunciadas como as enormidades que são? Porque é que se acha aceitável este estilo de títere tiranete? Porque há uma reserva de boa vontade nas pessoas que lhes diz que as coisas talvez não sejam tão más como parecem e que as pessoas podem não ser tão desprovidas de princípios morais e de sentimentos como parecem na televisão. Há sempre pessoas que levam a sua magnanimidade até à estultícia. E os Passos Coelhos deste mundo contam com isso. Com isso, com os crédulos que podem convencer a continuar a votar em si e com os moluscos que os servem no Parlamento.

É assim que este Governo fora-da-lei pode continuar a roubar aos milhares de milhões os portugueses, roubando-lhes os bolsos, os empregos, as pensões, os ordenados, os subsídios, os serviços públicos que eles pagam, o património que construíram, as empresas públicas que são de todos, destruindo o progresso que se alcançou nas últimas décadas apenas para poder enriquecer ainda mais os muito ricos e para poder aniquilar os resquícios de soberania que possam teimar em existir, espalhando a miséria e reduzindo os portugueses à inanição e à subserviência.

O que temos é um Governo não de salvação mas de traição nacional. De traição às suas promessas eleitorais, às suas juras de tomada de posse, às instituições democráticas e aos compromissos da civilização que todos abraçámos, de traição ao povo, espremido e vendido barato para enriquecer os credores.

E, no entanto, os portugueses não se movem. Ou quase não se movem. As acções do bando de malfeitores que se apoderou do Governo com falsas promessas parece tão inconcebível que parece impossível que alguém as leve a cabo sem que haja fortíssimas razões de interesse público, ainda secretas. Imagina-se que deve haver aí alguma racionalidade. Talvez o que o Governo diz da austeridade seja verdade. Talvez seja justo matar os pobres à fome para pagar aos bancos.

Custa a acreditar que alguém possa ser tão desonesto, tão insensível, com um tal ódio aos mais fracos. Pensamos que isto não é possível, que a lei nos protege, que a filosofia nos protege, que a história nos protege, que a decência que temos o direito de esperar dos outros nos protege.

Mas a história está cheia de exemplos destes. Durante anos ninguém acreditou que Hitler quisesse exterminar os judeus, ninguém acreditou que Pol Pot tivesse dizimado um quarto da população do Camboja. E na sombra destes grandes ditadores sempre houve pequenos velhacos, pequenos capatazes como Passos Coelho ou Mota Soares que fizeram o trabalho sujo apenas para terem as migalhas da mesa do poder. Há racionalidade na acção do Governo, mas é a racionalidade do saque, do roubo descarado, da tirania da oligarquia. A decência está fora da equação.

 

JOSÉ  VÍTOR MALHEIROS

 

 

 

publicado por Elisabete às 13:05
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Quarta-feira, 11 de Setembro de 2013

Abrindo o Baú

AS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 1976

 

As primeiras eleições presidenciais, após o 25 de Abril de 1974, realizaram-se a 27 de Junho de 1976.

 

Candidatos:

 

António Ramalho Eanes

Otelo Saraiva de Carvalho

Pinheiro de Azevedo

Octávio Pato

 

 Otelo ficou em segundo lugar com 792 760 votos (16,59%)

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

 

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Segunda-feira, 9 de Setembro de 2013

A narrativa neoliberal não foi de férias

O colapso que estamos a viver foi gerado ao longo de mais de uma década por mecanismos socioeconómicos criadores de endividamento público e privado

 

O discurso de Passos Coelho no Pontal foi mais um episódio de propaganda política, só possível porque as televisões perderam a vergonha. A pretexto de informação em directo, fizeram a transmissão na íntegra de um discurso de comício. Nada que espante, porque hoje a televisão desempenha um papel central na construção de uma narrativa hegemónica da crise, um discurso simples sobre as suas origens, os seus responsáveis e as transformações do Estado que nos farão sair dela. Para executarem o seu projecto político, os partidos que nos governam precisam, no mínimo, de uma generalizada resignação dos cidadãos. A forma mais eficaz de a produzir consiste em criar uma larga maioria de fazedores de opinião (jornalistas, economistas, politólogos, deputados, políticos senadores) que sustente nas televisões a mesma narrativa da crise, a narrativa neoliberal.

O buraco em que caímos - forte e prolongada quebra na produção, desemprego de massa, mais fome e pobreza, crescimento da dívida pública em bola de neve, redução de salários, pensões e prestações sociais, pesado aumento de impostos sobre as famílias - é um fenómeno de interpretação complexa. Aliás, não pode haver uma interpretação indiscutível desta crise, ou de qualquer realidade sociocultural, já que não temos acesso a essa realidade a não ser através de conceitos, teorias, valores, ideologias. Não sendo a realidade um produto das nossas mentes, como sugere um certo construtivismo pós-moderno, ainda assim a narrativa de uma crise é uma mediação essencial porque tem causalidade própria. Quando é politicamente validada, torna-se a fonte inspiradora das decisões de reconfiguração do Estado e das políticas que lançam a sociedade numa nova e duradoura trajectória.

O colapso que estamos a viver foi gerado ao longo de mais de uma década por mecanismos socioeconómicos criadores de endividamento público e privado (sobretudo este) que, num país de economia frágil e sem moeda própria, se tornaram insustentáveis. Por isso, a crise atinge mais a periferia sul da zona euro. A interpretação neoliberal deste processo explora o senso comum e faz sentido para a maioria das pessoas - "o nosso despesismo sustentou durante décadas um Estado social incomportável, o que nos conduziu a mais uma crise. Vamos na terceira intervenção do FMI, mas, agora dentro do euro, temos mesmo de fazer aquilo que já não é adiável, reduzir o Estado social focando-o nos mais necessitados".

Esta narrativa integra sem dificuldade alguns factos que chocam o cidadão comum (casos de endividamento para consumo, muita formação profissional ineficaz, obras públicas de duvidosa utilidade, distribuição de empregos no Estado e empresas públicas, corrupção de vários tipos, etc.) ligando-os a má gestão do Estado, "a causa" da crise. É uma narrativa muito forte porque é plausível para o cidadão comum sem formação específica. Assim sendo, seria de esperar que as esquerdas tivessem investido fortemente na elaboração de uma alternativa, até porque a política de austeridade que tem sido seguida produziu uma calamidade social. Infelizmente, apenas foram produzidas narrativas parcelares sem consistência global. Uma contranarrativa teria de explicar em linguagem simples e popular que o endividamento foi gerado pela perda do escudo e que isso conduziu ao crédito fácil e à desindustrialização do país. Teria de dizer que com o euro perdemos as políticas de que precisamos para ir mais além no desenvolvimento. Teria de dizer também que perdemos a liberdade para decidir sobre as diversas vertentes do Estado social porque essas escolhas já estão feitas e inscritas nos tratados, as que a Alemanha aceitou ou mesmo impôs. Teria de dizer que não temos futuro dentro do euro.

Em Agosto, a narrativa neoliberal não foi de férias.

 

JORGE BATEIRA

Economista (Jornal i)

 

 

 

publicado por Elisabete às 10:00
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Domingo, 21 de Julho de 2013

A crise está a atacar estruturas civilizacionais

 

E se os portugueses, fartos de verem o seu futuro roubado, optassem em referendo pelo fim do país? É desta situação-limite que parte Despaís", o novo romance de Pedro Sena-Lino, situado em 2023. "Espelho negro" do país, e não "uma sátira à conjuntura portuguesa actual", o livro é uma "resposta" do autor a quem conduziu o país à presente situação.

 

Há uns anos este seu romance seria considerado pós-apocalíptico. Hoje, quando muito, é hiper-realista. Só esta transformação diz muito do estado a que chegámos enquanto país?

Mais do que pós-apocalíptico ou hiper-realista, tentei criar um romance seguindo os princípios da história virtual: alterando apenas alguns factores. Comecei a escrevê-lo há quase três anos, com uma enorme pausa pelo meio. Talvez isso explique a “transformação” de que fala. Para mim, foi um exercício quase matemático: como a manutenção de algumas variáveis e a alteração de outras podia gerar essa situação. Hoje fala-se no “segundo resgate”, no romance já vamos no quinto. Mas o que me importa mais é perguntar se de facto o conceito de país, assente no princípio de estado-nação, ainda faz sentido. E sobretudo, se serve aos cidadãos. Veja: a crise está a atacar as estruturas civilizacionais: cada um está preocupado consigo, e a União Europeia consigo própria. Mas quem estão a ser atacados são os Estados fracos e periféricos. Eles estão a servir-nos como representantes do bem comum, como “agregação” de cidadãos, como explicava Rousseau? Criámos o Estado e defendemo-lo durante gerações porque assegurava o bem comum e o progresso de cada um e de um todo. Será o caso hoje? Essa é a pergunta de biliões de euros.

 

Com a deterioração crescente das condições económicas sociais e políticas de Portugal, admite que o cenário de dissolução do país descrito no livro possa ter lugar muito antes de 2023?

Sou um escritor, não sou vidente (como parece que o são muitos comentadores políticos). Aliás, essa caricatura dos comentadores é uma das linhas de força da ironia que constrói o romance: nem terminam uma frase! Numa sociedade cultivada, os comentadores contribuem com o seu conhecimento e a sua análise para alargar a consciência da opinião pública; não para confundir e acirrar, para manipular segundo programas pessoais, como parece ser o caso em Portugal. É um espelho da falta de qualidade da nossa auto-reflexão. Todavia, o romance quer ser uma espécie de espelho negro: o que podemos fazer, o que podemos alterar, para que isto não seja possível? A uma crise que nos roubou o futuro e nos prendeu a um presente imediato de sobrevivência, estamos a responder a ela com as mesmas armas. A questão deve ser, parece-me: já não somos soberanos praticamente em nada; o estado-nação português, associação de todos os portugueses, está a ser destruído pelo financeirismo, “é um nome vazio que responde pela dívida”, como diz uma das personagens do livro. Não poderemos fazer voltar esta crise de identidade e soberania a nosso favor? Estive há anos num congresso no meio dos Estados Unidos, e muitas pessoas me diziam: «Ah, a União Europeia, um Parlamento, uma moeda comum; isto para nós é um milagre, como é que vocês venceram milénios de guerras e se uniram!». Não vemos isto. A Europa unida é uma potência poderosíssima, sobretudo porque o seu poder assenta num conjunto de valores civilizacionais e culturais. É isto que estão a tentar atacar, e é contra isto que creio, como criador europeu que sou, que deveremos criar uma solução. Que já não nasce dos políticos, mas que deve nascer, entre outros aspectos, da mais velha aliança da Europa: a do povo com a arte.

 

O projecto de “Despaís” nasceu, antes de mais, da sua insatisfação enquanto cidadão pelo rumo que o país tem seguido?

Como criador (e como cristão) pergunto-me todos os dias sobre o que posso fazer pelo meu tempo. Os criadores mantêm o enorme espaço entre a realidade e a ideia, entre o quotidiano e a memória, entre a ficção e o real. É nesse tremendo espaço que se transcende o presente limitado, e se constrói o futuro. Quero deixar claro que o objectivo deste romance não é uma provocação. Mas que se insere numa linha bem mais clara do meu programa de trabalho enquanto romancista. O que pretendo fazer com o romance, com este e os que se lhe seguirem, é questionar o significado de objectos civilizacionais que consideramos inquestionáveis: em 333, o que é um livro e as redes que estabelece, e como essas redes e esse poder simbólico se mantêm para além do desaparecimento do próprio livro. Em Despaís, com o próprio objecto que é um país assente no conceito de Estado-nação. Num próximo romance, o conceito de estadista, de cabeça e representante do Estado, como produto autofágico do próprio Estado.

 

Não teme ser acusado de catastrofista? Afinal, ao longo de quase um milhar de anos foram muitas as crises por que o país já passou, algumas das quais provocaram mesmo perdas de independência...

Portugal tem inscrito na sua história um movimento duplo, estaticidade e expansão: de resignação, de deixar andar, e outro de saída de crise. Portugal resolveu sempre isso concebendo a expansão como territorial, com uma dinâmica imperial. Não é o caso agora, essas estruturas acabaram, mas continuam fantasmaticamente activas. Trata-se de saber utilizar esta crise para recriar totalmente o país. Muito que se passa hoje é bem maior do que uma crise financeira da qual temos culpas muito limitadas: é uma crise de identidade nacional. Portugal não resolveu os seus complexos imperiais, tal como a Grécia, a Espanha e Itália: são estes países, no furacão da crise, que têm de repensar-se. Máquinas estatais pesadas, alimentadas por complexos de superioridade esmigalhados e que produzem fantasmas extremamente poderosos. Ainda mais fatalmente, no caso português, são os países de que foi potência colonial que agora compram o país. Todo o imperialismo é um boomerang – os Estados Unidos ainda não compreenderam isso, e não terão estrutura para viver essa situação quando lhes chegar. Grande parte da situação actual revela que Portugal não superou o seu complexo imperialista: ou arrumam-se oito séculos de conquista, na Península Ibérica e depois pelo Oceano fora, em trinta anos de uma revolução pacífica e cordata, nem marxista nem social-cristã? Ou nesta social-democracia sul-europeia, um fantasma assassino e híbrido, que não funcionou nem em Espanha, nem em Itália, muito menos em Portugal. O Estado, diz Engels, é um produto de uma sociedade num certo estádio de desenvolvimento. Gerámos esta III República nos escombros do Estado Novo e da Descolonização, com teorias vagas e improvisadas de Democracia e Desenvolvimento. Não trabalhámos o fim do império. Passámos do complexo de superioridade colonial que o Estado Novo aumentou, para um complexo de inferioridade europeu que alimentou uma sociedade sempre ansiosa de ter ilusões de riqueza para compensar os seus complexos. Eduardo Lourenço estudou-o n’ O Labirinto da Saudade. Agora estamos a vivê-lo. O país foi-nos devolvido na sua dimensão de condado portucalense ingerível, dependente de um poder maior – a União Europeia – e da vigilância de outras entidades. Somos um protectorado. Outro aspecto. Veja os grandes momentos da história da Europa: há sempre obras de arte que impulsionaram esta mudança. Espero que este livro possa ser um grão de areia na engrenagem.

 

O livro não possui um protagonista, pelo menos no sentido que habitualmente lhe conferimos, mas sim vários. Portugal acaba por ser, nesse sentido, o verdadeiro protagonista deste romance?

Portugal, sim, mas enquanto estado-nação. Repare que no romance, quando é proposto o referendo, este não assenta sobre o fim da “República Portuguesa”, ou sobre o sistema parlamentar, mas assim mesmo num sentido genérico: o fim de Portugal. Quis com isto ironizar com a distância que os Portugueses têm hoje do sistema político. De tal forma vivemos uma crise de representação, de tal forma disruptiva, que as fronteiras entre o país e o modelo de Estado que temos estão esbatidas. A personagem principal, por isso, é Portugal como Estado-nação, asfixiado por uma crise e também pelo seu excessivo sistema de mitos.

 

Há acusações bastante certeiras e severas à classe política. A provocação com que o livro vem rotulado advém também daí?

Impreparação, servilismo, incapacidade de servir a causa pública: foram estes os traços de identidade dos políticos que desenhei no romance. Qualquer semelhança com a realidade é uma wake-up call. Mas também pergunto: o que acontece a um cidadão que rouba outro? Que rouba um banco? É julgado e preso. O que acontece a um servidor do Estado que rouba o Estado, ou seja, o conjunto de todos os cidadãos? Vai para uma empresa pública repetir o feito. Qual é o crime pior? E a punição? Como veículos do poder do Estado, a pena deveria ser bem superior.

 

O exercício de encontrar equivalentes na política portuguesa actual dos personagens do livro faz sentido? Dito de outro modo: qualquer semelhança não é mera coincidência?

Um romance é uma obra de arte, como a Torre de Belém, uma canção de David Bowie, ou a Gioconda. Encontrar num quadro de Da Vinci ou nos Concertos Brandenburgueses de Bach os senhores Sidónio Pais ou Helmut Köhl fará sentido?

 

Das várias medidas de austeridade que têm vindo a ser adoptadas, quais as que, como cidadão, lhe pareceram mais chocantes?

Não posso responder a essa questão. Deve perguntar aos economistas, responsáveis pela verdadeira ciência oculta assente em previsões e modelos que falhou redondamente nas últimas dezenas de anos. Já reparou que neste momento vivemos num sistema económico financeirista onde não sabemos quais são os limites da ficção e da realidade? Onde acaba a economia real e onde começa a economia virtual? Pergunto-me também o que é a economia real: é a bolsa de valores, são os mercados informáticos, irreais, da dívida, ou o resultado do trabalho de um cidadão integrado num grupo? O que devemos fazer é retraçar o caminho que nos levou até aqui. Fomos escravizados com um modelo de crescimento falso, que levou a um consumismo que agora nos mata. As pessoas pensavam gerar a sua segurança, e agora é uma prisão, como acontece com o mercado imobiliário. Isso levou a um predomínio do ter pelo ser, do parecer pelo ser, que se liga de uma forma particularmente agressiva em Portugal pelo complexo imperial que está longe de ser resolvido. Porém, uma nota apenas: o ataque aos pensionistas é inqualificável. Repare: o Estado guardou uma parte do trabalho mensal dos trabalhadores durante anos, como guardião do bem comum. E agora retira esse valor para pagar os seus excessos. Diga-me se isto faz sentido. Quando, ainda para mais, são as reformas dos pensionistas que estão a segurar a economia: quantos pais pagam as rendas dos filhos, quantos avós as escolas dos netos? Quantas famílias almoçam e jantam à mesa dos avós?

 

 

 

Vive na Alemanha, país que, aos olhos da opinião pública, surge como um dos responsáveis pela aplicação da austeridade aos países do Sul. Impera a ideia entre os alemães de que estes povos são pouco trabalhadores e que a situação actual é consequência de excessos vários cometidos ao longo de muitos anos?

A Alemanha é uma realidade sócio-política complexa. O muro ainda impera de formas permanentes, duráveis e inimagináveis. Quero dizer com isto que não podemos fazer generalizações de um país sobre outro, porque não há uma voz única, e no caso alemão, isto é ainda mais uma dinâmica irresolvida. Temos a ideia de que a reunificação foi automática, quando é um processo lento; como temos a ideia de que Portugal viver apenas com o seu território europeu é uma coisa simples, quando viveu alastrado pelo oceano fora quase o triplo do tempo do que viveu apenas no seu território europeu. É certo que a Alemanha foi a responsável pela 2ª guerra mundial, com excessos inqualificáveis. Mas também é certo que fizemos pagar à Alemanha uma conta de dezenas de anos. O alemão comum é rigoroso no seu trabalho, nas suas contas, no respeito pelo próximo: numa economia de moeda comum, é demasiado pedir isso aos outros vizinhos? É igualmente importante separar povo e Estado. Nunca me senti, mas nunca, discriminado por ser Europeu do Sul. Em Berlim, todas as diferenças são operativas, constrói-se a partir delas. Acho, porém, bem mais relevante pensarmos que há outro tipo de diferenças culturais; que são factores que contribuem para esta crise, como a herança do catolicismo e do protestantismo, como concepções diferentes do que é o Estado. Uma União enfrenta estas diferenças.

 

Tudo o que temos vindo a assistir nos chamados países sob assistência financeira vem provar que não só a solidariedade entre os países da UE é uma miragem, como o próprio conceito de construção europeia não passa de uma utopia?

Pelo contrário: este é o momento para uma construção europeia alargada. Se a Comissão organizasse um grande referendo europeu a perguntar pelo reforço de poder das instituições europeias eleitas democraticamente, não duvide de uma esmagadora resposta positiva. Em Berlim, convivo com muitos expatriados: sou mais próximo de um alemão da antiga RDA do que de um americano; de um polaco do que de um brasileiro, de um finlandês do que de um mexicano. A maioria dos cidadãos europeus de 35-40 anos para baixo considera-se, sem problemas, mais “europeia” do que “alemã”, “francesa” ou “portuguesa”. Por outro lado, assistiremos a um cenário assustador nas próximas eleições europeias, em que os partidos contra a UE correm o risco de terem uma representação enorme no Parlamento Europeu. Mas, claramente, isto não é uma votação contra a UE, mas contra o que os nossos políticos entendem da UE, e dela fizeram. A haver uma revolução europeia, é pela integração, não pela desagregação.

 

Politicamente sempre foi muito activo ou os acontecimentos dos últimos anos fizeram despertar essa atenção?

Não sou politicamente activo. Intervenho como artista, com a consciência de que tenho de servir o meu tempo e os meus semelhantes com o meu trabalho.

 

Aos que dizem que não há alternativa à austeridade o que responde?

Uma história: o médico disse ao meu sobrinho de 13 anos que tinha de perder peso para poder crescer. Mas também não lhe disse para arrancar o estômago. Estamos a ser demasiado maniqueístas nesta crise: ou austeridade ou investimento. Não é essa a questão, mas sim: planificação. Estamos num mercado comum. O que é que Portugal pode fazer bem e que a Europa não tem? Veja como o Marquês de Pombal percebeu isso no século XVIII.

 

Em termos formais, “Despaís” é um romance substancialmente diferente do anterior, “333”. Era a especificidade deste livro em concreto que exigia o tom que acabou por adoptar (menos experimental e mais directo) ou é consequência de uma mudança natural enquanto autor?

Tenho, como já referi, um objectivo programático como romancista. Porém, quando crio cada livro, espero que seja o livro a determinar o tom que pretende. O livro deve ensinar-me como posso eu servi-lo melhor. Os livros não nos pertencem nunca: sou mais um maestro do que um compositor, a seguir a pauta de uma ideia complexa que surgiu da minha experiência e do tempo em que vivo. Lembro-me sempre do célebre maestro Leopold Stokowski (o único maestro que falou com o Mickey Mouse, em Fantasia de Walt Disney), que dizia que não dirigia a orquestra, mas a seguia. Posso porém confidenciar que este livro correspondeu a uma série de equilíbrios difíceis que tentei articular. A ironia é um meio, não é um fim em si. Isso aprendi com os experimentalistas portugueses, como Ana Hatherly e Alberto Pimenta.

 

Vários escritores, como Miguel Real têm defendido que os intelectuais estão alheios dos problemas sociais, “dormitando narcisisticamente na sua concha”. O seu livro é um contributo no sentido de provar que há quem esteja alerta?

Miguel Real tem produzido uma obra não apenas ensaística que é de uma importância fulcral para a consciencialização de algumas ideias que andam arredadas da produção artística nacional. Essa sua chamada de atenção, como outras, parece-me de uma pertinência fulgurante. Porém, como notou Pierre Bourdieu, a “ilha sagrada da arte” está em muitos aspectos refém da sociedade capitalista, de uma Economia que deixou de ser “uma coisa em si” para tornar-se “uma coisa por si”. A crise actual pede também uma reformulação do que é o conceito de artista, como o próprio Bourdieu estudou relativamente à mudança que nesse campo se operou do século XIX para o Modernismo. O que quero dizer é que, se termos como “arte realista” deixaram de fazer sentido, a missão social do escritor também. Estes últimos 40-50 anos foram de pura apropriação da arte pelo mercado, que se estendeu ao papel dos escritores. Chegou o momento em que os produtores artísticos produzam não só obras, mas uma nova identidade para o artista. Ainda não sei o quê nem como, mas é para mim certo que neste momento de descivilização, em que perdemos a cada dia séculos de conquistas pelo bem comum, o artista deve desmontar os próprios princípios da civilização. Mas tudo está ainda por inventar, e é essa a grande força da Europa: reinventar-se do nada depois de cada devastação.

 

Entrevista de Sérgio Almeida (Jornal de Notícias)

publicado por Elisabete às 23:07
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Quarta-feira, 19 de Junho de 2013

39 anos depois (I) e (II)

Um país que, depois de construir o futuro, é empurrado de regresso ao passado. Com o 25 de Abril, não foi apenas a Poesia a sair à rua, como pintou Vieira da Silva. A madrugada por que os portugueses havia muito esperavam, como escreveu Sophia, trazia consigo uma promessa de futuro que as conquistas da Revolução e uma Constituição empenhada na dignidade finalmente concretizaram nas nossas vidas. Milhões de portugueses passaram a dispor de coisas tão básicas, tão evidentes, como uma consulta médica gratuita, uma pensão de reforma, uma escola pública decente com professores condignamente formados, uma torneira de onde saía água corrente, um interruptor que ligava uma lâmpada que não mais era um luxo de cidade rica, um transporte público que vinha mitigar uma das tantas causas da exaustão quotidiana de quem trabalhava para sobreviver. As mulheres, mais do que os homens, experienciaram todas as mudanças. Como escreveu Maria Velho da Costa, “elas ouviram falar de uma grande mudança que ia entrar pelas casas”, “souberam dizer salário igual e creches e cantinas”, “sentaram-se a falar à roda de uma mesa a ver como podia ser sem os patrões” e “disseram à mãe, segure-me aqui nos cachopos, senhora, que a gente vai de camioneta a Lisboa dizer-lhes como é”. A Liberdade trazia o futuro, a confiança no futuro, o fim da guerra, três/quatro anos roubados a sangue e a saudade da vida de um milhão de homens de 20-30 anos. Abril trouxe voz, arrojo, a reapropriação de um país por quem nele vivia e a ele queria voltar!

39 anos depois, o medo foi regressando à fábrica, ao escritório, as bocas dos patrões e dos gestores voltaram a encher-se da arrogância do “se não gosta, ponha-se a andar!”, ao desempregado é dito que a culpa é dele (porque parece que não quer trabalhar, se não aceita o meio salário que lhe propõem), e aos jovens é explicado que o problema é não serem empreendedores e não saírem da sua área de conforto… A todos nos repetem que “não estamos em 1975!”, mesmo que a maioria nem saiba o que isso foi, a todos se quer ensinar que “não se meta em trabalhos…”, “isso dos sindicatos é coisa do passado”. Os trabalhadores passaram a ser colaboradores, e, apesar de todo o palavreado da procura da produtividade, é a obediência a disfarçar-se de reverência, a indignidade a disfarçar-se de empenho. Num país que vinha do salazarento elogio da incultura, que dizia que os filhos do povo que tinham ido à escola “nada ganharam. Perderam tudo. Felizes os que esquecem as letras e voltam à enxada” (deputada Virgínia C. Almeida, 1938), a democracia fez-nos dar um salto de gigante na qualificação, na realização pessoal através da escola, da universidade, formou os portugueses mais preparados da história. 39 anos depois de Abril, insinua-se que estudar é inútil e faz-se com que seja caro; e a quem objectar que, dessa forma, se promove o maior abandono escolar da Europa e o regresso da injustiça no acesso à universidade, faz-se o discurso rançoso da necessidade de reduzir as expetativas, “nem todos podem ser doutores!”, que nunca devíamos ter abandonado a escola dual (isto é, discriminatória), que habituava os filhos do povo ao único futuro a que deveriam aspirar: o de um trabalho manual, repetitivo, de execução do que outros decidirem, consequentemente mal pago. Não gostam? Emigrem!

Um país forçado ao envelhecimento e à fuga. E emigram… E Portugal envelhece. As sociedades envelhecem por bons e maus motivos. Porque vivemos mais (78,4 anos, 29º país do mundo onde mais se vive), bem mais do que há 40 anos (67,4 anos, 45º), porque construímos desde o 25 de abril um sistema público de saúde que abriu a (quase) todos a possibilidade de deixar de pensar que a doença e a morte prematuras são simplesmente um fado individual. Mas hoje, sem condições (horários de trabalho cada vez mais longos, desemprego e precariedade de longa duração) e sem ânimo para se empenharem na construção de novas vidas, os portugueses envelhecem. Quando a Revolução trouxe a liberdade e a democracia, a convicção de que se podia tomar o destino nas próprias mãos, os portugueses, confiantes, não tiveram medo de ter filhos. Porque confiavam na própria capacidade de organização de novas condições para crianças e mães, abrindo creches e consagrando direitos sociais de que se não havia disposto nunca. Nasceram 180 mil crianças em 1975, 187 mil em 1976 – e hoje, 1,5 milhões mais do que éramos então, nascem menos de metade. Claro que a extraordinária mudança no estatuto das mulheres portuguesas, as mudanças evidentes no que move os portugueses a serem pais e mães (cada vez mais vontade e menos acaso) contribuíram decisivamente para reduzir o número de filhos. Mas sabemos bem como a nova economia da austeridade e a violência e a chantagem quotidiana em que o trabalho se tem transformado adiam quaisquer planos de parentalidade para depois dos 30, ou 40, além de fazer fugir de Portugal aqueles que querem iniciar a aventura do amor transformado em família. Cínico é que sejam os que falam nos valores familiares a prescrever salários baixos e encerramento de serviços públicos. Talvez pensem que devam ser os mesmos avós a quem cortam a reforma a tomar conta dos filhos dos seus filhos.

 

39 anos depois (II)

 

Num país em que os governos levam a cabo uma política económica contra as pessoas (numa escalada que com o actual governo atinge uma agressividade demencial), com um sistema político atolado, com uma geração de governantes de formação inenarrável e inépcia inexcedível, há uma mudança em construção. Não no Portugal que Passos julga que se sacrifica para ele brilhar na Europa, mas no Portugal resistente que o não suporta mais, que sai à rua, que canta a Grândola contra a mentira e contra o assalto ao trabalho e aos seus frutos, num país que pede um novo 25 de Abril justamente porque se lembra do que ele significou.

 

Um país de gente, outra vez, em fuga

 

Há 39anos, o país em que Adriano Correia de Oliveira cantava Rosalía de Castro para denunciar que “este parte, aquele parte, e todos e todos se vão”, empurrava
150-200 mil pessoas por ano para fora do seu território. Hoje volta a acontecer a mesma coisa. Treze anos de guerra colonial e uma opressão que não dava chance alguma à livre expressão das expectativas sociais, culturais e políticas, e 1.4 milhões de portugueses emigraram, 60% dos quais fugindo a salto, ilegalmente, para recomeçar a vida numa bidonville francesa, sem sequer poder regressar se se tivera fugido a anos de tropa em África. Até isso era preferível a ficar num país cuja economia e salários cresciam mas que encalhara na ditadura e na guerra.

 

Uma política económica contra as pessoas

 

Hoje, apesar da liberdade e dos direitos políticos, o país voltou a encalhar, desta vez sob a ditadura económica de um capitalismo voraz, com uma arrogância ideológica a que nem os patrões de há 39 anos, sob a protecção de Salazar, do Estado e das polícias, se atreviam. Nunca o português comum se viu tão estratosfericamente longe dos centros de decisão da economia. Há 70 anos. Salazar dizia que, em Portugal, “a Nação é acessível a todos [mas] o Estado a muito poucos”; hoje, Gaspar repete à saciedade que ‛‘não há alternativa” à austeridade dele, Passos que é forçoso “o cumprimento cabal das nossas obrigações”; por outras palavras: o sofrimento social ê acessível a todos, mas as decisões de política económica a muito poucos.
Não foi assim durante vários destes 39 anos que passaram desde o 25 de Abril.
Entre a socialização de muita propriedade e as nacionalizações, as comissões de trabalhadores e as negociações colectivas, os portugueses dispuseram de muitos instrumentos de decisão sobre a sua política económica. Perderam-nos desde que todo o processo foi revertido, ainda antes do euro, com Cavaco, prosseguido com Guterres (o recordista das privatizações) e com as personagens de circo que se lhe seguiram. Hoje, os Governos bem podem dizer à banca que invista na economia, que de nada lhes serve; a banca fará (e fez) o que lhe apetecer, com o beneplácito dos independentíssimos
bancos centrais, sempre e quando os Governos assegurem a sobrevivência deles, literalmente à nossa custa.

 

Este é um país de gente desprezada

 

O contrato social assinado nos anos seguintes à Revolução foi unilateralmente rompido há anos. Ele fora aceite, de alguma forma, tanto pelos que não haviam conseguido um socialismo à portuguesa como por aqueles que, tendo aceite descolonização e democracia política, queriam apenas uma pequena dose social na economia. Milhões de portugueses começaram a trabalhar na adolescência, salários de pouco – hoje recebem pensões de ainda menos e um Gaspar qualquer vem-lhes dizer que nem esse pouco eles merecem. São provavelmente estes os mais desiludidos da democracia.

 

Um sistema político atolado

 

Dos três grandes partidos que, apenas formalmente, fundaram o regime democrático constitucional, o PS e o PSD, que já estavam do mesmo lado em 1975-76, dirigiram todos os Governos (salvo os de iniciativa eanista, 1978-79, o que é o mesmo). O sistema político português bloqueou num novo rotativismo em que cada novo Governo é menos diferente do anterior. O CDS, que votou contra a Constituição, governou nove anos com o PSD, ou até com o PS, que, apesar de quase sempre minoritário, nunca negociou alianças à sua esquerda. Aí, contudo, concentraram-se 15-25% dos votos ao longo destes 38 anos. O PCP, a força de fundo no combate à ditadura, participou apenas nos dois anos de Governos provisórios. Nenhum dos novos partidos que irromperam no Parlamento ­ o PRD (1985-91) e o BE (desde 1999), herdeiro das esquerdas revolucionárias que tiveram força nos anos 70 - foi sequer cooptado para o Governo. No total dos eleitores (os 60% que votam e os 40% que não votam), os dois partidos dominantes têm cada vez menos apoio: 59% em I975, 38% em 2011 - quase o mesmo (37%) que aquando da última grande crise (1985). O actual Governo foi votado por menos de 30% dos portugueses, o mesmo que Sócrates quando dispõe de maioria; e comporta(ra)m­-se como se tivessem conseguido mandatos inequívocos. Desde há dez anos que uma geração de políticos de formação inenarrável e inépcia inexcedível tomou conta do aparelho de Estado, tornando-se presa ainda mais fácil de grandes patrões sem escrúpulos e de gestores ou académicos com duas palas liberalonas na cabeça. Com incrível lata, disfarçam de reformismo inadiável a devastação que têm provocado numa democracia construída com tanto esforço, tanta Iuta, tanto combate desigual.

 

Um país resistente

 

É neste pais que as pessoas perceberam que alguma coisa tem de mudar! É no país resistente que se está a construir a mudança - não no Portugal que Passos julga que se sacrifica para ele brilhar na Europa, mas naquele que o não suporta mais, que sai à rua, que canta a Grândola contra a mentira e contra o assalto ao trabalho e aos seus frutos, num país que pede um novo 25 de Abril justamente porque se lembra do que ele significou: a coragem contra o medo, o arrancar da liberdade contra a opressão, o fim de uma guerra que também então se dizia não ter alternativa, a voz contra a mordaça!

 

 Manuel Loff, “Público” (09.05.2013)

 

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Quinta-feira, 13 de Junho de 2013

A Violência Suicidária

 

Talvez estejamos mais perto de um surto de violência social do que imaginamos.

O que é a violência? Na quase impossibilidade de a definir, dir-se-á que ela aparece quando a força, por excesso, defeito ou qualidade, impede outra força de se exprimir segundo a sua natureza (ou: de ser e de perseverar no seu ser).

Daqui pode-se considerar vários tipos de violência: a) a que se recebe e se integra num corpo individual e colectivo, sem que ela represente uma ameaça à sua integridade; b) a que se recebe e que, não se integrando totalmente, se manifesta em disfuncionamentos que o poder dominante tenta corrigir, reprimir ou tratar, excluir ou apagar; c) a que se exerce provocando tais excessos de disfuncionamentos que a vítima que a sofre ou é destruída ou reage violentamente ao agressor.

Que condições são precisas para que a violência, soltando-se dos estratos em que estava sedimentada, se desencadeie no espaço público? Para que se passe do segundo ao terceiro tipo? Dois requisitos, pelo menos: que os dispositivos técnicos ou institucionais criados para controlar e transformar a violência se bloqueiem; e que a violência bloqueada, de meio para obter um fim devenha o seu próprio fim.

Não tendo onde se investir ela circula em excesso nas próprias instituições e só para as manter. O seu fim é agora apenas existir, porque a violência passa a fazer parte do funcionamento da instância que a segrega.

Tomemos como exemplo a política de Educação deste Governo. Os múltiplos disfuncionamentos dos governos anteriores produziram, mas foram controlando, o caos. O actual executivo continuou a política anterior, tornando 2011 e 2012 os anos mais horríveis que a escola conheceu, com um acréscimo de burocracia insuportável, a definição de critérios absurdos, a redução de professores contratados ou a passagem à reforma de docentes do quadro (que desmotivados, cansados, doentes, não aguentam mais), e uma indisciplina incontrolável dos alunos.

 

Os mega-agrupamentos, as modificações no ECD (ex.: a injusta abolição do artº 79, que levará a mais despedimentos), as condições das reformas, as 40 horas que impedem os professores de preparar as suas aulas e tantas outras medidas, tornam a escola num inferno. A educação, a aquisição do conhecimento, a formação do espírito e da cidadania, as relações professor-aluno, escola-comunidade, e a “escola de excelência” deixaram de ser pensadas. 2013 marca a subordinação definitiva dos fins aos meios. A Educação existe para perdurar no caos da sua política obedecendo ao Ministério das Finanças. Será o ano da destruição da escola pública, das políticas manhosas de “mobilidade” e de despedimentos maciços de 30 a 50 mil funcionários da Educação. O Governo arranja um bode expiatório, e faz uma fuga para a frente suicidária – porque os despedimentos colectivos trazem mais caos para o Estado, mais desempregados, mais bloqueios da administração, de economia e do crescimento, não esquecendo os seus efeitos nas famílias.

 

Outro exemplo poderia ser dado. Acontece que o Governo escolheu agora a Educação para abater brutalmente. A sua política suicidária leva à falência do Estado e de todos os portugueses. Situação geral que se resume assim: bloqueado o Governo bloqueia a função pública. Acelera então a austeridade, como única via possível. Austeridade que se volta contra a própria política governativa. Austeridade excessiva e violenta que liberta a violência contida nas próprias instituições que a controlam.

Por outro lado, as forças partidárias da oposição estão também bloqueadas. Na sociedade, entalada entre duas impotências, não suportando mais o papel de vítima sacrificial, o risco de irrupção da violência pode vir de qualquer lado. A exasperação geral é um poderoso combustível. Uma breve faísca basta para o fogo se propagar.

 

José Gil, VISÃO (06 Junho 2013)

 

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Sábado, 22 de Setembro de 2012

O sonho de Pedro Passos Coelho

Um terço é para morrer. Não é que tenhamos gosto em matá-los, mas a verdade é que não há alternativa. Se não damos cabo deles, acabam por nos arrastar com eles para o fundo. E de facto não os vamos matar-matar, aquilo que se chama matar, como faziam os nazis. Se quiséssemos matá-los mesmo era por aí um clamor que Deus me livre. Há gente muito piegas, que não percebe que as decisões duras são para tomar, custe o que custar e que, se nos livrarmos de um terço, os outros vão ficar melhor. É por isso que nós não os vamos matar. Eles é que vão morrendo. Basta que a mortalidade aumente um bocadinho mais que nos outros grupos. E as estatísticas já mostram isso. O Mota Soares está a fazer bem o seu trabalho. Sempre com aquela cara de anjo, sem nunca se desmanchar. Não são os tipos da saúde pública que costumam dizer que a pobreza é a coisa que mais mal faz à saúde? Eles lá sabem. Por isso, joga tudo a nosso favor. A tendência já mostra isso e o que é importante é a tendência. Como eles adoecem mais, é só ir dificultando cada vez mais o acesso aos tratamentos. A natureza faz o resto. O Paulo Macedo também faz o que pode. Não é genocídio, é estatística. Um dia lá chegaremos, o que é importante é que estamos no caminho certo. Não há dinheiro para tratar toda a gente e é preciso fazer escolhas. E as escolhas implicam sempre sacrifícios. Só podemos salvar alguns e devemos salvar aqueles que são mais úteis à sociedade, os que geram riqueza. Não pode haver uns tipos que só têm direitos e não contribuem com nada, que não têm deveres.

Estas tretas da democracia e da educação e da saúde para todos foram inventadas quando a sociedade precisava de milhões e milhões de pobres para espalhar estrume e coisas assim. Agora já não precisamos e há cretinos que ainda não perceberam que, para nós vivermos bem, é preciso podar estes sub-humanos.

Que há um terço que tem de ir à vida não tem dúvida nenhuma. Tem é de ser o terço certo, os que gastam os nossos recursos todos e que não contribuem. Tem de haver equidade. Se gastam e não contribuem, tenho muita pena... os recursos são escassos. Ainda no outro dia os jornais diziam que estamos com um milhão de analfabetos. O que é que os analfabetos podem contribuir para a sociedade do conhecimento? Só vão engrossar a massa dos parasitas, a viver à conta. Portanto, são: os analfabetos, os desempregados de longa duração, os doentes crónicos, os pensionistas pobres (não vamos meter os velhos todos porque nós não somos animais e temos os nossos pais e os nossos avós), os sem-abrigo, os pedintes e os ciganos, claro. E os deficientes. Não são todos. Mas se não tiverem uma família que possa suportar o custo da assistência não se pode atirar esse fardo para cima da sociedade. Não era justo. E temos de promover a justiça social.

O outro terço temos de os pôr com dono. É chato ainda precisarmos de alguns operários e assim, mas esta pouca-vergonha de pensarem que mandam no país só porque votam tem de acabar. Para começar, o país não é competitivo com as pessoas a viverem todas decentemente. Não digo voltar à escravatura - é outro papão de que não se pode falar -, mas a verdade é que as sociedades evoluíram muito graças à escravatura. Libertam-se recursos para fazer investimentos e inovação para garantir o progresso e permite-se o ócio das classes abastadas, que também precisam. A chatice de não podermos eliminar os operários como aos sub-humanos é que precisamos destes gajos para fazerem algumas coisas chatas e, para mais (por enquanto), votam - ainda que a maioria deles ou não vote ou vote em nós. O que é preciso é acabar com esses direitos garantidos que fazem com que eles trabalhem o mínimo e vivam à sombra da bananeira. Eles têm de ser aquilo que os comunistas dizem que eles são: proletários. Acabar com os direitos laborais, a estabilidade do emprego, reduzir-lhes o nível de vida de maneira que percebam quem manda. Estes têm de andar sempre borrados de medo: medo de ficar sem trabalho e passar a ser sub-humanos, de morrer de fome no meio da rua. E enchê-los de futebol e telenovelas e reality shows para os anestesiar e para pensarem que os filhos deles vão ser estrelas de hip-hop e assim.

O outro terço são profissionais e técnicos, que produzem serviços essenciais, médicos e engenheiros, mas estes estão no papo. Já os convencemos de que combater a desigualdade não é sustentável (tenho de mandar uma caixa de charutos ao Lobo Xavier), que para eles poderem viver com conforto não há outra alternativa que não seja liquidar os ciganos e os desempregados e acabar com o RSI e que para pagar a saúde deles não podemos pagar a saúde dos pobres.

Com um terço da população exterminada, um terço anestesiado e um terço comprado, o país pode voltar a ser estável e viável. A verdade é que a pegada ecológica da sociedade actual não é sustentável. E se não fosse assim não poderíamos garantir o nível de luxo crescente da classe dirigente, onde eu espero estar um dia. Não vou ficar em Massamá a vida toda. O Ângelo diz que, se continuarmos a portar-nos bem, um dia nós também vamos poder pertencer à elite.


José Vítor Malheiros, in Público [11 de Setembro de 2012]

 

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Segunda-feira, 6 de Agosto de 2012

A esperança não morre

 

por Miguel Urbano Rodrigues

 

Adolfo Casais Monteiro escreveu no final dos anos 50 que "era difícil ser português". Expressou uma realidade.

Humberto Delgado estava refugiado na Embaixada do Brasil e naquela época a imagem do fascismo era medonha nos meios intelectuais brasileiros.

Conheci no exílio essa situação. Os amigos perguntavam como podia o povo português suportar há décadas uma ditadura tão obscurantista como a de Salazar. As nossas explicações para a sobrevivência do regime não convenciam

Transcorrido meio século, a situação em Portugal faz-me recordar o desabafo de Casais Monteiro num contexto histórico muito diferente.

A crise do capitalismo irrompeu nos EUA e alastrou pelo mundo. Mas em Portugal os seus efeitos inserem-se num quadro que pelas suas facetas humilhantes é difícil compreender e explicar.

Cada manhã, quando abro o computador e tomo conhecimento das últimas notícias e à noite, ao acompanhar os noticiários da televisão e ouvir resumos de declarações de ministros e deputados dos partidos da burguesia e de falas do primeiro-ministro, sou tocado pela estranha sensação de assistir a uma farsa intemporal num país inimaginável.

Temo que não exista precedente para uma situação como a de Portugal neste ano sombrio de 2012.

Sei que os trabalhadores irlandeses, gregos e espanhóis, entre outros, sofrem duramente as consequências de políticas impostas pelo grande capital internacional em nome de uma "austeridade" que empobrece mais os de baixo enquanto enriquece os de cima.

O que diferencia então o caso português dos demais?

Aqui a linguagem, o comportamento, o arrogante exibicionismo dos responsáveis pelo trágico agravamento da crise são irrepetíveis, ao exigirem "sacrifícios" aos explorados e oferecerem prebendas aos exploradores. Tudo em nome do interesse nacional, da salvação da Pátria. O discurso lembra o do fascismo.

Mas creio que nem no auge do fascismo Salazar tenha reunido em qualquer dos seus governos um feixe de ministros e secretários de estado comparável ao gabinete formado por Passos Coelho. Com a peculiaridade de o Partido Socialista, cúmplice do binómio que desgoverna o Pais, participar conscientemente da tragédia social e económica em desenvolvimento.

Politólogos, professores de discurso pomposo (alguns formados em universidades de fantasia), jornalistas de pretensa sabedoria analisam em múltiplas e insuportáveis mesas redondas a crise e, com raríssimas excepções, alinhem com o governo ou não, destilam anticomunismo, identificam no presidente Obama um grande humanista e justificam as guerras imperialistas.

A política de "austeridade", a submissão servil ao diktat da troika, o roubo de salários, a supressão dos subsídios de natal e de férias, o aumento de impostos sobre o trabalho, os despedimentos sumários configuram já o funcionamento de mecanismos de uma ditadura de facto da burguesia, mas o coro dos epígonos fala com orgulho farisaico da "nossa democracia".

A engrenagem que ostenta as insígnias do Poder é servida por uma equipa de pesadelo.
O Primeiro-ministro merecia figurar no Guiness. Impressiona pela vastidão da ignorância, pelo vácuo intelectual.

Estranhamente, fala como se fosse detentor do saber universal. Quase diariamente enaltece os benefícios da sua política neoliberal ortodoxa, afirmando que o povo a compreende, mas é recebido com vaias em todas as cidades e vilas onde aparece.

Conheci-o em 1991. Eu era então secretário da Comissão de Negócios Estrangeiros da Assembleia da Republica, ele um jovem deputado que liderava a Juventude do PSD.

Recordo que quando pedia a palavra bolsava tanta asneira que, por decoro, lhe pedia que abreviasse as suas arengas.

O ministro Relvas ganhou notoriedade por talentos que lembram os de vilões de tragédias shakespearianas. O ministro da Economia escreveu livros "criacionistas" [NR] que principiam agora a correr de mão em mão como obras de contornos extraterrestres. São apenas três figuras de um painel governativo impar na Europa comunitária.
O Presidente da Republica, um reaccionário quimicamente puro, apoia o descalabro.

É essa gente que, desfraldando o estandarte da democracia, garante que "os portugueses" apoiam a ditadura de classe que os afunda na miséria.

Desaprovo as analogias em política. Mas este governo, pelo absurdo, pela crueldade social, pelo exibicionismo ridículo, pela submissão ao capital faz-me lembrar atitudes do subsaariano Imperador Bokassa da Republica Centro Africana.

É tão transparente o repúdio popular pela estratégia de Passos e seus rapazes que até Pacheco Pereira – o mais inteligente e culto dos ex-dirigentes da direita – sentiu a necessidade de escrever um artigo (Público, 28 de Julho de 2012) desancando o sistema. Nele pergunta: "Como devemos cruzar-nos com os credores? De alpergatas, trabalhando 10 horas por um salário de miséria?". Ele próprio responde que em breve o povo acordará, "porque estas coisas, uma vez maduras, não escolhem nem dia, nem hora".
A História de Portugal lembra que a esperança não morre no povo. Quando a opressão atinge um nível insuportável, as massas levantam-se e assumem-se como sujeito da ruptura.
Foi assim em 1383, na guerra da Restauração em 1640, e no 25 de Abril de 1974.
Os actuais inimigos do povo, Passos & Companhia, instrumentos do capital e do imperialismo, vão desaparecer na poeira da História. A obra é devastadora, os autores figurinhas liliputianas.

 

Vila Nova de Gaia, 01/Agosto/2012

 

[NR] Álvaro Santos Pereira, Diário de um Deus Criacionista, Ed. Guerra & Paz, 204 págs.
Excerto: "Esta é uma obra de ficção, e qualquer semelhança com a realidade poderá ou não ser coincidência. Só Deus saberá. Este é um diário da História de Deus e da Sua solidão infinita durante biliões e biliões e biliões e biliões de anos e da Sua magnífica Obra e da incrível criação dos universos e do Tempo e das estrelas e da expansão desmesurada do Cosmos que atingiu uma enormidade tal que deixou o Divino com os nervos em franja".

 

O original encontra-se em http://www.odiario.info/?p=2566

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/  

publicado por Elisabete às 21:43
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Quinta-feira, 17 de Maio de 2012

Porque resistir, às vezes, não basta…

 

Esta é uma iniciativa política de pessoas livres, unidas pelos ideais da esquerda e pela prática democrática. Aberta a todos os cidadãos, com ou sem partido.
Acreditamos que apenas a expressão de uma forte vontade cívica, por parte de cada um de nós, poderá dar a resposta adequada aos problemas do nosso tempo.

Portugal afunda-se, a Europa divide-se e a Esquerda assiste, atónita.

As raízes desta crise estão no desprezo do que é público, no desperdício de recursos, no desfazer do contrato social, na desregulação dos mercados, na desorientação dos governos, na desunião europeia e na degradação da democracia.

Em Portugal e na Europa, a direita domina os governos, as instituições e boa parte do debate público. A direita concerta-se com facilidade, tem uma agenda ideológica e um programa para aplicar. A direita proclama que o estado social morreu e que os direitos, a que chamam adquiridos, são para abater.

Em Portugal e na Europa, a esquerda está dividida entre a moleza e a inconsequência. Esta esquerda, às vezes tão infle­xível entre si, acaba por deixar aberto o caminho à ofensiva reacionária em que agora vivemos, e à qual resistimos como podemos.
Resistir, contudo, não basta.

É necessário reconstruir uma República Portuguesa digna da palavra República e construir uma União Europeia digna da palavra União.

É preciso propor aos portugueses, como aos outros europeus, um horizonte mais humano de desenvolvimento, um novo cami­nho para a economia e um novo pacto de justiça social.

É possível fazê-lo. Uma esquerda corajosa deve apresentar al­ternativas concretas e decisivas para romper com a austerida­de e sair da crise, debatidas de forma aberta e em plataformas inovadoras.

A democracia pode vencer a crise. Mas a democracia precisa de nós.

Apelamos a todos aqueles e aquelas que se cansaram de espe­rar – que não esperem mais.

É a nós todos que cabe construir:

 

UMA ESQUERDA MAIS LIVRE, com práticas democráticas efe­ctivas, sem dogmas nem cedências sistemáticas à direita, liberta das suas rivalidades, do sectarismo e do feudalismo político que a paralisa. Uma esquerda de cidadãos dispostos a tra­balhar em conjunto para que o país recupere a esperança de viver numa sociedade próspera e solidária.

 

UM PORTUGAL MAIS IGUAL, socialmente mais justo, que res­peite o direito ao trabalho condigno e combata as injustiças e desigualdades que o tornam insustentável. Um país decidido a superar a crise com uma estratégia de desenvolvimento eco­nómico e social, com uma economia que respeite as pessoas e o ambiente, numa democracia mais representativa e mais participada, com um Estado liberto dos interesses particulares que o parasitam.

 

UMA EUROPA MAIS FRATERNA, à altura dos ideais que a fundaram, transformada pelos seus cidadãos numa verdadeira democracia. Uma Europa apoiada na solidariedade e na coe­são dos países que a formam. Uma Europa que ambicione um alto nível de desenvolvimento económico, social e ambiental. Uma União que faça do pleno emprego um objectivo central da sua política económica, que dê um presente digno aos seus cidadãos e um futuro promissor às suas gerações jovens.

 

www.paraumaesquerdalivre.net

 

publicado por Elisabete às 08:10
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Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2012

E assim vai Portugal!!!

 

 

Não é o "partido único" mas é o "pensamento único"

 

publicado por Elisabete às 19:48
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Domingo, 23 de Outubro de 2011

Um manifesto de grande indignação!

Foto: José Coelho (Lusa)
 

Sr. Primeiro-Ministro!

 

Depois das medidas que anunciou, sinto uma força a crescer-me nos dedos e uma raiva a nascer-me nos dentes, como diria o Sérgio Godinho. V. Exª dirá que está a fazer o que é preciso.

Eu direi que V. Exª faz o que disse que não faria, faz mais do que deveria e faz sempre contra os mesmos. V. Exª disse que era um disparate a ideia de cativar o subsídio de Natal.

Quando o fez por metade disse que iria vigorar apenas em 2011. Agora cativa a 100% os subsídios de férias e de Natal, como o fará até 2013.

Lançou o imposto de solidariedade. Nada disto está no acordo com a troika. A lista de malfeitorias contra os trabalhadores por conta de outrem é extensa, mas V. Exª diz que as medidas são suas, mas o défice não.

É verdade que o défice não é seu, embora já leve quatro meses de manifesta dificuldade em o controlar. Mas as medidas são suas e do seu ministro das Finanças, um holograma do Sr. Otmar Issing, que o incita a lançar uma terrível punição sobre este povo ignaro e gastador, obrigando-o a sorver até à última gota a cicuta que o há-de conduzir à redenção.

Não há alternativa? Há sempre alternativa mesmo com uma pistola encostada à cabeça. E o que eu esperava do meu primeiro-ministro é que ele estivesse, de forma incondicional, ao lado do povo que o elegeu e não dos credores que nos querem extrair até à última gota de sangue.

O que eu esperava do meu primeiro-ministro é que ele estivesse a lutar ferozmente nas instâncias internacionais para minimizar os sacrifícios que teremos inevitavelmente de suportar.

O que eu esperava do meu primeiro-ministro é que ele explicasse aos Césares que no conforto dos seus gabinetes decretam o
sacrifício de povos centenários que Portugal cumprirá integralmente os seus compromissos — mas que precisa de mais tempo, melhores condições e mais algum dinheiro.

Mas V. Exª. e o seu ministro das Finanças comportam-se como diligentes directores-gerais da troika; não têm a menor noção de como estão a destruir a delicada teia de relações que sustenta a nossa coesão social; não se preocupam com a emigração de milhares de quadros e estudantes altamente qualificados; e acreditam cegamente que a receita, que tão mal está a provar na Grécia, terá excelentes resultados por aqui. Não terá! Milhares de pessoas serão lançadas no desemprego e no desespero, o consumo recuará aos anos 70, o rendimento cairá 40%, o investimento vai evaporar-se e, dentro de dois anos, dir-nos-ão que não atingimos os resultados porque não aplicámos a receita na íntegra.

Senhor primeiro-ministro, talvez ainda possa arrepiar caminho. Até lá, sinto uma força a crescer-me nos dedos e uma raiva a
nascer-me nos dentes.

 

Nicolau Santos, Expresso [15/10/2011] 

 

publicado por Elisabete às 16:38
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Sexta-feira, 1 de Abril de 2011

PORTUGAL em ruínas?

 

"Aqui havia uma casa"

 

Ilse Losa contou-me um episódio doloroso do seu regresso à Alemanha no fim da guerra, quando visitou já não sei se Osnabruck se Hannover, onde vivera. Procurou a sua casa e não a encontrou.

Nem sequer o lugar dela, pois a cidade fora de tal modo desfigurada pelos bombardeamentos que todas as referências geográficas (ruas, praças, edifícios) tinham desaparecido numa amálgama indistinta de ruínas onde era impossível a orientação. Tal sentimento de perda irremediável está presente em grande parte da sua obra, especialmente em "Aqui havia uma casa".

Muitos portugueses experimentam hoje um sentimento parecido ante as ruínas daquilo que foi um dia um país e hoje é apenas um patético joguete de interesses alheios. Também "aqui havia uma casa", agora impossível de encontrar à míngua de referências (morais, ideológicas ou outras) e de qualquer projecto que não o da ganhunça. A "choldra ignóbil" de Eça regressou corrompendo tudo, confundindo verdade e mentira e espoliando o presente e o futuro colectivos.

As próprias palavras deixaram de merecer confiança. O Partido Socialista é tão socialista quanto o Partido Social-Democrata é social-democrata e expressões como "Estado social" ou "justiça social" perderam qualquer significado. Daqui a dois meses iremos outra vez a votos. E, como a imensa maioria descontente que se abstém não conta, os mesmos elegerão de novo os mesmos. Que farão mais uma vez o mesmo.

 

Manuel António Pina, Por Outras Palavras

Jornal de Notícias [1Abril2011]

 

publicado por Elisabete às 11:33
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Sexta-feira, 14 de Maio de 2010

Apertar o cinto... PARA QUÊ?

 
Todos sabemos que sobre nós europeus, e portugueses em particular, caiu uma nuvem negra que não tem nada a ver com a nuvem de cinza do vulcão islandês. Parece que estamos à beira do abismo. Impõe-se, por isso, apertar o cinto. Até poderia estar de acordo se... se tivesse a certeza de que isso resolveria alguma coisa.
A experiência obriga-me a desconfiar. A verdade é que há culpados desta situação e, enquanto estes não forem responsabilizados pelos seus actos, não poderá encontrar-se uma solução duradoura.
Os homens que decidem as nossas vidas, os governantes do país e da UE, seguem políticas incorrectas que põem em perigo o futuro de todos e, quando as coisas correm mal, obrigam-nos a pagar o preço da sua incompetência e incapacidade. Ninguém lhes pede contas. Por que carga de água se vão importar com as nossas dificuldades?
Enquanto continuarmos a suportar a impunidade destes senhores, não haverá salvação. E não basta a penalização da falta de confiança traduzida na mudança de voto nas eleições. Se só lhes interessa ganhar eleições à custa da mentira, de remendos pontuais, e não são capazes de perspectivar o longo prazo, vão fazer outra coisa! Quem lhes dá o direito de destruir as nossas vidas e do futuro do país?
A nuvem negra só cai sobre nós enquanto nós deixarmos, enquanto não os obrigarmos a ver que não somos números de uma qualquer estatística, mas homens e mulheres com direito a viver com dignidade e a felicidade possível.
publicado por Elisabete às 15:50
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Domingo, 7 de Junho de 2009

Eu já votei.

 

 

Não votar, salvo motivos intransponíveis, significa renunciar a um direito fundamental que custou muitos sacrifícios (e até vidas!) oferecidos ao sonho da Democracia.
 
António Freitas Cruz
Jornal de Notícias [7.Junho.2009]
 
 
 
Eu já votei.
Porque se é verdade que a cidadania não se esgota no voto, não posso deixar de afirmar o que quero (ou não quero) para mim, para o meu País, para a Europa e para o Mundo. Porque é de nós todos que depende o presente e o futuro.
 
 

 

publicado por Elisabete às 18:05
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Quinta-feira, 29 de Maio de 2008

RESSUSCITAR O ESPÍRITO DE ABRIL

 

 

 

APELO 

 

O 25 de Abril e o 1º de Maio de 1974 ficaram para sempre associados ao imaginário da liberdade e da democracia. Continuam a ser uma referência e uma inspiração. Trinta e quatro anos volvidos, apesar do muito que Portugal mudou, o ambiente não é propriamente de festa. Novas e gritantes desigualdades, cerca de dois milhões de portugueses em risco de pobreza, aumento do desemprego e da precariedade, deficiências em serviços públicos essenciais, como na saúde e na educação. Os rendimentos dos 20 por cento que têm mais são sete vezes superiores aos dos 20 por cento que têm menos.
A corrupção e a promiscuidade entre diferentes poderes criaram no país um clima de suspeição que mina a confiança no Estado democrático.
Numa democracia moderna, os direitos políticos são inseparáveis dos direitos sociais. Se estes recuam, a democracia fica diminuída. O grande défice português é o défice social, um défice de confiança e de esperança.
O compromisso do 25 de Abril exige que se restaurem as metas sociais consagradas na Constituição da República. E exige também uma crescente cidadania contra a insegurança, contra as desigualdades, por mais e melhor democracia.
Não podemos, por outro lado, ignorar a persistência de uma política de agressão, bem como as repetidas violações do direito internacional e dos direitos humanos. Bagdad, Abu-Ghraib e Guantánamo são os novos símbolos da vergonha. Não se constrói a paz com a guerra. Nem se defende a democracia pondo em causa os seus princípios. E por isso, hoje como ontem, é preciso lutar pelos valores da Paz e pelos Direitos Humanos.
Não nos resignamos perante as dificuldades. Como escreveu Miguel Torga – “Temos nas nossas mãos / o terrível poder de recusar.” Mas também o poder de afirmar e de dar vida à democracia.
Os que nos juntamos neste apelo, vindos de sensibilidades e experiências diferentes, partilhamos os valores essenciais da esquerda em nome dessa exigência. É tempo de buscar os diálogos abertos e o sentido de responsabilidade democrática que têm de se impor contra o pensamento único, a injustiça e a desigualdade.

Manuel Alegre - deputado e escritor; Isabel Allegro Magalhães - professora universitária; José Soeiro - deputado; Abílio Hernandez - professor universitário; Acácio Alferes - engenheiro; Albano Silva - professor; Albino Bárbara - funcionário público; Alexandre Azevedo Pinto - economista, docente universitário; Alfredo Assunção - general, militar de Abril; Alípio Melo - médico; Ana Aleixo - médica; Ana Luísa Amaral - escritora; António Manuel Ribeiro - músico; António Marçal - sindicalista; António Neto Brandão - advogado; António Nóvoa - professor universitário; António Travanca - professor universitário; Augusto Valente - major general, militar de Abril; Camilo Mortágua - resistente; Carlos Alegria - médico; Carlos Brito - ex-deputado; Carlos Cunha - engenheiro; Carlos Sá Furtado - professor universitário; Carolina Tito de Morais - médica; Carreira Marques - ex-autarca; Cipriano Justo - médico; Cláudio Torres - arqueólogo; David Ferreira - editor; Dinis Cortes - médico; Edmundo Pedro - resistente, ex-deputado; Eduardo Milheiro - empresário; Elísio Estanque - professor universitário; Ernesto Rodrigues - escritor; Eunice Castro - sindicalista; Fátima Grácio - dirigente associativa; Francisco Fanhais - músico e professor; Francisco Louça - deputado; Francisco Simões - escultor; Helena Roseta - arquitecta, autarca; Henrique de Melo - empresário; João Correia - advogado; João Cutileiro - escultor; João Semedo - deputado; João Teixeira Lopes - professor universitário; Joaquim Sarmento - advogado, ex-deputado; Jorge Bateira - professor universitário; Jorge Leite - professor universitário; Jorge Silva - médico; José Aranda da Silva - ex-Bastonário Farmacêuticos; José Emílio Viana - dirigente associativo; José Faria e Costa - professor universitário; José Leitão - advogado, ex-deputado; José Luís Cardoso - advogado, militar de Abril; José Manuel Mendes - escritor; José Manuel Pureza - professor universitário; José Neves - fundador do PS; José Reis - professor universitário; Luís Fazenda - deputado; Luís Moita - professor universitário; Luisa Feijó - tradutora; Mafalda Durão Ferreira - reformada da função pública; Manuel Correia Fernandes - arquitecto, professor universitário; Manuel Grilo - sindicalista; Manuel Sá Couto - professor; Manuela Júdice - bibliotecária; Manuela Neto - professora universitária; Margarida Lagarto - pintora; Maria do Rosário Gama - professora; Maria José Gama - dirigente associativa; Mariana Aiveca - sindicalista; Natércia Maia - professora; Nélson de Matos - editor; Nuno Cruz David - professor universitário; Pacman - músico; Paula Marques - produtora; Paulo Fidalgo - médico; Paulo Sucena - professor; Pio Abreu - psiquiatra; Richard Zimmler - escritor; Rui Mendes - actor; Teresa Mendes - reformada da função pública; Teresa Portugal - deputada; Ulisses Garrido - sindicalista; Valter Diogo - funcionário público aposentado; Vasco Pereira da Costa - escritor, director regional da cultura.

 

 

Será que este encontro, no Teatro Trindade, no próximo 3 de Junho, em que participarão elementos do Bloco de Esquerda, renovadores comunistas e socialistas históricos, como Manuel Alegre, é a pedrada no charco há tanto tempo esperada?

 

Mário Soares, por seu lado, faz um contundente aviso ao Governo de José Sócrates para que faça uma reflexão urgente sobre a crise social que afecta o país, sobretudo em relação a bolsas de pobreza,  desigualdades sociais e  descontentamento da classe média, sob pena de um fracasso eleitoral já em 2009, por possibilidade de haver transferência de voto para o PCP e o Bloco de Esquerda. 

Não sendo, propriamente, admiradora do Dr. Mário Soares, concedo que há um conjunto de princípios a que ele é fiel e, por isso, tem a minha admiração. Teria gostado, no entanto, que a sua preocupação não fosse tanto a perda das próximas eleições pelo PS, mas antes a injustiça da situação que vivemos e a que um homem de esquerda não pode ficar indiferente. 

As eleições… Quero lá saber das eleições, se sei que vão ser ganhas pelos responsáveis das políticas erradas que têm sido seguidas! Que alternativa temos ao bloco central?

 

Só vejo uma solução: a luta, sem tréguas, de todos aqueles que não se conformam com o desnorte provocado pela incompetência desse mesmo bloco central (PS e PSD), nem aceitam políticas que favoreçam as desigualdades sociais e neguem à maioria o direito a viver com dignidade.

 

ACORDA, PORTUGAL!!!
  

publicado por Elisabete às 14:52
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Terça-feira, 20 de Maio de 2008

Ainda tão longe as portas do futuro...

 

 

O INFANTE


Deus quer, o homem sonha, a obra nasce,
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,

E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.

Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!

 

Fernando Pessoa, Mensagem

 

publicado por Elisabete às 19:26
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Terça-feira, 22 de Abril de 2008

MORRA A CORJA, MORRA! PUM!!!

É preciso romper o cerco e afastar a fatalidade.
É preciso dar os murros necessários a esta gentinha medíocre que tomou conta do País.
Eles fazem a opinião pública. Eles conseguem pôr os portugueses de joelhos frente ao "bezerro dourado" do neoliberalismo e do capital.
Andamos todos a "dormir na forma"... É preciso acordar, sob pena de perdermos o futuro.
ACORDA, PORTUGAL!!!
 
publicado por Elisabete às 12:18
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